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Posts com a Tag Itália

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 Comidinhas na Itália | 19:01

Itália: 3 dias no Don Alfonso 1890

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Há cerca de dois meses, a cada post do Comidinhas, encontrava um comentário de um rapaz italiano que dizia precisar entrar em contato urgente. Dois ou três desses pedidos depois, finalmente, trocamos alguns emails. A urgência era para convidar para participar de um encontro de blogueiros no Relais & Chateau Don Alfonso 1890, um hotel em Sant´Agata sui Due Golfi, na Península Sorrentina, no Sul da Itália, que tem também um dos melhores restaurantes da Europa.

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Vista de Sant´Agata sui Due Golfi. No fundo, o vulcão Vesúvio

O Don Alfonso existe mesmo desde 1890, quando o avô Alfonso Costanzo Iaccarino, retornou à pequenina cidade da costa mediterrânea próxima a Nápoles. Mas o restaurante só foi existir em 1973, quando seu neto, também Alfonso, e a mulher Lívia decidiram levar adiante o negócio da família. Recentemente, o Don Alfonso passou por uma reformulação. E a idéia da família era contar para alguns blogueiros selecionados pelo mundo as suas novidades e trocar informações, percepções etc.

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Vista aérea do Relais & Chateau Don Alfonso 1890

Ir até a Europa para um final de semana à beira-mar num dos melhores restaurantes do mundo, claro, pareceu muito tentador. Mas também surreal. Como chegaram até o blog? Quem selecionou? É muita loucura ir ali até a Itália jantar e voltar ao Brasil?

Mas, reunir um blog brasileiro, um americano, um inglês, um alemão, um italiano e um japonês para discutir comida em um dos países que levam mais a sério esse assunto e que também é dos mais conservadores, me pareceu muito moderno e não dava para ficar de fora. E ainda bem que eu topei.

A cozinha hoje do Don Alfonso é comandada por Ernesto Iaccarino, um dos filhos de Lívia e Alfonso. O pai foi cuidar da fazenda da família. A mãe é a relações-públicas e também uma espécie de controle de qualidade dos serviços prestados. E o outro filho, Mario, é o administrador.  Essa nova organização foi fundamental para conseguir entregar a nova filosofia da casa: um restaurante de comida tradicional italiana, baseada na qualidade dos produtos da região da Campana, todos orgânicos e, de preferência, produzidos na fazenda da família ou, no máximo, por artesãos locais.

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Alfonso e Lívia Iaccarino

Do xampu nos banheiros dos quartos ao azeite extra-virgem, tudo é orgânico. E tudo é pensado para aproveitar ao máximo o que o sol e o calor da região têm a oferecer. “Os tomates ficam no pé até quase caírem, para aproveitar toda a riqueza do sol dessa região, sem nenhuma química”, conta Alfonso Iaccarino.

Pouquíssima coisa é comprada. A fazenda fornece todos os legumes, verduras, ervas, frutas,  carne de frango,  leite (manteiga e iogurte) e até o azeite. Apenas carnes, trufas, chocolates e queijos são comprados de produtores artesanais.

Na cozinha de Ernesto não entra manteiga, óleo comum ou creme de leite. Só é usado azeite extra-virgem. E, para engrossar caldos e molhos, ele usa, por exemplo, uma gelatina feita com tapioca (tapioca com água a 90°C). Até mesmo o alho, só entra em dente inteiro, para dar sabor ao prato no início do preparo e depois é retirado da panela. “Nós não enganamos ou fingimos usar alguns ingredientes. Seguimos à risca a idéia de uma culinária saudável, mediterrânea, com produtos locais e de qualidade. Às vezes, o mais fácil é o mais complicado. Usamos bons ingredientes e cozinheiros que têm bom coração e paixão. Até nas sobremesas, por exemplo, temos um limite de só 10% de açúcar, para ter cuidado com a saúde”, diz Ernesto.

Em 3 dias, Sigrid Verbert, do Cavoletto di Bruxeles  ,  Keiko Oikawa, do Nordljus ,  Matt Armendariz, do Matt Bites,  Nicole Stich, do Delicious Days,  Chika Yoshizaki, do She Who Eats  e eu fizemos 3 jantares completos (um deles com 10 pratos), aulas de culinária com o chef Ernesto, pizza com Don Miguel, o melhor pizzaiolo de Nápoles (portanto, o melhor da Itália), visita à fazenda orgânica da família (que fica de frente para a ilha de Capri), visita à fábrica de mussarela de búfala orgânica e falamos muito de comida e de blogs.

equipeblogueiros

Toda a turma de blogueiros com o chef Ernesto Iaccarino ao fundo

Então, vou publicar aqui todo esse material em algumas partes: hoje, o primeiro dia de almoço e jantar; terça-feira pós-feriado, outros dois jantares e café da manhã; as visitas à fazenda e à fábrica de mussarela na quarta-feira; quinta, as aulas e as receitas dos pratos que aprendemos a fazer lá; na sexta, um pdf com todo o material para quem quiser baixar e guardar e um fotoshow com as fotos mais bacanas. Prepare-se para a maratona.

Todas as fotos são da Andrea Maia/Studio Agnus.

Assim que chegamos ao Don Alfonso, fomos recebidos com um “almoço leve”, como chamaram, porque o jantar seria extenso.

amusebouche

Começamos com um amuse bouche: uma fatia de uma fruta parecida com a nectarina, pistaches e uma lasca fina de um cogumelo raro da região, bem parecido com uma trufa negra.

vesuvio

Depois, comemos um dos pratos mais famosos da casa: o rigatone Vesúvio. Esse foi um dos pratos que tivemos aula e vou dar a receita aqui nos próximos dias. A massa rigatone é montada na forma do famoso vulcão da região. É recheada com mussarela de búfala, ervilhas, ovo cozido e coberta com um molho ragu, salsa de manjericão e um creme de mussarela de búfala.

babaaorum

Como sobremesa, baba ao rum, servida com um zabaione perfeito e gelatina de frutas vermelhas no fundo do prato.

minidoces

Junto com o café, vieram os mini doces tradicionais italianos: cannoli, sfogliatela, bomba de café, gelatina de chocolate amargo, torta de frutas com creme de ricota.

Ainda bem que o almoço foi “leve”, porque menos de cinco horas depois, haveria o jantar completo:

lula2

Começou com mini lulas recheadas com provoleta, um queijo provolone mais líquido e suave, feito por uma artesã local, com um sabor bem leve, servida com um creme de pimentões amarelos e umas folhinhas de estragão. Parece não combinar o queijo e a lula. Mas fica perfeito.

trufassobreovo

Depois, o melhor prato da casa: ovo cozido a 63°C por 1h10, com vagem, espuma de mussarela de búfala e trufas brancas. Ovos e trufas são uma clássica combinação e todo mundo já sabe que poucas coisas podem ser tão boas. Mas com a espuma de mussarela de búfala orgânica então… é de encher os olhos de lágrimas! Nada como a perfeição.

boladericotta

Bolas de ricota de búfala defumada, com raspas de limão siciliano e servida com um consomé de peixe. Leve, fresco, outra incrível combinação de queijo e peixe.

risotto

Risoto (feito com arroz carnaroli orgânico), carne de caça (Alfonso passa todos os anos alguns dias na Mongólia caçando) e trufas negras

peixe

Cherne cozido no vapor com um molho feito com favas de baunilha, croquete de batatas e gengibre, manjericão e um zabaione feito com colatura de anchovas. A colatura é o líquido salgado que sai de uma pressão de anchovas, água, sal e azeite.

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Carne de guiné, recheada com foie gras, servida com cenoura crocante e batata em uma redução de vinho da região

sobremesalimao

A sobremesa foi um creme de limão siciliano servido dentro da própria casca do limão, com uma fatia fina de limão seco, um gomo de limão empanado (sério, fica incrível) e um massa patachou recheada com creme de limão. Uau!

Aguarde os próximos posts….

Notas relacionadas:

  1. Eu amo limões sicilianos
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , , , , ,

domingo, 21 de setembro de 2008 Sem categoria | 20:49

Sicília: uma fazenda no alto das montanhas

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Antes de deixar a Sicília, eu precisava ir a mais um agriturismo. Depois de uma pesquisa rápida na internet, escolhi a Masseria Rossella, uma fazenda em Piana Degli Albanese, uma micro cidade a 40 km de Palermo e muito, mas muito no alto das montanhas.
Não foi nada fácil chegar lá. De novo, precipícios com estradas estreitas pedindo cuidado ao extremo para dirigir e depois uma estradinha de terra que quase nos deixou atolados no meio do nada. Mas a
vista…

masseriarossella_vista1

masseria rossella
Fazenda Masseria Rossella

masseriarossella_entrada
Entrada da fazenda

Chegamos atrasados, duas da tarde. E o proprietário esqueceu de deixar os empregados avisados de que estaríamos lá para o almoço. Quando falamos que gostaríamos de comer, ouvíamos da sala os gritos das duas cozinheiras maldizendo o patrão.
Mas meia hora depois estávamos sentados em uma mesa com essa visão:

sala de jantar da masseria rossella

Começamos com um antepasto: linguiça curada, berinjela em conserva, tomate seco e queijo

antipasto

Depois, um espaguete com tomates cereja e berinjela

espaguete com berinjela

E ainda uma carne de vitela com batatas fritas, que esqueci completamente de fotografar…

A sobremesa foi granita de limão

granita de limao

Tudo simples, o que as cozinheiras conseguiram arranjar para aqueles dois hóspedes tão inconvenientes. Mas absolutamente delicioso. A 25 euros por pessoa.

Para saber mais sobre a Masseria Rossella, entre no site.

Notas relacionadas:

  1. Itália
  2. Especial Sicília – comida de fazenda em Siracusa
  3. Sicília – o paraíso em Panarea
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 Sem categoria | 08:53

Sicília – a pizza

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Domingo à noite pede pizza. Ainda mais na Itália. Fomos na Vecchia Taormina, uma pizzaria/restaurante divertida e barulhenta em mais um vico que saía do corso Umberto I, a principal rua da cidade.
Só que na Itália, pizza se come inteira. Cada um deve pedir a sua. E não pense que o tamanho é menor do que a nossa. Talvez, só um pouquinho. Mas a idéia é essa mesmo: pedir uma pizza inteira e comê-la sozinha, às vezes, até com as mãos. Se você disser ao garçom que vai dividir uma pizza, ele não entende (ou pelo menos tenta fingir que não entende) e volta à mesa com uma para cada pessoa.
No domingo à noite, também na Sicília, a pizzaria estava “bombando”, lotada de moçada e com fila de espera.
Nossas pizzas “individuais” foram:

pizza aliche
“Vecchia Taormina”: aliche, mozzarella, molho de tomate e azeitonas

pizza mussarela
“Rustica”: mozzarella de búfala, tomate e manjericão

Pizzaria Vecchia Taormina: vico dei Ebrei, 9

Notas relacionadas:

  1. Especial Sicília – parte 1
  2. Especial Sicília – os doces
  3. Especial Sicília – os crudos
Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

segunda-feira, 15 de setembro de 2008 Sem categoria | 23:50

Especial Sicília – parte 1

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Já era noite quando chegamos à Sicília. Nosso primeiro destino foi Taormina, uma das cidades mais bonitas da Itália. A sacada do nosso quarto dava “de cara” com o Etna, o maior vulcão ainda ativo da Europa.
Deixamos as malas e fomos procurar algo para comer. Paramos na Trattoria Siciliana di Giovanni Scavo.
Um lugar simpático, um restaurante montado na varanda de uma casa, com mesinhas de toalhas xadrezes.
Quase 100% da comida na Sicília tem como base peixes e frutos do mar. Então, era isso que eu pretendia comer em todas as refeições.
Nesse primeiro jantar escolhi sardinhas empanadas e fritas. Eram bem pequeninas, foram empanadas em uma farofa de pão e levadas ao forno com tomates.

sardinhas

Depois pedi peixe espada com “molho de menta”. O peixe espada é a grande estrela do sul da Itália. Nas peixarias são expostos inteiros e são impressionantes.

peixe espada

No prato, veio com um molho bem leve e pedacinhos minúsculos de abobrinhas. O acompanhamento era vagem no alho e óleo.

peixe espada com molho de menta

O marido comeu uma “triplo parmiggiana”: carne, berinjela e queijo, com molho de tomates.

Carne e berinjela parmiggiana

A sobremesa foi um tiramissu e passito de Pantelleria, vinho doce da região.

tiramissu e passito de pantelleria

Trattoria Siciliana di Giovanni Scavo: salita Ospedale, 9 (Porta Catania). Tel. 0942 24780.

Notas relacionadas:

  1. Itália
  2. Passando pela Calábria
Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

Sem categoria | 23:15

Passando pela Calábria

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Saímos de Positano de carro a caminho da Sicília, mais de sete horas dirigindo. Cruzamos boa parte da Calábria para chegar até a balsa que atravessa o mar até a maior ilha da Itália.
O caminho é todo de montanhas e precipícios com o mar lá embaixo. Tudo lindo de morrer. Mas quando chegou duas da tarde, eu estava morrendo de fome. O primeiro vilarejo era Laurea Sud, na entrada da Reggio Calabria. Saímos da estrada e paramos no primeiro restaurante/venda que encontramos. E pedimos dois “primo piatto”:

canelone de ricota e espinafre
Canelone de ricota e espinafre com molho de tomate

penne arrabiata
Penne all´arrabiata, beemmm apimentado

Delícia de almoço caseiro, por 18 euros, incluindo dois sorvetes de cerejas.

Notas relacionadas:

  1. Itália
Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

terça-feira, 9 de setembro de 2008 Sem categoria | 18:26

Itália

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Cheguei à Itália. Na verdade, há uns 10 dias. Demorei pra escrever aqui porque estava muito ocupada… Vocês vão ver nos próximos posts.
Primeira parada: Positano.

Positano

Cheguei às 16h, sem almoço, faminta. Ainda bem, porque pude ir correndo ao Alimentari da dona Guida. Foi aqui que nasceu o Comidinhas.

Latteria Positano

Depois que entrei por essa porta e pedi o sanduíche caprese, que um cartaz na porta avisa ser a especialidade da casa, decidi escrever o blog. Porque precisava dividir com alguém o sabor adocicado daquele tomate italiano, que casava tão bem com a mozzarella de búfala fresquíssima, ainda pingando leite. Os dois “temperados” com gotinhas de azeite e folhas de manjericão. E tudo isso colocado entre duas fatias gigantescas de pão. Estava pronto o sanduíche “especialidade” da latteria na via Pasitea, a rua que cerca a cidade inteirinha de Positano, na costa Amalfitana e a umas duas horas de carro de Nápoles.

Placa sanduiche

Fui andando aflita por essa rua. Temia que o tal alimentari não existisse mais. Bobagem. Nada em Positano mudou desde que estive aqui há três anos. As mesmas pessoas trabalham no hotel, no bar da praia e nos restaurantes de que mais gostei…
Entrei na “latteria” e notei que também lá tudo continuava igual. Dona Guida, com seus cabelos branquinhos, vestido de linho branco e um colar de pérolas, dando ordens. Sua filha preparou meu sanduíche. Fiquei prestando a atenção em todos os detalhes. Primeiro, ela cortou as fatias do tomate, depois umas três fatias grossas da mozzarella de búfala, colocou então umas folhinhas de manjericão e um fio de azeite. Aí fechou o sanduíche e apertou, esfregando um lado do pão no outro, para espalhar o azeite e esmagar um pouquinho do tomate, liberando seu sabor. Depois, enrolou em uma folha de papel pardo e me entregou. Peguei também um chá de limão e fui comer na “mureta” ao lado do alimentari.

Sanduiche caprese

Dona Guida não tem espaço para comer dentro da sua pequena venda. Em compensação, tem ao lado dela um muro, com a melhor vista da cidade. Dá para querer mais alguma coisa?

Eu e Positano

Ah, e o melhor sanduíche do mundo custa apenas 5 euros e dá fácil para duas pessoas.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , , ,