Empadão e as doceiras de Goiás Velho
Além de ser a terra de Cora Coralina, Goiás Velho tem dois outros motivos para ser famosa: suas doceiras e o empadão goiano!
O empadão mesmo é gigante, dá para umas três pessoas fácil e leva no recheio “tudo o que é de bom”, como dizia a minha avó: carne de frango, de porco, azeitona, guariroba, alguns levam ovo e ainda outras invenções.
Como estava sozinha, provei por lá duas mini versões do empadão. O primeiro deles no mercado municipal, na barraca do Macalé, filho de dona Inês, famosa na cidade por seu bolo de arroz (é um bolo doce feito com farinha de arroz, beemmm gorduroso e um pouco seco). Levava carne de frango, de porco, guariroba e azeitona. E estava delicioso:
O outro foi uma versão “empadinha” mesmo, no bar da Patricinha, que fica no posto de gasolina na entrada da cidade, e leva apenas frango e azeitona. Apesar de ser o menor tamanho, dá tranquilo para um almoço:
Para quem quiser a receita do empadão goiano:
Massa
Ingredientes
1kg de farinha de trigo
2 colheres de sopa de fermento para pão
3 copos de leite morno
½ copo de óleo
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal
Modo de Preparo
Coloque todos os ingredientes exceto a farinha em uma tigela grande. Acrescente aos poucos a farinha e vá amassando até que a massa solte do fundo do recipiente. Em seguida, sove-a bem e a deixe-a reservada, coberta por um pano por cerca de uma hora para que ela cresça.
Recheio
Ingredientes
1kg de filé de frango cortado em cubos pequenos
1kg de lombo ou pernil cortados em cubos pequenos
½ kg de lingüiça de porco cortada em fatias
200g de guariroba fatiada
2 xícaras de azeitona verde sem caroço cortada
200g de milho verde
½ kg de batata cortada em cubos pequenos
200g de queijo branco fresco cortado em cubos
½ colher de açafrão
½ colher de coloral/urucum
1 colher de óleo
1 cebola picada
Modo de Preparo
Refogue a cebola, o coloral e o açafrão no óleo e adicione as carnes de porco (lingüiça e o lombo ou pernil). Deixe dar uma douradinha e coloque também o frango. Depois que estiver tudo bem frito, com cor dourada acrescente a guariroba, o milho verde, a batata e a azeitona. Cubra os ingredientes com água e deixe no fogo por volta de 30 minutos, até os ingredientes cozinharem e o caldo engrossar bastante. Reserve.
Montagem
Abra a massa e cubra uma forma de alumínio própria para o preparo do empadão (é como a das tradicionais empadinhas só que bem maior). Coloque o recheio (que deve estar frio na hora da montagem) por cima adicione os cubos de queijo branco fresco. Abra outra parte da massa e cubra a torta. Pincele gemas por cima e leve para o forno. O empadão goiâno está pronto quando estiver bem douradinho.
O outro motivo de orgulho da cidade de Goiás Velho são suas doceiras. Pode ir andando pela cidade de ruas de pedras e pedindo indicações e vão surgir os nomes de dona Dita, dona Silvia, dona Zilda, dona Augusta….
Meu roteiro foi o seguinte:
1) Comi no restaurante Flor de Ipê, como sobremesa, o cajuzinho do cerrado. É um doce de caju caramelizado. A mistura de sabores é perfeita porque a fruta é azedinha e o caramelo feito com ela traz um sabor doce e amargo ao mesmo tempo. Adorei. Quem faz os doces lá no restaurante é a Viviane Aparecida Dias da Silva. Ela me contou que tira a castanha do caju, espreme a fruta e deixa de molho em água para tirar o excesso de azedo da fruta. Depois, lava bem e coloca num tacho de cobre om açúçar até dar o ponto.
2) Saí de lá e fui até a casa de dona Dita, na verdade, Lúcia Benedita Pereira dos Santos, que por 14 anos foi empregada de Cora Coralina e aprendeu a fazer doces com ela (o que faz há mais de 30 anos). Quando você entra na sala da pequena casa de dona Dita, já dá de cara com uma mesa repleta de vasilhas, todas cheias de doces cristalizados: abóbora, leite, figo, laranja, murici, mamão, cidra etc. Provei o de murici, mas confesso que preferi na versão cachaça (é muito famosa na cidade a cachaça de murici), o de laranja fica amarguinho, mas muito bom. Meu favorito é sempre o de figo.
3) Da casa de dona Dita direto pra casa de dona Silvia da Silva Curado, a única mulher na cidade que ainda faz o alfenin, um doce que leva só açúcar, água, limão e polvilho para modelar. Dona Silvia conta que prepara o doce há mais de 50 anos (ela tem 77) e mostra as mãos inchadas de tanto serem queimadas. Isso porque o doce deve ser modelado (em formato de bichinhos) ainda quente. A mistura da calda de água, açúcar e limão, que forma um caramelo, é puxada com as duas mãos. Para aguentar o calor, deve-se encher a mão de polvilho, que controla a temperatura. “Hoje já não sinto mais o quente, mas sofro muito quando pego algo gelado. E não consigo mais bater palmas”, conta. Mesmo assim, fala com orgulho dos seus docinhos de açúcar, sucesso nos casamentos da região.
4) Para terminar, o pastelinho, considerada como a versão goiana do pastel de Belém. É uma massa sequinha e crocante de mini torta recheada de doce de leite. Difícil de encontrar na cidade hoje, mas certeiro no bar da Patricinha (no posto de gasolina na entrada da cidade).
Notas relacionadas:
Autor: Alessandra Blanco Tags: alfenin, doces cristalizados, empadão goiano, Goiás Velho, pastelinho















