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24/06/2009 - 18:33

Empadão e as doceiras de Goiás Velho

Além de ser a terra de Cora Coralina, Goiás Velho tem dois outros motivos para ser famosa: suas doceiras e o empadão goiano!

O empadão mesmo é gigante, dá para umas três pessoas fácil e leva no recheio “tudo o que é de bom”, como dizia a minha avó: carne de frango, de porco, azeitona, guariroba, alguns levam ovo e ainda outras invenções.
Como estava sozinha, provei por lá duas mini versões do empadão. O primeiro deles no mercado municipal, na barraca do Macalé, filho de dona Inês, famosa na cidade por seu bolo de arroz (é um bolo doce feito com farinha de arroz, beemmm gorduroso e um pouco seco). Levava carne de frango, de porco, guariroba e azeitona. E estava delicioso:

empadaogoiano2

empadaogoiano_macale

O outro foi uma versão “empadinha” mesmo, no bar da Patricinha, que fica no posto de gasolina na entrada da cidade, e leva apenas frango e azeitona. Apesar de ser o menor tamanho, dá tranquilo para um almoço:

empada_da_patricinha

Para quem quiser a receita do empadão goiano:

Massa

Ingredientes
1kg de farinha de trigo
2 colheres de sopa de fermento para pão
3 copos de leite morno
½ copo de óleo
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal

Modo de Preparo
Coloque todos os ingredientes exceto a farinha em uma tigela grande. Acrescente aos poucos a farinha e vá amassando até que a massa solte do fundo do recipiente. Em seguida, sove-a bem e a deixe-a reservada, coberta por um pano por cerca de uma hora para que ela cresça.

Recheio

Ingredientes
1kg de filé de frango cortado em cubos pequenos
1kg de lombo ou pernil cortados em cubos pequenos
½ kg de lingüiça de porco cortada em fatias
200g de guariroba fatiada
2 xícaras de azeitona verde sem caroço cortada
200g de milho verde
½ kg de batata cortada em cubos pequenos
200g de queijo branco fresco cortado em cubos
½ colher de açafrão
½ colher de coloral/urucum
1 colher de óleo
1 cebola picada

Modo de Preparo
Refogue a cebola, o coloral e o açafrão no óleo e adicione as carnes de porco (lingüiça e o lombo ou pernil). Deixe dar uma douradinha e coloque também o frango. Depois que estiver tudo bem frito, com cor dourada acrescente a guariroba, o milho verde, a batata e a azeitona. Cubra os ingredientes com água e deixe no fogo por volta de 30 minutos, até os ingredientes cozinharem e o caldo engrossar bastante. Reserve.

Montagem

Abra a massa e cubra uma forma de alumínio própria para o preparo do empadão (é como a das tradicionais empadinhas só que bem maior). Coloque o recheio (que deve estar frio na hora da montagem) por cima adicione os cubos de queijo branco fresco. Abra outra parte da massa e cubra a torta. Pincele gemas por cima e leve para o forno. O empadão goiâno está pronto quando estiver bem douradinho.

O outro motivo de orgulho da cidade de Goiás Velho são suas doceiras. Pode ir andando pela cidade de ruas de pedras e pedindo indicações e vão surgir os nomes de dona Dita, dona Silvia, dona Zilda, dona Augusta….

casinhas
Casa de doces

Meu roteiro foi o seguinte:

1) Comi no restaurante Flor de Ipê, como sobremesa, o cajuzinho do cerrado. É um doce de caju caramelizado. A mistura de sabores é perfeita porque a fruta é azedinha e o caramelo feito com ela traz um sabor doce e amargo ao mesmo tempo. Adorei. Quem faz os doces lá no restaurante é a Viviane Aparecida Dias da Silva. Ela me contou que tira a castanha do caju, espreme a fruta e deixa de molho em água para tirar o excesso de azedo da fruta. Depois, lava bem e coloca num tacho de cobre om açúçar até dar o ponto.

caju

2) Saí de lá e fui até a casa de dona Dita, na verdade, Lúcia Benedita Pereira dos Santos, que por 14 anos foi empregada de Cora Coralina e aprendeu a fazer doces com ela (o que faz há mais de 30 anos). Quando você entra na sala da pequena casa de dona Dita, já dá de cara com uma mesa repleta de vasilhas, todas cheias de doces cristalizados: abóbora, leite, figo, laranja, murici, mamão, cidra etc. Provei o de murici, mas confesso que preferi na versão cachaça (é muito famosa na cidade a cachaça de murici), o de laranja fica amarguinho, mas muito bom. Meu favorito é sempre o de figo.

benedita
Dona Dita com seus doces

abobora
Abóbora

figo
Figo

murici
Murici

3) Da casa de dona Dita direto pra casa de dona Silvia da Silva Curado, a única mulher na cidade que ainda faz o alfenin, um doce que leva só açúcar, água, limão e polvilho para modelar. Dona Silvia conta que prepara o doce há mais de 50 anos (ela tem 77) e mostra as mãos inchadas de tanto serem queimadas. Isso porque o doce deve ser modelado (em formato de bichinhos) ainda quente. A mistura da calda de água, açúcar e limão, que forma um caramelo, é puxada com as duas mãos. Para aguentar o calor, deve-se encher a mão de polvilho, que controla a temperatura. “Hoje já não sinto mais o quente, mas sofro muito quando pego algo gelado. E não consigo mais bater palmas”, conta. Mesmo assim, fala com orgulho dos seus docinhos de açúcar, sucesso nos casamentos da região.

alfenin
Alfenins

donasilvia
Dona Silvia e seus doces

4) Para terminar, o pastelinho, considerada como a versão goiana do pastel de Belém. É uma massa sequinha e crocante de mini torta recheada de doce de leite. Difícil de encontrar na cidade hoje, mas certeiro no bar da Patricinha (no posto de gasolina na entrada da cidade).

pastelinho
Pastelinho

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
22/06/2009 - 19:44

Goiás Velho: comidas típicas e cachaça

Essa aqui é Goiás Velho, cidadezinha fofa, entre montanhas, com ruas de pedras e casinhas coloridas, a 140 km de Goiânia:

goias

Cheguei lá às 2h da última quinta-feira, morta de sono e de cansaço. No dia seguinte, no hotel Vila Boa, fui recepcionada com este café da manhã:

coalhada
Uma divina coalhada caseira, com mel da região

cafedamanha
E uma mesa farta de queijo, pães de queijo, biscoitos de queijo e bolo de banana, que eu fui muito delicada para me limitar só a esse pratinho.

Isso porque o almoço foi no restaurante Flor de Ipê, que serve um sistema de buffet só com pratos típicos da região:

pratogoiano
Não tive dúvidas, escolhi: arroz com suan, feijão, tutu de feijão, frango, salada de palmito guariroba (deliciosamente amargo) e pequi (ô dificuldade pra comer!).
O restaurante é da dona Marlene Velasco, que também cuida da casa de Cora Coralina. Preciso confessar que estava tão bom, mas tão bom, que não pensei nas calorias uma só vez!

E à noite, no jantar, fui ao restaurante Atelier Trapiche:

pizza e cachaça
Pizza de mussarela com tomates e pimentinha de cheiro (sabe que fica sensacional?) e uma cachaça de mutamba, fruta típica do Cerrado, para acompanhar. Delícia!

Amanhã, falo dos doces e do empadão goiano.

Hotel Vila Boa: morro Chapéu do Padre, s/n, Centro, Goiás Velho, GO. Tel. 62 3371-1000.

Restaurante Flor de Ipê: rua Dom Bosco, 32, Centro, Goiás Velho, GO. Tel. 62 3372-1133.
Atelier Trapiche: rua do Fogo, Centro, Goiás Velho, GO. Tel. 62 3372-1243.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , ,
19/06/2009 - 17:26

Visita à casa de Cora Coralina, em Goiás Velho

“Minhas mãos doceiras
Jamais ociosas
Fecundas imensas e ocupadas.
Mãos laboriosas
Abertas sempre para dar,
ajudar, unir e abençoar”
(Cora Coralina)

Estou em Goiás Velho, cidade a 140 km de Goiânia (GO). Terra dos doces de frutas cristalizadas. E onde nasceu Cora Coralina, doceira, antes de ser poeta.
Vim para cá para participar do XI Fica (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental) e dar duas palestras sobre cinema e comida. Foram 6 horas em 2 dias só falando de filmes e comida. Essa última às vezes como protagonista, como em “A Festa de Babette” ou “Ratatouile”. Outras apenas como uma parte (sempre importante) da história. E aí os exemplos podem ser infinitos…. De “O Poderoso Chefão” a “Maria Antonieta”, de “Parente é Serpente” a “Volver”.
Mas quem deu mesmo a aula foram os “meus alunos”. Quero levar todos pra casa: dona Chiquinha, cozinheira de mão cheia, que contou que conversa com seus pães para eles cresceram fofinhos e gostosos e gosta de inventar na cozinha. “Quando não tiver nada na geladeira? Faça bolinhos de alface. Ficam uma delícia”. Fiquei com desejo dos seus quitutes.
Ou a Debora Guerra, banqueteira, descendente de árabes e especializada em comida síria. Disse que na sua casa ou nas suas festas nem dá para contar a quantidade de entradas e pratos servidos. Os almoços duram horas e todo mundo come de tudo. E o Eduardo Neves, químico, que começou a se interessar por comida e agora faz culinária molecular em Brasília! E alguns outros, mais tímidos, que falaram um pouco menos, mas também tornaram as conversas uma delícia.

Saí das aulas eufórica e fui correndo conhecer a casa de Cora Coralina. A visita começa, é claro, pela cozinha. Essa frase acima estava num quadro por lá. Entrei e meus olhos encheram de lágrimas. Era igualzinha à cozinha da minha avó na chácara no interior de São Paulo: o forno à lenha idêntico ao que meu avô construiu, as louças, o fogão, a geladeira…

A moça que me acompanha conta que Cora Coralina instituiu o dia 20 de agosto como o dia do vizinho (que segundo ela é o parente mais próximo) e do cozinheiro. E todo ano é comemorado na cidade. Ela começou a escrever poesia com 14 anos, mas só publicou pela primeira vez com 76 anos. Neste ano, faria 120 anos e vai ter festança na cidade e lançamento do seu primeiro livro de receitas.
Comprei lá um de poesias e outro infantil que fala de cocadas.

Na saída, a frase:
“Eu sou aquela mulher…
que ficou velha, esquecida
nos teus larguinhos
e nos teus becos tristes”

Escrevia como cozinhava…

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
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