Jose Maria Arzak Etxabe e sua mulher, Escolástica Lete, abriram as portas do Arzak em 1897 para ser uma taberna que serviria vinhos e comida. Seu filho, Juan Ramón, e a mulher, Francisca Arratibel, mantiveram o negócio e expandiram, servindo banquetes para festas de família.
Juan Mari Arzak foi, portanto, a terceira geração da família a administrar o restaurante. Mas o que existe hoje no mesmo endereço de 1897 _e que agora é comandado pela filha de Arzak, Elena_ só tem a fachada semelhante à daquela época. Porque o que sai de sua cozinha faz parte da mais moderna gastronomia espanhola.

Fachada do Arzak (foto Divulgação)
O chef foi o primeiro da família a ir estudar culinária na Escuela de Hosteleria. E, depois, foi trabalhar na cozinha de Paul Bocuse e da família Troisgros, na França. Na metade dos anos 70, junto com Pedro Subijana participou da chamada revolução “de la nueva cocina vasca”. E desde então as mudanças jamais terminaram.
O restaurante ganhou sua primeira estrela Michelin em 1974. As três estrelas vieram em 1989. Ou seja, pelo menos dez anos antes da chamada revolução da cozinha espanhola, que revelou Ferrán Adriá para o mundo e os cozinheiros que transformavam líquidos em sólidos (e vice-versa), faziam espumas, esferificações etc., Juan Mari Arzak já era reconhecido como um dos principais chefs do país. Mas não ficou por aí. Ele também foi atrás das novas técnicas, da cozinha-científica. Tem um destilador hoje na chamada “cozinha fria” e um quarto de especiarias que reúne mais de 1400 potinhos com ervas de temperos do mundo todo.

Quarto das especiarias (foto Divulgação)
Sentado em seu restaurante, bebendo um conhaque e um café, após o jantar, Arzak explica que faz uma “cozinha de autor, basca, de investigação, de evolução e de vanguarda”. “De autor, porque é a minha cozinha. Basca porque seguimos as tradições, o paladar e usamos os produtos da região”, diz Arzak. Sua filha Elena conta, por exemplo, que os bascos detestam coentro e não gostam muito de coco na sua comida. Mas gostam de alho. E isso está claro na sua cozinha.

Elena e Juan Mari
A parte da investigação, da evolução e da vanguarda é o que é conhecido como a nova culinária espanhola. E aparece em todo o cardápio: na apresentação dos pratos, nas descobertas de novos produtos, nas mágicas das espumas e das transformações. Sem, no entanto, parecer algo químico ou artificial.
O prato que Arzak apresentou neste ano no Madrid Fusión, por exemplo, foi esse aqui:

É uma sobremesa. No prato branco, hidromel e um outro líquido, vermelho, doce, também extraído de abelhas, explica Elena. Conforme vão se misturando, vão formando o desenho da flor e nos deixam boquiabertos. É bastante doce, então, o ideal é misturar uma colherada dele e da outra parte da sobremesa, um bolinho com farofa de amêndoa. (foto Madrid Fusión)
Mas esse foi o último dos pratos que tivemos no menu degustação na casa de Arzak. Para começar, recebemos na mesa o que eles chamam de “entretenimentos”:

Bolinhas crocantes com sabor de peixe (sardinha, talvez), servidos “espetados” em essas hastes lindas de metal.

Um croquete com interior cremoso e com sabor de queijo e uma espécie de macarrão frito crocante envolvendo.

Um tipo de marzipan com recheio de uma mousse com sabor de peixe e um “tartar de morcilla” (que era bem bom!)
Depois, recebemos o primeiro prato:

Rodelas de maçãs quentes (provavelmente ao forno) com uma “pitada” de foie gras por cima, caramelizado. Tipo, sensacional!

E lagosta com batatas e coapaíba… (foto Divulgação)
O próximo prato foi o meu favorito de todo o menu, mas, infelizmente, a foto não rolou. É um ovo “perfecto”: um ovo cozido a baixa temperatura (65°C), com gema mole, com trufas brancas e uma farofa crocante de pão. É realmente a perfeição gastronômica.

Em seguida, um peixe, escolhi o robalo, com um molho de arroz negro (foto Divulgação).
E, por fim, uma carne de veado, servida no ponto perfeito, desmanchando na boca. Também sem fotos :(
Assim como as sobremesas: uma esponja de iogurte, uma sopa de chocolate (na verdade, uma mousse) e bolas esferificadas de chocolate, que você mordia e ela explodia o chocolate líquido na boca. Com o café, ainda são servidos vários pequeninos petit four incríveis. Meu favorido foi a miniatura de arroz doce, sensacional. Mas essas fotos vou ficar devendo…
O menu degustação Arzak sai por 150 euros.
Arzak: Alto de Miracruz, 21, Donostia/San Sebastian, Espanha. Tel. 943 278465. restaurante@arzak.es