03/11/2009 - 12:26
Além de acordar no Don Alfonso com essa visão:

a piscina ao fundo do hotel…

…e o jardim com plantação de lavanda
Sentar na mesa do café da manhã também é uma festa.

Todos os pães são feitos na casa, antes do jantar do dia anterior, para terem tempo de descansar e ficarem perfeitos para a manhã seguinte. Esse da foto acima é um pão de azeite, servido quente, com a manteiga também feita pela casa.

A mesa do café da manhã tem um pouco de tudo: frutas, iogurte orgânico caseiro, vários tipos de pães, torta doce, bolo, a melhor geléia de figo que já comi, mel também feito na fazenda, panquecas e…

… uma crostata de tomate com manjericão. Quem já comeu tomates na Itália e está vendo essa foto sabe do que eu estou falando. Eles são doces, não têm acidez. A ponto de ficarem incríveis com café. Ou até de sair mordendo como uma maçã, sem nada, porque não precisa.
As fotos abaixo são de dois jantares. Elas estão misturadas porque também tiveram esse espírito nas noites em que foram devoradas. Como cada blogueiro pediu um prato diferente, o que aconteceu foi um troca-troca de experimentações, para não sair de lá sem pelo menos provar cada um deles:

Lagostas empanadas e fritas, servidas com uma espécie de suco de cítricos (laranja e limão). A ideia era cortar, molhar o suco e comer. Elas chegaram ainda no hotel vivas e nós assistimos todo o processo de pegá-las fresquíssimas, cozinhar rapidamente em água fervente por 2 ou 3 minutos, colocar em água gelada e deixar descansar, até a preparação final.

Uma espécie de tempura de frutos do mar e legumes.

Ravióli de queijo com tomate e manjericão.

Espaguete com molho de ostras e trufas brancas. Um dos melhores pratos da casa.

Coelho perfumado com capim-limão e servido com figos frescos e abobrinha.

Cordeiro com ervas mediterrâneas.

Pato com molho de cacau, servido com duas mousses _ de laranja e de banana_ e redução de vinho Aleatico (da região).
As sobremesas também recebemos uma de cada para trocar e provar todas no jantar. Mas a euforia foi tanta que, claro, esquecemos de tirar fotos…
A minha foi um suflé de pastiera di granno, uma releitura mesmo, mais leve e fofa, da sobremesa italiana, que, na versão original, é quase um bolo.
Amanhã, publico aqui as visitas à fazenda e à fábrica de mussarela de búfala, as duas orgânicas, e a adega do Don Alfonso.
Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Comidinhas na Itália
Tags: comida italiana, don alfonso, espaguete, ostras, pato, ravióli, trufas brancas
12/09/2008 - 14:10
Positano é uma cidadezinha assim: fica entre duas montanhas e um vale de praia. Todas as casas são coloridas e realmente “penduradas” nos morros. E existe praticamente uma única rua, com uma direção. Você chega e sai da cidade por ela. Também tem o ônibus “interno” que faz o percurso inteiro da rua, o que na prática significa dar a volta inteira na montanha e descer novamente ao nível do mar. A praia “maior” fica bem no centrinho e para chegar até ela é preciso descer a montanha e passar por dezenas de lojinhas de artesanato, roupas de linho e cerâmica. Logo na entrada, tem esse simpático carrinho que vende granita de limão.

Aliás, granita é “o” sucesso do sul da Itália. É uma raspadinha, que pode ser feita de vários sabores, algumas levam creme de leite. A mais comum e também a minha favorita é a de limão siciliano. No calor de quase 40 graus, nada pode ser melhor. Além disso, é servida em copos gigantes e parece que não vai acabar nunca. Geladinha, refrescante e azeda. Delícia.
Existe também na cidade uma segunda praia, a “spiaggeta”, prainha. Menor, mais escondida e tipo o sonho de paraíso.

A entrada para ela era bem ao lado do nosso hotel. Mas como nada pode ser assim tão fácil, são 450 degraus para descer e depois subir. Pode acreditar , vale qualquer esforço. Fizemos todos os nossos almoços em Positano nessa prainha, na barraca do “Da Fernando”. Sempre uma salada e um enorme copo de cerveja italiana. Aliás, ficamos completamente viciados em saladas na Itália: caprese (fatias do doce tomate italiano mais fatias da cremosa mozzarella de búfala, folhas de manjericão e bastante azeite), “tuna” (folhas verdes, tomates, atum e azeitonas) e caponata (também típica italiana, feita com pão, mozzarella de búfala, tomate, atum, folhas verdes e cenoura). Tudo muito fresco e com muito azeite local.

Caprese com cerveja

Caprese mais de perto

Caponata
À noite, fizemos dois jantares em Positano e um em Ravello, cidadezinha próxima, cerca de 30 km, também na Costa Amalfitana.
O primeiro jantar foi no restaurante Mediterraneo, na descida da via Pasitea, a tal rua que corta toda a cidade. Lembrava bem do lugar de três anos atrás e estava ansiosa pelo seu molho de tomate de novo e por sentar na mesinha iluminada com velas e ter uma das mais belas vistas da cidade.
Nada mudou no mediterrâneo, o proprietário com cara de marinheiro, o mesmo pessoal atendendo, cardápio igualzinho. A única coisa é que agora tem música italiana ao vivo.
Pedimos como entrada bruschettas. É difícil explicar isso, mas não tem no Brasil bruschettas como as que são feitas na Itália. Os ingredientes são os mesmos, mas o resultado é completamente diferente. De novo, o tomate tem outro sabor, é doce, nada ácido. O pão é outro, com crosta bem dura e crocante e interior macio. Diferente até do que conhecemos por pão italiano no Brasil. E sempre muito azeite extra-virgem, da região, um tantinho amargo, mas delicioso.

E também flores de abobrinha recheadas com ricota e fritas (Fiquei até com vergonha das que faço lá em casa).

Depois, pedi um spaghetti alle vongole, massa bem al dente, vongoles fresquíssimos, um tantinho de vinho branco, molho de tomate junto (coisa que não se vê muito).

O marido comeu nhoque sorrentino: a massa fresca caseira, com o molho de tomate bem apurado, receita simples, tradicional, da cidade ao lado, Sorrento.

Depois, como sobremesa, pedimos panacotta com calda de chocolate, que tem absolutamente em todos os restaurante por que passamos até agora, sempre sem erro, leve, cremosa e deliciosa.

E eu pedi “arancia Grand Marnier”: fatias de laranja descascadas com calda de Grand Marnier….

Mediterraneo: via Pasitea, 236-238, Positano. Tel. 089 811651. O jantar para duas pessoas com vinho da casa custou 50 euros.
O segundo jantar na cidade foi no La Sirenuse, o tal hotel que aparece no filme “Only You”, com a Marisa Tomei. E foi uma das melhores coisas que fizemos na viagem. Eu já “namoro” o Sireneuse há anos, desde que vi o filme. Aliás, é também Positano que aparece no filme “Sob o Sol da Toscana”, quando Frances vai até a praia procurar por Marcelo. E já tentei várias vezes ficar hospedada lá, mas o preço sempre foi proibitivo. Dessa vez um amigo me deu a dica de que, se eu queria tanto ir ao Sireneuse, deveria ir no final de tarde no seu champanhe bar. “É a melhor vista da cidade, o lugar é incrível e você pode apenas tomar um drinque, sem gastar tanto”.
Seguimos a dica, mas o lugar realmente era incrível demais e fomos ficando. Chegamos quando estava anoitecendo. O Sireneuse fica no início da subida da via Pasitea, para quem está deixando a cidade. Da mesinha do champanhe bar dá para ver a praia, os barcos estacionados, a cúpula da igreja principal tocando o sino, e todo o outro lado da montanha completamente tomada de casinhas vermelhas, laranjas, amarelas, azuis… Então, quando você se senta ali, dá quase vontade de chorar de lindo.
Pedimos dois bellinis, o drinque que leva Prosecco e suco de pêssego natural. Nunca na Itália você recebe apenas o seu drinque. Ele vem sempre acompanhado de azeitonas, castanhas, pistaches, batatinhas, salgadinhos ou o que mais tiver… Pedimos mais dois bellinis…
Decidimos jantar no próprio bar. Pedimos uma salada de folhas verdes, ricota fresca e tomates secos, que estava divina.

Mais duas taças de vinho rosé.
Pedi de novo o spaghetti alle vongole. Se é o prato tradicional da região, o vôngole acabou de ser trazido pelos pescadores, a massa está sempre no ponto perfeito, por que é que eu deveria escolher outra coisa, né?

O marido comeu uma massa fresca ao limone siciliano. Para encerrar, uma torta de chocolate com frutas vermelhas. Sério…

Ficamos pelo menos umas quatro horas lá. Depois caminhamos os dois quilômetros de subida até o nosso hotel felizes e trançando as pernas.
La Sirenuse: Via C.Colombo, 30, Positano. tel. +39 089 87 50 66. O jantar para dois, com vinhos, custa cerca de 180 euros.
Na noite seguinte, fomos a Ravello. A cidade fica ainda mais no alto da montanha e a estrada para chegar até lá à noite, no escuro, é um tanto apavorante. Toda a costa Amalfitana é praia-montanha, e as estradas são só penhascos. Boa parte inclusive só dá para passar um carro. Então, há espelhos grudados nas encostas para você ver se um carro está vindo na direção contrária e esperá-lo passar para depois seguir sua viagem. Para chegar a Ravello, o caminho é inteirinho assim. Mas quando você chega lá em cima, perde até a respiração.
Primeiro fomos conhecer os jardins famosos na cidade. Depois, fomos até o Palazzo Sasso jantar. O hotel tem dois restaurantes. Um com duas estrelas do Michellin, bastante formal, caro e na parte interna, ou seja, fechado. E outro mais informal, com preços um pouco mais acessíveis, no terraço e com uma vista inacreditável. Na mesa que nos sentamos, a sensação era de que estávamos flutuando, no alto da montanha, sobre o mar. Vimos relâmpagos à esquerda, seguido e um vento forte, frio. Quando passou o vento, os relâmpagos pararam e as nuvens foram levadas para o alto mar. Na direção de Nápoles. E voltou a ficar calor, apenas com um ventinho leve de final de noite.
Pedi como entrada queijo Scamorza grelhado com berinjela em fatias muito finas grelhadas, tomates picados em quadradinhos minúsculos e azeite.

O marido comeu melão e presunto de Parma.

E depois orechiette com pedacinhos de linguiça, croutons feitos de presunto de Parma (incríveis) e mini brócolis.

Eu comi um linguini de frutos do mar, com a maior quantidade / qualidade de frutos do mar que já tinha comido em um prato de massa. Tinha até navajas (esse é o nome em espanhol, não consegui saber como se chama nem em italiano, nem em português, alguém sabe?).

As sobremesas foram tiramissú, clássico, e torta de limão siciliano, claro, né? E como o maître ama o Brasil e passa sempre suas férias no nosso país, nos mandou taças de Passito de Pantelleria, vinho bem doce da ilha que é o ponto da Itália mais próximo da África, para comemorar nossa presença lá.


Palazzo Sasso: via San Giovanni del Toro, 28, Ravello. Tel. +39 089 81 81 81. Gastamos lá cerca de 160 euros (o casal com vinhos).
Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria
Tags: comida italiana, espaguete, frutos do mar, Positano, Ravello, spaghetti, tiramissú