domingo, 29 de junho de 2008 Sem categoria | 19:18

Eu e a burrata

Burrata é um tipo de queijo italiano que pode ser considerado um meio termo entre a mussarela de búfala e a manteiga. Aliás, seu nome vem daí: burrata, de burro, manteiga em italiano. É uma bola, parecida com aquelas mussarelas de búfalas de 500 gramas, do tamanho de um punho fechado.


É também feito a partir do leite de búfala. Por fora, tem uma casca de queijo firme, com sabor parecido com o das mussarelas que conhecemos. Quando você parte, o interior é suave, macio, um creme, quase uma manteiga. E com um gosto azedinho, que lembra o iogurte natural.
Sempre soube que era um queijo especial. Na Itália, é vendido envolto em folhas verdes, para demonstrar seu frescor: se as folhas estão verdes é porque o queijo acabou de ser preparado. É extremamente sensível e tem uma durabilidade de dois ou três dias no máximo.
Ouvi falar da burrata por um amigo. Ele havia morado em Roma por seis meses. Eu estava indo para lá de férias e pedi algumas dicas. Ele deu duas: beber quantos cafés curtos eu pudesse agüentar e ir bem cedo à feira do Campo dei Fiori, no centro de Roma, comprar burrata.
“É um queijo difícil de encontrar. Só achei nessa feira e bem cedo. Porque assim que chega, acaba. Os romanos não gostam muito dele porque foi criado em outra região, na Puglia. E eles preferem a mussarela de búfala. Mas você não vai se arrepender”, disse.
E eu fiquei uma semana hospedada em um hotel no próprio Campo dei Fiori. Fui à tal feira todos os dias. E em nenhum sequer consegui comprar a burrata. A resposta era sempre a mesma: “Vieram poucas e acabaram” ou “hoje não veio nada, leve a mussarela”.
Depois disso, fui para a Itália mais duas vezes e, de novo, nada.
Uns três anos depois da primeira tentativa, descobri uma loja em São Paulo, a La Bufalina, que vende queijos feitos a partir do leite de búfala. Todos os queijos vendidos lá são feitos na fazenda dos proprietários em Guaratinguetá e havia no seu cardápio a tal burrata. Fui correndo tentar comprar: “Não estamos fazendo mais, a máquina que fazia burrata quebrou e é italiana, não tem manutenção aqui. Não temos previsão”, disse a funcionária.
Mais uns meses e fui jantar no Terraço Itália. Adivinhe: tinha burrata como entrada no cardápio. Fiquei toda feliz e pedi a minha. Uns minutos depois, veio o próprio chef se desculpar: “Sinto muito, hoje não temos burrata. Compramos de um fornecedor de Minas Gerais e não é toda semana que ele consegue trazer”.
Claro que aí fiquei obcecada com o queijo, pesquisei o tal fornecedor na internet, telefonei para algumas lojas de queijo. Nada.
Já tinha até esquecido o assunto quando fui comer pizza com a família para comemorar o aniversário de um dos primos. Em geral, nessas ocasiões nem olho o cardápio. É o tio que fica encarregado de fazer as contas de quantos estão na mesa, quais são os gostos mais comuns e pedir pizza suficiente para deixar todos felizes.
Mas naquele dia, cheguei mais cedo e comecei a dar uma olhada no cardápio. Entre as entradas: burrata. Fiquei até nervosa, perguntei ao garçom se tinha mesmo. E ele disse “Claro, é um dos nossos segredos, tem gente que vem aqui só por causa disso”.
Veio minha burrata: uma bola de queijo que parecia a mussarela de búfala. Parti ao meio com a faca e o creme de dentro escorregou para todo o prato. Provei pura, depois com pedacinhos crocantes da massa da pizza.
É realmente um queijo especial, porém, difícil, para poucos paladares. É leve, quase azedo, um acompanhamento perfeito para uma focaccia macia e salgada.
Fiquei sabendo então que o Empório Santa Luzia também vendia burrata, mas precisava ligar para encomendar ou deixar uma reservada. Telefonei para perguntar. O responsável da seção de queijo disse que “tinha sim, um queijo tipo burrata, mas feito no Brasil e que podia deixar um reservado para mim”. Prometi chegar lá até oito da noite. Mas saí do escritório quase nove horas.
No dia seguinte, à noite, lá estava eu. Perguntei pela minha burrata. “Foi você que não veio ontem, né? Olha tive que esconder seu queijo, uma senhora até brigou comigo porque o viu e eu não a deixei levar”.
Agradeci, cheguei em casa e fiz o mesmo processo: parti a bola ao meio, deixei o creme escorregar, joguei um fio de azeite por cima e comi com pão integral.
Uma amiga disse que aquele era bom, mas ainda estava bem longe da burrata italiana legítima, que era ainda muito mais fresca e cremosa. Hoje confesso que tenho até medo de provar a tal legítima. Tenho certeza de que será um caso de amor, que vai gerar alguns quilinhos a mais….

Pizzaria Quintal do Bráz: rua Gandavo, 447, Vila Mariana, São Paulo. Tel. 11 5082-3800
Empório Santa Luzia: Alameda Lorena, 1471, Jardins, São Paulo – (mapa) – Tel. (11) 3897-5000

 Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
quarta-feira, 16 de abril de 2008 Sem categoria | 19:29

Produtos

Estou completamente viciada:

- no pãozinho de milho artesanal com erva-doce. Uma amiga me trouxe um pacote de presente dizendo que eu iria adorar. E adorei mesmo. Mas só nessa semana encontrei para comprar no Empório Santa Luzia (Alameda Lorena, 1471, Jardins, São Paulo – (mapa) – Tel. (11) 3897-5000). Aconselho quentinho com manteiga, queijo cottage ou uma boa geléia e uma xícara de café forte e bem quente;

- na alface baby da marca Saladas Finas, produzidas no sítio Morikawa, em Cotia, São Paulo. Sei que são produzidas com uma técnica diferente, e as sementes vêm da Holanda. Mas não consegui descobri muito mais do que isso, nem se são orgânicas. Só sei que além de lindinhas, são uma delícia. E soa até estranho falar isso de uma alface;

- no Casino Noir Dégustation Écorces d´Oranges. Desde que descobri os chocolates amargos, minha vida gastronômica mudou. Eu que nunca liguei muito para chocolates, agora tenho mais essa caloria no currículo. Sobre o chocolate amargo com casquinhas de laranjas confitadas da marca Casino (à venda no Pão de Açúcar), vi a dica no blog do Michel Khodair. E fui experimentar. Ele tem toda razão: é bom demais! Agora, não consigo dormir sem comer um pedacinho desse chocolate.

 Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags:
quarta-feira, 2 de agosto de 2006 Sem categoria | 09:20

Bollito Misto

Mais uma dica para esses dias frios: hoje é dia de Bollito Misto no Parigi. Trata-se de um prato do norte da Itália feito com uma mistura de carnes cozidas de boi, ave e porco. Parece pesado, mas na verdade, derrete na boca de tão leve. E é para comer sem preconceito: vai língua de boi, músculo, pé de porco e tudo o mais.
Para ser ainda melhor, no Parigi, é servido com um capeletti in brodo de entrada (talvez o melhor prato do mundo, pelo menos com tempo frio). No restaurante, custa R$ 72. Mas para quem quiser se aventurar, aí vai a receita. Os ingredientes mais “incomuns” podem ser encontrados em empórios como o Santa Luzia ou o Santa Maria

Bollito Misto

Para o cozido:
1 galinha
1 músculo
1 paleta de vitela
1 cotechino (embutido italiano feito à base de carne de porco e especiarias)
1 zampone (pé de porco, com casco e tudo, desossado e limpo, recheado de uma mistura “alinguiçada”)
1 língua de boi
1 capa de coxão mole
200 g de cenoura
200 g de cebola
200 g de salsão
2 folhas de louro
Sal e pimenta a gosto

Para os molhos
½ xícara de salsa verde
½ xícara de salsa peará
½ xícara de salsa di rafano
½ xícara de mostarda de Cremona
½ xícara de mostarda inglesa

Para acompanhar
200 g de batatas pequenas
200 g de cebolas pequenas
200 g de mandioquinha
200 g de repolho
200 g de cenoura

Prepare o cozido
Corte o salsão, a cenoura e a cebola em pedaços, junte as folhas de louro e divida-os em duas panelas. Acrescente água e deixe ferver. Na primeira panela junte a galinha e o músculo. Cozinhe por 2 horas. Em seguida, junte a vitela e cozinhe por mais 1 hora. Em outra panela junte a língua e a capa de coxão mole. Cozinhe por 3 horas. Deixe o zampone e o cotechino de molho por 2 horas em água fria. Leve-os ao fogo e cozinhe em fogo brando por 1 hora e meia. Retire o cotechino e reserve. Deixe o zampone por mais 1 hora e meia. Sirva em pratos individuais com os legumes cozidos cortados em pedaços e com os molhos separados em vários potes. Para 8 a 10 pessoas.

Parigi
Rua Amauri, 275, Itaim Bibi – São Paulo – SP
Tel.: 11 3167 1575
Bollito Misto servido às quartas e domingos, durante o almoço

Empório Santa Luzia
Alameda Lorena, 1471, Jardins, São Paulo – SP – (mapa)
Tel. (11) 3897-5000

 Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,

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