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sexta-feira, 19 de junho de 2009 Sem categoria | 17:26

Visita à casa de Cora Coralina, em Goiás Velho

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“Minhas mãos doceiras
Jamais ociosas
Fecundas imensas e ocupadas.
Mãos laboriosas
Abertas sempre para dar,
ajudar, unir e abençoar”
(Cora Coralina)

Estou em Goiás Velho, cidade a 140 km de Goiânia (GO). Terra dos doces de frutas cristalizadas. E onde nasceu Cora Coralina, doceira, antes de ser poeta.
Vim para cá para participar do XI Fica (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental) e dar duas palestras sobre cinema e comida. Foram 6 horas em 2 dias só falando de filmes e comida. Essa última às vezes como protagonista, como em “A Festa de Babette” ou “Ratatouile”. Outras apenas como uma parte (sempre importante) da história. E aí os exemplos podem ser infinitos…. De “O Poderoso Chefão” a “Maria Antonieta”, de “Parente é Serpente” a “Volver”.
Mas quem deu mesmo a aula foram os “meus alunos”. Quero levar todos pra casa: dona Chiquinha, cozinheira de mão cheia, que contou que conversa com seus pães para eles cresceram fofinhos e gostosos e gosta de inventar na cozinha. “Quando não tiver nada na geladeira? Faça bolinhos de alface. Ficam uma delícia”. Fiquei com desejo dos seus quitutes.
Ou a Debora Guerra, banqueteira, descendente de árabes e especializada em comida síria. Disse que na sua casa ou nas suas festas nem dá para contar a quantidade de entradas e pratos servidos. Os almoços duram horas e todo mundo come de tudo. E o Eduardo Neves, químico, que começou a se interessar por comida e agora faz culinária molecular em Brasília! E alguns outros, mais tímidos, que falaram um pouco menos, mas também tornaram as conversas uma delícia.

Saí das aulas eufórica e fui correndo conhecer a casa de Cora Coralina. A visita começa, é claro, pela cozinha. Essa frase acima estava num quadro por lá. Entrei e meus olhos encheram de lágrimas. Era igualzinha à cozinha da minha avó na chácara no interior de São Paulo: o forno à lenha idêntico ao que meu avô construiu, as louças, o fogão, a geladeira…

A moça que me acompanha conta que Cora Coralina instituiu o dia 20 de agosto como o dia do vizinho (que segundo ela é o parente mais próximo) e do cozinheiro. E todo ano é comemorado na cidade. Ela começou a escrever poesia com 14 anos, mas só publicou pela primeira vez com 76 anos. Neste ano, faria 120 anos e vai ter festança na cidade e lançamento do seu primeiro livro de receitas.
Comprei lá um de poesias e outro infantil que fala de cocadas.

Na saída, a frase:
“Eu sou aquela mulher…
que ficou velha, esquecida
nos teus larguinhos
e nos teus becos tristes”

Escrevia como cozinhava…

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,