Sete anos de Comidinhas

O Comidinhas faz hoje 7 anos! Começou como uma brincadeira. Uma vontade de escrever sobre comida após uma viagem pela Costa Amalfitana, na Itália. Na época, que eu saiba, só havia o blog Mixirica, com o mesmo propósito no Brasil, e eu era viciada em ler o Orangette e a Chez Pim. Ninguém ficava postando fotos de pratos e sobremesas em redes sociais. A moda dos blogs de comida e do próprio compartilhamento do “o que estou comendo e bebendo” veio bem depois.
Nestes sete anos, a brincadeira virou coisa séria. Comida virou moda. É o “novo rock and roll”. Festivais reúnem, quase diariamente, chefs, jornalistas e interessados pelo mundo inteiro para discutir e festejar o assunto. Enquanto estava escrevendo isso, vi na TV uma propaganda de um festival de comida em Miami com moças loiras e lindas servindo bebidas à vontade e Anthony Bourdain em cima de um palco levantando a plateia. Por um instante achei que fossem imagens do Coachella, festival de música na Califórnia, depois vi que os astros eram chefs de cozinha, nos palcos com suas panelas e fogão.
Aqui também a coisa foi mudando. Os primeiros posts sobre chás, tomates, limão siciliano deram lugar a outros que narraram visitas ao El Bulli, Mugaritz, Maison Troigros. Viagens pela Sicília, de novo Costa Amalfitana, Provence, Turquia, México, Croácia, Uruguai, Argentina, Portugal, Nova York, Paris … Descobertas de pequeninos restaurantes pelo Brasil, “achados” mesmo, como o Sr. Bacalhau em Serra Negra, no interior de São Paulo, ou a Confeitaria Princesa, em Porto Alegre, que acabaram levando ao livro “O Melhor do Comidinhas”. Mas a maior audiência até hoje veio com a publicação da receita do pão de cebola (que é muito bom mesmo!).
Nos últimos meses, o Comidinhas mudou de novo. Você deve ter reparado que leu por aqui menos posts sobre restaurantes. Aliás, fiquei devendo comentários de vários dos novos lugares que abriram em São Paulo. Eles foram substituídos por mais receitas. E receitas totalmente “Cozinha Caseira”, ou seja, na linha comida-de-mãe, como a do programa em que participo no canal Bem Simples. Dessa vez não foi uma nova moda gastronômica que mudou o blog. Foi o meu apetite. Em novembro do ano passado, três testes de farmácia confirmaram o resultado positivo: gravidez! E, a partir de então, passei os quatro meses seguintes sem conseguir olhar muito para comida, pior ainda sentir o cheiro. Como escrever sobre comida se eu mal podia comer alguma coisa. Tudo enjoava. Cheguei a pensar que nunca mais eu gostaria de comer de novo. Já pensou? Como ia ser? Justo eu que chego a chorar quando como um prato que sei que nunca vou esquecer… Nesse período, muito poucas coisas funcionavam: bolacha água e sal, água de coco, arroz com feijão. Nada que eu pudesse ficar escrevendo aqui.
Doze semanas de gravidez e como por milagre o enjoo foi embora, e o apetite voltou. Mas não por qualquer coisa. Eu só queria mesmo comer a “comida-de-mãe”, coisas bem caseiras, nada da sofisticação dos novos e moderninhos restaurantes. Tinha desejo de comida japonesa, determinantemente proibida pela minha médica. Aliás, era óbvio, eu queria mesmo era comer tudo o que não podia: ovo com gema mole, peixe cru, maionese… E isso tudo piorou nos últimos três meses da gravidez. Aí sim, o apetite voltou com tudo, mas agora era uma alta taxa do índice glicêmico quem iria comandar o cardápio, quer dizer, o regime, com proibição total de doces e quase total de carboidratos. Imagine uma blogueira de comida faminta que não podia comer pães, massas, pizza, bolos, enfim, nada com farinha branca, nada de arroz, de raízes, só 3 frutas por dia (e mesmo assim aquelas que têm menos carboidratos), só uma fatia de queijo branco por dia (todos os outros tipos de queijo, claro, estavam proibidos)… O humor piorou muito, e os posts de novo rarearam.
Sabe qual foi a primeira coisa que comi depois do parto? O bolo de laranja, que fiz minha mãe “contrabandear” para dentro da maternidade e me deliciei, feliz. E o aniversário de um mês da princesinha foi devidamente comemorado com um bolo de fubá caseiro cheio de velinhas. Esse da foto acima e que tem a receita aqui embaixo. E, sabe o quê? Foi o bolo mais gostoso que eu já fiz. O tempo em que ficou assando no forno foi medido entre o início e o final de uma mamada. E ficou perfeito. Descobri que o período pós-parto, com amamentações a cada duas horas, dá uma fome danada. A médica falou da necessidade de beber 3 litros de água por dia, mas não tinha me avisado da fome enlouquecedora que me faz beber um copão de leite gelado às 3 horas da manhã e, depois, tomar café da manhã duas vezes: às 6h e às 10h. Mas essa fome também não é qualquer uma. Tem uma preocupação de comer cada vez mais saudável. Embora os médicos digam que não há comprovações científicas do quanto passa para o leite tudo aquilo que eu comer, há uma preocupação em não exagerar nos carboidratos, em comer frutas, verduras e proteínas. De repente, tem um desejo diário de chá de erva-doce. Aquece o meu estômago e também o dela. Acalma.
Enfim, tudo isso pra dizer que em sete anos o Comidinhas mudou muito e vai continuar mudando. As visitas aos novos restaurantes serão retomadas, aos poucos, agora sem mais as restrições alimentares da gravidez. Mas as receitas caseiras vão também cada vez ganhar mais espaço. Aliás, daqui a pouco, vão começar as receitas das papinhas….
Receita do Bolo de Fubá (foto acima)
Ingredientes
1 xícara de chá de farinha de trigo
2 xícaras de chá de fubá
3 xícaras de chá de açúcar
1 xícara de chá de leite
1 xícara de chá de óleo
1 colher de sopa de fermento em pó
4 ovos
50 gramas de coco ralado
Um punhado de erva-doce seca
Modo de fazer
Bata todos os ingredientes no liquidificador ou na mão, com um fouet, em uma tigela. Deixe para acrescentar por último o fermento, o coco e a erva-doce. Misture bem e leve ao forno pré-aquecido a 200°C até ficar dourado.
Notas relacionadas:
Autor: Alessandra Blanco Tags: bolo de fubá, bolo de laranja, comidinhas, pão de cebola, Receitas