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domingo, 31 de agosto de 2008 Comidinhas na França | 20:47

Comidinhas de férias em Paris

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Desculpem o sumiço da última semana. Foi tudo tão corrido que nem deu tempo de avisar aqui que saí de férias. Em compensação, hoje vou postar tudo de uma vez (ou quase) sobre os últimos cinco dias que passei em Paris. Delícia. Final de verão na cidade, calor durante o dia, sol e ventinho gostoso à noite.

Chegamos na cidade (eu e o marido) na quarta-feira, dia 28, e, depois de tomar banho e descansar uma horinha, a primeira coisa que fizemos foi parar na primeira boulangerie (padaria) e rachar um pão de chocolate. Depois, no primeiro bar, para tomar uma cerveja. Ufa, estamos de férias.
Parti para Paris com uma lista de bistrôs incríveis e lojinhas gourmands que deveria experimentar, feita pela Tanya Volpe Spindel, que morou na cidade, sempre que tem uma chance corre para cá e conhece muito bem seus restaurantes. Além de ter um paladar de super confiança. Mas acontece que vim para cá bem na última semana de agosto, também a última das férias dos franceses. E isso significa que boa parte dos restaurantes que eu queria conhecer estavam fechados.
Na primeira noite, conseguimos reserva no L´Ami Jean, um bistrô bem clássico, com influência de comida basca, que havia reaberto havia apenas dois dias. O lugar é pequenino, com mesinhas muito coladas umas às outras, estava cheio e barulhento. Tudo o que se imagina de um bistrô parisiense. Fomos levados ao fundo do salão, sorte nossa, porque dava para assistir todo o movimento da minúscula cozinha. E também a performance do chef Stephane Jego, que ficava na bancada finalizando cada prato. Cada vez que um garçom demorava mais do que dois segundos para ir pegar o prato e levar à mesa, ele os chamava batendo palmas, depois acompanhadas de uma bela “bronca”, sem vergonha de ninguém que estivesse por ali assistindo.

Nos sentamos, pedimos um vinho tinto e recebemos pães e um paté de foie gras, divino.
Pedimos ao garçom uma sugestão para a entrada, ele trouxe uma linda travessa cheia de vieiras, na concha, que foram preparadas com vinho branco, cebola picada bem fininha e ciboulette. Estava divina, macia, adocicada até. O marido que não come frutos do mar resolveu experimentar e até repetiu!

Vieiras

Tanya havia sugerido o foie gras para dois, mas acabamos pedindo um gigantesco filé a la plancha ao ponto. Quando a carne veio para a mesa, tinha uma crosta torrada e o interior completamente vermelho. Achei que não iria dar certo. Gosto de carne mal passada, mas nem tanto. Mas quando parti o primeiro pedaço, vi que não saiu nada de sangue no prato. Ela estava brilhante e parecia macia no toque. Coloquei na boca e experimentei. Até agora, foi o ponto de carne mais perfeito que já provei. Macia, saborosa, apenas um pouquinho de sal e só. Um amigo que mora em Paris e trabalha em restaurante me disse que o grande segredo é que eles grelham a carne, para deixá-la crocante e depois a deixam descansar um pouco. E isso a deixa tão macia e perfeita. Será? Achei tão simples…
A carne era acompanhada de cogumelos e legumes e alguns (poucos, infelizmente) nhoques. Eles tinham um tamanho maior que o normal e, quando você mordia, a primeira sensação era de que estava cru, porque era mais durinho e a massa grudava mais nos dentes. Depois, percebemos que não era isso. Perguntei para o chef e ele disse que era assim porque leva na massa um tipo de castanha. E fica demais! Disputamos a garfos cada um deles.

File Ami Jean

E vem a sobremesa: um creme inglês com baunilha e uma bola de sorvete de creme no meio, que é servido junto com um baldinho de madeleines. Sim, a idéia é molhar a madeleine no creme e no sorvete e ir comendo. Sério?!?!

Sobremesa L Ami Jean

Nem preciso dizer o quão feliz saímos dessa primeira noite em Paris…
Para melhorar, só encerrar no La Perle, o bar mais legal da cidade, no Marais, tomando cerveja com os amigos.

L´Ami Jean: 27, rue Malar. Tel. 01 47058689
La Perle: esquina das rue Vielle du Temple e La Perle, no Marais.

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No segundo dia, acordei cedo e fui ao Bon Marché, um dos melhores mercados do mundo, que tem alas de produtos da Itália, do Oriente Médio, do México… Já falei sobre ele aqui antes. Dá uma olhada nos mini macarrons “aperitivos” que encontrei lá:

Mini macarrons

Depois fomos bater pernas pelos jardins do Palais Royal, que é um lugar lindo, cheio de margaridas e dálias no centro, com cadeirinhas em volta para tomar sol e ler um livro e rodeado de galerias onde tem alguns dos brechós mais bacanas da cidade. Quando bateu a fominha, entramos em um café para comer um cuscuz marroquino com kafta. E nos sentamos nas mesinhas do lado de fora da galeria. Dá uma olhada no visual do lugar.

Palais Royal

Difícil foi manter os passarinhos, que estavam loucos pelo nosso cuscuz, longe da mesa.

cuscuz palais royal

Estava com tanta fome que esqueci de anotar o nome do café, mas fica entre o brechó Didier Ludot e a loja Marc Jacobs.

Depois do almoço, saí para dar uma volta por Saint Germain e fui conhecer a loja do Pierre Hermé. A Alline já havia escrito sobre ela aqui. E eu tinha lido no blog da Chez Pim sobre uma de suas experiências na loja. Ela começava falando que gostaria de ser de novo uma “virgem do Pierre Hermé”. Ou seja, ter a chance de provar de novo, pela primeira vez, um de seus doces ou chocolates. E desde então achei que era a hora de eu ter essa experiência. Fui sozinha, para manter a concentração.
A loja da rue Bonaparte é linda, parece mais uma joalheria do que uma “doceria”. Abri a porta e dei de cara: do lado esquerdo, uma fileira de macarrons coloridos, tarte tatin e diversos doces cor-de-rosa e vermelhos; do lado direito, chocolates, geléias, biscoitos e pães.

Doces Pierre Herme
Doces Pierre Hermé
Geléias Hermé

Assim que abri a porta o moço atrás do balcão começou a se divertir comigo. Sim, eu tinha aquela cara “é a minha primeira vez aqui, eu quero comer tudo e não consigo escolher”.
Pedi então primeiro uma caixinha com dez tipos de chocolates diferentes, entre pralinés e amargos. Não dá para explicar o que eles são, exceto dizer que são tipo a coisa mais maravilhosa que já comi no “ramo dos chocolates” na vida. Enquanto estou escrevendo, estou provando um de chocolate amargo recheado com uma espécie de mousse de chocolate amargo e leve sabor de limão. Noooosssaaaa!

chocolates pierre herme

Depois da caixinha, pedi um ispahan, aquele doce que é um tipo de “sanduíche” de macarrons recheado com creme com sabor de pétalas de rosas e frutas vermelhas. Maravilhoso.

E, claro, não deu para sair de lá sem pedir um pain au chocolat, que nesse caso leva chocolate amargo E nutela. Socorro!

Como estava nas redondezas e não satisfeita, ainda passei pela Gerard Mulot, que tem os melhores macarrons de Paris (sim, acho melhores que os da Ladurée). Comprei dois: coco e limão. Levei para o hotel para provar mais tarde. Vocês não acreditam a felicidade que fiquei quando cheguei tarde da noite, depois de um show de rock, e eles estavam lá me esperando, antes de dormir…

Fachada Gerard Mulot

Pierre Hermé: 72, rue Bonaparte. Tel. 01 43544777.
Gerard Mulot: 76, rue de Seine. Tel. 01 40469934.

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No dia seguinte, acordei cedo, tomei chá Marriage Frères de earl grey no hotel e já saí para a rua. Fomos almoçar no Le Comptoir de Relais, do chef Yves Camdeborde, ex-chef do Regalade. Estava louca para conhecer o lugar. Camdeborde faz lá uma cozinha da chamada “bistronomie”. “Comida de bistrô com requintes de gastronomia”, como me falou a Tanya. E preços de bistrô. O que é portanto a melhor pedida da cidade hoje em dia. E foi Camdeborde quem inventou esse conceito. No serviço do jantar, ele nem tem menu fixo. Prepara o menu do dia a partir dos produtos disponíveis e de sua inspiração. E é difícil conseguir reserva.

Le Comptoir

Durante o dia, tem um menu que parece ser tradicional de bistrô, mas com uma comida que não tem nada de comum. Comemos torradas com mel e foie gras de entrada, com vinho rosé acompanhando.

Foie gras

Como prato principal, pedi porco e recebi esse aqui:

Porco Le Comptoir

Parece um gigange bacon né? E é mesmo uma mistura em tiras da carne do porco com gordura. Não tenho idéia de como ele consegue fazer isso, mas a verdade é que a carne estava demais de saborosa. E, separando a parte branca da gordura, nem dava para perceber que ela esteve ali. Foi servida com purê de batata e cogumelos.

O prato do marido era uma fatia de “carne de panela” ao molho rôti, que desmanchava na boca, servida com brócolis.

File Le Comptoir

De novo, saímos mais do que felizes de lá.

Le Comptoir de Relais: 9, Carrefour de L´Odeon. Tel. 01 43291205

Ainda faltam aqui o jantar no sábado com os amigos no Chez Janou e o almoço no La Table, do Joel Robuchon. Os dois últimos de Paris. Estou indo para a Itália. Nos próximos dias, se tudo der certo, vou fazer posts de Positano, na Costa Amalfitana.

Notas relacionadas:

  1. Comidinhas Paris
  2. Paris: os azeites são apenas um detalhe
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , , , ,