Saí de Lisboa em direção a Évora com duas indicações gastronômicas, que para muitos disputam o título de melhor restaurante do país: o Fialho e a Tasquinha do Oliveira.
O primeiro é quase um patrimônio nacional, foi fundado em 1948 e desde então vem gerando vários “filhos”, pequenos restaurantes de funcionários que saíram do Fialho para montar seu próprio negócio. E esse é o caso da Tasquinha do Oliveira.
Seu proprietário, Manuel Oliveira, trabalhou no Fialho e saiu de lá para montar seu pequenino restaurante (pequenino mesmo, tem só cinco mesas) com a mulher, Carolina, que na minha opinião deve ser a melhor cozinheira de Portugal. Porque comanda sozinha a cozinha da Tasquinha e lá foi sem dúvida o melhor jantar que tive no país.
Foi lá também o único lugar que precisei fazer reservas (e com um mês de antecedência). Como é muito pequenino, é bom se garantir e também chegar na hora, às 20h em ponto. Como apenas Manuel e Carolina cuidam do restaurante, tudo é orquestrado para sair da cozinha e servir as mesas ao mesmo tempo, garantindo a qualidade da comida e do serviço.

Tasquinha do Oliveira
Quando chegamos, a mesa já estava pronta com algumas opções de entrada nos esperando. Esse é, aliás, um costume comum em Portugal: você escolhe o vinho e o prato principal, mas as entradas são “escolhidas” para você, o que também pode encarecer um tanto a conta. Mas, confie, vale a pena. Na minha mesa, quando sentei tinha:

As melhores pataniscas que provei em Portugal: não é um bolinho, mas um tempurá de lascas de bacalhau e batata

Uma torta folhada recheada com perdiz

Um queijo amanteigado do Azeitão

Um frango assado e desfiado em forma de salada, temperado com azeite e coentro, que é divino! Perguntei para o sr. Oliveira qual era o segredo. E ele respondeu: “A forma de assar o frango”. Mas só deu risada e fingiu não ter ouvido quando eu pedi a receita…

Um polvo no azeite, alho e coentro, com a textura perfeita

E uma sapateira já desfiada e servida fria
Depois de tudo isso, optamos por escolher só um prato principal e dividir:

Porco preto com amêijoas e verduras. Parece que a mistura é estranha, né? Mas o resultado final é divino, leve e saboroso. A carne do porco preto é macia, por conta um pouco da quantidade de gordura, mas a questão é que você não percebe essa gordura, ela é na medida para dar maciez. Com um molho leve, misturada às amêijoas, virou iguaria local.
Mas não satisfeito, sr. Oliveira ainda fez questão de mandar uma surpresa para a mesa que disse ser muito mais do que 5 estrelas. E nós aceitamos, claro:

Era um suflê de espinafre e camarões e também uma das melhores coisas que já comi na vida, levíssimo, macio, aerado… Sonhei com ele vários dias depois desse jantar.
E como eu não me dou por satisfeita, ainda pedi sobremesa:

Sericaia (doce feito com base de ovos, leite e açúcar) com ameixas de Elvas (cidade perto de Évora), especialidade alentejana.
O jantar para duas pessoas com vinho saiu por 120 euros.
Próxima parada: Fialho
O esquema é o mesmo: chegamos e encontramos uma linda mesa pronta

Pão e presunto pata negra. Só escolhemos o vinho, aliás, indicação de amigos portugueses e que adoramos: Tapada de Coelheiros.


Cogumelos e polvo, os dois preparados da mesma maneira: muito azeite, alho e coentro.
Partimos então para os pratos principais:

O bacalhau à Lagareiro (veja receita), com batatas aos murros, alho assado e muito azeite.

E um cabrito assado, com a carne desmanchando, servido com batatas

As queijadinhas vêm junto com o café para encerrar.
O jantar para duas pessoas com vinho saiu por 95 euros.
E, sim, da minha curta experiência em Portugal, Tasquinha do Oliveira e Fialho foram os dois melhores restaurantes.
Tasquinha do Oliveira: rua Cândido dos Reis, 45-A, Évora, Portugal. Tel. 266 744841.
Fialho: Travessa dos Mascarenhas, 16, Évora, Portugal. Tel. 266 703079.
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