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terça-feira, 16 de junho de 2009 Sem categoria | 17:17

Sorvetes Diletto: eu quero!

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E daí que está frio e eu estou gripada? O problema é que descobri os sorvetes Diletto e agora não consigo resistir a eles.
São italianos, uma mesma receita artesanal criada pelo Sr. Vittorio Meneghini Scabin em 1922 no vilarejo de Sappada, na região do Vêneto, na Itália, e agora reproduzida por seus netos no Brasil. São picolés, cremosos e ainda têm baixa caloria e pouca gordura. O de limão siciliano, por exemplo, tem só 59 calorias!!! O de Gianduia, o mais “gordo” deles, tem 170 kcal. Não tive dúvidas, provei um de cada. Hahaha. Alguns deles inteiros, outros só pequenas mordidas para aliviar a consciência.

diletto

Meus favoritos: limão siciliano, chocolate italiano, coco Malásia e pistache. Bem interessante também o de menta e chocolate, que tem gosto de menta de verdade e não de pasta de dentes. O de gianduia, achei muito doce. E ainda tem os de frutas, sempre bons: morango, framboesa, papaia e manga, abacaxi. E o que as embalagens são lindinhas?

Custam entre R$ 4 e R$ 6. Em São Paulo, estão à venda no Empório Santa Maria (Avenida Cidade Jardim , 790, Itaim. Tel (11) 3706-5211) e na La Vie em Douce (R. da Consolação, 3161, Jardins. Tel: (11) 3088-7172), entre outros endereços.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

segunda-feira, 15 de junho de 2009 Comidinhas na França | 10:37

Comidinhas Paris e o restaurante “Os Comilões”

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por Alline Cury

De tempos em tempos tenho um restaurante preferido. Chega a ser engraçado, mas é quase sempre o mesmo ciclo. Descubro um lugar novo, fico apaixonada, levo os amigos que moram em Paris, sugiro a quem vai turistar pela cidade e escrevo para o Comidinhas.

Já tive a época do Chez Janou, que fica no Marais e é ótimo para comer bem e beber pastis. Também já bati carteirinha no Sushi Gourmet, que sempre me surpreende com algum peixe novo. E já atravessei a cidade algumas vezes para comer no Le Baratin, que apesar de estar fora do circuito de luxo de Paris, é considerado um dos melhores bistrôs da cidade.

Bom, expliquei tudo isso para dizer que o Les Fines Gueules, em português Os Comilões, é o meu restaurante da vez.

Les Fines Gueules

Sempre peço o assiette de charcuterie, que mistura vários tipos de salaminhos, queijos, patês e presuntos em uma pequena ou grande tábua. Tudo depende da fome de cada um.

Por lá são servidos pratos típicos da culinária francesa. Veja alguns dos que já saboreei:

dourado
Filé de dourado com aspargos

tartare
“Tartare de boeuf” com batatas e salada verde

salmao
Salmão grelhado com purê de ovos e trufas pretas

crepe berinjela
Crepe de berinjela com calda de tangerina

tiramissu
Tiramissu

baba ao rum
“Baba ao rum” com cacau e framboesa

O bistrô também tem uma enorme carta de vinhos, muitos deles “bio” (biodinâmicos), que podem agradar todos os gostos e bolsos.

O preço do jantar pode variar bastante de acordo com a quantidade e o preço dos vinhos, mas costumo pagar por uma refeição completa, com uma garrafa de vinho, 60€ por pessoa.

Les Fines Gueules
43, Rue Croix-des-Petits-Champs – 75001
Metro Bourse
Tel. 00 33 (0) 1 42 61 35 41

Notas relacionadas:

  1. Comidinhas de férias em Paris
  2. Comidinhas Paris – a melhor sopa 24 horas
  3. Comidinhas Paris: O chocolatier da vez
Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

terça-feira, 9 de junho de 2009 Restaurantinhos | 15:58

Sanduíche de pernil do Estadão

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Delícia poder fugir do trabalho, em dia lindo de sol de outono, para ir almoçar no centro velho de São Paulo. E comer um sanduíche de pernil, com cebola, pimentão e muita pimenta, no bar Estadão. Uhnnnn!

sanduiche pernil Estadão

Bar e Lanches Estadão: viaduto 9 de Julho, 193, centro de São Paulo. Tel. 11 3257-7121.

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

segunda-feira, 8 de junho de 2009 Sem categoria | 20:06

Manhã de domingo com os amargos e as bruxas da gastronomia

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“Sem o ideal do amargo
Nunca saberemos quando
Somos felizes”

(Horácio Costa)

Passei boa parte do meu final de semana dentro do hotel Hyatt em São Paulo assistindo às palestras e workshops do “Paladar – Cozinha do Brasil”. Na sua segunda edição, o evento reuniu chefs importantes brasileiros e internacionais (o italiano Massimo Botura, o espanhol Andoni Luis Aduriz, o peruano Coque Ossio, por exemplo) e alguns dos jornalistas gastronômicos por quem eu suspiro: Jeffrey Steingarten, o “homem que comeu de tudo”, crítico da Vogue, Gael Greene, que entrevistei abaixo…

Mas é o segundo ano que saio de lá e não consigo pensar nem falar de mais nada que não seja o encontro das chefs Mara Salles, Ana Soares e Neide Rigo. Assistir as três cozinhando juntas e falando ao mesmo tempo por cerca de duas horas num domingo de manhã faz minha vida mais feliz. E olha que o tema foi “os amargos”: jurubeba, guariroba, jiló, erva-mate…

mara neide ana

Ano passado as três falaram de mandioca e parece que gostaram tanto do encontro que mantiveram conversas e experimentos o ano inteiro. Nesta edição, ficaram em dúvida sobre o que abordar. Pensaram em feijão, em gorduras e dezenas de outras opções até fecharem questão com os amargos. “Só 30% dos americanos e europeus ocidentais suportam sabores amargos”, contou Neide Rigo. E as três se identificam completamente com eles. E eu também. Tomo café sem qualquer açúcar, gosto de chocolates, laranjas e verduras amargos, jiló, feijão andu… Mas daí até a jurubeba tem uma longa distância, que foi se destruindo a cada prato que eu provei ontem pela manhã no workshop das “três bruxas”, como elas se identificaram logo de cara.

Começamos provando a jurubeba em conserva. Mesmo depois de ter sido fervida em água com sal cinco vezes, o amargo é o suficiente para dar aquela dorzinha de estômago que sentimos ao beber um chá de boldo (o verdadeiro, não o de saquinho).

Mas aí a jurubeba virou tapenade e também recheio de uma espécie de sushi feito com arroz empapado. E ficou ótimo. Depois vieram os jilós: em pasta, grelhado, confitado, com azeite e sal e servido com sardinha, sobre uma casca de pastel. E a gente salivou e pediu para repetir!

sardinha e jilo

Depois, a guariroba, um palmito amargo, muito consumido no centro do país, sucesso no recheio do empadão goiano. Claro que a Ana Soares não podia ficar sem criar uma nova versão de espaguete. E assim foi: espaguete feito com erva-mate (a mesma do chimarrão), servido com um refogado de guariroba e uma colher de nata por cima. Amargo, amargo, amargo. Mas totalmente maravilhoso!

massaervas

A platéia estava encantada, e as três iam cozinhando, inventando coisas na hora. Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, que dava aula numa sala ao lado, enviou 3 copinhos de cachaça, e a conversa ficou ainda mais animada. Neide, completamente tímida, vai dando informações técnicas, nutricionais, sobre o amargor dos alimentos. Mara e Ana cozinham e falam, juntas, tudo no diminutivo: “uma salviazinha”, “esse caldinho”, “pega aquela carninha”, “e se a gente colocasse uma pimentinha?”, “um azeitizinho”… Adoroooo! E falam de comida e de alma.

“Amargo é comida pra alma na minha cabeça”, diz Ana. “A gente gosta dessas coisas que dão trabalho: carne com ossos, joelho de porco, gordura, amargos… Hoje em dia é só papinha, espuminha, tudo muito fácil”, diz Mara enquanto serve a sua “pancetta sob pressão”, com laranjas-lima, laranjinhas kinkan, sálvia, pimenta, limão…

pancetta

“E o óleo de fígado de bacalhau? Eu adoro. Lembro que minha mãe servia uma colherinha junto com uma gema crua ou com uma colherinha de café”, fala Ana.

“Ai vamos colocar uns lindinhos aqui em cima?”, pergunta Mara. Os “lindinhos”, no caso, é o miolo do jiló cozido que lembra um caviar. “Com fé tudo vai dar certo”, completa.

“Massa com erva-mate é uma extravagância, mas hoje nós temos essa licença poética. Quando a gente cozinha, preciso desse universo de arte e poesia”, diz Ana, que prepara uma saladona de folhas amargas com fígado de galinha poché e molho de vinho tinto.

salada verdes amargos

E por aí foi…

mesaamargos

Massa fresca de erva-mate, ensopadinho de guariroba e nata

Ingredientes
300g de massa fresca (espaguete) de erva-mate
300g de ensopadinho de guariroba
150g de nata
30 ml de azeite

Massa fresca de erva-mate
30g de erva-mate (pó peneirado)
4 gemas
60g de semolina de trigo (farinha de grão duro)
140g de farinha de trigo

Ensopadinho de palmito amargo
350g de palmito amargo (guariroba) fresco ou em conserva
75g de cebola laminada e repicada
75g de salsão laminado
100g de tomate (sem pele e sementes) fatiados
30g de manteiga
30 ml de azeite
Salsa e cebolinha a gosto
Pimenta fresca a gosto
Folhinhas de tomilho fresco a gosto
10 g de alho batido
100 ml de caldo de ave ou legumes

Preparo

Massa fresca de erva-mate
Bata a erva peneirada com os ovos no liquidificador. Incorpore delicamente às farinhas amassando bem para fazer uma massa homogênea e lisa. Deixe descansar por 10 a 15 minutos envolta em papel filme. Corte em fios a gosto.

Ensopadinho de palmito amargo
Seque a cebola e o salsão na panela. Adicione a manteiga e o azeite. Doure o alho. Acrescente os tomates e refogue os palmitos. Tempere a gosto com sal, pimentas e ervas. Coloque o caldo. Ferva, retifique os temperos e reserve.

Finalização
Aqueça o ensopadinho de guariroba e reserve no calor. Cozinhe a massa em abundante água fervente temperada com sal grosso. Escorra, passe em fio de azeite e coloque no prato de serviço. Regue com o ensopadinho e sirva com uma colherada de nata.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

quarta-feira, 3 de junho de 2009 Sem categoria | 20:17

Exclusivo: entrevista com Gael Greene, a crítica insaciável

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greeneGael Greene foi a primeira mulher a ocupar uma posição de destaque como crítica de restaurantes em Nova York. Foi também a primeira crítica a lançar uma biografia que dava tanta importância às suas experiências com a comida quanto com o sexo. Pudera. Durante sua carreira como jornalista, teve casos amorosos com Elvis Presley, Clint Eastwood, Burt Reynolds, um ator pornô, 3 chefs de cozinha, 3 donos de restaurantes…
Sua primeira experiência como jornalista, em 1956, foi cobrir um show do Elvis. Quando terminou, ficou aguardando para entrevistar o astro do rock, que a convidou para continuarem a conversa em seu quarto, onde passaram a noite juntos. No livro “Insatiable – Tales from a Life of Delicious Excess”, Greene conta que ficou tão estupefata com o ocorrido que pouco se lembra de como foi o sexo. Mas nunca esqueceu de que, assim que terminou, Elvis imediatamente a dispensou e pediu um sanduíche de ovo frito. Foi a primeira vez que escreveu sobre uma comida.

Desde sábado, Greene está passeando por São Paulo e conhecendo restaurantes por aqui. No final de semana, vai participar do evento “Paladar – Cozinha do Brasil”. Hoje de manhã, tomamos café juntas no Hotel Hyatt. Quando perguntei sobre sua relação com os “excessos” (de comida, de sexo, de baladas) que retrata no livro, Greene, de 76 anos, me respondeu: “A sensualidade é um grande prazer. E sempre pensei: Deus, quero fazer isso. Às vezes, você não pode dar mais nenhuma mordida, mas você simplesmente tem que experimentar. Você precisa estar em casa às 2h porque tem compromissos no dia seguinte. Mas por que vou embora se posso dançar mais algumas músicas? E houve vezes em que pensei: Não conheço esse homem direito, mas ele é tão gostoso, então, por que não? Simplesmente faça. Isso é viver o agora. E não parar. Aproveitar os grandes momentos, não pensar no que vem depois. E isso é algo muito especial sobre comida. Quando você está provando uma grande refeição, não tem que ficar pensando em outras coisas, preocupando-se com detalhes, coisas que têm que fazer, pequenos problemas da vida. Tem que aproveitar um grande momento”.

Abaixo, os principais trechos da conversa:

Comidinhas: O que você tem feito em São Paulo desde sábado?
Gael Greene: Almoços e jantares (risos). Fui ao Mocotó e só a sopa de favas e tutano (mocofava) já valeu as duas horas de viagem até lá. Estive também no Brasil a Gosto. Meu marido pediu uma carne, eu comi um prato de carne com banana e abóbora caramelada. Aliás, preciso anotar direitinho todos os pratos, porque comi tantas versões de mandiocas desde que cheguei, que vou começar a esquecer e misturar tudo. Fomos ainda ao D.O.M. Incrível a mistura de grãos e temperos que ele usa. Estive no mercado central, provei várias frutas, o sanduíche de mortadela, o bolinho de bacalhau. Depois fomos andar no bairro japonês e também na Vila Madalena. Sempre que vou a uma nova cidade, gosto de fazer o jantar mais completo. Mas no almoço procuro ir a lugares onde os moradores vão, comer sanduíches, pratos do dia-a-dia.

Comidinhas: Você é conhecida pelos chapéus extravagantes que usa para sair em fotos. Por que ?
Gael Greene: porque sou uma crítica e as pessoas não devem me reconhecer…

Comidinhas: Mas você ficou conhecida e até bem próxima de vários chefs.
Gael Greene: Sim, mas os chefs dos grandes restaurantes nunca estão por lá (risos). Estão em eventos, fazendo programas de televisão, cuidando de projetos, de férias. Muitos não me vêem há dez anos. Então, faço a reserva com outro nome, dou outro telefone de referência, pago a conta e tento me manter incógnita. Muita gente diz que, mesmo que o chef saiba com antecedência que vai receber um crítico, não terá como alterar a qualidade de sua comida. Eu digo que tem sim, porque ele vai estar no restaurante, vai finalizar os pratos pessoalmente, vai escolher os ingredientes mais frescos, não vai servir pratos que possam dar problema, terá um atendimento diferenciado e tudo isso influencia na experiência.

Comidinhas: O que é preciso para ser um bom crítico gastronômico?
Gael Greene: Ser um bom escritor e um bom repórter. Saber descrever a comida de um jeito que as pessoas fiquem com vontade de prová-la. Ver coisas que outros não vêem, prestar atenção nos detalhes, saber que o linho do guardanapo é de boa qualidade, ver atitude no serviço. Ter paladar e paixão por comida. Amar jantar fora. Eu imagino que dever ser muito difícil para um crítico ter uma mulher que deteste comer fora, por exemplo, e fique sempre reclamando. Eu e meu marido jantamos fora todos os dias, exceto aos domingos, que ficamos em casa. Também acho importante saber cozinhar, para saber identificar o que pode ter dado errado. Às vezes, são coisas muito sutis, mas que podem fazer a diferença entre uma refeição totalmente perfeita e uma decepção.
Semana passada, recebi uma carta de um garoto, Oscar, que dizia ter 10 anos e morar na Austrália. Ele disse que quando crescer quer ser um crítico gastronômico e me perguntou o que devia fazer para isso. Eu mandei uma resposta para ele com uma lista de coisas. Mas basicamente disse que ele tem que cozinhar, comer e guardar dinheiro para viajar e ir provar coisas diferentes pelo mundo. Críticos gastronômicos não fazem dinheiro porque gastam tudo em viagens. Disse que ele deveria expor sua boca a comidas incríveis. Memória gastronômica também é importante e é um dom. Você pode nascer com ele. Mas, se não for o caso, tem como desenvolvê-la.
Oscar me respondeu e me enviou sua primeira crítica gastronômica de um chá com leite e cupcakes. Dizia que era possível sentir o frescor do leite, mas que os cupcakes estavam secos. Mandei essa troca de correspondências para o Huffington Post e acho que vão publicar.

Comidinhas: E, para você, qual é a parte mais divertida de ser uma crítica gastronômica?
Gael Greene: Poder sair para jantar fora todos os dias. Me reunir com amigos em lugares agradáveis e ter uma ótima refeição. Claro, tenho também experiências ruins de vez em quando. Depois de algumas delas, geralmente, vou a lugares que considero seguros. Mas eu não gosto do resto. Gasto muito tempo decidindo onde vou comer, fazendo reservas… E não gosto de escrever, porque isso é o trabalho não o prazer. Sempre fico pensando que, enquanto estou sentada escrevendo, todo mundo está lá fora aproveitando. E escrever tem que ser perfeito, tem que ficar sempre melhor que o dia anterior. E agora que tenho um site, um blog e o twitter, o trabalho não acaba nunca. Tenho sempre que saber o que é novo, ficar planejando atualizações. A parte boa é a possibilidade de comer coisas maravilhosas todas as noites, descobrir ou redescobrir chefs que estão no seu auge.


Comidinhas:
Você ficou conhecida como a crítica dos excessos _ de comida, de sexo, de baladas. Como você lida com isso?
Gael Greene: A sensualidade é um grande prazer. E sempre pensei: Deus, quero fazer isso. Às vezes, você não pode dar mais nenhuma mordida, mas você simplesmente tem que experimentar. Você precisa estar em casa às 2h porque tem compromissos no dia seguinte. Mas por que vou embora se posso dançar mais algumas músicas? E houve vezes em que pensei: Não conheço esse homem direito, mas ele é tão gostoso, então, por que não? Simplesmente faça. Isso é viver o agora. E não parar. Aproveitar os grandes momentos, não pensar no que vem depois. E isso é algo muito especial sobre comida. Quando você está provando uma grande refeição, não tem que ficar pensando em outras coisas, preocupando-se com detalhes, coisas que têm que fazer, pequenos problemas da vida. Tem que aproveitar um grande momento.

Comidinhas: Como você se tornou uma crítica de restaurantes?
Gael Greene: Eu queria escrever romances. Acabei virando uma jornalista. E Clay Felke, editor da New York Magazine, que tem um dom incrível para descobrir os talentos das pessoas, sugeriu que eu me tornasse crítica. E deu certo. Uma época, a Liz Smith, que tem uma coluna sobre fofocas em Nova York, disse que eu escrevia tão bem e por isso deveria escrever sobre coisas mais sérias. Na época, também pensei isso e comecei a ajudar no projeto CityMeals on Wheels, organização de Nova York que fornece alimentos a idosos incapazes de se locomover. E isso me deixou satisfeita com essa parte “séria”.
Aí fui aproveitar. Em 1968, nunca achei que os chefs se tornariam celebridades, iriam para a TV, que teríamos festivais de gastronomia… A palavra “foodie” nem existia. São inacreditáveis as possibilidades que temos hoje.
E percebo que em São Paulo vocês estão passando agora por um processo que tivemos em Nova York nos anos 70 e 80. As pessoas agora conhecem os nomes dos chefs, vocês estão descobrindo produtos brasileiros, existe uma atitude patriótica até em relação à gastronomia e isso é muito interessante.

Comidinhas: E o que você acha da gastronomia molecular dos espanhóis?
Gael Greene: Eu nunca fui ao El Bulli, tem muita fila de espera (risos). Então não posso falar da comida de Ferrán Adriá. Mas assisti uma apresentação teatral dele em um evento de gastronomia, onde ele foi para demonstrar toda a sua técnica. Não acho que esse é o jeito que queremos comer. Se precisamos de tanta técnica para alterar a composição e a consistência de uma cereja e transformá-la em uma gelatina, mantendo seu sabor, é melhor pegar uma cereja natural e comê-la. Acho que as técnicas são muito libertadoras para os chefs, mas não é uma comida incrível.

Insatiable Critic: site oficial de Gael Greene

Autor: Alessandra Blanco Tags:

terça-feira, 2 de junho de 2009 Sem categoria | 15:20

Massas feitas como jóias e a boa pedida para o Dia dos Namorados

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Semana passada fui a uma degustação de massas do Pastifício Pissani, do casal de uruguaios Carlos e Chris Pissani. Só massas frescas, de produção artesanal e com ingredientes, formatos e recheios inusitados. O conceito da casa é fazer massas “como jóias”, com tratamento personalizado e belas caixas de embalagem.
Nem precisa de molho. Aliás, toda degustação foi feita sem eles, só o sabor da massa e pronto. Mas eu diria que ficariam perfeitas na manteiga e com um bom queijo ralado na hora. O que também me levou a pensar que podem ser uma ótima dica para o dia dos Namorados.
Ok, apesar de todos os menus especiais, sou contra Dia dos Namorados em restaurantes. Porque eles estão cheios, lotados, insuportáveis. E esse não é um dia para ficar na fila, disputar atenção do garçom ou ter que conviver com dezenas de outros casais colados na sua mesa.
Cada garfada que eu dava nas massas especiais Pissani (e podem ser outras marcas também, eu sou louca pela Mesa III, por exemplo), ficava pensando nisso: uma massa deliciosa, só com 3 minutos de trabalho (o suficiente para ferver a água), pode ser servida só na manteiga, com um bom vinho e você ainda terá tempo suficiente para se arrumar e ficar bonita… Sucesso garantido!
Então, lá vai a degustação:

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Provei para começar quatro massas redondas recheadas: no sentido horário, taleggio com radicchio, sexy (peccorino com cereja), napolitana (bacon, mussarela e tomate seco) e brie com azeite trufado.

aboboraeespinafre
Depois, abóbora com ricota defumada e massa de espinafre recheada com mousse de espinafre

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Massa de café recheada com faisão (mais comprida); massa recheada com cordeiro, cerveja e alcaparra; e capeletti de lingüiça com vinho branco

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Pêra com gorgonzola

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Massa feita com tinta de lula recheada de salmão com pêra

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E a sobremesa: massa de chocolate com recheio e calda de amoras e framboesas.

Minhas favoritas: abóbora com ricota defumada, taleggio com radicchio e a sexy.
As massas custam entre R$ 45 e R$ 65 o quilo.

Pastifício Pissani: alameda Franca, 1413, Jardins. Tel.: 11-3081.6847

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quinta-feira, 28 de maio de 2009 Comidinhas na França | 15:06

Comidinhas Paris: O chocolatier da vez

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Por Alline Cury

A Chocolaterie e Salon de Thé do pâtissier Jacques Genin é uma parada obrigatória em Paris para quem gosta de doces e sabe apreciar aqueles que são artesanais.

Apesar de essa ser a primeira loja do pâtissier, ele já é comparado aos grandes chefs franceses como Pierre Hermé e Jean-Paul Hévin. Além disso, Jacques Genin é conhecido por servir o melhor mil folhas de chocolate do mundo, que é sempre preparado na hora, e recentemente sua torta de limão foi eleita a segunda melhor de Paris pelo jornal Le Figaro.

jacques1

Os doces podem ser degustados no grande e confortável salão de chá ou quem preferir também pode levá-los para comer no hotel, em uma caixinha que é uma graça.

jacques2

Na minha última visita à boutique de doces, optei por trazer alguns docinhos para casa, pois adoro ter uma tortinha na manga pra quando bate aquela loucura por um pouco de açúcar.

Normalmente escolho os doces com chocolate, mas o próprio Jacques Genin acabou me atendendo e me convenceu a levar também uma tortinha de limão e ainda me presenteou com uma éclair de chocolate recheada com caramelo.

tarte-chocolat
Torta de chocolate

tarte-citron
Torta de limão, a melhor que já comida vida! Ela não é muito doce e preserva o azedinho gostoso do limão

eclair
Éclair de chocolate recheada com caramelo. Incrivelmente bom!

millefeuilles
Mil folhas de chocolate

Chocolaterie – Salon de Thé Jacques Genin
133, rue de Turenne – 75003
Tel. : 33 (0)1 45 77 29 01

Notas relacionadas:

  1. Comidinhas de férias em Paris
  2. Comidinhas Paris: um dia no Salão do Chocolate
  3. Comidinhas Paris – a melhor sopa 24 horas
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quarta-feira, 27 de maio de 2009 Sem categoria | 11:54

Cuecas na Cozinha

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Hoje tem lançamento do livro “Escola de Maridos & Afins”, do Alessander Guerra, do blog Cuecas na Cozinha. O convitinho vai aí embaixo. Boa dica para os moçoilos que querem impressionar com as panelas.
A partir de 19h30 no Na Cozinha: Rua Haddock Lobo, 955, 1o andar, tel.: 11 3063 5377.

cuecasnacozinha

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segunda-feira, 25 de maio de 2009 Sem categoria | 17:29

O roteiro gastronômico do Ipiranga

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Com São Paulo cada vez mais intransitável, começam a aparecer nos bairros mais residenciais pequeninos pólos gastronômicos. É aquela idéia de que “se tenho um bar, um restaurante, um mercado e um cinema bacana, praticamente não preciso sair daqui”. E eu confesso que adoro. Quanto mais puder fazer tudo caminhando e não tiver que pegar filas em restaurantes, melhor. Mesmo assim, o caso do Ipiranga é especial.
Qual bairro tem o melhor hambúrguer de São Paulo, uma das melhores padarias, uma ótima pizzaria, o mesmo para a doceira, dois bares incríveis e acaba de ganhar um restaurante italiano que facilmente disputará títulos entre os melhores da cidade? E ainda mantém casarões do século 19, pequenas vilas, o mais belo jardim da cidade (o da Independência, em frente ao museu do Ipiranga) e começa a transformar suas pequenas casas antigas em lojinhas coloridas de roupas e acessórios, ganhando cada vez mais um ar de Palermo Viejo (bairro de Buenos Aires que reúne as lojas, os restaurantes e os ateliês mais legais).
Morei no Ipiranga por mais de 30 anos. Almoçar o hambúrguer do seu Osvaldo às sextas-feiras, antes da aula de laboratório de química era algo esperado a semana toda. Assim como comer doce na Fischer na saída das aulas de inglês ou ir até a padaria Big Bread, todo dia 19, para comer zeppoli, o doce italiano de São José.
Mas, há alguns anos, o bairro começou a ganhar novos endereços que estão transformando sua cara, no melhor sentido possível. Primeiro foi o bar do Magrão, que começou a vender cervejas diferentes para os amigos no final de tarde e virou um disputado restaurante italiano.
Aí veio o bar do Nico, um filhote do bar Léo (do centro de São Paulo), bem em frente ao “meu colégio”. Numa linda casa, com um chope perfeito, canapés de rosbife, o melhor bolinho de carne e uma feijoada sensacional aos sábados.
Na rua Brigadeiro Jordão, abriu uma simpática hamburgueria e um boteco estilo Vila Madalena, um de frente para o outro. Ambos lotados nas noites de sexta e sábado.
E, há algumas semanas, pertinho dali, abriu o Nico Pasta & Basta, um restaurante italiano, especializado em massas frescas, com decoração que lembra muito o Casa Cruz, restaurante da moda de Buenos Aires. A chef Dayse Paparotto passou pelo Due Cuocchi (o meu favorito italiano em São Paulo) e tem uma proposta de pratos muito delicados e artesanais, com molhos tradicionais italianos. Tão bem executados que vale sair de qualquer canto da cidade para ir até lá experimentar.
Em duas visitas por lá, consegui provar:

nico_nhoque costela
Nhoque com ragú de costela (cozida por seis horas)

nico_ravioli abobora
Ravióli de abóbora na manteiga com lâminas de amêndoas

nico_bavete ragu cordeiro e cogumelos
Bavete fresca com ragú de cordeiro e mix de cogumelos

nico_risoto
Risoto de lingüiça, feijão e vinho tinto

Difícil escolher qual deles estava melhor. Todos estavam inacreditáveis de bom.

nico_creme brulee
Para a sobremesa, trio de creme brulée (tradicional, hortelã e goiaba).

Nico Pasta & Basta: Rua Costa Aguiar, 1586. Tel. (11) 2068-3000

Outros endereços no Ipiranga:
Sala Vip: Rua Cisplatina, 195. Tel.: (11) 6914-8181
Boteco São Jorge: Rua Cipriano Barata, 1913. Tel. (11) 2063-5316
A Hamburgueria: Rua Brigadeiro Jordão, 365. tel. (11) 2914-0410
Bar do Nico: Rua Moreira e Costa, 538. Tel (11) 2273-4811
Hambúrguer do Seu Osvaldo: Rua Bom Pastor, 1659.
Paellas Pepe: Rua Bom Pastor, 1660. Tel. (11) 3798-7616
Padaria Big Bread: Rua Brigadeiro Jordão, 490. tel. (11) 2273-0771 / (11) 2063-8011
Doceria Fischer: Av Dr Gentil de Moura, 254. Tel. (11) 5061-0400; (11) 5062-9984; (11) 5061-2644.
Bar do Magrão: Rua Agostinho Gomes, 2988. Tel. (11) 2061-6649.

Veja o mapa aqui:

Visualizar Roteiro gastronômico do Ipiranga em um mapa maior

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

quinta-feira, 21 de maio de 2009 Restaurantinhos | 15:27

Cebiches e piscos no La Mar

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De volta a São Paulo, fui finalmente conhecer o La Mar. Em noite gelada de sábado, 22h, o lugar estava lotado. Achei bem bonito, com aquela cara de restaurante moderno de Buenos Aires ou Nova York. Um ótimo menu de drinques. Curti bastante o Pisco Sour. Acho que outros restaurantes deveriam adotar…
Como a idéia era experimentar o máximo possível, ficamos nos pratos comunitários e pedimos a degustação de causas (R$35), uns bolinhos de batatas com limão e ajís (pimentas) peruanos com diversos sabores de “cobertura”: tinha coquetel de camarão, polvo com creme de azeitonas pretas, abacate e peixe, manjubas crocantes com salsa criolla. Interessante, mas não fez muito sucesso na mesa.

causas_lamar

A segunda pedida foi a degustação de cebiches (R$ 45), prato super típico peruano, feito com peixes ou frutos do mar cortados de pequeninos cutos, marinados com limão, cebola e pimentas. Na degustação, comemos opções com atum (foi meu preferido), robalo, polvo e camarão. E esses sim estavam sensacionais. Leves, frescos, ácidos na medida (melhor ainda acompanhados do Pisco), levemente “ardidos”.

cebiche-mixto

Agora, sucesso mesmo fez o couvert: tiras finíssimas de batatas e bananas chips, sequinhas, crocantes, devoradas em segundos.

La Mar Cebicheria Peruana: rua Tabapuã, 1410, Itaim. Tel.: (11) 3073-1213

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

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