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domingo, 25 de abril de 2010 Comidinhas em NY, Comidinhas na França, Receitas, Restaurantinhos | 10:00

A hora e a vez do porco

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Notaram que de “gorduroso”, “calórico” e “nada saudável” o porco virou a “bola da vez”? Restaurantes no mundo todo estão criando cardápios completos de embutidos ou aumentando entre as suas opções a oferta de costelinhas, bistecas e até barriga de porco.

De repente, vou a um jantar mexicano, e as pessoas estão disputando a tapas os torresmos do chef Rodrigo Oliveira. Vou conhecer o restaurante Nicota, e o novo prato do cardápio é a paleta de porco assada a baixa temperatura, acompanhada de uma terrina de mandioca perfumada com laranja. Vou almoçar no restaurante do hotel Pergamon e, de novo, o destaque eram as costelas suínas com ervas brasileiras e risoto de limão.


Paleta de porco do Nicota


Costelinhas do Pergamon

Vou jantar no Arturito e resolvo ficar só no menu de entradas de embutidos: lingüiça caseira, morcilla, salame. E são sensacionais!

Minha primeira barriga de porco foi no restaurante Le Comptoir de Relais, do chef Yves Camdeborde, ex-chef do Regalade e defensor do porco “dos pés à cabeça”, ou seja, aproveitar, comer e se deliciar com toda a carne possível do animal, ou todas aquelas partes que vão na feijoada e a maioria das pessoas deixa de lado no prato.

O restaurante da moda de Nova York, o DBGB, do chef Daniel Boulud, foi inteiramente pensado em cima do conceito “dos pés à cabeça”. Além de língua, medula óssea tostada, tripas e pés de porco, tem também um menu de 14 salsichas caseiras feitas no local, com sabores inspirados nas viagens que o chef Boulud fez por lugares com tradição em preparo de embutidos. A “Beaujolaise” é feita com a carne marinada em vinho tinto, a “Toulouse” é feita com carne de porco e de pato refogada e servida no estilo do “cassoulet”, a “Boudin Basque” é a salsicha feita com sangue, picante, servida sobre mashed potatoes e por aí vai. Também os hamburgueres têm um “toque” de carne de porco: o “The Piggie” vem com molho barbecue de porco, com pimenta jalapeño, queijo tipo cheddar, servido no pão de milho (me dá água na boca só de pensar!), e o “The Frenchie” vem com barriga de porco crocante, rúcula e cebolas caramelizadas. Aliás, no 210 Diner, também tem um hambúrguer com bacon gigante e barriga de porco no menu.

Em uma entrevista por email, o subchef do DBGB, Jim Leiken, me disse que boa parte das pessoas que vão ao restaurante fazem isso especificamente para comer os pratos “Téte au pied” (cabeça aos pés). “Muitos são franceses, alguns são de uma geração mais velha que ainda cresceu comendo a chamada ‘variedade’ de carnes e ainda gostam delas. Mas muitos simplesmente são ‘comedores aventureiros’, que vêm experimentar e percebem que há muito mais na boa cozinha do que filé mignon”, disse.

Leiken conta que o restaurante compra carne de porco apenas de pequenos criadores locais, que criam suínos de raça, com alimentação especial, o que produz uma carne de qualidade e acaba com o antigo medo de que comer carne de porco pode levar a contrair doenças. “Ainda existem muitos clientes preocupados com a gordura. Então, procuramos criar pratos balanceados, não muito pesados, com a carne e acompanhamentos de vegetais frescos e da estação.”

Já que o historiador italiano Massimo Montanari, especializado em história da gastronomia, aponta o porco como um dos alimentos mais importantes da humanidade, junto com o arroz e o trigo, e não há quem consiga resistir a um bom sanduíche de pernil ou uma bela feijoada, vamos aos porcos!

Sanduíche de pernil

Ingredientes

1 pernil de porco de tamanho médio
2 copos de vinho branco seco
2 cebolas grandes
 2 dentes de alho
2 ramos de alecrim
2 folhas de louro
1 pimentão verde
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
1 lata de tomate pelado
2 colheres de azeite
sal e pimenta a gosto

Modo de fazer

1-    Pelo menos quatro horas antes, bata no liquidificador o vinho, a cebola, o alho, sal e pimenta a gosto, formando uma marinada.

2-    Faça pequenos furos na carne do pernil com a ajuda de um garfo ou uma faca. Transfira-o para uma travessa grande. Passe toda a marinada sobre a carne do pernil, esfregando-a para penetrar bem, acrescente as folhas de alecrim e de louro, feche com filme plástico e deixe descansar na geladeira por cerca de quatro horas.

3-    Descarte o alecrim e o louro. Coloque o pernil em uma assadeira e envolva-o com papel alumínio e leve ao forno com aquecimento mínimo por cerca de uma hora. Vá regando, aos poucos, a cada 15 minutos, o pernil com o líquido da marinada. E virando-o de posição para cozinhar completamente.

4-    Após uma hora,  retire o papel alumínio, mas mantenha o pernil no forno para dourá-lo. Isso deve levar mais 30 minutos a uma hora, em temperatura bem baixa. Continue regando-o com a marinada. A carne deve ficar dourada por fora, mas rosada e macia por dentro. Se seu forno for mais forte, fique atenta, vá testando com um garfo, para que a carne não fique seca. Após estar dourada, retire do forno e reserve.

5-     Leve uma panela ao fogo com o azeite. Deixe aquecer e acrescente 1 cebola picada em pedaços maiores. Quando estiver “murchando”, acrescente os pimentões picados em fatias (sem as sementes). Faça um refogado. Quando os pimentões também estiverem murchos, acrescente os tomates. Deixe cozinhar por uns dez minutos. Tempere com sal e pimenta.

6-    Quando a carne do pernil estiver morna, pique-o em fatias finas. Em uma travessa, misture as fatias de pernil com o refogado de cebola, pimentões e tomate e faça sanduíches com pão francês.

Mocotó: avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, São Paulo. Tel. (11) 2951-3056.

Pergamon: rua Frei Caneca, 80, Consolação, São Paulo. Tel. (11) 3123.2021.

Nicota: Nicota: rua Costa Carvalho, 72, Pinheiros, São Paulo. Tel. (11) 3131-6373.

Arturito: rua Artur de Azevedo, 542, Pinheiros, São Paulo. Tel. (11) 3063-4951.

Le Comptoir de Relais: Le Comptoir de Relais: 9, Carrefour de L´Odeon, Metro Odeon, Paris, França. Tel. 01 43291205

DBGB: 299 Bowery , Nova york, Estados Unidos. Tel. 212.933.5300

210 Diner:  rua Pará, 210, Higienópolis, São Paulo. Tel. (11) 3661-1219.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

sexta-feira, 23 de abril de 2010 Receitas | 18:25

Pasta integral com tomatinhos e burrata

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Quer uma receita rapidinha pro final de semana?

Pastal integral com tomatinhos assados e burrata

Receita (para duas pessoas)

1/2 pacote de macarrão integral (usei o fusili da Mãe Terra)
250 gramas de tomatinho cereja
1 burrata (tipo de queijo feito com leite de búfala, é uma bola, com a casca mais firme e o interior bem cremoso, tem à venda em empórios e supermercados)
sal e pimenta a gosto
Azeite a gosto

Modo de Fazer

1- Coloque uma panela grande no fogo com água e sal (deve ter sabor de água do mar). Cozinhe o macarrão pelo tempo indicado no pacote para ficar al dente.
2- Lave os tomatinhos e coloque-os no forno a 250ºC por 10 minutos. Retire e deixe esfriar um pouco. Tire a casca (ela vai se soltar) e esmague-os com as mãos (se suportar o calor) ou com um garfo.
3- Pique a bola da burrata em pedaços pequenos (a tesoura é mais fácil para fazer isso).
4- Misture os tomates quentes com a burrata, tempere com sal, pimenta e azeite.
5- Quando o macarrão estiver cozido, retire da água e misture aos tomates e à burrata, mexa, regue com mais um fio de azeite e acerte o sal e a pimenta.

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

terça-feira, 20 de abril de 2010 Restaurantinhos | 11:52

Cupcakes de Alice

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Chegou semana passada aqui na redação, e a mulherada dava gritinhos:

É a nova linha de cupcakes criada pela chef Carole Crema, do La Vie en Douce, inspirada em “Alice no País das Maravilhas”.

Os gritinhos foram porque são lindos (ninguém teve coragem de comer a cartola verde). E foram logo em seguida substituídos por uhnnnssss!

No cupcake  Chapeleiro Maluco, a cartola verde fica sobre o bolinho de cacau coberto com ganache de chocolate belga meio-amargo. É divino! O Gato Risonho tem massa de baunilha e limão com creme colorido de manteiga. O Coelho Branco tem massa de banana caramelada com cobertura de merengue. E a Rainha de Copas é o brasileirinho bolo de cenoura com cobertura de chocolate belga ao leite e os símbolos das cartas do baralho. Cada um custa R$ 6.

La Vie en Douce: rua da Consolação, 3161, Jardins. Tel. (11) 3088-7172.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

segunda-feira, 19 de abril de 2010 Comidinhas em NY | 17:49

De Nova York: brunch no The Spotted Pig

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por Paula Tanaka Camara (blogdapy@gmail.com), do blog Cozinhando Sempre

A chef April Bloomfield tem uma grande preocupação com a busca de ingredientes de fazendeiros da região e usa produtos de qualidade, e esse carinho se demonstra em cada prato servido. Além disso, há no restaurante uma pessoa responsável por buscar ingredientes nos farmers markets quatro vezes por semana e estocar o que há de melhor e de mais fresco em cada dia.

 O lugar tem uma decoração sobrecarregada, com quadros, pratos e pinturas pendurados por toda a parte de uma parede rosa.  Mas a espera é num lindo jardim, cheio de plantas e flores.

O cardápio aos finais de semana inclui brunch com os famosos eggs benedict, mas com presunto defumado e fatiado em lascas super finas que se desmancha com o ovo pochê.

Além disso, outra opção, que era o especial do dia, levava pedaços de leitão (suckling pig) e feijões cozidos ao molho de tomate e gengibre e acompanhado por dois ovos de gema molinha.

Tudo foi muito bem acompanhado pelas shoestring fries, batatinhas fininhas fritas com alho e alecrim.

 

As sobremesas eram bem simples, resumindo-se a um pudim de leite, bolo de chocolate e outras duas opções. Eu esperava alguma torta com frutas, mas a única opção era de ameixas com Armagnac, um tipo de brandy, e acabei ficando só num chazinho de menta. O lugar é charmoso e vale uma próxima visita para conferir o cardápio do jantar. Fica o aviso: há opções de saladas interessantes, mas em geral a comida é pesada, então programe uma bela caminhada pelo West Village para ajudar a digestão.

 The Spotted Pig: 314 W 11th St, esquina com a Greenwich St. Tel. (212) 620-0393.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

sexta-feira, 16 de abril de 2010 Sem categoria | 12:46

Um giro por São Paulo

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Eu disse que a semana estava quente: almoços e jantares pela cidade todos os dias, voltar a lugares que já fui, conhecer outros que estava devendo há tempos… Abaixo, um “melhores momentos”:

Marcel

Sim, noites frias, mas gostosas, e eu fiquei com desejo de soufflé. E fui ao Marcel.

Comi o grande de espinafre com queijo gruyère e fiquei roubando garfadinhas do de cogumelos com brie da minha amiga. O soufflé (que tem preços variando entre 30 e poucos reais e 50 e poucos reais) estava divino. Mas achei o serviço bem estranho. Maitre parecia não acreditar que duas moças tinham entrado e pretendiam jantar. Quando dispensamos o couvert, o garçom voltou com a bandeja e foi repreendido pelo caminho. O atendimento foi ok, mas com certo constrangimento…

Marcel: Rua da Consolação, 3555, Jardins. Tel. 11 3064.3089.

Le Jazz

Eu tinha ido ao Le Jazz há algumas semanas. Comi um peixe delicioso com um tapenade de berinjela. Mas não escrevi aqui porque não estava satisfeita. Eu queria comer o:

Steak tartare. Porque eu imaginava que, com a cara do lugar, do menu, do chef, não sei, ia ser bem steak tartare de bistro pequeninino em Paris. Voltei lá para almoçar com um amigo. E o tartare era exatamente como imaginava. Devorei, feliz, em dez minutos.

E provei também a bisteca de porco do meu amigo. Aliás, estou numa fase amando carne de porco, vou falar disso aqui semana que vem. Essa estava perfeita: partes mais sequinhas, outras com um tanto a mais de gordura e também mais saborosa.

Para encerrar, um clafoutis de amora, quente, para dividir porque é gigante.

Um almoço desse tamanho sai em torno de R$ 50 por pessoa.

Le Jazz: rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros, São Paulo. Tel. 11 2359-8141.

Nicota

Também já tinha ido ao Nicota. Mas num almoço rápido e sem grandes emoções. Então dá para considerar que a visita dessa semana foi realmente quando conheci a cozinha da chef Marisa Revoredo.

O lugar é lindinho, cheio de referências familiares, lembranças trazidas de viagens, bem mulherzinha. Provei alguns pratos novos do cardápio:

Primeiro, destaque para o pãozinho do couvert

Mini wafles de batatas servidos com salmão defumado e um creme azedo

Lula e polvo com tagliarine de pupunha (R$ 40)

Paleta de porco, assada em baixa temperatura e acompanhada de terrina de mandioca caramelizada e perfumada com laranja (R$ 35).  Divina, com a carne desmanchando na boca.

E as sobremesas:


A panacota

E o papo de anjo

Ai, ai, delícia de descoberta!

Nicota: rua Costa Carvalho, 72, Pinheiros, São Paulo. Tel. 11 3031-6373.

Roux

 Recebi o seguinte convite: que tal uma noite de polvo e língua no Roux? E pensei: será que combina? Claro, não foram servidos juntos, mas como uma sequência de pratos. E não é que ficou bom?

O jantar começou com uma sopinha de couve com gorgonzola. A cor da foto mostra também o clima do lugar, bistrozinho romântico a meia luz.

Depois, comemos o polvo à provençal, servido com um arroz com tomates. A carne do polvo estava macia, no ponto perfeito.

Ravióli de ricota servido com língua, também muito macia, desmanchado na boca

Ficou com vontade? Aí vão as duas receitas do chef Arthur Sauer:

Língua com ravióli de ricota

 Língua:
1 língua inteira
1 cenoura cortada em rodelas
1 talo de alho-poró fatiado
1 talo de salsão picado
1/2 colher de sopa de pimenta do reino em grão
 

Modo de preparo:
Colocar todos os ingredientes em uma panela grande e cobri-los com água, cozinhando em fogo brando por cerca de duas horas, até que a língua esteja macia. Escorrer o caldo e reservar. Com a carne ainda quente, retirar a pele. Esperar esfriar e levar ao freezer. Depois de congelada, fatiar.

Ravióli/Recheio:
500g de ricota
20g de creme de leite
15ml de azeite
15g de sal
Pimenta do reino moída a gosto

Modo de preparo:
Misturar todos os ingredientes com o auxílio das mãos até que a ricota esteja bem dissolvida. Reservar.

Ravioli/Massa:
1kg de farinha de trigo
8 ovos
10g de sal
 

Modo de preparo:
Misturar os ingredientes na mão até que fique uma massa homogênea. Abrir a massa em um cilindro e recheá-la com a ricota já preparada.

Para servir:
Colocar os raviólis para cozinhar em água fervente. Em outra panela, esquentar o caldo da língua. Quando estiver quente, adicionar a língua fatiada. Colocar os raviólis já cozidos junto com o molho. Servir no prato os raviólis com o molho, a língua sobre eles e salpicar um pouco de salsinha.

Polvo à Provençal - (rendimento: três porções)
 
Ingredientes:
9 tentáculos de polvo
1 cebola
1 cenoura
1 salsão
1 alho poró
sal
pimenta
50 ml de azeite
uma colher de café de alho picado
100g de tomate em cubos
300g de arroz branco cozido
um pouco de salsinha picada para decorar
 
Em uma panela de pressão, coloque água até metade da panela, jogue os legumes picados, o sal e a pimenta e ponha para ferver. Quando atingir a ebulição, coloque somente os tentáculos do polvo e feche a tampa para a pressão. Deixe cozinhar por 9 minutos. Retire o vapor e abra a panela. Retire os tentáculos e deixe-os esfriar em uma travessa.
Esquente o azeite em uma frigideira e coloque os tentáculos quando o azeite estiver bem quente. Quando o polvo começar a dourar, coloque o alho picado, o tomate e a salsinha.
Retire os tentáculos e sirva.
Coloque o arroz na panela com o molho dos tentáculos e misture para pegar o sabor.
Sirva o arroz no centro do prato e por cima os tentáculos gralhados. Decore com salsinha.

Para encerrar o jantar:

Uma degustação dos sorvetes da casa, artesanais e sem conservantes. Provei brigadeiro, fava de baunilha (favorito), gorgonzola (que eles servem com peras ao forno), morango, chocolate branco, alecrim, cardamomo e coco queimado.

Roux: al. Min. Rocha Azevedo, 1.101 – Cerqueira César – Oeste. Telefone: 3062-3452.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

quinta-feira, 15 de abril de 2010 Sem categoria | 16:07

Uma noite no Arola-Vintetres e novo evento gastrô em São Paulo

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Semana agitada nos restaurantes de São Paulo…

Fui finalmente conhecer o Arola-Vintetres, do chef espanhol Serge Arola, famoso por suas moderninhas “patatas bravas”. Ele estava em São Paulo para o lançamento do Millesime SP, evento fechado que será realizado por aqui em setembro (vou falar mais dele lá para baixo). E então aproveitei para ter um menu degustação supervisionado pelo próprio chef espanhol, já que ele só fica em São Paulo quatro ou cinco dias por mês.

O lugar é lindíssimo, no 23º andar do hotel Tivoli Mofarrej, com uma vista incrível da cidade. Às 21h, sentamos de “frente” para a avenida 9 de Julho lá embaixo e fomos, aos poucos, percebendo o trânsito ir se acalmando, até sair de lá por volta de meia-noite com tudo calmo.

Começamos a degustação com um “shot” de gaspacho. O couvert também inclui uma cesta com pão tostado, tomates maduros, alho, azeite, sal e pimenta para você preparar seu próprio pão com tomate, entradinha tradicionalíssima na Espanha

Depois, uma salada César: assim mesmo, tudo separado, você pega uma crocante alface e “recheia” com a mistura de frango, creme com anchova e parmesão, enrola e come (R$29)

Steak tartare: o chef traz a gema em uma colherinha e coloca sobre a carne na hora. De novo, você faz a mistura. Vem com infusão de soja e cebolas crocantes por cima (R$ 45)

Berinjelas sem casca assadas no forno com pinoles tostados e redução de aceto balsâmico. Divinas! (R$ 22)

Embutido caseiro de vieiras, parecido com uma salsinha, com bacon defumado (R$ 34)

As famosas “patatas bravas” de Arola: as batatas são confitadas no forno e depois fritas em azeite quente e servidas com um aoili com pimenta dedo de moça (R$ 29)

Asas de frango, sim, tipo um frango à passarinho, servido com vinagrete, crocante, sequinho, perfeito (R$ 24)

Ravióli de rabo de boi (de gado wagyu legítimo): o melhor prato da noite (R$ 28)

Vieiras servidas com batatas em um molhinho feito no carvão (R$42)

Camarões com palmito em um molho apimentadinho

Trio de sobremesas: de chocolate, espuma cítrica e frutas vermelhas.

Arola-Vintetres: al. Santos, 1.437, 23º andar, Jardins, São Paulo. Tel.: 11 3146-5923.

Antes do jantar, no mesmo dia, já havia tido uma “prévia” da comida de Arola e de outros chefs no lançamento do Millesime São Paulo. Trata-se de um evento que já acontece há alguns anos na Espanha (paralelo ao Madrid Fusión). E agora vai sair da Europa pela primeira vez para ser realizado em São Paulo, entre os dias 14 e 16 de setembro, no Espaço Daslu.

É fechado ao público e destinado a empresas, que compram um tipo de asssociação, que lhe dá direito a participar e levar seus clientes em degustações e oficinas gastronômicas. Aqui em São Paulo vai reunir chefs brasileiros e espanhóis. No evento de lançamento, estavam presentes os brasileiros Alex Atala, Helena Rizzo e José Barattino e os espanhóis Paco Roncero, Sergi Arola e Sergio Torres.

Eles vão fazer um “show cooking”, que vai reunir 40 chefs em 3 dias de evento. Além de 20 oficinas de gastronomia diárias com chefs e especialistas em degustação de alimentos e vinhos.

No anúncio do evento em São Paulo, já deu para ter uma ideia do que vai ter na Daslu em setembro:

Creme gelado de beterraba, mandarina e lulas cozidas a frio, de Alex Atala

Ostras escabeche ao vinagre suave de Xerez, de Sergi Arola

Helena Rizzo preparando seu shot caprese (o meu favorito do dia!)

Paco Roncero preparando suas “frutas lyo nitro”: parecia uma pipoca gigante no nitrogênio. Quando você morde, sai fumaça pelo nariz (o chef fez uma foto minha mordendo, mas não mostro de jeito nenhum hehehe). Ele também serviu suas famosas croquetas líquidas de presunto cru

E Sergio Torres com seu creme de mandioquinha com caviar de tapioca.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

sexta-feira, 9 de abril de 2010 Restaurantinhos | 17:29

Não é qualquer cafezinho

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Frio, né? Que tal um cafezinho?
Fui conhecer esses dias o Coffee Lab, a fofíssima casa da barista Isabela Raposeiras. Lá só é servido café selecionado pela própria Isabela nos leilões dos melhores grãos do país, que acontecem uma vez por ano.

Nessa “temporada”, fazem parte do cardápio (para beber na casa ou comprar em pacotes) os cafés  Bourbon Amarelo da Fazenda Sta Alina,  Bourbon Vermelho da Fazenda Baú,  Bourbon Vermelho da Fazenda Ambiental Fortaleza,  Catuaí Vermelho da Fazenda Baú,  Catuaí Vermelho da Fazenda Braúna e  Mundo Novo da Fazenda Baú.

Cada um tem aroma e sabor diferenciado. A torrefação é feita no local em uma linda máquina. E cada café pode ser preparado de maneiras diferentes. A casa serve cafés expressos, na cafeteira Mocha Italiana, na French Press e na Aeropress. Nos dois últimos casos, o café é coado utilizando pressão. O pó é colocado no fundo da cafeteira e recebe água quente, a mistura depois de alguns minutos é “prensada” (no caso do Aeropress a pressão ainda é maior), separando o pó da infusão.


Aqui, o preparo do café na Aeropress

Há também um cardápio de cappuccinos, cafés gelados, com leite, mocha etc. Os preços variam de R$ 3 (expresso) a R$ 7 (frutado: espresso gelado temperado com calda de Physalis).

E no Caffee Lab, o café é mesmo o protagonista. Então, as (poucas) comidinhas oferecidas no local estão ali apenas para ressaltar o próprio sabor do café. Nada de pão de queijo. Não tem no cardápio. Ele foi substituído por brioche orgânico quente com manteiga Aviação (R$ 4), tostex de brioche com queijo Serra da Canastra (R$ 6,50), biscoito polvilho (R$ 3), scone (um tipo de biscoito inglês nem salgado nem doce,  R$ 4,50), cappuccino de colher, que é um brigadeiro de café (R$ 3), bolo de rolo (R$ 4) e sagu de café (R$ 4).

“Às vezes, sirvo até uma colherinha de cream cheese para acompanhar o café, dependendo do tipo que a pessoa pede, porque combina muito”, diz Isabela.

Agora, quer só ir lá, comprar um pacotinho e levar para casa? Isabela ensina 5 dicas para preparar um bom café:

1-    Usar café 100% arábica, de categorias Gourmet ou Especial. Se o nome da fazenda se encontra no rótulo, mais sinal de que se trata de um café de alta qualidade.

2-    Moer o café na hora. As substâncias responsáveis pelos melhores aromas e sabores de café oxidam em 20 minutos após a moagem. Então, tomar café moído é o mesmo que comprar pimenta já moída: sem sabor, envelhecida pelo contato com oxigênio.

3-    Usar água mineral, pois não contém cloro, que destrói os óleos essenciais do café. A água da torneira, mesmo que fervida, mantém altos teores de cloro. Os filtros que usam carvão ativado também são legais.

4-    Se a pessoa está no nível médio do mar, melhor não ferver a água. Se ela está acima dele, ou seja, em cidades como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, cidades de serra etc., ela pode ferver a água, pois a temperatura de fervura é inferior a 100°C. Não se pode deixar a água em ebulição, pois ela perde o oxigênio que reage com os óleos essenciais do café. Deixar apenas entrar em fervura e desligar o fogo, evitando que fique em ebulição.

5-    Tomar imediatamente, do jeito que gosta.

Coffee Lab:  rua Cônego Eugênio Leite, 1.121, Pinheiros,  São Paulo. Tel.: 11  3375-7400.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

quarta-feira, 7 de abril de 2010 Restaurantinhos, Sem categoria | 15:13

Um japonês e um nordestino em São Paulo

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Uma das coisas boas de morar em uma cidade tão gastronômica quanto São Paulo é que de vez em quando você é levado a alguns lugares, que já existem há anos, você nunca tinha ouvido falar deles, mas vai sair de lá encantado.

Comigo aconteceu duas vezes nas últimas semanas:

Domingo passado, com aquela chuva, tudo que eu queria era um lamen quentinho no início da noite para encerrar o feriado e me preparar para a semana. Em vez de ir até a Liberdade, fui levada ao Yashiro, um restaurante japonês bem tradicional e bem escondidinho em uma rua de Pinheiros, próxima do largo da Batata. Às 19h, éramos a única mesa do local. Assim que entrei e fui saudada pelo proprietário, me senti imediatamente em uma das histórias do mangá “Gourmet”.
Pedimos guiozá de entrada e, depois,  um lamen com verduras e carne. A carne de porco estava doce. Parecia um “teco” retirado do pernil de Natal, sabe? Estava delicioso. Com saquê acompanhando, saiu a R$ 60 por pessoa.

Yashiro: rua Fernão Dias, 525, Pinheiros, São Paulo. Tel. 3812-3203.

A outra descoberta, já há alguns dias, foi o Sabor do Picuí, um restaurante/casa de família, na Pompéia. Totalmente despretensioso, com comida simples, mas divina. Comi carne de sol _ a carne de sol do Picuí, na Paraíba, é considerada a melhor do Brasil e, neste restaurante, eles seguem a mesma linha de preparo_ com queijo de coalho, mandioca frita, farofa e pimenta da boa. Com uma cachaça de entrada e cervejinha bem gelada para acompanhar o jantar, sentada na mesinha na varanda da casa. Por tudo isso, R$ 30 por pessoa.

Sabor do Picuí: av. Pompeia, 1.447, Pompeia, São Paulo. Tel. 11 3862-5564.

Notas relacionadas:

  1. Louca por Lamen
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

terça-feira, 6 de abril de 2010 Receitas | 17:14

A matzá brei de Ruth Reichl

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Ganhei de uma amiga algumas folhas de matzá (pães ázimos sem fermento) vindos diretamente de Israel. Oportunidade mais do que perfeita para testar uma receita da Ruch Reichl, que desde que li “Alhos e Safiras”, há anos, tinha vontade de provar:

Matzá Brei

Ingredientes
2 folhas de matzá
2 ovos
sal
3 colheres de manteiga sem sal

Modo de fazer
Coloque uma peneira dentro de uma tigela (para aparar as migalhas) e quebre os matzos em pequenos pedaços, jogando-os na peneira.
Remova a peneira da tigela e segure-a sob água corrente até que a matzá esteja molhada. Deixe-a escorrendo; depois coloque-a úmida numa tigela.
Quebre os ovos na tigela e mexa com um garfo até que esteja tudo bem misturado. Acrescente sal a gosto.
Derreta a manteiga numa pequena frigideira em fogo médio. Quando a espuma baixar, acrescente a mistura de matzá e ovos e cozinhe, mexendo constantemente, por cerca de 4 minutos, ou até que os ovos estejam cozidos e haja alguns pedaços crocantes. Coloque nos pratos e sirva imediatamente.

Fiz umas adaptações: um pouco menos de manteiga, um ovo a mais e pimenta do reino moída na hora. O resultado foi esse aqui:

Uma “omelete”, um tanto adocicada, um tanto crocante, super saborosa, com gosto de comida caseira, super confortável para noites frias. Recomendo!

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segunda-feira, 5 de abril de 2010 Comidinhas em NY | 18:58

Visita ao Morimoto, de NY

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por Paula Tanaka Camara (blogdapy@gmail.com)

O chef Masaharu Morimoto é um dos Iron Chefs da televisão americana e aqui em Nova York ele comanda o restaurante Morimoto no Chelsea Market. O mercado é uma parada gastronômica deliciosa, e o restaurante é uma experiência que vale muito a pena.

Comece a noite com um drinque no bar, pois a mistura de ingredientes é muito interessante e exótica, e o bar é lindo com folhas flutuantes. Meu drinque favorito é o Lotus Blossom pela combinação da acidez do yuzu, uma fruta cítrica asiásica, e o calpico, uma bebida a base de leite.

 

De entradinha, vale pedir o Toro tartare com caviar, crème fraiche, wasabi e molho de soja. A combinação dos ingredientes acontece na mini-colher que acompanha o prato.

 

Fica difícil escolher o prato principal, mas o Buri Bop é meu favorito: peixe tipo yellowtail e arroz são misturados na sua frente e cozidos no próprio prato de pedra quentíssimo. Além dele, o Roasted Ocean Trout também é uma ótima pedida, composto por uma truta saborosa acompanhada de miso, trufas e um prosciutto crocante.

E para as sobremesas, o tofu hot ‘n’ cold é a recomendação dos garçons por levar a assinatura do chef e ser uma de suas melhores criações. Pode soar um tanto estranho comer tofu na sobremesa, mas ele fica levíssimo tanto no soufflé quanto na cheesecake. Também vale pedir a combinação do warm chocolate cake com sorvete de chá verde, que vem em cima de uma pasta de gergelim.

 

É sempre aconselhável fazer reservas se não quiser esperar por uma mesa, e eu gosto muito das mesas mais ao fundo, pertinho do balcão do sushi bar.

Morimoto: 88 10th Avenue New York, NY 10011. Tel.: (212) 989-8883

A Paula Tanaka Camara também tem um blog, o Cozinhando Sempre.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

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