Publicidade

Arquivo da Categoria Sem categoria

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010 Sem categoria | 17:53

Pipoca com caramelo e chocolate?

Compartilhe: Twitter

Olha, quase nunca faço posts sobre um único produto. Mas o que acabou de chegar aqui na redação é uma sacanagem:

 Esse é o Kikos, da chocolateria Folie. Sabe o que é? Pipoca (tá bom, milho torrado) coberta de chocolate de caramelo. Tira isso de perto de mim na TPM, pelo amor de Deus? O vidrinho custa R$ 35.

Folie: pedidos pelos telefones 11 3101-0193 e 11 8326-8288 ou pelo email contato@unefolie.com

Autor: Alessandra Blanco Tags:

quarta-feira, 24 de novembro de 2010 Sem categoria | 16:04

O mundo dos cupcakes

Compartilhe: Twitter

Eu não sei quem foi que inventou os cupcakes. Segundo o Wikipedia, sua primeira menção foi feita em 1796 no livro “American Cookery”, de Amelia Simms.

Mas eu tenho certeza de que queria ser amiga dessa pessoa. Cupcakes têm aquela incrível capacidade de te deixar feliz só de olhar pra eles. São lindos, coloridos, fofinhos, cheios de coberturas bem melecadas, gostosos e pequenininhos. A gente come, dá aquele sorriso e ainda tem a sensação de que não engordou, porque foi só uma bocadinha, vai…

Também não sei por que demoraram tanto para chegar ao Brasil. Quando morei um período em Nova York, ficar na fila da Magnolia Bakery para escolher um daqueles bolinhos coloridos era um dos meus passeios favoritos no final de semana. Aí, de repente, no ano passado, chega na minha casa uma caixinha com vários cupcakes bem coloridos e alguns “abrasileirados”. Chegou num sábado à tarde. Bem naquele horário do cafezinho, sabe? Eu e minha mãe sentamos em frente à caixa e dividimos todos em dois. Começamos os trabalhos: uma metade, um golinho de café, jogar papo fora… e assim foi até acabar tudo!

Os cupcakes eram da Carole Crema, que, na época, eu conhecia por ser a doceira do La Vie en Douce e também minha professora no curso de chef de cozinha. De cara, o meu favorito foi o de goiabada com canela. Depois, o Brülé com massa de banana caramelada. Deus do céu! Por que ninguém tinha tido essa ideia antes? Eu adoro cupcakes, mas não gosto muito das coberturas de pasta americana nem glacê real. Porque gosto de bolos fofinhos, para tomar com café. Então, os cupcakes brasileirinhos da Carole são tipo feitos pra mim.

Um ano depois, a Carole é agora a minha amiga apresentadora do “Cozinha Caseira”, nosso programa na Fox Life. E lançou ontem um livro: “O Mundo dos Cupcakes”  (R$65). Além das receitas de diferentes massas e coberturas, tem todas as dicas que você pode imaginar: pode congelar? Quanto tempo cada cobertura dura na geladeira? Ideias para o Natal, os fofinhos, os chiques, os floridos, os modernos, os brasileirinhos, um para despertar na primavera, um para o verão, outro para arrasar na festa…. Pode ter cobertura de chocolate (aliás, deve), mas, para isso, tem que “temperar” o chocolate e ela ensina a fazer isso…. Tem até uma receita minha, que ela adaptou para melhor, a do bolo de iogurte que aqui virou um cupcake de blueberry.

Ontem, depois da noite de autógrafos, fiquei folheando o livro antes de dormir. “O Mundo dos Cupcakes” é um livro generoso, que quer dar ao leitor todas as informações necessárias para que seus bolinhos fiquem gostosos e lindos e sejam elogiados por qualquer convidado. Adulto ou pequenininho. Bem cara da Carole. Professora generosa, que além de me ensinar a fazer o ovo perfeito até hoje me dá várias dicas e também broncas (quando eu não seguro a cebola direito na hora de picar). E que quando a gente diz que está meio tristinha, ela liga e fala:  “Estou te mandando uns brigadeiros” ou “Vou na sua casa levar um bolinho, quer?”. Tudo bem, não sou amiga de quem inventou o cupcakes, mas a Carole já dá bem conta disso.

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

segunda-feira, 22 de novembro de 2010 Sem categoria | 19:49

Um menu de Réveillon nas alturas

Compartilhe: Twitter

O restaurante Arola Vintetres, do chef Sergi Arola, e que fica no 23º andar do Hotel Tivoli-Mofarrej, acaba de completar um ano e apresentou semana passada um projeto ousado: um jantar de alto luxo para passar o Réveillon em São Paulo. O preço: R$ 720 por pessoa, que inclui uma garrafa de Moët Chandon Brut Imperial para duas pessoas mais a vantagem de poder ver a queima de fogos em uma das vistas mais lindas da cidade.

Semana passada, fui convidada para uma prévia do menu mais caro que já provei:

Tartare de beterraba com azeite de baunilha e sopa fria de iogurte, bem refrescante

Terrine de foie gras recheada com cogumelos e envolta em um crocante de arroz inflado (que faz toda a diferença)

Ostras gratinadas com um zabaione

Batatas bravas, a mais simples e mais deliciosa tapa do restaurante. Sério, eu poderia comer umas 12 sem nem pensar. É muito, muito crocante por fora. Por dentro, é quase um creme de batata. E ainda tem o aioli perfeito.

Ravióli de pato com pêra

Garoupa em crosta de romesco (tipo de molho feito com castanhas, alho e tomate) com aspargos verdes e emulsão de “Pimentón de la Vera”

E a sobremesa: parfait merengado ao anis com pistache e espuma de café.

No menu “verdadeiro” de Ano Novo, ainda serão servidos mais um prato principal e uma sobremesa: kobe beef com batatas, misto de cogumelos e bombons de tomate cereja e sorbet de maçã verde e gengibre.

Se animou? Reservas pelo telefone: 11 3146-5900.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

quinta-feira, 11 de novembro de 2010 Sem categoria | 14:37

Mil-folhas e muitas gostosuras

Compartilhe: Twitter

Fofura máxima o livro “Mil-Folhas”, que conta a história do doce, recheada de curiosidades, lendas e ilustrações lindinhas. E olha que eu não sou uma pessoa-açúcar. Sou totalmente do sal.

Mas, conforme fui lendo, tive a sensação de ir entrando em um mundo fantástico. É como se estivesse num desenho animado, um mundo da fantasia. Vai, fala sério que a casquinha do sorvete foi inventada porque um dia faltou potinhos para um vendedor de sorvete, na Feira Mundial em Saint Louis (EUA), e aí o doceiro sírio, do estande ao lado, teve a idéia de enrolar um waffle ainda quente em forma de cone?

Ou que o chiclete surgiu da união de um homem velho e meio surdo que procurou um dono de uma vidraçaria de Nova York, que tinha fama de inventar coisas, para propor um negócio utilizando um pedaço de resina. O tal senhor meio surdo era um general mexicano. O vidraceiro-inventor topou o desafio, estudou a resina e um belo dia teve a idéia: usou a goma pura e produziu pequenas tiras, adoçadas com sabor produzido artificialmente. E começou a vendê-las em uma máquina de colocar moedas, que ele mesmo inventou, em 1888, e colocou nas plataformas de metrô de Nova York. O nome dele: Thomas Adams.

E por aí vai: dos primeiros doces portugueses ao bolinho de chuva; de chocolate ao próprio mil-folhas. Tudo tem uma história. Tudo parece ter acontecido meio por acaso, por um passe de mágica. Como o mundo dos doces realmente deve ser.

Ah, não leia sem ter pelo menos um chocolatinho em mãos. O desejo é incontrolável.

 Mil-Folhas – História Ilustrada do Doce, de Lucrecia Zappi, R$ 49.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

quinta-feira, 4 de novembro de 2010 Sem categoria | 16:37

Comida e arte

Compartilhe: Twitter

Fui semana passada assistir a algumas aulas e discussões do Mesa Tendências, o maior e talvez mais importante evento de gastronomia realizado anualmente no Brasil. A idéia é sempre discutir o futuro da gastronomia, neste ano, com o tema da sustentabilidade.

O que vem na era pós-molecular? Qual a próxima onda? Para onde vai a cozinha tecnoemocional? O que vamos comer no futuro? Como será o acesso aos alimentos? A produção se tornará preferencialmente orgânica?
Vamos cada vez mais comer “local”? E a preocupação com comida saudável, colesterol, excesso de sal, triglicérides? Ou com uma agricultura e distribuição “sustentável”?….

Provavelmente você, assim como eu, tem várias opiniões sobre isso. E também os chefs que fizeram suas apresentações no evento. Mas o que mais me impressionou, que até estava meio no ar e, talvez, eu é que não tinha me dado conta foi a aproximação da cozinha com a arte. Em todos os congressos e apresentações de chefs em que já estive, dentro e fora do Brasil, nunca tinha visto a comida estar tão pertinho do estado da arte, e os chefs se portarem tanto como artistas.

O italiano Massimo Bottura, que fez uma das apresentações mais aguardadas, falou claramente: “O chef de cozinha trabalha com o belo, com a emoção e demonstra o seu amor. Tira da matéria-prima o que tem de melhor. É como um escultor que pega a pedra bruta e extrai toda a sua beleza. É um paralelo ao trabalho dos arquitetos, que transformam a paisagem. Também dos escritores. Cada um de nós, cozinheiros, tem uma estrela boa que nos ajuda a preparar nossos pratos. Meus pratos são respostas às perguntas abstratas que me faço. Conto histórias por meio dos pratos que crio”.

Essa colocação surgiu quase como uma luz em meio aos chefs depois da apresentação polêmica do cientista Hervé This, químico que ajudou a criar a gastronomia molecular. Foi ele quem mais falou de pós-molecular, a “nova onda”. O seu tema, “Cozinhando Passo a Passo”, tratou, entre outras coisas, da ideia de cozinhar com compostos, sem produto, comida de laboratório. “Se os componentes forem seguros, por que não?”, provocou a plateia. “Técnica é técnica. É fácil. Cozinhar é amor e arte. Enquanto eu puder, farei o melhor para colocar a química e os avanços tecnológicos a serviço da cozinha. Muita coisa mudou. Mas ainda se usam utensílios e práticas da Idade Média”, disse. Entre chefs e cozinheiros presentes, boa parte saiu bufando e se perguntando “E onde fica a criatividade e a alma do chef?”.

Do que vi por lá, criatividade, alma de chef, arte e emoção vieram de todos os lados.

Massimo Bottura mostrou o seu “pollution”, um prato inspirado na poluição dos mares:  frutos do mar, fígado de tamboril e espuma de camarões com um caldo escuro, feito com tinta de lula e um pó escuro feito de algas marinhas secas no forno.

(Esse é o outro prato que Massimo Bottura apresentou: cogumelo, carne e caldo gelatinoso feito com carnes da cabeça do porco e casca de queijo parmesão. É o conceito dos restos e do aproveitamento sustentável. A foto foi cedida pelo evento)
 

Alex Atala defendeu que talvez a maior contribuição da culinária brasileira venha do reino vegetal e demonstrou alguns dos pratos do seu menu vegetariano_simples, belos, abstratos.

Seu Bené, lá do Pará, emocionou a platéia também com a sua arte: a de produzir farinha d´água e fez um paneiro (onde a farinha é armazenada) em frente ao público, lindo, em menos de 15 minutos.  

Infelizmente, não consegui ver as apresentações dos chefs Beto Pimentel, Ana Luiza Trajano, Rodrigo Oliveira, José Barattino, Helena Rizzo, Roberta Sudbrack… Todos também falaram da sua arte com produtos e comida brasileira.

Mas não me sai da cabeça a apresentação do chef Heinz Beck, que comanda o italiano La Pergola. De cara, achei que a receita do chef do único restaurante 3 estrelas Michelin de Roma tinha sido simples demais. Em última instância, ele fez um spaghetti alle vongole. Prato clássico, que se come em qualquer cantina italiana.

Só que o seu prato foi feito de modo diferente. Ele não colocou sal. Aproveitou a água em que os vôngoles foram cozidos para o molho do macarrão e, assim, usou o sódio do próprio produto para salgar o prato, muito mais saudável. Ele queria também dar um sabor de tomates. Mas não queria usar o “pomodoro” diretamente. Então, preparou uma água de tomate (com o molho do tomate coado), que conserva todas as suas propriedades, mas é mais leve e de fácil digestão. O resultado que quis mostrar era o de um prato clássico, preparado com técnicas simples, mas diferentes do tradicional, mais preocupado com a saúde.

“A minha cozinha é muito leve: a dificuldade não é juntar muitos ingredientes, mas sim retirá-los”, disse, timidamente. Para mim, aquele prato tão simples e tão bonito, me pareceu muito próximo da arte. Não pude provar, mas tenho certeza de que o sabor devia ser incrível. Mais tarde, uma amiga que participou do jantar promovido pelo evento com todos os chefs, contou que o prato que mais a impressionou foi o fagottelli carbonara, de Heinz Beck, em que o ovo do carbonara é servido como o recheio da massa. O chef explicou que essa técnica também facilita sua digestão.

Eu nem comi a comida de Heinz Beck, mas de certa maneira ela me tocou. E também não sei muito bem por que, mas fiz uma ligação dela com a entrevista que o chef português Nuno Mendes deu para a nova revista Mesa Tendências, lançada durante o evento, onde diz que deixou de usar tanta técnica e tantos equipamentos inovadores e está focado no produto, só usando a técnica adequada, quando necessário. “Comer para mim é uma experiência profunda e multissensorial. Nossa fome intelectual também pode ser saciada com um prato”, disse o chef à revista.

A segunda ligação que fiz foi com a comida da Barbara Verzola, minha amiga do programa Cozinha Caseira, da Fox Life, e que tem um restaurante em Vitória, no Espírito Santo, o Soeta. Assim, como Nuno Mendes, Barbara e o chef Pablo Pavon, mudam o cardápio a cada três semanas. Eles mantêm alguns pratos tradicionais e criam outros com produtos da estação. Barbara e Pablo trabalharam no El Bulli, com Ferrán Adriá, e passaram por outros restaurantes estrelados da Europa. Agora, estão tentando fazer em Vitória uma cozinha revolucionária.

Eu ainda não estive no Soeta, mas comi a comida da Barbara em várias gravações do programa Cozinha Caseira. Era daquelas de “lamber o prato”, sabe? Mas não só isso. Era simples, leve, delicada (mesmo sendo costelinha de porco), tinha sempre uma técnica, um conceito, que se diferenciava. Passamos em setembro 20 dias gravando o programa em Buenos Aires, na Argentina. E eu, comendo diariamente essa comida. Quando voltei ao Brasil, passei por uma fase achando tudo meio sem graça. Aliás, tanto em Buenos Aires, quanto aqui, de volta, ainda nada me emocionou, gastronomicamente falando. Quando vi Heinz Beck e li Nuno Mendes, soube por que. Talvez seja ousado falar isso. Afinal, são dois chefs europeus estrelados e amplamente reconhecidos, e a minha amiga, que passou por tantas cozinhas tão estreladas quanto, mas que está tentando seu próprio caminho longe de qualquer eixo gastronômico. O que dá pra dizer é que, do que vi até agora, tudo faz muito sentido. É simples, é bom, é emocionante e é arte.

Notas relacionadas:

  1. Exclusivo: o novo livro de Alex Atala
  2. Chefs espanhóis e brasileiros discutem o futuro da gastronomia em São Paulo
  3. Mais dos chefs espanhóis
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , ,

sexta-feira, 29 de outubro de 2010 Sem categoria | 20:20

Comidinhas de feriado

Compartilhe: Twitter

Vai ficar em São Paulo no feriado? Eu também. Olha só o meu roteiro:

Quero ir tomar um café da manhã no Lá da Venda e comer um pão de queijo feito com queijo da Serra da Canastra: o melhor de São Paulo! Tá bom, acho que posso comer uns dois, né? E um café forte bem quentinho, sem açúcar, para compensar.

Fiquei morrendo de vontade de experimentar os pratos novos da Janaína Rueda no Bar da Dona Onça. Como o croc milanesa da foto acima (foto Divulgação). Diz a chef que é feito com uma farinha especial e que ela não dá a receita pra ninguém. Só fiquei em dúvida entre esse croc, o porco à milanesa com purê de batatas e alho negro (sim, desde a Argentina que estou viciada em milanesas) e o capellini com camarões, tomates frescos e rúcula selvagem. Mas lá na hora eu decido ou imploro para cada um na mesa pedir um prato e eu poder experimentar todos.

Finais de tarde de feriado prolongado imploram por uma coxinha no Veloso, que tem a casquinha mais crocante e o recheio mais cremoso e bem temperado que eu já comi na vida. Sempre com uma caipirinha de jabuticaba, claro. É bom chegar cedo. Até nos feriados é lotado.

No domingo, depois de votar, vou tentar conseguir uma mesinha no disputado Mocotó, do Rodrigo Oliveira. E comer sem pressa dadinhos de tapioca, baião de dois, carne de sol… Além de experimentar uma das cachaças especiais sempre oferecidas pelo chef.

Estava pensando em algo mais light? Também ando viciada em ceviches. Esses aqui são do La Mar, em molhos variados, com shoyo, tradicional, com ervas, com pimenta brasileira… Divertido é ir provando todos e escolher o favorito para depois repetir.

La da Venda: rua Harmonia, 161,  Vila Madalena, São Paulo. Tel: 11 3037-7702.
Bar da Dona Onça: avenida Ipiranga, 200, lojas 27/29, República, São Paulo. Tel.:  (11) 3257-2016.
Veloso: Rua Conceição Veloso, 56, Vila Mariana, São Paulo. Tel.: 11 5572-0254.
Mocotó: avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, São Paulo. Tel.: 11 29513056.
La Mar:  Rua Tabapuã, 1410, Jardins, São Paulo. Tel: 11 3073-1213.

Notas relacionadas:

  1. Exclusiva: entrevista com peruano Gastón Acurio
  2. Lá da Venda: o armazém de Heloisa Bacellar
  3. Meninos prodígios fazem festa na cozinha
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , ,

quinta-feira, 21 de outubro de 2010 Sem categoria | 16:47

O banquete para los muertos (e os vivos também)

Compartilhe: Twitter

Começa hoje no Obá o festival do Dia de Los Muertos, um cardápio especial, com os pratos mais tradicionais que os mexicanos prepararam para a maior festa do país, no dia 2 de novembro.

A festa em comemoração ao dia dos mortos é uma tradição no México desde muitos séculos antes de Cristo. Parte da crença de que a vida não acaba com a morte, apenas continua em um outro plano, sendo dois momentos de uma mesma existência. E, nos primeiros dias de novembro, a fronteira entre esses dois planos fica tênue, e vivos e mortos podem conviver. Por isso, segundo Hugo Antares, chef e dono do Obá, a comida dessa data é feita para vivos e mortos e deve, portanto, contemplar os pratos favoritos daqueles que se foram. “Por isso, é uma festa com pratos muito tradicionais do país”.

Boa parte deles, como as pamonhas, são feitos, inclusive, para ser levados aos cemitérios, onde as famílias inteiras se reúnem em volta dos túmulos e fazem um banquete. E não faltam pães, doces e chocolates em formatos de caveiras.

Então, de hoje até 2 de novembro, o Obá só vai servir o menu especial da festa, com opções de 8 entradas, 6 pratos principais e 3 sobremesas.

Sortuda, fui convidada para participar da primeira degustação dos pratos, junto com um treinamento para a equipe do restaurante. Dá uma olhada:

As entradas

Guacamole cremoso oaxaqueño (sem tomates, com menos pimenta e mais pastoso do que o tradicional da casa), salsita e ceviche rojo de peixe e camarão, que é adocicado porque leva ketchup (R$ 24,90)

Sopesitos de pescado al pastor: tilápia com salsa verde, abacaxi e  pastor, um tempero feito com uma mistura de pimentas, cominho e tomate, servidos sobre uma massa de farinha de milho (R$ 17)

Tostadas de birria: tortilla crocante com carne de cordeiro (pode ser feita também com carne de bode) marinada em chile ancho, guajillo, cebola, alho, tomate, cominho, orégano e cravos. Depois é cozida por bastante tempo e servido com repolho. Tem um sabor bem forte, com personalidade (R$ 20).

 

Huarachitos de frijol con ensalada de nopalitos: tortillas de milho recheadas com feijão e salada de nopalitos (palma), salsa verde e queijo. É uma típica comida de rua do México, que tem alto índice de consumo de palmas por pessoa (R$ 19).

Tamal Yucateco: pamonha recheada com carne de porco, escabeche de cebola e salsa. Para levar na festa nos cemitérios. (R$19,50)

Tamal Oaxaqueño: pamonha de milho recheada de frango com mole negro, feito com mais de 20 especiarias torradas, incluindo pimentas, nozes e cacau. Um dos meus favoritos no cardápio. (R$ 19,50)

Ravioles de cuitlacoche: cuitlacoche é uma iguaria no México, é um fungo que cresce no milho e a coisa mais horrível que você já viu, mas uma delícia,  que só dá nesta época do ano. Aqui, os ravioles são feitos com ele mais cogumelos e servidos com flor de abobrinha e creme de chile poblano (R$ 23,50).

Tem ainda os tacos de carnitas com carne de porco, salsita e guacamole (R$ 33,50).

Os pratos

 Mole poblano: prato super tradicional, molho feito com pimentas, gergelim, especiarias e cacau servido com meio galeto, feijão, arroz e tortillas (R$ 43).

Camarones al chipotle: camarões em molho de tomate perfumado com pimenta chipotle, com feijões e mandioquinha. Você gosta bastante de pimenta? Esse é o seu prato. Para os fortes. (R$ 61,80)

O meu favorito: costilla de puerco en pozole rojo. Costela de porco bem macia por dentro e pururuca por fora com o caldo “cura ressaca”: feito com as carnes da cabeça do porco, milho branco, chile guajillo (que dá picância, mas sem deixar apimentado),  alface e rabanete (R$39).

Filete mulato: filé mignon grelhado e servido com molho de feijão feito com chile mulato (bem suave), arroz branco e saladinha de abacate, tomate e queijo de cabra. Para quem não quer arriscar muito, é o prato mais “abrasileirado” do cardápio e saborosíssimo (R$42,50).

Robalo selado na manteiga e depois abafado na panela com caldo de peixe e camarões secos com chile pasilla, favas verdes e linguiça (R$59).

Chilaquiles rojos: tortillas crocantes em salsa roja com queijo, creme e feijão. Segundo Hugo, é a típica comfort food mexicana (R$ 34).

Os doces

Flan de coco, beeem cremoso e sem leite condensado. Só vai leite, leite de coco, coco, ovos e fava de baunilha (R$ 14,50).

Tamalito de chocolate con piña: pamonha doce de chocolate, abacaxi e nozes com chantilly (R$15).

Ainda tem o pan de muerto, que ontem ainda não estava pronto…

Obá: Doutor Melo Alves, 205,  Jardins, São Paulo. Tel. 11 3086-4774.

Notas relacionadas:

  1. Dicas para o final de semana
  2. Chef mostra no Obá uma viagem pela gastronomia mexicana
Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

terça-feira, 19 de outubro de 2010 Sem categoria | 19:03

Aprendiz de cozinheiro

Compartilhe: Twitter

Bob Spitz ficou famoso por escrever a biografia dos Beatles. Tarefa que lhe tomou oito anos de dedicação. Quando terminou, tinha 50 anos, havia acabado de sair de um casamento de 14 e se envolver com uma namorada chata que mais parecia querer fugir dele. Como “tratamento” para a crise da meia idade resolveu cozinhar. Toda sexta-feira reunia em seu apartamento em Nova York um grupo de amigos para mostrar seus dotes culinários. O resultado? Sempre um horror. Ele até tinha boa vontade, dedicação, passava o dia todo na cozinha, comprava os melhores ingredientes. Mas a ideia de que simplesmente seguir receitas bastaria não funcionou muito.

Depois de mais um jantar fracassado e sem gosto _pior, muito criticado pela namorada_, resolveu partir para uma temporada de aprendizado por algumas das melhores cozinhas da França e da Itália (ai que inveja!). O resultado é o livro “Aprendiz de Cozinheiro”, que narra experiências que vão de cortar a pontinha de umas 60 mil vagens até aprender a fazer a omelete perfeita com Yannick Alléno, chef do três estrelas Le Maurice, de Paris. Comida clássica e mais sofisticada na França. Comida clássica e bem rústica na Itália. Passagens por restaurantes lendários como o Moulin des Mougins, em Mougins, e o Arpege, de Paris. E outras em escolas de cozinhas totalmente “engana turistas”.

O livro de Spitz conta histórias divertidas de viagens com a comida como protagonista. É uma delícia de literatura gastronômica, só que na visão de um homem, o que é bem engraçado. Em geral, os livros mais famosos e celebrados da literatura gastronômica foram escritos por mulheres. Spitz tenta seguir a mesma linha na forma como descreve a comida, os sabores, as sensações, os lugares, os finais de tarde com pratos e vinhos perfeitos, os jantares de sonhos. Faz a gente ficar com fome, quase sentir os cheiros e os gostos, por váaarias vezes. Mas em todas elas também é mimado, reclamão, briguento. Demanda em cada lugar uma atenção especial que lhe acha por direito. Quer ter privilégios frente aos demais alunos dos cursos. Se acha dono de um paladar e um conhecimento especiais. E, quando é tratado como igual, literalmente fica emburrado. Para as mulheres, portanto, além de ser um livro de gastronomia e viagens bacana, é também um aprendizado da mente masculina….

 Aprendiz de Cozinheiro, de Bob Spitz, editora Zahar. R$ 39.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

sexta-feira, 15 de outubro de 2010 Sem categoria | 17:16

Cotoletta de porco milanese

Compartilhe: Twitter

 

Esse prato aí de cima é a cotoletta de porco milanese. Novidade no cardápio do Ici Bistrô. E é minha dica para o final de semana. Ando bem chatinha pra comida ultimamente. Quase nada tem me emocionado de verdade. Mas quando provei esse prato….

Carne magrinha de porco (pare com o preconceito, há algum tempo que pesquisas vêm mostrando que carne de porco pode sim ser saudável e ter até mais fácil digestão do que a carne bovina). Ok, não dá para dizer que é  light. É à milanesa e servido com onion rings fritas. E também arroz e uma saladinha de tomates. Mas é daqueles pratos que nos deixam felizes, sabe?

Ici Bistro: Rua Para, 36, Higienópolis,  São Paulo. Tel. 11 3257-4064. A cotoletta de porco milanese custa R$ 45.

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

terça-feira, 5 de outubro de 2010 Comidinhas na Argentina, Sem categoria | 15:15

A comida de Buenos Aires

Compartilhe: Twitter

Morri de amores em Buenos Aires. Por duas coisas:

As medialunas docinhas. No Hotel Grand Boulevard, onde fiquei hospedada, saía quentinha no café da manhã. Eu até tentava resistir, mas devo ter comido, em 20 dias, uma quantidade parecida com essa acima.

E as empanadas. Também provei, praticamente, uma diferente por dia. Atendendo às indicações que recebi nos comentários, fui até o El Sanjuanino, restaurante que anualmente ganha o prêmio de “melhor empanada” da cidade. Provei:

A tradicional de carne picante, com carne cortada na ponta da faca

A de humita (creme de milho)

E a de verdura.

Mas, quer saber? A minha empanada favorita de Buenos Aires ainda é a do La Cabrera, de carne, bem picante, que publiquei no post abaixo.

Tirando medialunas e empanadas, deu para perceber que Buenos Aires vive um momento de pizzarias e restaurantes japoneses ou nipoperuanos.

Fui ao M, o mais novo japonês/peruano, em uma lindíssima casa em San Telmo.

Provamos do cardápio uma seleção de:

Tiraditos, com o polvo em textura perfeita, mas um salmão com sabor completamente escondido pelo molho forte de maracujá.

Ceviches. Apenas ok.

E o tempura: melhor prato da noite.

Voltei ao Tegui. Sempre bom, mas com cardápio praticamente idêntico ao do ano passado. De novo, experimentei uma humita brulée:

Era uma entrada, mas o açúcar caramelizado misturado ao creme de milho deixou mais doce do que deveria.

E um carpaccio de atum com  beterraba.

Do mesmo chef do Tegui, Germán Martitegui, fomos ao Olsen, que tem uma proposta de cardápio escandinavo. Muito interessante.

Bacana mesmo é a degustação de vodcas com canapés:

Tinha de vodca pura a misturas com cranberry (nossa favorita), chá verde e bloody mary. Para acompanhar, blinis com salmão e truta defumados, queijos, camarão etc.

Mas tive 2 favoritos na casa:

O hambúrguer de carne de porco. Divino!

E o Black Martini, feito com uma vodca negra. Duvido você conseguir tomar 2!

Fomos também ao Patagonia Sur, do chef Francis Mallman, que resolveu abrir sua casa em La Boca, ao lado do Caminito, em uma tentativa de revitalizar o local.

Já tinha visitado o seu restaurante em Mendoza e achado incrível. Mallmann é especilista em assados, em pratos feitos no forno à lenha. Já seu cardápio no Patagonia Sur não segue muito essa linha. Gostei muito mais das entradas (que estavam divinas) do que dos pratos principais.

O melhor da casa, pra mim, foi a humita:

Um creme bem espesso e rústico de um milho adocicado, servido com pão tostado.

Escolhi como prato principal o cordeiro, assado lentamente por seis horas e servido com purê de batatas. Mas o molho, de vinho Malbec, estava muito forte. Consegui comer só um terço do prato.

Para finalizar: flan de dulce de leche e sorvete de creme. Clássico.

Outras gostosuras de Buenos Aires:

Casa Coupage: é uma casa mesmo. Seu proprietário, Santiago Mymicopulo, um amante de vinhos, resolveu transformar a própria casa em Palermo em um restaurante, que só atende com reserva.  Contratou um chef, montou duas opções de menu degustação (uma mais pra peixe e outra mais pra carne) e se deliciou com a harmonização dos vinhos. A comida é gostosa, como essa saladinha de polvo acima. Mas é totalmente coadjuvante. Quem brilha na casa são os vinhos, só com produtores pequenos, reservas especiais, edições limitadas, pequenos achados.


Fervor: para comer uma boa parrilla de frutos do mar como essa acima. Tudo fresco e no ponto perfeito. Cuidado para não comer demais (como eu fiz!).

Sempre, as milanesas! Essa acima, servida com saladinha e legumes assados, é do Lo de Jesus, restaurante tradicional de Palermo.

E uma novidade, o Sudestada, restaurante asiático, que serve pratos agridoces com bastante porco, muita pimenta. Bem gostosos. Esse acima é uma espécie de kebab de cordeiro.

Os endereços:

El Sanjuanino: calle Posadas, 1515, Recoleta, Buenos Aires. Tel: +54 11 4804-2909

M: calle Balcarce, 433, San Telmo, Buenos Aires, Argentina. Tel: +54 11 4331-3879.

Tegui: calle Costa Rica, 5852, Palermo, Buenos Aires, Argentina. Tel. +54 11 52913333.

Olsen: calle Gorriti, 5870, Palermo, Buenos Aires, Argentina. Tel: *54 11 4776-7677.

Patagonia Sur: calle Rocha, 801, La Boca, Buenos Aires, Argentina. Tel: +54 11 43035917.

Casa Coupage: calle Güemes, 4382, Palermo, Buenos Aires, Argentina. Tel: +54 11 48336354.

Lo de Jesus: calle Gurruchaga, 1406, Palermo, Buenos Aires, Argentina. Tel.: +54 11 48311961.

Sudestada: calle Guatemala, 5602, Palermo, Buenos Aires,  Argentina. Tel: +54 11 4776 3777.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 3
  3. 4
  4. 5
  5. 6
  6. 7
  7. 10
  8. 20
  9. 30
  10. Última