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terça-feira, 16 de setembro de 2008 Sem categoria | 08:53

Especial Sicília – os doces

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A Sicília é também a região italiana mais famosa pelos seus doces. Tem uma pasticceria em cada esquina, literalmente.
O cannoli siciliano é o mais famoso deles: um canudo de massa crocante recheada com ricotta e creme muito leves. Delicioso e gigantesco.

cannoli siciliano

Mas a pasta de mandorle é a grande vedete dos doces sicilianos, tem em todos os lugares. É feito com mandorle (amêndoas) e tem vários tipos de recheios. Esse da foto é de figo. Também experimentei limão, laranja e pistache. Todos deliciosos
Pasta de mandorle

vitrine pasta de mandorle

Pasticceria em Taormina
Foram comprados nessa pasticceria.

Tem também:

Baba ao rum
Baba ao rum, com muito rum

pasticceria taormina
Comprado nessa pasticceria…

pasticceriataormina
que também tem um monte de frutas de marzipan, geléias, compotas….

Além dos doces, não consigo resistir aos alimentari (mercadinhos) italianos. Dá vontade de comprar tudo:

Alimentari Taormina
Alimentari com temperos e tomate seco

Banca de frutas e legumes
Banca de frutas e legumes

tomates
Os lindinhos tomates

Todos eles estão na corso Umberto I, a principal rua de Taormina, na Sicília.

Notas relacionadas:

  1. Especial Sicília – parte 1
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , ,

segunda-feira, 15 de setembro de 2008 Sem categoria | 23:50

Especial Sicília – parte 1

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Já era noite quando chegamos à Sicília. Nosso primeiro destino foi Taormina, uma das cidades mais bonitas da Itália. A sacada do nosso quarto dava “de cara” com o Etna, o maior vulcão ainda ativo da Europa.
Deixamos as malas e fomos procurar algo para comer. Paramos na Trattoria Siciliana di Giovanni Scavo.
Um lugar simpático, um restaurante montado na varanda de uma casa, com mesinhas de toalhas xadrezes.
Quase 100% da comida na Sicília tem como base peixes e frutos do mar. Então, era isso que eu pretendia comer em todas as refeições.
Nesse primeiro jantar escolhi sardinhas empanadas e fritas. Eram bem pequeninas, foram empanadas em uma farofa de pão e levadas ao forno com tomates.

sardinhas

Depois pedi peixe espada com “molho de menta”. O peixe espada é a grande estrela do sul da Itália. Nas peixarias são expostos inteiros e são impressionantes.

peixe espada

No prato, veio com um molho bem leve e pedacinhos minúsculos de abobrinhas. O acompanhamento era vagem no alho e óleo.

peixe espada com molho de menta

O marido comeu uma “triplo parmiggiana”: carne, berinjela e queijo, com molho de tomates.

Carne e berinjela parmiggiana

A sobremesa foi um tiramissu e passito de Pantelleria, vinho doce da região.

tiramissu e passito de pantelleria

Trattoria Siciliana di Giovanni Scavo: salita Ospedale, 9 (Porta Catania). Tel. 0942 24780.

Notas relacionadas:

  1. Itália
  2. Passando pela Calábria
Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

Sem categoria | 23:15

Passando pela Calábria

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Saímos de Positano de carro a caminho da Sicília, mais de sete horas dirigindo. Cruzamos boa parte da Calábria para chegar até a balsa que atravessa o mar até a maior ilha da Itália.
O caminho é todo de montanhas e precipícios com o mar lá embaixo. Tudo lindo de morrer. Mas quando chegou duas da tarde, eu estava morrendo de fome. O primeiro vilarejo era Laurea Sud, na entrada da Reggio Calabria. Saímos da estrada e paramos no primeiro restaurante/venda que encontramos. E pedimos dois “primo piatto”:

canelone de ricota e espinafre
Canelone de ricota e espinafre com molho de tomate

penne arrabiata
Penne all´arrabiata, beemmm apimentado

Delícia de almoço caseiro, por 18 euros, incluindo dois sorvetes de cerejas.

Notas relacionadas:

  1. Itália
Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

sexta-feira, 12 de setembro de 2008 Sem categoria | 14:10

Mais em Positano e Ravello

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Positano é uma cidadezinha assim: fica entre duas montanhas e um vale de praia. Todas as casas são coloridas e realmente “penduradas” nos morros. E existe praticamente uma única rua, com uma direção. Você chega e sai da cidade por ela. Também tem o ônibus “interno” que faz o percurso inteiro da rua, o que na prática significa dar a volta inteira na montanha e descer novamente ao nível do mar. A praia “maior” fica bem no centrinho e para chegar até ela é preciso descer a montanha e passar por dezenas de lojinhas de artesanato, roupas de linho e cerâmica. Logo na entrada, tem esse simpático carrinho que vende granita de limão.

Granita de limao

Aliás, granita é “o” sucesso do sul da Itália. É uma raspadinha, que pode ser feita de vários sabores, algumas levam creme de leite. A mais comum e também a minha favorita é a de limão siciliano. No calor de quase 40 graus, nada pode ser melhor. Além disso, é servida em copos gigantes e parece que não vai acabar nunca. Geladinha, refrescante e azeda. Delícia.

Existe também na cidade uma segunda praia, a “spiaggeta”, prainha. Menor, mais escondida e tipo o sonho de paraíso.

praia Positano

A entrada para ela era bem ao lado do nosso hotel. Mas como nada pode ser assim tão fácil, são 450 degraus para descer e depois subir. Pode acreditar , vale qualquer esforço. Fizemos todos os nossos almoços em Positano nessa prainha, na barraca do “Da Fernando”. Sempre uma salada e um enorme copo de cerveja italiana. Aliás, ficamos completamente viciados em saladas na Itália: caprese (fatias do doce tomate italiano mais fatias da cremosa mozzarella de búfala, folhas de manjericão e bastante azeite), “tuna” (folhas verdes, tomates, atum e azeitonas) e caponata (também típica italiana, feita com pão, mozzarella de búfala, tomate, atum, folhas verdes e cenoura). Tudo muito fresco e com muito azeite local.

Caprese com cerveja
Caprese com cerveja

Caprese praia Positano
Caprese mais de perto

Caponata
Caponata

À noite, fizemos dois jantares em Positano e um em Ravello, cidadezinha próxima, cerca de 30 km, também na Costa Amalfitana.
O primeiro jantar foi no restaurante Mediterraneo, na descida da via Pasitea, a tal rua que corta toda a cidade. Lembrava bem do lugar de três anos atrás e estava ansiosa pelo seu molho de tomate de novo e por sentar na mesinha iluminada com velas e ter uma das mais belas vistas da cidade.
Nada mudou no mediterrâneo, o proprietário com cara de marinheiro, o mesmo pessoal atendendo, cardápio igualzinho. A única coisa é que agora tem música italiana ao vivo.

Pedimos como entrada bruschettas. É difícil explicar isso, mas não tem no Brasil bruschettas como as que são feitas na Itália. Os ingredientes são os mesmos, mas o resultado é completamente diferente. De novo, o tomate tem outro sabor, é doce, nada ácido. O pão é outro, com crosta bem dura e crocante e interior macio. Diferente até do que conhecemos por pão italiano no Brasil. E sempre muito azeite extra-virgem, da região, um tantinho amargo, mas delicioso.

bruschetta mediterraneo

E também flores de abobrinha recheadas com ricota e fritas (Fiquei até com vergonha das que faço lá em casa).

Flor de abobrinha recheada

Depois, pedi um spaghetti alle vongole, massa bem al dente, vongoles fresquíssimos, um tantinho de vinho branco, molho de tomate junto (coisa que não se vê muito).

Spaghetti alle vongole

O marido comeu nhoque sorrentino: a massa fresca caseira, com o molho de tomate bem apurado, receita simples, tradicional, da cidade ao lado, Sorrento.

nhoque sorrentina

Depois, como sobremesa, pedimos panacotta com calda de chocolate, que tem absolutamente em todos os restaurante por que passamos até agora, sempre sem erro, leve, cremosa e deliciosa.

panacotta

E eu pedi “arancia Grand Marnier”: fatias de laranja descascadas com calda de Grand Marnier….

laranja com marsala

Mediterraneo: via Pasitea, 236-238, Positano. Tel. 089 811651. O jantar para duas pessoas com vinho da casa custou 50 euros.

O segundo jantar na cidade foi no La Sirenuse, o tal hotel que aparece no filme “Only You”, com a Marisa Tomei. E foi uma das melhores coisas que fizemos na viagem. Eu já “namoro” o Sireneuse há anos, desde que vi o filme. Aliás, é também Positano que aparece no filme “Sob o Sol da Toscana”, quando Frances vai até a praia procurar por Marcelo. E já tentei várias vezes ficar hospedada lá, mas o preço sempre foi proibitivo. Dessa vez um amigo me deu a dica de que, se eu queria tanto ir ao Sireneuse, deveria ir no final de tarde no seu champanhe bar. “É a melhor vista da cidade, o lugar é incrível e você pode apenas tomar um drinque, sem gastar tanto”.
Seguimos a dica, mas o lugar realmente era incrível demais e fomos ficando. Chegamos quando estava anoitecendo. O Sireneuse fica no início da subida da via Pasitea, para quem está deixando a cidade. Da mesinha do champanhe bar dá para ver a praia, os barcos estacionados, a cúpula da igreja principal tocando o sino, e todo o outro lado da montanha completamente tomada de casinhas vermelhas, laranjas, amarelas, azuis… Então, quando você se senta ali, dá quase vontade de chorar de lindo.
Pedimos dois bellinis, o drinque que leva Prosecco e suco de pêssego natural. Nunca na Itália você recebe apenas o seu drinque. Ele vem sempre acompanhado de azeitonas, castanhas, pistaches, batatinhas, salgadinhos ou o que mais tiver… Pedimos mais dois bellinis…
Decidimos jantar no próprio bar. Pedimos uma salada de folhas verdes, ricota fresca e tomates secos, que estava divina.

Salada verde com ricotta

Mais duas taças de vinho rosé.
Pedi de novo o spaghetti alle vongole. Se é o prato tradicional da região, o vôngole acabou de ser trazido pelos pescadores, a massa está sempre no ponto perfeito, por que é que eu deveria escolher outra coisa, né?

Espaguete La Sireneuse

O marido comeu uma massa fresca ao limone siciliano. Para encerrar, uma torta de chocolate com frutas vermelhas. Sério…

tortachocolate_lasirenuse

Ficamos pelo menos umas quatro horas lá. Depois caminhamos os dois quilômetros de subida até o nosso hotel felizes e trançando as pernas.

La Sirenuse: Via C.Colombo, 30, Positano. tel. +39 089 87 50 66. O jantar para dois, com vinhos, custa cerca de 180 euros.

Na noite seguinte, fomos a Ravello. A cidade fica ainda mais no alto da montanha e a estrada para chegar até lá à noite, no escuro, é um tanto apavorante. Toda a costa Amalfitana é praia-montanha, e as estradas são só penhascos. Boa parte inclusive só dá para passar um carro. Então, há espelhos grudados nas encostas para você ver se um carro está vindo na direção contrária e esperá-lo passar para depois seguir sua viagem. Para chegar a Ravello, o caminho é inteirinho assim. Mas quando você chega lá em cima, perde até a respiração.
Primeiro fomos conhecer os jardins famosos na cidade. Depois, fomos até o Palazzo Sasso jantar. O hotel tem dois restaurantes. Um com duas estrelas do Michellin, bastante formal, caro e na parte interna, ou seja, fechado. E outro mais informal, com preços um pouco mais acessíveis, no terraço e com uma vista inacreditável. Na mesa que nos sentamos, a sensação era de que estávamos flutuando, no alto da montanha, sobre o mar. Vimos relâmpagos à esquerda, seguido e um vento forte, frio. Quando passou o vento, os relâmpagos pararam e as nuvens foram levadas para o alto mar. Na direção de Nápoles. E voltou a ficar calor, apenas com um ventinho leve de final de noite.
Pedi como entrada queijo Scamorza grelhado com berinjela em fatias muito finas grelhadas, tomates picados em quadradinhos minúsculos e azeite.

scamorzza_ravello

O marido comeu melão e presunto de Parma.

melao e presunto

E depois orechiette com pedacinhos de linguiça, croutons feitos de presunto de Parma (incríveis) e mini brócolis.

massa com crouton de presunto

Eu comi um linguini de frutos do mar, com a maior quantidade / qualidade de frutos do mar que já tinha comido em um prato de massa. Tinha até navajas (esse é o nome em espanhol, não consegui saber como se chama nem em italiano, nem em português, alguém sabe?).

spaghetti frutti di mari Ravello

As sobremesas foram tiramissú, clássico, e torta de limão siciliano, claro, né? E como o maître ama o Brasil e passa sempre suas férias no nosso país, nos mandou taças de Passito de Pantelleria, vinho bem doce da ilha que é o ponto da Itália mais próximo da África, para comemorar nossa presença lá.

tiramissu_ravello

tortalimao_ravello

Palazzo Sasso: via San Giovanni del Toro, 28, Ravello. Tel. +39 089 81 81 81. Gastamos lá cerca de 160 euros (o casal com vinhos).

Notas relacionadas:

  1. Itália
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , , , ,

terça-feira, 9 de setembro de 2008 Sem categoria | 18:26

Itália

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Cheguei à Itália. Na verdade, há uns 10 dias. Demorei pra escrever aqui porque estava muito ocupada… Vocês vão ver nos próximos posts.
Primeira parada: Positano.

Positano

Cheguei às 16h, sem almoço, faminta. Ainda bem, porque pude ir correndo ao Alimentari da dona Guida. Foi aqui que nasceu o Comidinhas.

Latteria Positano

Depois que entrei por essa porta e pedi o sanduíche caprese, que um cartaz na porta avisa ser a especialidade da casa, decidi escrever o blog. Porque precisava dividir com alguém o sabor adocicado daquele tomate italiano, que casava tão bem com a mozzarella de búfala fresquíssima, ainda pingando leite. Os dois “temperados” com gotinhas de azeite e folhas de manjericão. E tudo isso colocado entre duas fatias gigantescas de pão. Estava pronto o sanduíche “especialidade” da latteria na via Pasitea, a rua que cerca a cidade inteirinha de Positano, na costa Amalfitana e a umas duas horas de carro de Nápoles.

Placa sanduiche

Fui andando aflita por essa rua. Temia que o tal alimentari não existisse mais. Bobagem. Nada em Positano mudou desde que estive aqui há três anos. As mesmas pessoas trabalham no hotel, no bar da praia e nos restaurantes de que mais gostei…
Entrei na “latteria” e notei que também lá tudo continuava igual. Dona Guida, com seus cabelos branquinhos, vestido de linho branco e um colar de pérolas, dando ordens. Sua filha preparou meu sanduíche. Fiquei prestando a atenção em todos os detalhes. Primeiro, ela cortou as fatias do tomate, depois umas três fatias grossas da mozzarella de búfala, colocou então umas folhinhas de manjericão e um fio de azeite. Aí fechou o sanduíche e apertou, esfregando um lado do pão no outro, para espalhar o azeite e esmagar um pouquinho do tomate, liberando seu sabor. Depois, enrolou em uma folha de papel pardo e me entregou. Peguei também um chá de limão e fui comer na “mureta” ao lado do alimentari.

Sanduiche caprese

Dona Guida não tem espaço para comer dentro da sua pequena venda. Em compensação, tem ao lado dela um muro, com a melhor vista da cidade. Dá para querer mais alguma coisa?

Eu e Positano

Ah, e o melhor sanduíche do mundo custa apenas 5 euros e dá fácil para duas pessoas.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , , ,

segunda-feira, 18 de agosto de 2008 Sem categoria | 12:24

Os vencedores da promoção

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Atenção, atenção! Acabam de sair os vencedores da promoção 3 anos de Comidinhas. Foi difícil escolher. Vários textos fofos, com histórias de amor, outras engraçadas. Teve quem mandou receita e até tentou escrever em formato de poesia. Muuuiiito obrigada a todos que participaram. Mas, enfim, lá vão as escolhas:

Marisa Carvalho, que vai ao Ici Bistrô:

“Coquetel de Camarão
Comecei a trabalhar com 15 anos. Era menina de família simples. Houve um almoço chique na empresa (Anderson & Clayton) e também fui convidada. Não lembro se foi no Rubayat ou no Guaracyara, no centro, nos arredores do Largo do Paisandu com a avenida Rio Branco, na época.
Pedi coquetel de camarão e quase não acreditei naquela apresentação toda. Um charme só.
Estava comendo tranquilamente, degustando cada miligrama daquele manjar dos deuses, quando, em dado momento, devo ter colocado o talher de uma forma tal que o garçom entendeu que eu tinha acabado minha refeição e retirou minha taça.
Achei que fosse morrer, arregalei os olhos e abri a boca, claro, sem emitir som, desesperada, pois queria o meu coquetel de camarão de volta.
Aconteceu o seguinte: o Hélio Souto (ator de cinema, teatro e TV) estava no restaurante, numa mesa próxima à da nossa empresa e levantou-se imediatamente, pegou a taça de coquetel de camarão da mão do garçom e me devolveu.
Me senti nas nuvens, lógico, por ter minha taça de volta e pelas mãos de um astro de primeira grandeza!!!”

Sergio Britto, que vai ao Balneário das Pedras:

“NÃO COMO!”
Macarrão? Chocolate? Feijão? “Não como!”, respondia a Pierina, prima de minha mãe.
O que comia, então, aquela figura solitária, que tinha varado 80 anos de vida, dizia a lenda familiar, a criticar e negar comidas e pretendentes, depois de abandonar a cozinha, onde tinha revelado dotes incontestáveis até os 50 anos? A resposta era um menu monótono onde não faltava um bolinho de soja e legumes que ela mesma fazia.
Um domingo, antes da missa, Pierina sentou-se sozinha na sala. Parecia que ia cochilar e morreu, prontinha para rezar.
Encarregado de desocupar seu apartamento, encontrei numa gaveta a receita da única coisa que ela comia. Não eram bolinhos incomuns: a uma base líquida de leite, ovos e um pouco de azeite e óleo, acrescentava-se, até dar o ponto, partes iguais de farinha integral e farinha de soja; dado o ponto, acrescentava-se sal, fermento e legumes picadinhos; dividia-se tudo em mini-assadeiras individuais e levava-se ao forno até começar a dourar. A surpresa e provavelmente também o motivo de Pierina nunca ter trocado o menu dos últimos anos foi o exótico molho que constava da receita: um gazpacho (tomates, pepino, cebola, pimentão verde, pimenta vermelha, alho, água, azeite, um pouquinho de vinho tinto e miolo de pão, vinagre e sal, batidos no liquidificador) com um toque de garam masala indiano. Com esse molho inesquecível, que regava os bolinhos de soja, Pierina tinha chegado ao ápice do paladar, expresso num econômico “não como!” para todo o resto.

Denise Bobadilha, que vai ao Odeon:

“Foram muitas as refeições memoráveis que fizemos – meu marido, meu filhinho de então 2 anos e eu – ano passado durante uma viagem enogastronômica por pequenas cidades francesas e italianas. Mas a mais marcante não aconteceu em nenhum restaurante, e sim foi preparada na cozinha de ‘nossa casa’ em San Casciano Val di Pesa, no vale de Chianti, Toscana. Ficamos hospedados num agriturismo bem familiar, uma fazenda que produz vinhos e azeite e abre alguns quartos para hóspedes, com cozinha equipada e tudo.
Montamos a mesa no pátio em frente ao nosso quarto, com vista para um vale bem toscano, coberto de vinhedos, ciprestes e oliveiras. Com a noite clara, foi possível ter a sensação visual do local, mesmo à luz de velas. Quanto à comida em si, tudo perfeito: abrimos com um belo pedaço de pecorino, azeite toscano e um pão fresquíssimo. Em seguida, a massa, preparada pelo Luiz: talharine fresco comprado nas redondezas, acompanhado de funghis enormes da feirinha da vila (era começo de outono e eles estavam suculentos) passados na manteiga (local) e no alho em frigideira bem larga, finalizados com um pouco de creme de leite (fresco e local também). Os sabores e texturas eram tão perfeitos que o parmesão dourado que cobriria a massa ficou praticamente de lado. Tudo acompanhado de um Chianti Classico Bruscola, feito ali mesmo, na fazenda onde estávamos, saído dos vinhedos que estavam aos nossos pés. O Arthur se lambuzou todo com a massa e nem ligou para a leve acidez do pecorino. Naquela noite, dormimos como ele: feito crianças.”

Parabéns! Tirem fotinhos dos seus jantares e enviem para mim.

 

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

quarta-feira, 13 de agosto de 2008 Sem categoria | 19:15

Um restaurante perdido em Copacabana

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A Americana é um restaurante-pizzaria que fica a uma quadra da praia em Copacabana. Na rua Rainha Elizabeth, aquela em que os carros devem virar para seguir até Ipanema. Você passa por lá, olha o lugar com toldo bege, paredes de vidro e fica se perguntando o que é. Pensa em parar qualquer dia e experimentar. Mas restaurante/pizzaria no centro máximo do turismo no Rio? Sei lá… Continua seu caminho e deixa para a próxima.
Até que um amigo me disse que uma visita ao A Americana para comer língua à Fiorentina jamais deve ser adiada, por qualquer que seja o motivo. “A língua que eles fazem é espetacular. Saio de qualquer lugar para ir comer lá”, disse o André Barcinsky, jornalista e dono do clube Clash (em São Paulo), carioca e louco por restaurantes que são “segredinhos”. Foi ele quem me apresentou a Galinhada do Bahia. E só isso já é o suficiente para saber que uma dica do André não tem chances de dar erro.
Fui almoçar no A Americana com uma amiga em um domingo de chuva no Rio. Ela morou anos na cidade e não havia ouvido falar do lugar. O motorista de táxi também não. Nos deixou a duas quadras de lá. Fomos caminhando na chuva.
Quando chegamos em frente, a reação da minha amiga foi exatamente aquela que contei um pouco antes: “Ahhh, é esse do toldinho bege. Sempre passo aqui e fico olhando, pensando em entrar um dia, mas nunca me decidi”.
Entramos e sentamos na varanda, onde estavam os turistas. Dentro, as mesas eram ocupadas por famílias inteiras com mais de dez pessoas. Ou senhores e senhoras idosos.
Pedimos a língua à Fiorentina. O garçom nos conta que o lugar já existe no mesmo endereço há mais de 50 anos. Os sócios são portugueses. Trouxeram a receita da família. E depois foi sendo passada, de cozinheiro em cozinheiro, por décadas. O André havia me contado que sua mãe já freqüentava o A Americana com as amigas de colégio, nos anos 60, para tomar milk shakes.
Ficamos bebendo uma caipirinha e observando a cidade com chuva. O prato chega poucos minutos depois. Um único prato dá tranquilamente para as duas pessoas.

Lingua fiorentina

Ele vem em uma travessinha: a língua no centro, purê de batata em volta, creme de espinafre por cima e queijo gratinado cobrindo tudo. É uma linda mistura de verde e amarelo. Mal dá para ver a carne.
Servimos um pouco para cada uma e experimentamos. A língua está na consistência perfeita, macia, saborosa, bem fininha e ao ponto. A mistura de purê de batatas e espinafre vira uma massa só quando colocamos no prato. E quando você leva à boca um garfo com todos os elementos do prato juntos, tudo parece fazer muito sentido.

Não há excessos. Nem de manteiga no purê, porque o que prevalece é o sabor da batata; nem de creme de leite no espinafre. É um prato bem tradicional, preparado da maneira correta.
De novo, o André tem razão, é para sair de qualquer lugar e ir até o A Americana só para experimentar uma língua à Fiorentina.

A Americana: rua Rainha Elizabeth, 100, Copacabana, Rio de Janeiro. Tel. 21 2523-1703

Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

terça-feira, 12 de agosto de 2008 Sem categoria | 18:36

Cara nova

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Como prometi no post abaixo, essa semana é de festa aqui! E eu já não aguentava mais esperar, então resolvi estrear logo. Gostaram da cara nova? Eu adorei. E o mais legal é que agora dá para navegar por categorias. Então, todas as dicas de restaurantes para o final de semana vão ficar reunidas em um lugar só. É só clicar em “Restaurantinhos” no link aqui no lado direito da página. O Comidinhas TV e o Paris também vão entrar aí logo mais.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

sexta-feira, 8 de agosto de 2008 Sem categoria | 19:25

Super promoção 3 anos do Comidinhas

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Daqui a uma semana exatamente o Comidinhas faz 3 anos!!! Então, prepare-se, porque, semana que vem, vai ter várias novidades e comemorações:

- Na própria sexta, dia 15, o blog vai amanhecer de cara nova. Com um desenho novo e até uma ferramenta de publicação nova. Isso vai permitir dividir as informações do blog em categorias. Assim vai ficar muito mais fácil, por exemplo, achar em um lugar só todas as dicas de restaurantes (o “Restaurantinhos”).

- Vamos estrear o “Comidinhas TV”. Simmmm, eu vou fazer programas em vídeo com entrevistas com chefs, visitas a restaurantes, feiras e lugares bacanas. E, de repente, até uns experimentos na minha cozinha. Já gravei vários. E não vejo a hora de colocar aqui. Mas o Marcello Pagotto, super diretor do meu “Comidinhas TV” ainda está cuidando da edição da sua cria.

- Também vai estrear o “Comidinhas Paris”. Chiquérrimo! A Alline Cury, amiga querida, mudou-se há um mês para lá e vai dar toda semana uma dica deliciosa da cidade do “pain au chocolat”.

Mas o melhor para vocês, leitores queridos, amigos, que me deixam recados fofos e me acompanham nesses 3 anos vem agora:

- começa hoje a promoção “3 anos de Comidinhas”, que vai levar 3 casais leitores do blog jantar no Ici Bistrô, no Balneário das Pedras ou no novíssimo Odeon.

A idéia é a seguinte:

1) Envie para o email aleblanco@ig.com um texto (até 1500 toques) sobre o seu prato inesquecível.

2) Eu vou selecionar os 3 melhores textos. Os critérios serão: clareza do texto, história mais bacana e conseguir me deixar com água na boca.

3) Os leitores que escreverem os 3 textos selecionados como os melhores ganharão o jantar com um acompanhante em um desses restaurantes:

Ici Bistrô: restaurante francês, comandado pelo chef Benny Novak e um dos meus favoritos na cidade. Quem for tem que pedir o pain perdu para a sobremesa!

Ici Bistrô

Prato com peixe do Ici

Balneário das Pedras: novo e badalado restaurante dos chefs Cássio Machado, do Di Bistrot e B&B Burger Bistrô, e João Leme, do Rôti. Seu forte são os peixes e frutos do mar e a balada que rola no lounge da entrada.

Balneário das Pedras

Atum com três molhos do Balneário

Odeon: novíssimo restaurante que ainda está em fase de “soft opening” no Itaim. Tem cara de bar, e a idéia é essa mesmo: servir drinques e comida de bistrô, como moules et frites (mexilhão e fritas), steak bernaise, confit de pato….

Odeon

4) por favor, envie junto com o seu texto em qual desses restaurantes você gostaria de ir jantar.

ATENÇÃO: os ganhadores da promoção vão poder jantar gratuitamente em um desses restaurantes. Mas não estão inclusos as bebidas, os 10% do serviço e o estacionamento. Esses deverão ser pagos em cada restaurante pelos ganhadores da promoção.

5) Os textos devem ser enviados até a meia-noite do dia 15 de agosto (sexta-feira). E o nome dos ganhadores serão divulgados aqui no blog segunda-feira, dia 18.

Ici Bistrô: rua Pará, 36, Higienópolis, São Paulo. Tel. 11 3257-4064

Balneário das Pedras: R. Lisboa, 191, Pinheiros, São Paulo. Tel. 11 3082-4344

Odeon: Rua Jerônimo da Veiga, 30, Itaim, São Paulo

Autor: Alessandra Blanco Tags:

Sem categoria | 18:25

Restaurantes para o Dia dos Pais

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Dia dos Pais tem cara para mim de churrascaria ou restaurante de carnes. Ainda mais se esse for um domingo chuvoso em São Paulo, como tudo leva a crer.
Dá para ir com a família toda, não há qualquer restrição com as crianças, nem problemas em montar mesas grandes. E ainda é um programa para o dia todo. Porque restaurantes de carnes, sendo ou não rodízios, devem ser apreciados com calma, sem pressa. E os pais adoram, mesmo os vegetarianos, porque as opções de saladas são sempre incríveis. Então vamos ao mapa da picanha:

- Varanda Grill: o coração de picanha acompanhado de palpito pupunha assado é de tirar o fôlego.


- Rodeo: por favor, fatias de picanha com arroz biro-biro!!! E ainda um pão de queijo sensacional, pastéis ótimos e boas caipirinhas.


- Fogo de Chão: se a intenção for comer a valer. Aqui não tem erro, tudo é bom. As saladas, todos aqueles acompanhamentos fritos como polenta e batata, o pão de queijo, as carnes que incrivelmente estão sempre no ponto e quentes. Por isso os garçons correm tanto: para que não esfriem até chegar à mesa. Além disso, para as meninas, os garçons também são sempre muito bonitos.
- Templo da Carne – Marcos Bassi: todo mundo sabe que Bassi é um expert em carnes. E o seu novo restaurante no Bixiga (não tão novo assim, tem um ano) é uma delícia. Dá uma olhada nos especiais para o Dia dos Pais: fraldinha para três pessoas, R$ 128,00; picanha em posta grelhada para três pessoas, R$ 128,00; e costela de boi assada na churrasqueira a um metro de altura por 8 horas e temperada só com sal grosso, para 3 pessoas, R$ 128,00.


Bisteca do Bassi

Nos final das contas, os preços de cada um deles são semelhantes. Cada pessoa vai gastar com bebida e entradinhas cerca de R$ 100.

Varanda Grill: rua General Mena Barreto, 793, São Paulo. Tel. 11 3887-8870.
Rodeio: rua Haddock Lobo, 1498, Jardim Paulista, São Paulo. Tel. 11 3474-1333
Fogo de Chão: avenida dos Bandeirantes, 538, Brooklin, São Paulo. Tel. 11 5505-0791.
Templo da Carne-Marcos Bassi: rua Treze de Maio, 668, Bela Vista, São Paulo. Tel.: 11 3288-7045 / 11 3289-6701.

Autor: Alessandra Blanco Tags:

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