A hora e a vez do porco
Notaram que de “gorduroso”, “calórico” e “nada saudável” o porco virou a “bola da vez”? Restaurantes no mundo todo estão criando cardápios completos de embutidos ou aumentando entre as suas opções a oferta de costelinhas, bistecas e até barriga de porco.
De repente, vou a um jantar mexicano, e as pessoas estão disputando a tapas os torresmos do chef Rodrigo Oliveira. Vou conhecer o restaurante Nicota, e o novo prato do cardápio é a paleta de porco assada a baixa temperatura, acompanhada de uma terrina de mandioca perfumada com laranja. Vou almoçar no restaurante do hotel Pergamon e, de novo, o destaque eram as costelas suínas com ervas brasileiras e risoto de limão.
Vou jantar no Arturito e resolvo ficar só no menu de entradas de embutidos: lingüiça caseira, morcilla, salame. E são sensacionais!
Minha primeira barriga de porco foi no restaurante Le Comptoir de Relais, do chef Yves Camdeborde, ex-chef do Regalade e defensor do porco “dos pés à cabeça”, ou seja, aproveitar, comer e se deliciar com toda a carne possível do animal, ou todas aquelas partes que vão na feijoada e a maioria das pessoas deixa de lado no prato.
O restaurante da moda de Nova York, o DBGB, do chef Daniel Boulud, foi inteiramente pensado em cima do conceito “dos pés à cabeça”. Além de língua, medula óssea tostada, tripas e pés de porco, tem também um menu de 14 salsichas caseiras feitas no local, com sabores inspirados nas viagens que o chef Boulud fez por lugares com tradição em preparo de embutidos. A “Beaujolaise” é feita com a carne marinada em vinho tinto, a “Toulouse” é feita com carne de porco e de pato refogada e servida no estilo do “cassoulet”, a “Boudin Basque” é a salsicha feita com sangue, picante, servida sobre mashed potatoes e por aí vai. Também os hamburgueres têm um “toque” de carne de porco: o “The Piggie” vem com molho barbecue de porco, com pimenta jalapeño, queijo tipo cheddar, servido no pão de milho (me dá água na boca só de pensar!), e o “The Frenchie” vem com barriga de porco crocante, rúcula e cebolas caramelizadas. Aliás, no 210 Diner, também tem um hambúrguer com bacon gigante e barriga de porco no menu.
Em uma entrevista por email, o subchef do DBGB, Jim Leiken, me disse que boa parte das pessoas que vão ao restaurante fazem isso especificamente para comer os pratos “Téte au pied” (cabeça aos pés). “Muitos são franceses, alguns são de uma geração mais velha que ainda cresceu comendo a chamada ‘variedade’ de carnes e ainda gostam delas. Mas muitos simplesmente são ‘comedores aventureiros’, que vêm experimentar e percebem que há muito mais na boa cozinha do que filé mignon”, disse.
Leiken conta que o restaurante compra carne de porco apenas de pequenos criadores locais, que criam suínos de raça, com alimentação especial, o que produz uma carne de qualidade e acaba com o antigo medo de que comer carne de porco pode levar a contrair doenças. “Ainda existem muitos clientes preocupados com a gordura. Então, procuramos criar pratos balanceados, não muito pesados, com a carne e acompanhamentos de vegetais frescos e da estação.”
Já que o historiador italiano Massimo Montanari, especializado em história da gastronomia, aponta o porco como um dos alimentos mais importantes da humanidade, junto com o arroz e o trigo, e não há quem consiga resistir a um bom sanduíche de pernil ou uma bela feijoada, vamos aos porcos!
Sanduíche de pernil
Ingredientes
1 pernil de porco de tamanho médio
2 copos de vinho branco seco
2 cebolas grandes
2 dentes de alho
2 ramos de alecrim
2 folhas de louro
1 pimentão verde
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
1 lata de tomate pelado
2 colheres de azeite
sal e pimenta a gosto
Modo de fazer
1- Pelo menos quatro horas antes, bata no liquidificador o vinho, a cebola, o alho, sal e pimenta a gosto, formando uma marinada.
2- Faça pequenos furos na carne do pernil com a ajuda de um garfo ou uma faca. Transfira-o para uma travessa grande. Passe toda a marinada sobre a carne do pernil, esfregando-a para penetrar bem, acrescente as folhas de alecrim e de louro, feche com filme plástico e deixe descansar na geladeira por cerca de quatro horas.
3- Descarte o alecrim e o louro. Coloque o pernil em uma assadeira e envolva-o com papel alumínio e leve ao forno com aquecimento mínimo por cerca de uma hora. Vá regando, aos poucos, a cada 15 minutos, o pernil com o líquido da marinada. E virando-o de posição para cozinhar completamente.
4- Após uma hora, retire o papel alumínio, mas mantenha o pernil no forno para dourá-lo. Isso deve levar mais 30 minutos a uma hora, em temperatura bem baixa. Continue regando-o com a marinada. A carne deve ficar dourada por fora, mas rosada e macia por dentro. Se seu forno for mais forte, fique atenta, vá testando com um garfo, para que a carne não fique seca. Após estar dourada, retire do forno e reserve.
5- Leve uma panela ao fogo com o azeite. Deixe aquecer e acrescente 1 cebola picada em pedaços maiores. Quando estiver “murchando”, acrescente os pimentões picados em fatias (sem as sementes). Faça um refogado. Quando os pimentões também estiverem murchos, acrescente os tomates. Deixe cozinhar por uns dez minutos. Tempere com sal e pimenta.
6- Quando a carne do pernil estiver morna, pique-o em fatias finas. Em uma travessa, misture as fatias de pernil com o refogado de cebola, pimentões e tomate e faça sanduíches com pão francês.
Mocotó: avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, São Paulo. Tel. (11) 2951-3056.
Pergamon: rua Frei Caneca, 80, Consolação, São Paulo. Tel. (11) 3123.2021.
Nicota: Nicota: rua Costa Carvalho, 72, Pinheiros, São Paulo. Tel. (11) 3131-6373.
Arturito: rua Artur de Azevedo, 542, Pinheiros, São Paulo. Tel. (11) 3063-4951.
Le Comptoir de Relais: Le Comptoir de Relais: 9, Carrefour de L´Odeon, Metro Odeon, Paris, França. Tel. 01 43291205
DBGB: 299 Bowery , Nova york, Estados Unidos. Tel. 212.933.5300
210 Diner: rua Pará, 210, Higienópolis, São Paulo. Tel. (11) 3661-1219.





























































