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quarta-feira, 11 de maio de 2011 Comidinhas na Espanha | 18:59

Especial Espanha

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Caipirinha e Mojito

Para ler o Especial Espanha completo publicado aqui nos últimos dias, clique aqui nesses links abaixo:

- Jantar no El Bulli, que vai fechar suas portas em julho, e conversa com Ferran Adrià
- Almoço no Rafa´s: peixes e frutos do mar fresquíssimos e dicas de como preparar em casa, pelo Rafa, especialista amigo de Adrià
- Jantar no 3 estrelas Michelin Sant Pau, de Carme Ruscalleda
- Os dois novos restaurantes “sensação” de Barcelona são orientais, o Koy Shunka e o Dos Palillos
- De bar em bar em Barcelona: dois lugares para tapas e tragos
- O mercado La Boqueria e seus frutos do mar e embutidos
- Leia também posts de viagens anteriores que fiz para a Espanha: visita ao Mugaritz de Andoni Luis Aduriz, ao restaurante de Juan Mari Arzak e cobertura do Madrid Fusión

A partir de amanhã, aguarde o especial Portugal.

Notas relacionadas:

  1. Os melhores frutos do mar e a técnica do Rafa´s
  2. Espanha: a cozinha de Carme Ruscalleda
  3. Dois restaurantes para conhecer em Barcelona
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , , , , , , , , ,

terça-feira, 10 de maio de 2011 Comidinhas na Espanha | 17:08

O mercado La Boqueria

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Nos posts abaixo falei bastante dos frutos do mar frescos, só encontrados na Espanha e em Portugal e das iguarias servidas pelos restaurantes de Barcelona. Quer saber de onde eles vêm?

Esse é o La Boqueria, o mercado central da cidade, dá para se divertir qualquer que seja o seu gosto:

Vários tipos de embutidos: linguiças, morcillas, chouriços…

Jamón (presunto) pata negra, estrela local

Navajas e percebes, frutos do mar só encontrados nessa região

Lagostas e sapateiras (carangueijos gigantes)

Muitas lagostas e lagostins

Polvo

E, claro, não poderiam faltar as "pimientas"

 

Leia também:

- Jantar no El Bulli, que vai fechar suas portas em julho, e conversa com Ferran Adrià
- Almoço no Rafa´s: peixes e frutos do mar fresquíssimos e dicas de como preparar em casa, pelo Rafa, especialista amigo de Adrià
- Jantar no 3 estrelas Michelin Sant Pau, de Carme Ruscalleda
- Os dois novos restaurantes “sensação” de Barcelona são orientais, o Koy Shunka e o Dos Palillos
- De bar em bar em Barcelona: dois lugares para tapas e tragos
- E posts de viagens anteriores que fiz para a Espanha: visita ao Mugaritz de Andoni Luis Aduriz, ao restaurante de Juan Mari Arzak e cobertura do Madrid Fusión

Autor: Alessandra Blanco Tags:

segunda-feira, 9 de maio de 2011 Comidinhas na Espanha | 20:01

Barcelona: de boteco em boteco

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É simplesmente impossível ir para a Espanha e não ser tomada pelo ritual “la movida”, de bar em bar, com algumas tapas no meio. Funciona assim: você escolhe uma boa turma e um bar, chega pede uma cerveja ou uma taça de vinho e alguns pratinhos _ batatas bravas, pimientos, pão com tomate_ fica uma horinha e muda para um outro bar, pede outra bebida, outras tapas… E assim vai o quanto conseguir aguentar. Ou, se você, como eu, resolver visitar o país na Semana Santa,  dura também quantos bares você conseguir encontrar abertos (os mais tradicionais e bacanas fecham suas portas para férias nesse período).

Então, aí vão duas dicas, de lugares bem diferentes:

Esse aqui é o Tapas, 24, lugar da moda, sempre cheio. O chef  Carles Abellan trabalhou no El Bulli e serve no seu bar uma mistura de tapas modernas e tradicionais.

Comi por lá as tradicionais batatas bravas (fritas, servidas com maionese e pimenta, divinas) – 3,50 euros

Também os pães com tomate (que eu poderia comer todos os dias, pelo resto da vida) e um sanduíche de presunto ibérico, queijo manchego e raspinhas de trufas negras, delicioso – 8 euros

E o Mc Foie: hambúrguer com foie gras. 8 euros

Tudo acompanhado por algumas tacinhas de cava geladinhas.

A outra dica é o Vaso de Oro, botequim clássico da região da Barceloneta. Você abre a porta e é tomado pelo barulho das pessoas encostadas no balcão (não tem mesas). Aí vai se espremendo para tentar encontrar um lugarzinho livre onde puder apoiar seu copo e também começar a provar as tapas.

Fomos direto aos clássicos: salada de atum com batata e maionese servida com torradas. E os pimientos: pequeninos pimentões, alguns picantes e outros não, tostados ao ponto de ficar quase amargos e servidos enxarcados de azeite e sal.

Aqui dá pra ver melhor. Entre pequenos golinhos, são acompanhamentos perfeitos.

Cada tapa custa em torno de 5 euros.

Tapas, 24: calle Diputació, 269. Tel. 93 4880977.
Vaso de Oro: calle Balboa, 6.

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Notas relacionadas:

  1. Dois restaurantes para conhecer em Barcelona
Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

quinta-feira, 5 de maio de 2011 Comidinhas na Espanha | 08:35

Dois restaurantes para conhecer em Barcelona

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Passada a moda da chamada cozinha tecnoemocional e com o fechamento do restaurante El Bulli, agora, quando for a Barcelona e pedir dicas de onde ir comer, além das eternas tapas (que serão tema do próximo post), dois restaurantes aparecem na lista como obrigatórios. E eles não são espanhóis, nem tradicionais nem “moleculares”.

 São dois restaurantes orientais. Seus chefs têm, sim, relação com a turma de chefs famosos espanhois. Um deles chegou a estagiar no El Bulli. Mas seguiram seus próprios caminhos. Utilizam a oferta de peixes e frutos do mar única que a Espanha tem e fazem uma cozinha de autor oriental. Hideki Matsuhisa, no Koy Shunka, faz uma cozinha japonesa moderna. E Takeshi Somekawa, no Dos Palillos, oferece pratos japoneses, mas tem outras influências orientais, como chinesa e thai. Ambos oferecem uma experiência incrível de mistura de produtos de qualidade, com tradição oriental e técnicas modernas de cozinha.

Prepare-se para experimentar coisas como percebes, frutos do mar que só existem na Espanha e em Portugal e que só aparecem, dizem, em meses que levam a letra R no nome, portanto, de setembro a abril. Isso porque ficam aguarrados às pedras no mar, têm inclusive formato de garras. E só nestes meses de outono e inverno é possível apanhá-los juntos às rochas, sem ser tão perigoso. Para comer, quebra-se a garrinha e deve-se sugar a carne dentro dela, que é deliciosa. E também pepino-do-mar, ouriço-do-mar, muitos tipos e tamanhos de camarões, lagostins e por aí vai…

Atum selado, percebes e aspargos do Koy Shunka

Gostei muito do Koy Shunka, é um restaurante japonês de alta gastronomia que lembra muito o trabalho do chef Murakami, no Kinoshita, em São Paulo. Mas com uma oferta muito maior de frutos de mar frescos, o que dá ao chef muito mais oportunidades de criação de pratos.

Mas o Dos Palillos, para mim, foi a grande descoberta na Espanha. É um tipo de restaurante que não conheço parecido no Brasil. Os clientes sentam-se em um balcão ao redor da cozinha. E de lá o chef prepara um menu degustação que passeia por Japão, China e Tailândia, principalmente. O “japo burger”, uma hambúguer feito com carne de vaca temperada de forma muito artesanal, passado pela grelha tempo suficiente apenas para tostar a parte externa da carne e deixar seu interior bem vermelhinho, servido com pepino adocicado, gengibre e shiso no bun, pãozinho adocicado oriental. Eu poderia comer uma dúzia deles fácil.

Japo Burger do Dos Palillos

O menu degustação do Koy Shunka custa 108 euros, sem bebidas inclusas. O menu do dos Palillos com 12 pratos custa 55 euros sem bebidas.

Clique aqui para ver todos os pratos do Koy Shunka:

E clique aqui para ver todos os pratos do Dos Palillos:

Koy Shunka: calle Copons, 7, Barcelona, Espanha. Tel. 934-127939.

Dos Palillos: calle Elisabets, 9, Barcelona, Espanha. Tel. 933-040513

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Autor: Alessandra Blanco Tags: , ,

domingo, 1 de maio de 2011 Comidinhas na Espanha | 19:57

Espanha: a cozinha de Carme Ruscalleda

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No meio de tantos chefs espanhóis estrelados e seus restaurantes premiados como os melhores do mundo existe uma única mulher. Carme Ruscalleda reúne 5 estrelas em seus restaurantes: 3 no Sant Pol de Mar (a 40 minutos de carro de Barcelona) e 2 no de Tóquio (Japão). Ela ainda tem um outro, em Barcelona.  O primeiro deles, o Sant Pau, também ocupa a 93ª posição na lista dos 50 melhores do mundo. Por acaso, ele fica no meio do caminho entre Roses e Barcelona. Eu já tinha tentado ligar umas duas vezes para conseguir reserva na volta de Roses, após meu jantar no El Bulli, mas sem sucesso. Aí, arrumando as malas para sair do hotel de Roses, resolvemos fazer mais uma tentativa na espera de alguma desistência que nos garantisse uma mesa para duas pessoas naquela mesma noite. Bingo!

Como você deve imaginar, Sant Pol de Mar não é uma cidade grande, e eu sabia que o restaurante de Ruscalleda ficava à beira do mar, mesmo assim, consegui me perder umas quatro ou cinco vezes entre ruazinhas micro e contramão para chegar até lá,  meia hora atrasada.
 
Fomos recebidas e levadas para o salão vermelho. Tudo no Sant Pau tem a ver com cores. Há o salão vermelho e o amarelo e a cozinha azul. O menu muda conforme o mês seguindo a estação e as cores definidas pela chef. Rosas vermelhas gigantes fazem a decoração da casa. Tudo bem intenso e espanhol, mas muito feminino. Aliás, o cardápio e a cozinha de Ruscalleda é muito feminina, com uma execução delicada de sabores bem acentuados.

Decidimos pelo menu degustação completo, que começa com aperitivos (pequenas tapas), passa por um caldo, depois seis pequenos pratos, um prato combinando queijos e sabores adocicados ou cítricos, uma pré-sobremesa, duas sobremesas e os “divertimentos” da confeitaria que acompanham o café (chocolates, macarons, pirulitos…). Tudo isso sem bebidas inclusas sai a 146 euros por pessoa.

Ruscalleda não faz uma cozinha nem de perto parecida com a de Ferran Adrià, embora faça parte dessa nova cozinha moderna espanhola. Seus pratos são sim modernos e feitos com muita técnica. Mas é uma cozinha clássica, sem o uso do que se costumou chamar de “molecular”. De todos os pratos, meus favoritos foram:

O embutido negro de carne de cerdo ibérico (espécie de porco, conhecido em Portugal como porco preto) com cebolas e ervilhas


A carne de pluma ibérica Joselito (lombo do cerdo ibérico) com aspargos e favas


E a incrível pré-sobremesa: uma infusão com ervas e frutas refrescante e deliciosa
Clique na galeria de fotos abaixo para ver os pratos do menu:


Sant Pau de Carme Ruscalleda: calle Nou, 10, Sant Pol de Mar, Barcelona. Tel. 93 7600662. 

Leia mais sobre Carme Ruscalleda no iG

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Autor: Alessandra Blanco Tags:

quinta-feira, 28 de abril de 2011 Comidinhas na Espanha | 15:50

Os melhores frutos do mar e a técnica do Rafa´s

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No dia seguinte ao jantar no El Bulli, fui almoçar em Roses no segundo restaurante mais conhecido da cidade, o Rafa´s,  “o lugar em que Ferran Adrià gosta de comer”, porque há 25 anos serve os peixes e frutos do mar mais frescos da região.

A indicação que recebemos foi: “Deixe o Rafa cuidar de vocês e coma o que ele sugerir”. Às 15h, sentamos, escolhemos um vinho branco e começamos.

Começamos com amêijoas ao molho de vinho branco, bastante suave, sem nenhuma acidez. Rafa, o chef e dono do restaurante, nos contou ao final que prepara o molho da seguinte maneira: leva ao fogo uma panela com azeite, corta fatias de alho e deixa dourar bem rapidamente, acrescenta vinho branco seco e depois miolo de pão e deixa cozinhar. É o miolo de pão que tira a acidez. Depois coa esse molho e cozinha as amêijoas nele. Não acrescenta sal: “Como recebo produtos frescos aqui do nosso mar todos os dias, eles já vêm salgados e não dá tempo de perder o sal. Então, não precisa colocar mais”.

Depois pedimos lagostim grelhado. Exatamente ao ponto, pouco cozido, úmido, até adocicado. Mais uma dica: Rafa conta que quando vai preparar camarões ou lagostim na grelha normalmente faz uma cama de sal grosso sobre a grelha e coloca os camarões ou lagostim sobre ela. “O sal grosso fica ainda mais quente que a grelha e transmite esse calor, mas também segura a umidade, não deixa o camarão soltar a água, por exemplo. Por isso, fica mais macio”.

Como prato principal, escolhemos um filé de Saint Peter, sugerido pela casa como o mais fresco. Ele é feito só na grelha, com mínimo de azeite e sal. E é úmido, tenro, os pedaços se soltam sem qualquer esforço. Perguntamos como ele consegue dar esse ponto. “Ah, isso você tem que ficar de olho na fumaça que o peixe solta. Primeiro, ela se solta para as laterais. Quando começa a subir do centro do peixe, está na hora de virá-lo. Aí mais uns minutos e estará pronto”, conta.

E Rafa ainda diz que seu restaurante é muito simples. Ahã… “É a qualidade do produto que trabalhamos e a técnica que aprendi fazendo isso há tantos anos.” Ah, e ele só limpa a grelha com vinagre, nada de água e sabão, para não pegar gostos que não precisamos.

Para encerrar, uma sobremesa também feita na casa, uma torta cabelo de anjo. O cabelo de anjo no caso é aquele tipo de abóbora que forma fios como um espaguete. O resultado é uma torta bem pouco doce, mas divina.

Todo esse almoço para duas pessoas com vinho saiu por 89 euros.

Rafa´s: Carrer Sant Sebastià, 56, Roses, Espanha. Tel. +34 972254003.

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  1. Notícias da Espanha
  2. Jantar no Arzak: o segundo 3 estrelas
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Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

segunda-feira, 25 de abril de 2011 Comidinhas na Espanha | 06:49

Jantar no El Bulli dias antes do fim

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Há um ano e três meses, eu estava bem de frente ao chef espanhol Ferran Adrià na coletiva de imprensa do Madrid Fusión, um dos principais eventos de gastronomia do mundo, quando ele anunciou que fecharia seu restaurante El Bulli após a temporada de 2011. Em vez de sair correndo para dar a notícia, minha primeira reação foi: “Eu tenho que ir até lá”.

Adrià foi oficialmente eleito ano passado o chef de cozinha da década. Seu restaurante também foi premiado como o melhor do mundo por quatro anos seguidos, no ranking dos 50 melhores organizado pela revista inglesa Restaurant . Mas, mais do que isso, quem acompanha e gosta de ler sobre o assunto sabe que Adrià mudou a história da gastronomia. Ele é o homem que, na beira da praia de Roses, ao norte de Barcelona, na Espanha, começou ainda na década de 90 a usar a tecnologia como sua melhor amiga ao lado do fogão.

Se você nunca ouviu falar no seu nome ou no do seu restaurante, com certeza, deve saber que existe um chef de cozinha espanhol maluco que transforma a textura e a forma dos alimentos. Ele  muda líquidos em sólidos, por exemplo, como faz com a caipirinha, com a ajuda do uso do nitrogênio. Você mastiga e  ela gruda no céu da boca e na língua. Com o uso do sifão, um instrumento de cozinha usado há anos na confeitaria,  ele começou a criar espumas salgadas: de queijo, de ervas, de verduras… E entre suas técnicas mais comentadas está a esferificação: ele mantém uma certa textura dos alimentos por fora, mas por dentro é uma concentração líquida do mesmo produto. Faz isso com a azeitona. A aparência é de uma azeitona normal. Quando você morde, tem uma casquinha por fora. Dentro, é completamente líquida e com sabor de azeitona concentrado…. Enfim.

 Eu simplesmente não podia deixar de conhecer o restaurante mais importante da década e a comida do chef que mudou a maneira como se pensa cozinha. Acontece que o Bulli só abre seis meses por ano. A cada dia atende 50 pessoas. Metade das reservas é para espanhóis; a outra metade para o resto do mundo. Metade para quem já esteve por lá e é amigo da casa. A outra metade para os que vão à casa pela primeira vez. Se normalmente a fila de espera por uma mesa era de dois anos, imagine agora: o último ano de funcionamento do principal restaurante da década. “Você não imagina a minha vida. A disputa por uma vaga para jantar começa no dia 1 de janeiro. E à 0h01 minha caixa de emails já está cheia de pedidos, com histórias tristes, engraçadas, românticas, apelos… E eu tenho que selecionar só 50 por dia. A cada pedido que confirmo, digo mil outros nãos”, conta Luis Garcia, responsável pelas reservas da casa.

Há um ano, eu também entrei nessa fila. Mandei email e implorei a cada pessoa que tinha algum contato com o restaurante _ outros jornalistas, antigos funcionários, chefs amigos_ que me ajudasse a conseguir uma vaga. O Bulli fechará suas portas no último dia de julho. Até começo de março, não tinha conseguido nada. Aí na metade do mês, recebo uma ligação da jornalista Roberta Malta: “Ale, você já tem planos para o jantar de 19 de abril? Não? Então, é melhor comprar uma passagem, porque nós conseguimos, temos uma reserva no Bulli às 20h. Já confirmei e disse também que não temos restrições alimentares. Eles nos prometeram um menu longo e especial”.

Longo mesmo: às 2h do dia 20 de abril, saí do Bulli, depois de seis horas na mesa e 48 pratos. O lugar é absolutamente lindo. Para chegar, é preciso pegar uma estradinha cheia de precipícios com o mar da Costa Brava embaixo. O restaurante fica em uma casa branca, simples e rústica, na beira de uma micro praia.

Entrada do El Bulli

Pequenina praia em Roses onde fica o El Bulli

Mas tenho certeza de que, mais do que saber o que era cada prato que provei (o que pode ver na galeria de fotos abaixo, com a descrição completa), você quer saber: é realmente o melhor do mundo (mesmo que nas últimas duas listas dos 50 melhores ele não tenha aparecido nessa posição)? Foi o melhor jantar que já tive?

A resposta é: foi, sem dúvida, o mais surpreendente. Não teve nenhum prato que eu não tenha gostado. Alguns deles, eu realmente amei. A azeitona esferificada é incrível. Quando se rompe na boca e aquele líquido com sabor concentrado e intenso de azeitona escorre pela garganta, você imediatamente sorri. É como um reflexo. Difícil dizer qual foi meu prato favorito. A azeitona foi um deles. O chip de azeite de oliva também. É como uma batata chip. Mas feita de azeite, que vai se derretendo na boca e nos dedos. Aliás, a grande maioria dos pratos no Bulli come-se com as mãos.

Gin Frozen e azeitona esferificada

Chip de azeite de oliva

Tudo é divertidíssimo. Começa com os drinques sólidos. A caipirinha e o mojito vêm embebidos em pedaços de cana de açúcar. Você deve sugar e morder para “tomar seu coquetel”. E tem até mojito em formato de sanduíche. A “bebida” sólida vem no meio de duas esponjas brancas. A piña colada vem em algodão doce. Você vai puxando o algodão com os dedos e colocando na boca, aí sente o sabor da bebida e pequeninos flocos de coco.

Caipirinha e Mojito

Várias coisas me lembraram sabores de infância. O “macaron” de parmesão era igualzinho à maria-mole, só que com gosto de queijo. Teve uma espécie de mandiopan de bacalhau (esse não gostei, achei o sabor muito forte). O “estanque”, que é sempre algo refrescante para limpar o paladar entre o final da refeição e as sobremesas, era um tipo de uma raspadinha de gelo, com sabor de Halls. “É Halls ao vivo”, disse a Roberta Malta.

Estanque

Os “filipinos”, sobremesa feita baseada em um biscoito chamado filipino, que é redondo, com casca de chocolate e recheio de coco/nata, aqui era gelado, como um sorvete, parecido com o Esquibom, só que o melhor Esquibom do mundo, com casquinha de chocolate bem amargo.

Filipinos

Alguns pratos pareceram absolutamente simples, mas com uma técnica perfeita, como  “lagostino hervido” e “gamba dos cocciones”. O primeiro um lagostim ligeiramente cozido, quase cru; o segundo dois camarões com tempos de cozimento diferentes.

"Lagostin hervido"

Gostei especialmente do “guisantes 2011”, que eram ervilhas frescas, levemente cozidas, servidas com carne de lebre. Saborosíssimo. Aliás, dos 48 pratos, só cinco eram de carne. Os demais eram vegetais ou frutos do mar e peixe.

Guisantes 2011

Outros favoritos foram o globo de gorgonzola. Ele chega à mesa como um ovo gigante, branco. Você vai rompendo a “casca” com os dedos e colocando na boca. Aí derrete e é gorgonzola. O shabu-shabu de pinoli. É uma massinha recheada de pinoli servida com um caldo. Como no shabu-shabu tradicional, você deve pegar cada massa e “cozinhar” no caldo por 3 segundos no máximo ou ela se rompe de tão delicada. E o “ceviche” de lulo e molusco. Lulo é uma fruta da América Central que tem cara de maracujá e gosto de tomate. Foi servido cortado e recheado também com leche de tigre suave e perfeito.

Globo de gorgonzola

Ceviche de lulo e marisco

O jantar completo saiu por 270 euros sem bebidas. Ferran Adrià, que havia nos recebido na cozinha logo na chegada, veio conversar conosco no final e saber se tinha cumprido nossas expectativas (falamos ao chegar que era a primeira vez e estávamos ansiosas). Dissemos a ele que é óbvio que esperávamos um jantar excepcional, mas não sabíamos que seria tanto. E é verdade. Ele apenas riu.

Na porta da sua cozinha, comandando um time de 50 jovens, que fazem diariamente 3500 preparações, incluindo pequenos pratos, coquetéis etc., Ferran pareceu completamente diferente do homem que eu havia visto por duas vezes no Madrid Fusion. No evento, é agitado, evita jornalistas, faz uma coletiva de imprensa rápida, fala com todo mundo, parece estressado. No seu restaurante, é calmo, tranquilo e parece até mais velho (tem 48 anos). Às vezes observa o salão pela janela da cozinha. Dessa forma, combina mais com o clima de casa rústica na praia do melhor restaurante dos anos 00.

Ferran Adrià na cozinha do bulli

Um dia antes do nosso jantar, foi anunciado o ranking 2011 dos 50 melhores restaurantes do mundo. Desde 2002, é a primeira vez que o Bulli não aparece. Exatamente porque vai fechar suas portas.

Neste ano, assim como no ano passado, o Noma, de Copenhague,  é o novo melhor restaurante do mundo. Seu chef  René Redzepi passou pelo Bulli.  “Todos os dez primeiros da lista têm alguma relação com nossa casa. São chefs que trabalharam aqui, ou são amigos. Isso me deixa muito feliz”, disse Adrià.

Sobre o futuro, o de Adrià e do Bulli é abrir uma fundação para pesquisas gastronômicas. E assim que fechar, em julho, começam as preparações para os novos trabalhos. Adrià diz que irá ao Peru, na feira gastronômica Mistura, e deve ir ao Brasil em novembro ou janeiro. Já o da gastronomia, para ele, está na América Latina. “Fiquei muito feliz que o Alex Atala tenha subido para sétimo na lista dos melhores restaurantes do mundo. E outros latinoamericanos entraram, a Helena Rizzo (Maní), o Gastón Acurio (do Peru). Eu fui o primeiro a dizer que o futuro estava na América Latina. Há uma ebulição de novas ideias lá. A Europa está decadente, careta. A novidade agora não vem daqui”, disse.

Veja abaixo a galeria de fotos com todos os pratos de um dos últimos jantares do El Bulli:

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Notas relacionadas:

  1. Direto do Madrid Fusión: Ferrán Adriá e exclusiva com Grant Achatz
  2. Jantar de gala do Madrid Fusión, com buffet El Bulli
  3. Argh, passei mal com Ferrán Adriá
Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 Comidinhas na Espanha, Comidinhas na França | 16:06

As últimas da viagem por França e Espanha

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Além dos jantares estrelados, ainda deu tempo _ e fome _ para experimentar outras coisinhas por Paris e pela Espanha. Anota aí:

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Essa aqui é uma barraca de cachorro-quente disputadíssima no bairro do Marais, em Paris, na rue du Roi de Sicile. Tem sempre fila na porta. O segredo é a cebola com um sabor adocicado.

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Novidade do chef Ives Camdeborde: L´Avant-Comptoir. É uma pequenina casa de esquina (foto 1 acima), ao lado do seu já restaurante e hotel Le Comptoir de Relais. Pode ser  só um lugar para bebericar e beliscar enquanto se espera por uma mesa do restaurante ao lado, ou um bar com comidinhas de um dos chefs mais bacanas de Paris para aproveitar com os amigos na happy-hour, em pé…
Escolhi a segunda opção e estive lá num início de noite de domingo com mais quatro amigas. Pedimos uma espumante de 2 litros! e vários pratinhos:  na foto 2, croquetes de jamón serrano; foto3, atum selado; foto 4, um sanduichinho de “carne louca” sensacional; foto 5, cubos de barriga de porco no mel; foto 6, crepe de trigo sarraceno de queijo chèvre e tomates.
L´Avant-Comptoir:  Carrefour de L´Odeón, 3, Paris.

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Les Fines Gueules: bistrô fofo no Premier de Paris. A primeira foto é de um steak tartare cortado na ponta da faca bem grossa hehehe. Porque os pedaços de carne são maiores do que o normal. Mas o tempero é perfeito, com bastante alho, como eu gosto, batatas assadas e saladinha; foto 2: vieiras grelhadas com creme de brócolis; foto 3: pain perdu; foto 4: café gourmet com bolinho, creme brulée e mousse de chocolate.
Les Fines Gueules: rue Croix des Petits Champs, 43, Paris.

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O caminho entre Madri e San Sebastian, na Espanha, leva cinco horas de carro. Então, uma parada para fazer uma boquinha é mais do que necessária. Já era quase 15h quando escolhemos a cidadezinha de Lerma, porque pareceu a mais bonita no caminho. E era mesmo lindinha: toda de pedra, com igrejinhas, praça central com monumento…
Também nessa praça central tinha o Meson Bar Assador. A ideia não era almoçar, porque teríamos um longo jantar 3 estrelas no Arzak à noite. Então, pedimos um prato de queijo da região (foto 1); um prato de cogumentos salteados (foto 2); e as “croquetas”, claro, sempre super crocantes na casquinha e derretendo, com queijo, por dentro. Mais pão e azeite e estávamos prontas para continuar na estrada.
Asador de Lerma: Plaza Mayor, 11, Lerma (Burgos), Espanha.

Notas relacionadas:

  1. Paris: os azeites são apenas um detalhe
  2. Comidinhas de férias em Paris
  3. Notícias da Espanha
Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

domingo, 7 de fevereiro de 2010 Comidinhas na Espanha | 16:39

Mugaritz: entendendo a incrível cozinha de Andoni

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A cozinha de Andoni Luis Aduriz  no Mugaritz, restaurante que fica no alto das colinas de Errenteria, na Espanha, bem ali onde você já vê os pastores cuidando das ovelhinhas, foi a minha última parada “estrelada” na Europa.

Como escrevi em alguns posts abaixo sobre as apresentações no Madrid Fusión, Andoni é talvez o mais cientista da nova geração de chefs espanhóis.  Dizem que é também o preferido de Alex Atala e de Alain Ducasse. Além de ser considerado um dos mais criativos por Ferrán Adriá. Nada mal…

Me perdi por quase uma hora tentando chegar ao restaurante, com GPS e instruções por telefone. Na verdade, seu endereço está em Errenteria. Mas seu terreno está, ao mesmo tempo, em três cidadezinhas, daquelas com nomes cheios de Zs e Xs, no País Basco. Agora, quando você chega….

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A casa lembra uma cabana (gigante) toda em madeira e vidro. Você almoça com vista para as ovelhas e para a árvore que chamam de “ritz”, na língua local, e que dá a tal bellota, uma espécie de castanha dura, da qual os porcos se alimentam e daí vem o famoso “jamón ibérico de bellota”, talvez o melhor presunto cru do mundo. O nome do restaurante vem de “muga”, que significa exatamente essa fronteira embaralhada de 3 cidades, e “ritz”, a linda árvore ao lado de fora da casa, que produz a castanha tão especial.

arvore-ritz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tá, eu adorei a história e quis contar aqui porque tudo no Mugaritz parece ter um por quê. Ok, eu cheguei ao restaurante às 13h45 da quarta-feira e a primeira coisa que ingeri naquele dia, antes mesmo de água, foi uma taça de cava, no restaurante.

Depois, veio um menu harmonizado com 12 pratos e vinhos espanhóis, de pequena produção, os acompanhando. Pode sim ter sido um pouco efeito da bebida, ou do lugar maravilhoso, ou da comida sensacional, mas a cada minuto passado a mais no Mugaritz _ e eu fiquei lá por cinco horas _ eu tinha a sensação de que “fichas” iam caindo:

- O Madrid Fusión teve para mim neste ano uma sabor de fim de um tempo, com chefs já falando em esperar a próxima revolução na cozinha e nenhuma nova técnica apresentada;
- Na minha outra participação no Madrid Fusión, há 2 anos, fiquei muito impressionada com a apresentação de Andoni. O mesmo aconteceu depois com suas participações em dois eventos em São Paulo. Ele tem cara de cientista mesmo e fala como tal, com propriedade, para explicar como faz carvão a partir de caroço de azeitona, como desidrata à vacuo melancia, muda suas propriedades e a transforma em uma “carne”, como faz doces que parecem bolhas de sabão… Mas sorri como cozinheiro. E suas invenções me provocam a mesma sensação de quando vi “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.
- Então, eu sabia que provar da comida de Andoni seria algo muito especial. Mas eu também tinha medo das invencionices, das espumas, do nitrogênio, das esferificações…

E o que eu vi na cozinha do Mugaritz foi algo muito maior que isso. Fomos recebidas no restaurante e imediatamente levadas até a cozinha para conversar com Andoni e o seu subchef brasileiro,  Rafael Costa e Silva. No momento que entramos na cozinha, os dois estavam olhando duas cubas com água gelada. Em uma delas havia lagostas vivas; na outra, camarões. Ao lado, uma lousa com os ingredientes disponíveis naquele dia e a quantidade de pratos que era possível servir com eles.

rafael_lagosta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Todos os dias, vamos às 7h ao mercado local e compramos o que tem de mais fresco e da estação. Então, o menu nunca é igual e jamais forçamos servir algo que não está na sua época”, contou Rafael. Além disso, cada prato servido no restaurante tem que ter no máximo 4 produtos e o mínimo de processos e passos necessários para sua preparação. É técnico, é científico, mas busca a simplicidade. Só que é lúdico, divertido. É legal demais receber as “pedras” comestíveis como aperitivo na mesa. Pegar, morder e perceber que é uma batata assada, com um sabor incrível, delicioso de…. batata e de boa qualidade.

batata

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Então, se eu tinha algum preconceito contra essas “modificações” de texturas e aparências, durante as minhas cinco horas no Mugaritz elas foram se desfazendo uma a uma. Os pratos pareciam trazer tudo aquilo que eu e a grande maioria das pessoas que gostam de comer bem valorizam: qualidade, sabor, simplicidade, procedência, preparo com cuidado. E também novas técnicas, diversão, surpresa, perplexidade, que _ por que não?_ também têm tudo a ver com o ato social de sentar-se à mesa e ter refeições com pessoas queridas.

Acho que não preciso mais dizer o quanto gostei, né? Então, vamos aos pratos:

P.s.: o chef Rafael Costa e Silva me enviou algumas correções das descrições que eu havia feito dos pratos, seguem abaixo.

camaroes

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqueles camarões que estavam ainda vivos na cuba com água viraram essas belezuras crocantes, na frigideira

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Essa é uma única ostra servida com grão-de-bico

carpaccio

 

 

 

 

 

 

 

 

Carpaccio. Sabe de que? De melancia, com castanhas e queijo Idiazabal. Foi meu prato favorito. A melancia tem a consistência exata de uma carne de boa qualidade, só que um pouco mais doce

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Ovas de ouriço. Olha, eu normalmente não gosto, principalmente da textura, mas esse aqui derretia na boca, com um sabor incrível

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Baby cenouras cozidas na terra com lula e grãos, servidos com um suco concentrado de lula salteada com polpa de azeitona Arbequina (a melhor que já comi)

 

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Pepino do mar com “bianchetto”, que parece trufas brancas, e sementes de amaranto com funcho marinho

 

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Queixo de bacalhau (parte mais gelatinosa , que está embaixo da cabeça do bacalhau) branqueado em sua gelatina com mel de flores de acácia

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Escalope de foie gras de pato com abóbora cabelo de anjo (é chamada assim porque, depois de cozida, fica parecendo um espaguete), pimenta e creme de amendoim

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Linguado servido sobre uma mousse concentrada de suas espinhas e dente de leão

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Vitela de leite, assada e “perfumada” entre brasas de carvão, com tomilho e rabanete. Foi o único de que não gostei muito.

pato

 

 

 

 

 

 

 

 

Pato com lascas de trufas

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Carne de rabo de cerdo ibérico (um porco da Península Ibérica) e caldo de sua cocção com lagosta e lascas de  jamón ibérico de bellota. Meu segundo prato favorito.

doce

 

 

 

 

 

 

 

 

Raiz de aipo cristalizada (utilizando técnica de uso do cal dissolvido em água, como se faz com o doce de abóbora por aqui), com sorvete de aipo

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Pastilha de avelã com sua espuma

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Torta de nata, tostada e caramelizada (uma espécie de pain perdu ou rabanada, como chamamos no Brasil) com sorvete de leite de ovelha. Divino!

 O restaurante tem menus fixos a 95 euros ou 125 euros.

Mugaritz: Otzazulueta baserria. Aldura aldea 20 zk. Errenteria. Gipuzkoa. Tel. 943 522455. info@mugaritz.com. www.mugaritz.com

Autor: Alessandra Blanco Tags: ,

sábado, 6 de fevereiro de 2010 Comidinhas na Espanha | 12:22

Jantar no Arzak: o segundo 3 estrelas

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Jose Maria Arzak Etxabe e sua mulher, Escolástica Lete, abriram as portas do Arzak em 1897 para ser uma taberna que serviria vinhos e comida. Seu filho, Juan Ramón, e a mulher, Francisca Arratibel, mantiveram o negócio e expandiram, servindo banquetes para festas de família.

Juan Mari Arzak foi, portanto, a terceira geração da família a administrar o restaurante. Mas o que existe hoje no mesmo endereço de 1897 _e que agora é comandado pela filha de Arzak, Elena_  só tem a fachada semelhante à daquela época. Porque o que sai de sua cozinha faz parte da mais moderna gastronomia espanhola.

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Fachada do Arzak (foto Divulgação)

 O chef foi o primeiro da família a ir estudar culinária na Escuela de Hosteleria. E, depois, foi trabalhar na cozinha de Paul Bocuse e da família Troisgros, na França. Na metade dos anos 70, junto com Pedro Subijana participou da chamada revolução “de la nueva cocina vasca”. E desde então as mudanças jamais terminaram.

O restaurante ganhou sua primeira estrela Michelin em 1974. As três estrelas vieram em 1989. Ou seja, pelo menos dez anos antes da chamada revolução da cozinha espanhola, que revelou Ferrán Adriá para o mundo e os cozinheiros que transformavam líquidos em sólidos (e vice-versa), faziam espumas, esferificações etc., Juan Mari Arzak já era reconhecido como um dos principais chefs do país. Mas não ficou por aí. Ele também foi atrás das novas técnicas, da cozinha-científica. Tem um destilador hoje na chamada “cozinha fria” e um quarto de especiarias que reúne mais de 1400 potinhos com ervas de temperos do mundo todo.

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Quarto das especiarias (foto Divulgação)

Sentado em seu restaurante, bebendo um conhaque e um café, após o jantar, Arzak explica que faz uma “cozinha de autor, basca, de investigação, de evolução e de vanguarda”. “De autor, porque é a minha cozinha. Basca porque seguimos as tradições, o paladar e usamos os produtos da região”, diz Arzak. Sua filha Elena conta, por exemplo, que os bascos detestam coentro e não gostam muito de coco na sua comida. Mas gostam de alho. E isso está claro na sua cozinha.

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Elena e Juan Mari

A parte da investigação, da evolução e da vanguarda é o que é conhecido como a nova culinária espanhola. E aparece em todo o cardápio: na apresentação dos pratos, nas descobertas de novos produtos, nas mágicas das espumas e das transformações. Sem, no entanto, parecer algo químico ou artificial.

O prato que Arzak apresentou neste ano no Madrid Fusión, por exemplo, foi esse aqui:

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É uma sobremesa. No prato branco, hidromel e um outro líquido, vermelho, doce, também extraído de abelhas, explica Elena. Conforme vão se misturando, vão formando o desenho da flor e nos deixam boquiabertos. É bastante doce, então, o ideal é misturar uma colherada dele e da outra parte da sobremesa, um bolinho com farofa de amêndoa. (foto Madrid Fusión)

Mas esse foi o último dos pratos que tivemos no menu degustação na casa de Arzak. Para começar, recebemos na mesa o que eles chamam de “entretenimentos”:

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Bolinhas crocantes com sabor de peixe (sardinha, talvez), servidos “espetados” em essas hastes lindas de metal.

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Um croquete com interior cremoso e com sabor de queijo e uma espécie de macarrão frito crocante envolvendo.

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Um tipo de marzipan com recheio de uma mousse com sabor de peixe e um “tartar de morcilla” (que era bem bom!)

Depois, recebemos o primeiro prato:

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Rodelas de maçãs quentes (provavelmente ao forno) com uma “pitada” de foie gras por cima, caramelizado. Tipo, sensacional!

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E lagosta com batatas e coapaíba… (foto Divulgação)

O próximo prato foi o meu favorito de todo o menu, mas, infelizmente, a foto não rolou. É um ovo “perfecto”: um ovo cozido a baixa temperatura (65°C), com gema mole, com trufas brancas e uma farofa crocante de pão. É realmente a perfeição gastronômica.

 

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Em seguida, um peixe, escolhi o robalo, com um molho de arroz negro (foto Divulgação).

E, por fim, uma carne de veado, servida no ponto perfeito, desmanchando na boca. Também sem fotos :(
Assim como as sobremesas: uma esponja de iogurte, uma sopa de chocolate (na verdade, uma mousse) e bolas esferificadas de chocolate, que você mordia e ela explodia o chocolate líquido na boca. Com o café, ainda são servidos vários pequeninos petit four incríveis. Meu favorido foi a miniatura de arroz doce, sensacional. Mas essas fotos vou ficar devendo…

O menu degustação Arzak sai por 150 euros.

Arzak: Alto de Miracruz, 21, Donostia/San Sebastian, Espanha. Tel. 943 278465. restaurante@arzak.es

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