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quinta-feira, 10 de junho de 2010 Comidinhas na Turquia, Sem categoria | 13:18

E uma semana em Istambul

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Todas as pessoas que já haviam estado em Istambul com quem conversei para pegar dicas tinham um tal encantamento pela cidade _e por sua comida_ que cheguei  com a expectativa das Mil e Uma Noites, mas na gastronomia. E confesso que fiquei um tanto desapontada. Por uma semana fiquei em busca do “melhor” restaurante de comida tradicional turca. Mas saí de lá com a sensação de que isso, na verdade, não existe.

O que existe são várias comidas turcas: a do lado europeu de Istambul, por exemplo, é mais cheia de especiarias e condimentos; no lado asiático, é mais simples e rústica, sem tantos temperos, com muito peixe; a da Anatólia, segue mais um conceito de slow food…  E vários lugares e momentos especiais para aproveitar delas.

O que aprendi depois de sete dias é que:

1)  o charutinho de uva é a coisa mais sensacional de Istambul. E em qualquer lugar é bom. É bem diferente daquele que comemos por aqui. É mais adocicado, não tem limão ou vinagre ou qualquer outro cítrico, mas leva bastante canela e cominho. E a folha tem um sabor diferente, quase doce. É de sonhar de tão bom.

2) Tudo o que eles fazem com berinjela ou abobrinha é ótimo. E eu podia passar dias só comendo as pastas: babaganush, homus, de fava, de queijo feta… Aliás, um dos melhores programas da cidade é ir no final de tarde no bar/restaurante Leb-i Derya, em Beyoglu. Fica no sexto andar de um prédio, com vista para o Bósforo. Chegue para o por do sol e fique até a lua aparecer (cheia, nos dias em que estive lá), comendo suas pastas com pãozinho e bebendo um espumante ou algum ótimo drinque do cardápio.

Veja mais fotos de comidinhas, dessa vez no restaurante Kantin:

3)  Aliás, por do sol no Bósforo é algo a ser respeitado. E o ideal é planejar o dia todo em função de às 19h estar em algum lugar incrível para assisti-lo. O Leb-i Derya é uma ótima opção, mas os bares dos hotéis Four Seasons e Les Otoman também são obrigatórios. E mais sofisticados.

Veja abaixo fotos do brunch no hotel Four Seasons próximo da Mesquita Azul:

4) Os queijos turcos são incríveis. Não apenas o conhecido feta, mas há diversas versões de queijo de cabra de várias partes do país. Qualquer bar ou restaurante que você visitar terá no cardápio um mix de queijos turcos. Desisti de tentar entender qual era qual ou de qual região. É tanta coisa que chega a virar assunto entre os locais em mesa de bar. Já que o tempo era curto, apenas “me joguei” neles. Mas não gostei dos vinhos turcos. Picantes demais para o meu gosto.

5) A comida de rua de Istambul é deliciosa. Durante todo o dia você vai encontrar vendedores de frutas (belíssimas cerejas e mirabelles nessa época de primavera), de pães (redondos, crocantes com gergelim, não resista, eles são bem gostosos), de mexilhões recheados (uma mistura do marisco com arroz e especiarias), de sucos feitos na hora (tem que experimentar o de romã e o de laranja super doce). E, o principal: o churrasquinho turco (ok, não consegui guardar o nome de jeito nenhum). Tem de vários tipos de carne, mas a principal é a de carneiro, servida com temperos e pimenta dentro do pão pita. Às 3h, depois de uma noitada entre os bares de Beyoglu, é a melhor coisa do mundo.  

Veja mais fotos de comida em Istambul:

6)  Kebab e almôndegas de carne em geral são os pratos mais famosos e são servidos em todos os restaurantes. Mas eu gostei muito de um em especial, o Dârüzziyafe Türk Mutfagi, que fica atrás da mesquita Süleymaniye. Ele foi planejado pelo arquiteto mais famoso da Turquia, Mimar Sinan, responsável pelo projeto de boa parte das mesquitas locais, e construído entre 1550-1555. O lugar é belíssimo, parece um claustro, com o jardim no centro e as mesas em uma área coberta ao seu redor. De um silêncio absoluto, apesar de estar em uma das áreas mais movimentadas de Istambul.

Foi construído por ordem do sultão Süleyman, “o Magnífico”, para comemorar os 100 anos da conquista de Istambul, e deveria servir como uma cozinha pública, anexa à mesquita. Até hoje no cardápio há uma sobremesa feita com leite e pistache, que o sultão oferecia aos pobres toda sexta-feira. Foi usado também como um salão para banquetes até o final do Império Otomano. Depois, virou um museu. E, em 1991, foi restaurado e transformado em restaurante.

Pedi lá um menu degustação de comidas locais: Kebab, almôndegas, berinjela recheada, babaganush, uma espécie de picadinho de carne de carneiro com pimentão… Tudo muito bom. Para acompanhar, nada de álcool aqui, só suco de rosas e de morango ou ayran.

Veja aqui as fotos do almoço no Dârüzziyafe Türk Mutfagi:

7) Tem que experimentar: 1) o ayran, a bebida salgada feita de iogurte. Parece estranho ao falar assim, mas é realmente bom e, mesmo salgado, acompanha perfeitamente uma refeição tradicional; 2) o chá de maçã servido dentro do Grand Bazaar, com maçãs secas prensadas; 3) o café turco, como uma experiência, mas prepare-se para o enjôo depois.

8  ) Passar um dia no lado asiático, em Moda, dá uma outra idéia de Istambul, sem tanto turista, incrivelmente mais ocidentalizada e mais tranqüila, até na gastronomia. Fui ao restaurante Koço, na beira do mar de Marmara, comer peixe fresco grelhado, lula, marisco e, claro, abobrinha, aqui servida empanada e com coalhada seca. Fica demais! Depois, tomar um café no píer em frente e ter essa visão da cidade:

 

Veja as fotos do almoço no Koço:

9) Por último. E último mesmo, no dia de ir embora, para poder fazer compras e levar para casa. Passe uma manhã no Spicy Market. É tipo a Disneylândia das especiarias. Bancas e mais bancas de cominho, canela, cardamomo, curry indiano, açafrão iraniano (uma raridade!), caviar Beluga a 100 euros por 100 gramas, e misturas já preparadas para temperar carne, frango, peixe à moda turca. Depois que voltei de Istambul, fui assistir ao filme “Tempero da Vida”, indicação de uma amiga. E é como se tivesse sido transportada de volta à cidade, numa outra época, mas com as mesmas tradições: as almôndegas com canela, a importância das especiarias e do sabor para dar prazer, fazer diplomacia, agradar aos amores ou estragar relacionamentos…

O mercado também tem dezenas de bancas de azeitonas, queijos e doces com amêndoas, cerejas secas, figos secos recheados com nozes, chamados localmente de “o Viagra turco” (e eles oferecem embalagens especiais para viagem).

Veja a galeria de fotos:

10) Ah, e importantíssimo: antes de qualquer refeição, para abrir o apetite, ou no final delas, como digestivo, é obrigatório pedir um raki, a bebida local, feita com aniz. Você vai receber dois copinhos típicos, um com o raki e outro com água. Você deve ir, aos poucos, acrescentando a água à bebida, que vai deixar de ser transparente e se tornar branca.

 Leb-i Derya: Kumbaraci Yokusu 57/6, Tünel, Beyoglu. Tel. +90 212 2934989.
Dârüzziyafe Türk Mutfagi: Sifahane Cad.. 6, Suleymaniye. Tel. +90 212 5118414.
Kantin: Akkavak Sokagi, 30, Nisantasi. Tel. +90 212 2193114
Refik restaurant: sofyali sokak, 6/8, Tünel, Beyoglu. Tel. +90 212 2432834.
Koço: Moda Caddesi, 265. Tel.: +90 216 3360795.

Autor: Alessandra Blanco Tags: , , ,

24 comentários | Comentar

  1. 24 Wérika Lopes 26/08/2011 9:05

    Alessandra:

    Eu e meu esposo estaremos na Turquia e seus comentários foram perfeitos para identificarmos os restaurantes que visitaremos. As fotografias estão lindas e os pratos especialmente decorados deram um charme à matéria.

    Continue dando dicas para nós, os viajantes.

    Abraços,

    Wérika e Waterloo

    Responder
  2. 23 salim youssef diwan diwan 21/08/2011 11:49

    gostei do seu comentario,pois precisava de algum guia local pra me acompanhar em 2 dias poderia me auxiliar grato

    Responder
  3. 22 Nizi Rolim 09/07/2011 22:33

    Olá Alessandra vou para Istambul em setembro e adorei suas dicas, valeuuuuuuu

    Responder
  4. 21 francisco carlos marrocos 19/06/2011 14:50

    Alessandra Blanco, essa sua viajem e experiências com a comida típica da Turquia não deve ser deletada ou engavetada, isto porque se formos algum dia para Istambul ( que já foi candidato pra sediar aos jogos olímpicos.), no mínimo teremos em seu relato de viajem uma referência e, isso pode ser tudo onde outros idiomas ocidentais nem sempre são falados. É uma aula nesse sentido, veja que temos aqui mesmo em São Paulo um comércio de produtos orientais e quase sempre em suas etiquetas constam nomes originais, por exemplo, o RAKI mencionado por você encontra em demais países árabes um similar o ARAK (turco), com iguais propriedades, ou são translúcidos até que se acrescente água. Viaje mais, toda novidade como são mais que cultura.

    Responder
  5. 20 Aline Magnani 13/06/2011 22:16

    istambul

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  6. 19 Wordpress Dicas 26/04/2011 17:30

    Muito bom, fiquei maravilhado com tanta coisa interessante!

    Responder
  7. 18 amira 15/02/2011 11:58

    Alessandra, tem 3 Leb-i Derya em istanbul..dois deles em Beyoglu..qual deles vc foi?

    Responder
    • Alessandra Blanco 16/02/2011 20:18

      oi Amira, é um que fica no último andar de um prédio, numa ruazinha

  8. 17 fatima 24/01/2011 14:07

    Olá João Antonio, você pode dar uma boa dica de hotel no Centro Histórico. Estou viajando sozinha e gostaria de estar em um lugar seguro. Obrigada. Também irei a Capadócia (goreme) adoraria dicas.
    Obrigada

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  9. 16 Sousa Jose 24/11/2010 9:43

    Da pra ver que a sociedade Turca, particularmente a de Isambul, e bastante civilizada e tem um alto padrao de vida. Era de esperar que uma comunidade que existe a muitos milhares de anos sem grades abalos politicos, sociais e economicos, tenha atingido este patamar. Gostaria de um dia visitar Istambul

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  10. 15 claudia arantes 22/06/2010 11:43

    Alê, morro de vontade de conhecer Istanbul e sua matéria me deixou com água na boca!!!
    Beijos!

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