Visita à casa de Cora Coralina, em Goiás Velho
“Minhas mãos doceiras
Jamais ociosas
Fecundas imensas e ocupadas.
Mãos laboriosas
Abertas sempre para dar,
ajudar, unir e abençoar”
(Cora Coralina)
Estou em Goiás Velho, cidade a 140 km de Goiânia (GO). Terra dos doces de frutas cristalizadas. E onde nasceu Cora Coralina, doceira, antes de ser poeta.
Vim para cá para participar do XI Fica (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental) e dar duas palestras sobre cinema e comida. Foram 6 horas em 2 dias só falando de filmes e comida. Essa última às vezes como protagonista, como em “A Festa de Babette” ou “Ratatouile”. Outras apenas como uma parte (sempre importante) da história. E aí os exemplos podem ser infinitos…. De “O Poderoso Chefão” a “Maria Antonieta”, de “Parente é Serpente” a “Volver”.
Mas quem deu mesmo a aula foram os “meus alunos”. Quero levar todos pra casa: dona Chiquinha, cozinheira de mão cheia, que contou que conversa com seus pães para eles cresceram fofinhos e gostosos e gosta de inventar na cozinha. “Quando não tiver nada na geladeira? Faça bolinhos de alface. Ficam uma delícia”. Fiquei com desejo dos seus quitutes.
Ou a Debora Guerra, banqueteira, descendente de árabes e especializada em comida síria. Disse que na sua casa ou nas suas festas nem dá para contar a quantidade de entradas e pratos servidos. Os almoços duram horas e todo mundo come de tudo. E o Eduardo Neves, químico, que começou a se interessar por comida e agora faz culinária molecular em Brasília! E alguns outros, mais tímidos, que falaram um pouco menos, mas também tornaram as conversas uma delícia.
Saí das aulas eufórica e fui correndo conhecer a casa de Cora Coralina. A visita começa, é claro, pela cozinha. Essa frase acima estava num quadro por lá. Entrei e meus olhos encheram de lágrimas. Era igualzinha à cozinha da minha avó na chácara no interior de São Paulo: o forno à lenha idêntico ao que meu avô construiu, as louças, o fogão, a geladeira…
A moça que me acompanha conta que Cora Coralina instituiu o dia 20 de agosto como o dia do vizinho (que segundo ela é o parente mais próximo) e do cozinheiro. E todo ano é comemorado na cidade. Ela começou a escrever poesia com 14 anos, mas só publicou pela primeira vez com 76 anos. Neste ano, faria 120 anos e vai ter festança na cidade e lançamento do seu primeiro livro de receitas.
Comprei lá um de poesias e outro infantil que fala de cocadas.
Na saída, a frase:
“Eu sou aquela mulher…
que ficou velha, esquecida
nos teus larguinhos
e nos teus becos tristes”
Escrevia como cozinhava…
11 comentários | Comentar
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11 bernardo neto 28/09/2009 7:42
cumprimento afetuosamente marlene velasco e todos que
fazem a historia de goiás,é claro sua maior expressão a
analins dos guimarães peixoto bretas CORA CORALINA.
SERIA POSSÍVEL O ENVIO DO POSTER RECENTE DE
CORA (TAMANHO GRANDE) MUITO GRATO fort.ce
bernado neto 30/09/2009 14:46
oi chiquinha tudo bem com vc
10 pedro 17/09/2009 22:30
oi gostei do seu filme mais agora eu quero ler na internet e nao consigo que filme e esse meu os outros filme eu consigui ler
9 Elisia 02/09/2009 17:51
Amei seu texto.
Estou coletando textos que falem da GRANDE CORA CORALINA para um projeto que estou desenvolvento na escola em que trabalho e quero saber se posso usar seu texto para falar de Cora.
agradeço se obtiver uma resposta.
Elísia
8 Elisia 02/09/2009 17:50
Amei seu texto.
Estou coletando texto que falem da GRANDE CORA CORALINA para um projeto que estou desenvolvento na escolla em que trabalho e quero saber se posso usar seu texto para falar de Cora.
agradeço se obtiver uma resposta.
Elísia
7 MAGNA 31/07/2009 9:51
OTIMA
6 Mariana 12anos 31/07/2009 9:40
Gosto muito de suas poesias principalmente aquele poema da mãe.curto muito a suas poesias
BEIJOS
5 Amanda Que tem 9 anos 08/07/2009 21:33
A grande mulher que muitos a fez chorar e chorou pois Deus a fez para ser imortal e ter um dom o dom de recsitar de ouvir na poesia o lado positivo e negativo detudo e te todos . Em sua face viamos seus olhos a brilhar como as estrelas que iluminam o ceu a cada noite olhamos A alma dela esta guardada no seu lugar.Quando entramos vemos a alegria que sentia ao fazer suas poesias e sentimos como se ela estivesse entre nos
4 Marcus Vinícius Teixeira Pelegrine 27/06/2009 17:15
Adentraste a casa cara mia e teus olhos marejaram, eu apenas por saber do privilégio de teres conhecido o barco centenário que vive fundeado às margens do rio vermelho; meus prantos em parelhas deslizaram pela minha face. Lugar de onde ” ELA se fez ao largo da vida para voltar pobre e vestida de cabelos brancos”, para se tornar imortal.
gleyciane 05/10/2009 20:43
isto tudo e muito bonito e enterexante
3 jonas de moraes 24/06/2009 13:29
Realmente a Casa de Cora Coralina é um presépio, tem que pedir licença para entrar e ter muito respeito, pois ela é a nossa musa da poesia, amo Cora. Quando sair o livro de receitas por favor façam uma bela reportagem.
2 maia 22/06/2009 3:12
Cora, Dona Benta e Tia Anastasia…que saudades!!! Lindo o seu texto, come sempre. Un bacio
Andrea Maia