O Patuá do Bixiga
Eu ouvia falar da “baiana do Bixiga” havia tempos. Uma comida maravilhosa, com uma delícia de acarajé, em uma casa no bairro mais italiano de São Paulo. Só abria no jantar e ainda assim, para comer lá, precisava avisar com antecedência e ter a indicação de um amigo… Levou alguns meses. Mas, finalmente, eu achei o tal amigo para me indicar. Ou o amigo do amigo.
Quando perguntei se ele conhecia o endereço de uma baiana, que servia uma comida maravilhosa no Bixiga, a resposta foi: “Nossa, você tem que ir lá, lembro até hoje do acarajé dela. Tenho um amigo que pode te dar os contatos”.
E assim foi. Liguei em uma quarta-feira para a Hélia Januária Bispo, mais conhecida como Bá, ou a baiana de Amargosa, que deixou a Bahia há duas décadas para morar em São Paulo, porque achava que precisava de uma mudança. Montou um tabuleiro de acarajé na região dos bares do Bixiga, ficou conhecida entre os freqüentadores. Mas teve que parar por conta das batidas policiais.
Resolveu então transformar o porão de sua casa em um restaurante, que deu o nome de Patuá. “Baiano adora receber gente em casa”, diz. E assim começou. Hoje, abre sua casa de quarta a sábado, à noite, e uma vez por mês em um almoço no domingo.
Hélia me atendeu desconfiada, perguntou quem havia indicado. Eu fui respondendo e ela concordou em me receber com mais duas pessoas dali a dois dias, numa noite gelada de sexta-feira.
Paramos o carro na porta. Nada indicava um restaurante. Tocamos a campainha e Bá, com uma túnica colorida e turbante na cabeça, veio nos atender e nos mandou entrar. Naquela noite fria, seríamos os seus únicos “convidados”.
Assim que chegamos, ela nos levou até o porão: uma sala com pé direito muito baixo, toda colorida, com imagens de orixás e lenços do grupo afro Ilê Ayê por todos os lados. Tocava, claro, MPB. E ao entrar lá parecia que entramos também num transe, que foi ficando cada vez mais intenso conforme o cheio do dendê chegava à mesa.
Pedimos acarajé para todos. A amiga baiana que me acompanhou (porque queria fazer o teste) fez sinal positivo com a cabeça: “É de verdade, feito como na Bahia. Repare na massa: o dendê está só na casca, não penetrou dentro. Esse é o maior sinal de um bom acarajé e difícil de encontrar por aqui”.

Peço pimenta, que também é de verdade, bem ardida. E eu adoro. “É aquela pimenta forte que adormece a boca e é também uma delícia”, avisa Bá.
Já havíamos encomendado um bobó de camarão para três com antecedência. O bobó ou a moqueca só são feitos sob encomenda. Já os outros pratos do cardápio podem ser servidos sempre: mandioca na manteiga, escondidinho de carne seca, arrumadinho…. Aos domingos, para o almoço, tem também a feijoada e o cozido.
Quando o bobó chega à mesa, nós aproveitamos que estamos sozinhos no restaurante para realmente “dar vexame”. A cumbuca de barro traz o caldo de um rosa-alaranjado borbulhando. E o perfume do dendê quebra qualquer resistência. Preparamos verdadeiras “montanhas” no prato: arroz, bobó, farofa e gotinhas da pimenta malagueta. Paramos de falar e começamos os trabalhos com os garfos. Fui sentindo aos poucos a massa leve da mandioca, os camarões, a farofa crocante, gengibre, coentro. E o suor correndo da testa por causa da pimenta. Por que é que os paulistas não gostam de coentro mesmo? Não consigo agora encontrar nenhuma razão…



Meia hora depois, a cumbuca e os pratos estavam vazios. E a gente com aquela moleza de quem comeu demais, sabe? Mas não tanto a ponto de dispensar a sobremesa: um suflê de goiabada servido com creme de leite. Ai….

Para ir ao Patuá: patuadabaiana@bol.com.br e tel. 11 3115-0513
E atenção, não é exatamente um restaurante, é a casa da baiana Hélia. Por isso, ela quer saber quem vai, controlar quantas pessoas vai receber em seu próprio porão. Então, não vou publicar aqui o endereço. Mas basta telefonar lá, dizer que viu a indicação aqui no meu blog e pedir para marcar um jantar.
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7 Ale 11/06/2008 12:26
Pessoal, não divulguei o endereço porque é a casa dela. Então, ela quer controlar quem vai. É só telefonar lá, dizer que viram no blog da Ale e pedir para marcar um dia.
6 Sandra 11/06/2008 11:05
Alê… que maravilhosa noticia!! sou apaixonada por comida baiana, e como sua amiga disse, aqui em SP é difícil encontrar uma comida gostosa com cara e sabor da Bahia, sou frequentadora nata do bairro Bixiga, amo aquele lugar, tradicional Italiano!! Bares maravilhosos, como não podia falta Café Piu Piu classico do Bixiga, e lá vai minha pergunta!! Será que vc poderia me indicar?? já que precisamos de uma indicação!?!?!? amaria frequentar este restaurante, to sentindo o cheiro e o sabor só de pensar!!! rss.. obrigada. aguardarei sua resposta anciosíssima!!! bjkas… e parabéns pelo espaço maravilhoso… sou sua fã!!!
5 Rose 11/06/2008 10:53
Oi Ale, fiquei feliz que aprecie tanto a comidinha t %!@$&@#da minha terrinha…aqui tenho que comer um acarajé por semana…rsrs, pelo menos. Moquecas, bobó e outras delícias…sempre! Eu ficaria doente se tivesse que fazer esse “arrodeio” todo para comê-los…rssrs. Bjs.
4 thiago 11/06/2008 9:16
faltou o endereço. abraços.
3 Marcia Nunes 11/06/2008 8:18
Pq. ela não divulga o endereço, e preços………
Achei estranho, ser tão bom é se esconder assim…….
2 Marcela 10/06/2008 23:07
Nossa, o jeito que você escreveu me deu foi medo de ir até um lugar desses… Parece que a baiana é traficante! Escondida e com um pé atrás, querendo saber a indicação…. Se é tão bom assim, pq não ser mais divulgado? Será medo de ganhar $$$$??
1 Kats 10/06/2008 20:37
Ale, tô aqui passando mal de fome diante dessas imagens! Que acarajé lindo!!! bjs!