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05/11/2009 - 11:38

Último dia na Itália: receitas e pizza

Última parte do final de semana no Relais & Chateau Don Alfonso 1890: as aulas de culinária, as receitas e o almoço de pizzas.

Começamos o dia cedo. A ideia do chef Ernesto era nos colocar na cozinha e ensinar alguns dos pratos clássicos do restaurante.

peixe

O primeiro deles foi o cherne ao perfume de baunilha com croquete de gengibre e zabaglione de colatura de anchovas (colatura é o caldo forte e salgado que solta de uma pressão de anchovas com água, sal e azeite)

Ingredientes para 4 porções

360 g de filé de cherne
300 g de caldo de peixe
400 g de batatas
Suco de 1 limão
1 fava de baunilha
30 g de gengibre fresco
3 ovos 
80 g de mussarela
1 colher de café de colatura de anchova
azeite extra-virgem a gosto
sal a gosto
50 g de farinha de rosca
120 g molho de baunilha
crispy de legumes da estação (40 gramas por pessoa)

Para o molho de baunilha

200 g de caldo de peixe
1 colher de café de suco de limão
2 favas de baunilha (cortado na metade para liberar a baunilha)
sal a gosto

Modo de fazer

Molho de baunilha:
1) Misture todos os ingredientes e deixe ferver. Deixe reduzir para cerca da metade do volume original

Cherne:
1) Corte os filés de cherne em 4 partes iguais e coloque-os em 4 sacos plásticos de vácuo com o caldo de peixe, o suco de limão, a baunilha e uma pitada de sal.
2) Cozinhe cada porção por 18 minutos a 60°C e deixe esfriar.
3) Prepare uma maionese com a colatura de anchovas. Misture bem: uma gema de ovo, a colatura e anchova e um fio de azeite em quantidade necessária até formar a maionese.
4) Ferva as batatas inteiras com casca, depois descasque e amasse. Corte a mussarela em cubos pequenos. Misture-a com as batatas, o gengibre ralado e uma gema. Faça uma massa e forme croquetes de 30 g cada; passe cada croquete pela farinha de trigo, depois por um ovo batido, por firm pela farinha de rosca e frite em óleo.
5) corte os legumes da estação em fios bem finos e faça-os salteados em uma panela com alho e azeite. Retire e coloque sob papel absorvente e reserve.
6) Para preparar os pratos: coloque os filés de cherne com o molho de baunilha em que foi cozido. Depois à direita, uma colher com a maionese com colatura de anchovas e, finalmente, dois paus de baunilha com legumes crocantes, como brócolis ou couve.

 vesuvio

O segundo prato foi o Rigatoni Vesúvio

Para esse prato, o primeiro passo é fazer o molho ragu de carne:

Molho Ragu de Tomate

Ingredientes
13,7 g de lombo de porco
13,7 g de costelas de porco
5,5 g de fatias de pão 
1 colher de chá de vinagre tinto envelhecido
2 dentes de alho
1,4 g de salsinha picada
2,7 g de pinoles
2,7 g de uvas passas
3,4 g de cebola
1 colher de chá de azeite extra-virgem
1 colher de chá de vinho branco
136,5 g de molho de tomate
Sal a gosto

Modo de fazer
1-Faça 4 bracciolas com o lombo de porco, cortado em uma espessura de cerca de 3 mm. Enrole com as passas, os pinoles, a salsinha, o alho e uma pitada de sal. Enrole e amarre com um barbante.
2-Mergulhe as fatias de pão no vinagre, esprema levemente e doure-os em uma panela com o azeite extra virgem. Em seguida, retire da panela.
3-Na mesma panela, doure as costeletas, o porco enrolado e uma cebola inteira.
4-Adicione o molho de tomate e cozinhe em fogo baixo e constante durante cerca de 2h15.

Atenção: as quantidades parecem estranhas e pequenas, mas são as medidas exatas para fazer apenas 4 rigatones. Você pode, em casa, usar quantidades maiores e usar o molho ragu para outros pratos

Rigatoni Vesúvio

Ingredientes
260 g de rigatone
50 g de ervilhas
250 g de mussarela
200 g de molho de tomate
60 g de carne de porco moída
30 g de pão
60 g de leite
50 folhas de manjericão 50 g de azeite extra-virgem
15 g de cebola
2 ovos  Sal a gosto

Modo de fazer
1-Prepare as almôndegas com o pão embebido em leite, 1 ovo, sal e pimenta. Frite-os em azeite até ficarem dourados.
2-Bata no mixer ou no liquidificador 30 folhas de manjericão com um pouco de azeite. Depois, passe por uma peneira ou chinois. Essa é a salsa de manjericão para a finalização
3-Aqueça 40 gramas de leite e adicione 70g de mussarela picadinha. Leve ao forno em banho-maria. Deixe até misturar e formar um líquido. Em seguida, passe pela peneira ou chinois. Essa é a salsa de mussarela para a finalização
4-Salteia as ervilhas com a cebola, até ficar dourada
5-Corte a mussarela bem fina
6-Cozinhe o outro ovo em água fervente por 7 minutos
7-Cozinhe o rigatone em água fervente por 3 minutos e deixe-o descansar com um pouco do ragu de tomate. O suficiente apenas para tingir a massa.
8-Use uma forma de alumínio para brownies de cerca de 8 cm. Forre-a com filme plástico. E monte o rigatone: no fundo, coloque um pouco da mussarela, depois coloque os rigatones de pé em toda a lateral, sem deixar espaços. Recheie o meio com a ervilha, o ovo cozido esfarelado, as almôndegas, manjericão e mais mussarela. Quando estiver completamente recheado, preencha todo o topo com mussarela até cobrir o rigatone.

rigatoni

motandovesuvio
9-Cozinhe por 14 minutos no forno a 160 graus Celsius
10-Vire o bolo, retire da forma de alumínio e coloque sobre um prato. Cubra o “Vesúvio” com o ragu de tomates. Para finalizar, faça fios sobre o molho com a salsa de manjericão e a de mussarela. Coloque no topo uma folha de manjericão e um fio de azeite extra-virgem.

ernesto_vesuvio

 

Depois da aula, fomos aprender a abrir rodelas de pizzas com as mãos (e sem nenhum pau de macarrão) com o melhor pizzaiolo da região, don Miguel

abrindo-a-massa

Com a mão na massa: nunca vi tão fofa e elástica. Conforme era manipulada, bolhas de ar iam estourando nas mãos.

donmiguel

Don Miguel: não revelou a receita da sua massa de pizza, mas deu várias dicas importantes. Uma delas é que o forno deve ter lenha apenas em um dos lados e deve chegar a uma temperatura de mais ou menos 280°C. Para saber a temperatura, ele olha a cor da brasa e do fogo dentro do forno. Tem que estar bem brilhante. E vai incentivando o fogo alto com pedaços de papelão. Também ensinou que a massa deve ser manipulada e aberta pelas laterais e nunca no centro, ou ele vai ficar muito fino.

pizza

E esse é o resultado.

pizzaiolos

Andrea Maia (fotógrafa), Don Miguel, Gian Lucca (masseiro e padeiro do Don Alfonso), eu e o chef Ernesto

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Comidinhas na Itália Tags: , , ,
04/11/2009 - 15:32

A adega, a fazenda e a fábrica de mussarela

Parte da viagem pelo mundo do Relais & Chateau Don Alfonso 1890 foi tentar entender seus conceitos e filosofias. Para isso, três visitas foram fundamentais: a “cantina” (adega), a fazenda e a fábrica de mussarela de búfala.

adegaadega2adega3provolones

Essas fotos acima são da “cantina”, onde fica a adega com 25 mil rótulos de vinhos e queijos provolones. Você entra por uma sala e, logo de cara, se impressiona com as primeiras garrafas de vinhos e várias de grappas e conhaques. Depois começa a descer por escadas de pedra, como se fosse um porão. E descobre que essa parte da casa tem 2750 anos. A cada nova sala, mais abaixo no solo, mais descobertas e algumas raridades. Petrus, Lafite, Chateau Margaux, Barolo… A primeira reação ao entrar nas salas é segurar bem braços e mãos para baixo, para não correr o risco de bater em nada. Qualquer vinho importante que você já tenha ouvido falar tem um representante na adega. Com safras inclusive do século 19, como obra de um museu.

Na última sala, a mais abaixo do solo, o teto é aberto e chove dentro. É onde ficam os queijos provolones para serem curados. Você percebe o cheiro de longe e uma crosta de mofo envolve cada peça pendurada no teto.

 

A outra visita foi à fazenda da família Iaccarino, que produz todos os legumes, frutas, verduras, frango, azeite, leite e derivados, todos orgânicos, que são servidos no restaurante. Primeiro que o lugar fica em Punta Campanella e tem essa vista abaixo:

vistafazenda

Tá vendo aquela ilha ao fundo? É Capri. E o mar é de um azul tão incrível que só de olhar para ele você entende perfeitamente o sabor adocicado de cada legume que cresce nesta terra:

berinjelafruta

Berinjela e uma fruta cujo sabor é uma mistura de pêra com pêssego

tomate

O adocicado tomate

oliva

“Olivas” (azeitonas) para o azeite orgânico

figo

Figo (comi uns dez diretamente do pé, sem nem lavar…)

sicilianos

Limão siciliano

 

E, finalmente, a visita à Tenuta Vannulo, produtora artesanal de mussarela, iogurte e sorvetes, todos orgânicos e feitos com leite de búfalas

fabricamozzarela

Essa é a área onde as búfalas ficam. Eles têm um sistema inteligente em que as búfalas, duas vezes por dia, se dirigem sozinhas às máquinas para retirar leite, sem necessidade de serem conduzidas.

casamozzarela

Essa é a casa da fazenda onde fomos degustar as mussarelas e iogurtes. Sabe quanto de gordura tem o leite de búfala? 10%. E a mussarela, 25%. Ai…

iogurte

Iogurte de mirtilo

iogurteria

 

ricota

Ricota de búfala: o melhor produto da casa, leve, cremoso, fresco e saboroso

tomatemozzarelavinho

E o almoço por lá: pão caseiro, tomatinhos cereja, rúcula, mussarela de búfala, azeite e vinho. Para que mais?

fotos de Andrea Maia/Studio Agnus

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Comidinhas na Itália Tags: , , ,
03/11/2009 - 12:26

Café da manhã e jantares italianos no Don Alfonso

Além de acordar no Don Alfonso com essa visão:

piscina

a piscina ao fundo do hotel…

jardimcomlavanda

…e o jardim com plantação de lavanda

Sentar na mesa do café da manhã também é uma festa.

pao

Todos os pães são feitos na casa, antes do jantar do dia anterior, para terem tempo de descansar e ficarem perfeitos para a manhã seguinte. Esse da foto acima é um pão de azeite, servido quente, com a manteiga também feita pela casa.

cafedamanha

A mesa do café da manhã tem um pouco de tudo: frutas, iogurte orgânico caseiro, vários tipos de pães, torta doce, bolo, a melhor geléia de figo que já comi, mel também feito na fazenda, panquecas e…

crostatacaprese

… uma crostata de tomate com manjericão. Quem já comeu tomates na Itália e está vendo essa foto sabe do que eu estou falando. Eles são doces, não têm acidez. A ponto de ficarem incríveis com café. Ou até de sair mordendo como uma maçã, sem nada, porque não precisa.

 

As fotos abaixo são de dois jantares. Elas estão misturadas porque também tiveram esse espírito nas noites em que foram devoradas. Como cada blogueiro pediu um prato diferente, o que aconteceu foi um troca-troca de experimentações, para não sair de lá sem pelo menos provar cada um deles:

lagosta

Lagostas empanadas e fritas, servidas com uma espécie de suco de cítricos (laranja e limão). A ideia era cortar, molhar o suco e comer. Elas chegaram ainda no hotel vivas e nós assistimos todo o processo de pegá-las fresquíssimas, cozinhar rapidamente em água fervente por 2 ou 3 minutos, colocar em água gelada e deixar descansar, até a preparação final.

tempurafrutosmar

Uma espécie de tempura de frutos do mar e legumes.

ravioli

Ravióli de queijo com tomate e manjericão. 

espagueteostras

Espaguete com molho de ostras  e trufas brancas. Um dos melhores pratos da casa.

coelho

Coelho perfumado com capim-limão e servido com figos frescos e abobrinha.

cordeiro

Cordeiro com ervas mediterrâneas.

pato

Pato com molho de cacau, servido com duas mousses _ de laranja e de banana_ e redução de vinho Aleatico (da região).

As sobremesas também recebemos uma de cada para trocar e provar todas no jantar. Mas a euforia foi tanta que, claro, esquecemos de tirar fotos…

A minha foi um suflé de pastiera di granno, uma releitura mesmo, mais leve e fofa, da sobremesa italiana, que, na versão original, é quase um bolo.

Amanhã, publico aqui as visitas à fazenda e à fábrica de mussarela de búfala, as duas orgânicas, e a adega do Don Alfonso.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Comidinhas na Itália Tags: , , , , , ,
30/10/2009 - 19:01

Itália: 3 dias no Don Alfonso 1890

Há cerca de dois meses, a cada post do Comidinhas, encontrava um comentário de um rapaz italiano que dizia precisar entrar em contato urgente. Dois ou três desses pedidos depois, finalmente, trocamos alguns emails. A urgência era para convidar para participar de um encontro de blogueiros no Relais & Chateau Don Alfonso 1890, um hotel em Sant´Agata sui Due Golfi, na Península Sorrentina, no Sul da Itália, que tem também um dos melhores restaurantes da Europa.

vista

Vista de Sant´Agata sui Due Golfi. No fundo, o vulcão Vesúvio

O Don Alfonso existe mesmo desde 1890, quando o avô Alfonso Costanzo Iaccarino, retornou à pequenina cidade da costa mediterrânea próxima a Nápoles. Mas o restaurante só foi existir em 1973, quando seu neto, também Alfonso, e a mulher Lívia decidiram levar adiante o negócio da família. Recentemente, o Don Alfonso passou por uma reformulação. E a idéia da família era contar para alguns blogueiros selecionados pelo mundo as suas novidades e trocar informações, percepções etc.

aereodonalfonso

Vista aérea do Relais & Chateau Don Alfonso 1890

Ir até a Europa para um final de semana à beira-mar num dos melhores restaurantes do mundo, claro, pareceu muito tentador. Mas também surreal. Como chegaram até o blog? Quem selecionou? É muita loucura ir ali até a Itália jantar e voltar ao Brasil?

Mas, reunir um blog brasileiro, um americano, um inglês, um alemão, um italiano e um japonês para discutir comida em um dos países que levam mais a sério esse assunto e que também é dos mais conservadores, me pareceu muito moderno e não dava para ficar de fora. E ainda bem que eu topei.

A cozinha hoje do Don Alfonso é comandada por Ernesto Iaccarino, um dos filhos de Lívia e Alfonso. O pai foi cuidar da fazenda da família. A mãe é a relações-públicas e também uma espécie de controle de qualidade dos serviços prestados. E o outro filho, Mario, é o administrador.  Essa nova organização foi fundamental para conseguir entregar a nova filosofia da casa: um restaurante de comida tradicional italiana, baseada na qualidade dos produtos da região da Campana, todos orgânicos e, de preferência, produzidos na fazenda da família ou, no máximo, por artesãos locais.

alfonsoelivia

Alfonso e Lívia Iaccarino

Do xampu nos banheiros dos quartos ao azeite extra-virgem, tudo é orgânico. E tudo é pensado para aproveitar ao máximo o que o sol e o calor da região têm a oferecer. “Os tomates ficam no pé até quase caírem, para aproveitar toda a riqueza do sol dessa região, sem nenhuma química”, conta Alfonso Iaccarino.

Pouquíssima coisa é comprada. A fazenda fornece todos os legumes, verduras, ervas, frutas,  carne de frango,  leite (manteiga e iogurte) e até o azeite. Apenas carnes, trufas, chocolates e queijos são comprados de produtores artesanais.

Na cozinha de Ernesto não entra manteiga, óleo comum ou creme de leite. Só é usado azeite extra-virgem. E, para engrossar caldos e molhos, ele usa, por exemplo, uma gelatina feita com tapioca (tapioca com água a 90°C). Até mesmo o alho, só entra em dente inteiro, para dar sabor ao prato no início do preparo e depois é retirado da panela. “Nós não enganamos ou fingimos usar alguns ingredientes. Seguimos à risca a idéia de uma culinária saudável, mediterrânea, com produtos locais e de qualidade. Às vezes, o mais fácil é o mais complicado. Usamos bons ingredientes e cozinheiros que têm bom coração e paixão. Até nas sobremesas, por exemplo, temos um limite de só 10% de açúcar, para ter cuidado com a saúde”, diz Ernesto.

Em 3 dias, Sigrid Verbert, do Cavoletto di Bruxeles  ,  Keiko Oikawa, do Nordljus ,  Matt Armendariz, do Matt Bites,  Nicole Stich, do Delicious Days,  Chika Yoshizaki, do She Who Eats  e eu fizemos 3 jantares completos (um deles com 10 pratos), aulas de culinária com o chef Ernesto, pizza com Don Miguel, o melhor pizzaiolo de Nápoles (portanto, o melhor da Itália), visita à fazenda orgânica da família (que fica de frente para a ilha de Capri), visita à fábrica de mussarela de búfala orgânica e falamos muito de comida e de blogs.

equipeblogueiros

Toda a turma de blogueiros com o chef Ernesto Iaccarino ao fundo

Então, vou publicar aqui todo esse material em algumas partes: hoje, o primeiro dia de almoço e jantar; terça-feira pós-feriado, outros dois jantares e café da manhã; as visitas à fazenda e à fábrica de mussarela na quarta-feira; quinta, as aulas e as receitas dos pratos que aprendemos a fazer lá; na sexta, um pdf com todo o material para quem quiser baixar e guardar e um fotoshow com as fotos mais bacanas. Prepare-se para a maratona.

Todas as fotos são da Andrea Maia/Studio Agnus.

Assim que chegamos ao Don Alfonso, fomos recebidos com um “almoço leve”, como chamaram, porque o jantar seria extenso.

amusebouche

Começamos com um amuse bouche: uma fatia de uma fruta parecida com a nectarina, pistaches e uma lasca fina de um cogumelo raro da região, bem parecido com uma trufa negra.

vesuvio

Depois, comemos um dos pratos mais famosos da casa: o rigatone Vesúvio. Esse foi um dos pratos que tivemos aula e vou dar a receita aqui nos próximos dias. A massa rigatone é montada na forma do famoso vulcão da região. É recheada com mussarela de búfala, ervilhas, ovo cozido e coberta com um molho ragu, salsa de manjericão e um creme de mussarela de búfala.

babaaorum

Como sobremesa, baba ao rum, servida com um zabaione perfeito e gelatina de frutas vermelhas no fundo do prato.

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Junto com o café, vieram os mini doces tradicionais italianos: cannoli, sfogliatela, bomba de café, gelatina de chocolate amargo, torta de frutas com creme de ricota.

Ainda bem que o almoço foi “leve”, porque menos de cinco horas depois, haveria o jantar completo:

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Começou com mini lulas recheadas com provoleta, um queijo provolone mais líquido e suave, feito por uma artesã local, com um sabor bem leve, servida com um creme de pimentões amarelos e umas folhinhas de estragão. Parece não combinar o queijo e a lula. Mas fica perfeito.

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Depois, o melhor prato da casa: ovo cozido a 63°C por 1h10, com vagem, espuma de mussarela de búfala e trufas brancas. Ovos e trufas são uma clássica combinação e todo mundo já sabe que poucas coisas podem ser tão boas. Mas com a espuma de mussarela de búfala orgânica então… é de encher os olhos de lágrimas! Nada como a perfeição.

boladericotta

Bolas de ricota de búfala defumada, com raspas de limão siciliano e servida com um consomé de peixe. Leve, fresco, outra incrível combinação de queijo e peixe.

risotto

Risoto (feito com arroz carnaroli orgânico), carne de caça (Alfonso passa todos os anos alguns dias na Mongólia caçando) e trufas negras

peixe

Cherne cozido no vapor com um molho feito com favas de baunilha, croquete de batatas e gengibre, manjericão e um zabaione feito com colatura de anchovas. A colatura é o líquido salgado que sai de uma pressão de anchovas, água, sal e azeite.

faraona

Carne de guiné, recheada com foie gras, servida com cenoura crocante e batata em uma redução de vinho da região

sobremesalimao

A sobremesa foi um creme de limão siciliano servido dentro da própria casca do limão, com uma fatia fina de limão seco, um gomo de limão empanado (sério, fica incrível) e um massa patachou recheada com creme de limão. Uau!

Aguarde os próximos posts….

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Comidinhas na Itália Tags: , , , , , , ,
27/10/2009 - 17:37

Kaá de menu novo

“Me senti muito honrada e cheia de responsabilidade quando fui convidada pela Ale para ser repórter do Comidinhas na degustação do novo menu do Kaá, aquele restaurante do Itaim com salão enorme e, mesmo assim, gostoso, criado por Arthur de Mattos Casas e que tem uma parede que “reproduz” a Mata Atlântica com milhares de plantas.

 Os chefs Pascal Valero e Paulo Barroso de Barros (Due Cuochi) criaram novos pratos para a estação com sabores cítricos e opções leves. E foram algumas dessas novidades que fomos experimentar, harmonizadas com vinhos especialmente escolhidos para nós.

Como não tenho a deliciosa habilidade da Ale em descrever os pratos que come, espero que as fotos ajudem a passar o clima do nosso jantar.

Na entrada fomos recebidos com uma taça do Espumante Alma Negra Brut Chardonnay – Viña Tikal argentino, gelado na medida.

Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe
( na silhueta Marcelo Katsuki , um dos outros blogueiros convidados)

 Começamos com a cesta de pães, onde conviviam harmoniosamente ciabatas, focacias e baguetes, especialidades franco-italianas, uma característica dos menus da casa. Pastinhas, azeite delicioso e manteiga eram os acompanhamentos.
Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe

De entrada, chegaram camarões cozidos no ponto ideal acompanhados de aspargos frescos grelhados e um molho suave de tangerina com um toque de balsâmico. Seguimos com o espumante.

Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe

Em seguida, pescada amarela grelhada, fresquíssima acompanhada de fundos de alcachofra (daqueles bem gordinhos, que eu adoro!) deliciosos, com um molho “puxado” no vôngole. O conjunto era de total delicadeza. Para acompanhar, um vinho da Nova Zelândia, Saint Clair Vicar’s Choice, 2007, Sauvignon Blanc. Todos os perfumes da primavera na taça e na boca!

Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe
As taças foram trocadas e entrou em cena o Montes Alpha Pinot Noir 2007, Viña Montes do Chile. Foi servido na temperatura perfeita! (Mas aqui as promessas da taça não se cumpriram na boca!)

Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe

Acompanhava a costela de vitela grelhada, super macia e saborosa, rosada como tem que ser. Adorei os mini legumes servidos junto, especialmente o bulbo de erva doce, bem firme e docinho, raramente servido cozido nos restaurantes daqui. O toque final era uma farofinha cítrica com raspas de limão siciliano e cristais de “sal de limão”.

Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe

Chegamos felizes na sobremesa. Mil-folhas com recheio de creme patissière aromatizado de baunilha, acompanhado de frutas vermelhas e uma calda com um quase nada de açúcar. Casamento perfeito! Ainda mais com o vinho escolhido para a harmonização: um colheita tardia, quer dizer, um vinho doce especial para sobremesas, aqui, o português da Real Companhia Velha,  Grandjó Late Harvest 2005.

Comidinhas_Kaá_Tanya Volpe

Finalizei com um chá de hortelã natural, que acabou de embalar minha alma para o caminho de casa. (que, pena, eu esqueci de fotografar…)”

Por Tanya Volpe , blogueira convidada, “emprestada “do Fifties

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Restaurantinhos Tags: , , , , ,
22/10/2009 - 11:43

Novos livros nas prateleiras

Algumas dicas de alguns livros recém adquiridos:

“Gourmet”: tá, quase todo mundo já falou dele, é um mangá com 18 histórias de comida. Lindo, divertido e muito bem feito porque você fica com vontade de provar absolutamente tudo. O personagem de todas as histórias é um vendedor/representante. Ele vai visitar seus clientes em diferentes regiões do Japão e, seja qual for o horário do dia, sempre fica com fome. Aí vai se aventurando por pequenos restaurantes, lojas, doceiras e até comida de rua. Tipo “lugares secretos”, como o livro do Comidinhas. Cada lugar, uma descoberta. Você sempre fica achando que ele vai se dar mal, que o ambiente é esquisito, as pessoas são estranhas. Mas, claro, no final, sempre dá certo. Aí ele vai narrando os pratos, as misturas que faz deles, como pede acompanhamentos, como provar cada um. É quase um pequeno guia para conhecer e entender a culinária japonesa. Só que feito de maneira mais divertida, em que você tem que ler de traz pra frente.

Gourmet, de Jani Taniguchi e Masayuki Qusumi.

 

Pequeno Livro da Cozinha – Guia para toda hora. Desde que esse pequenino livro de bolso das meninas do Rainhas do Lar chegou na minha casa, eu ando com ele mesmo na bolsa. E cada vez que tenho uns 5 minutos, tipo espera no médico, sozinha num restaurante etc., eu começo a folheá-lo. Virou um vício. É a idéia mais fofa de livro de cozinha dos últimos tempos. Elas reuniram em uma palma da mão: dicas de utensílios que toda boa cozinha deve ter, como deve ser seu ambiente, boas práticas, higiene, pré-preparo dos alimentos, cuidados básicos, economia doméstica, como planejar o cardápio, como montar a lista de compras, cozinha ecológica, como aproveitar tudo de cada alimento, receitas básicas (de arroz branco e feijão a ovos mexidos) e como montar a mesa. A idéia é tudo fácil, mas bem gostoso, como a gente quer, aliás, para agradar dentro de casa e os amigos.

 Pequeno Livro da Cozinha – Guia para toda hora, Fabiana Zanelati e Kátia Najara

 

Cora Coralina – Doceira e Poeta: esse é obrigatório para quem tem qualquer amor por comida e por literatura sobre comida. O livro tem lindíssimas fotografias dos famosos doces da poeta Cora Coralina e também de Goiás Velho, a terra onde viveu boa parte de sua vida e onde existe hoje seu centro cultural. E mescla trechos de seus poemas com receitas que você quer sair correndo para fazer. Eu tenho um pouco de implicância hoje com essa “literatura gastronômica de avó”. Não que eu não goste de comida de avó, muito pelo contrário. Mas é que hoje tudo virou “minha avó fazia”. Mas, nesse caso, é perfeito! Uma avó que, como a minha, fazia doce de abóbora com cal, para criar a casquinha crocante, e ainda ambrosia, cocada de fita, mãe Benta, bombocados, doce de figo verde….. sempre em tachos de cobre e  embrulhados em caixas de papelão com celofane, fechadas com fitas. E ainda escrevia versos lindos e de uma simplicidade e elegância comoventes.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/10/2009 - 11:44

Croquetes, pastéis e filé à milanesa da Beth

Posso dizer? Ninguém faz uma fritura como a Beth, do Beth Cozinha de Estar. E eu adoooooro uma friturinha. Dá uma olhada nos mini croquetes de carne que tinha lá na sexta-feira: super sequinhos, sem excesso de óleo, crocantes, macios por dentro, bem temperados… 

croquete_beth

Aliás, sexta é dia também do sensacional filé à milanesa, com molho de tomate e telha de parmesão. Eu evito até  passar pela porta, ou vou sair de lá com quilos a mais.

Viu os croquetes?  Então nem vou falar do mini bolinho de arroz e dos pastéis: ambos pequeninos, crocantes e divinos.

Beth Cozinha de Estar: rua Pedroso Alvarenga , 1061, Itaim, São Paulo.  Tel (11) 3073-0354

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Restaurantinhos Tags:
16/10/2009 - 10:46

Le Marais: cassoulet e a melhor sopa de cebola

Já falei aqui antes do Le Marais, restaurante francês do chef Paulo Barroso Barros (Due Cuocchi). Mas eu ainda não tinha provado o seu cassoulet e sua sopa de cebola.

Sexta-feira é dia de cassoulet no almoço executivo servido pelo restaurante.

lemarais_cassoulet

Aqui é feito com carne de pato, costela e linguiça. Delicioso, mas incrivelmente leve, dentro do possível, é claro. Perfeito para um dia com ventinho frio como hoje.

Antes do cassoulet é servido como entrada um ovo pochê com espuma de manjericão. Nunca tinha provado essa mistura, mas fica sensacional.

lemarais_ovopocheeespumaman

Agora, divina mesmo foi a sopa de cebola que minha amiga pediu e eu ataquei, de tão boa. A melhor que já provei aqui em São Paulo.

Ela é servida com um pão folhado e vem assim:

lemarais_sopacebola_antes

Quando você quebra a casquinha do pão fica assim:

lemarais_sopacebola_depois

E aí você pega a colher e não para até acabar.

Então, está esperando o que?

Le Marais: r. Jerônimo da Veiga, 30, Itaim, São Paulo. Tel.11 3071 2873.

O almoço, com uma taça de vinho. Sai em torno de R$ 60.

Encontrei na internet duas receitas boas: a de sopa de cebola do Olivier Anquier e a do cassoulet do restaurante La Casserole.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Restaurantinhos Tags:
15/10/2009 - 19:06

Um dia na Fantástica Fábrica de Chocolates da Carole

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Domingo tem festa no La Vie en Douce.  A chef Carole Crema vai abrir sua “fantástica fábrica de chocolates” para 150 crianças sortudas que poderão fazer seus próprios doces, comer mini cachorro-quente e mini hambúrguer do Buffet Arroz de Festa e brincar a tarde toda por lá.

Quem quiser participar precisa reservar sua vaga pelo telefone 3088-7172 e levar um brinquedo que será doado para a Associação Criança e Consciência, que atende 250 crianças e jovens em situação de risco social, residentes no Capão Redondo (zona sul de São Paulo). E nos dias 17 e 18 de outubro, toda a renda gerada pela venda de cupcakes na La Vie en Douce será doada para a instituição. É realmente para se jogar nos doces sem culpa :)

La Vie en Douce: rua da Consolação, 3161, Jardins, São Paulo. As inscrições podem ser feitas até amanhã pelo telefone 3088-7172.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Restaurantinhos Tags:
14/10/2009 - 19:13

A mousse, as batatas e o filé do L´Entrecôte

Fui hoje conhecer o L´Entrecôte de Ma Tante, o novo restaurante de Olivier Anquier, que serve um só prato: o entrecôte, parte da bisteca do contra-filé, com um molho especial “da tia Nicole” e batatas fritas.

A única opção aqui é escolher o ponto da carne e a bebida. Escolhi a minha ao ponto. Recebi como entrada uma salada de folhas verdes, com nozes picadas e molhinho feito com mostarda.

Depois, veio o filé, com o tal molho secreto, que com certeza tem bastante manteiga, mostarda e talvez zaatar. E é servido com batatas fritas, bem fininhas e crocantes, exatamente do jeito que eu gosto. Melhor ainda que um garçom fica o tempo todo passando com uma travessa cheia delas, para repor seu prato quantas vezes desejar.

entrecote_file

Dá pra ver que adorei as batatas. Mas nem tanto o filé e o molho. Sei lá, por ser o único prato da casa, esperava algo super ultra mega especial. E era um filé gostosinho. Só. Mas não tão macio quanto eu imaginava. E, tá bom, achei o molho pesado. Depois, “conversei” com ele algumas horas durante a tarde.

Agora, feliz mesmo me fez a sobremesa: o Royal de Chocolate. Uma mousse servida assim:

entrecote_potemousse

Ela é colocada no seu prato em colheradas generosas, até você pedir para parar.

entrecote_mousse

Na primeira colherada, a amiga que me acompanhava, colocou na boca e depois pediu “1 minuto de silêncio por todas as outras mousses que já comeu na vida, coitadas”. Demos uma gargalhada e devoramos. Aliás, aconselho muito você pedir o café junto. Porque colocar na boca uma colher de mousse e depois dar um gole no café amargo é tudo!!!

O almoço com salada, entrecôte com fritas, mousse e refrigerante saiu por R$ 54 por pessoa.

L´Entrecôte de Ma Tante: rua dr. Mario Ferraz, 17, Jardim Europa. Tel. 11 3034-5324.

Autor: Alessandra Blanco - Categoria(s): Restaurantinhos Tags: , , ,
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