Os mais caros do mundo
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Na semana passada, o Senado aprovou um aumento salarial de 5% para os integrantes dos Tribunais superiores (STF, STJ, TST, STM etc.). A proposta já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados.
Com o reajuste, cada ministro passará a receber imediatamente R$ 25,7 mil por mês e, a partir de fevereiro do ano que vem, R$ 26,7 mil.
Como, no Brasil, vigora o princípio idiota da isonomia, e como por “isonomia” se entende que qualquer ato que implique distinção dentro da mesma categoria seria ilegal ou no mínimo injusto, disso resulta que há muita dificuldade em se aplicarem políticas salariais localizadas para melhorar situações localizadas. De forma a melhorar a situação de alguns, é em geral necessário premiar outros que não deveriam ser premiados.
Esses princípios isonômicos por vezes estão gravados em pedra na Constituição. No caso do Judiciário, significam reajustes automáticos em cascata. Assim, o reajuste de ministros das Cortes superiores produz automaticamente aumentos para toda a magistratura federal e estadual e para todos os Ministérios Públicos.
Havendo aumento dessas categorias de funcionários, as demais categorias de agentes federais imediatamente reinvindicarão reajustes. Com isso, o ano de 2010 tenderá a ser marcado por negociações e greves. Sendo ano eleitoral, é provável que o governo procure evitar balançar o barco, de modo que os representantes do Ministério do Planejamento se sentarão à mesa de negociação em posição defensiva.
Este que escreve não tem dúvidas de que diversas dessas categorias estão com salários defasados e que aumentos, para estas, venham a ser justos.
O que não é de forma alguma claro é que isso seja verdadeiro para toda e qualquer categoria.
Em particular, será que senadores, deputados federais e estaduais e vereadores merecem aumentos?
Na opinião de diversos deles, merecem. Ninguém melhor do que o senador Romero Jucá para exprimir a “tese”, conforme despacho do Consultor Jurídico:
Assim que o projeto foi aprovado, começou na CCJ uma discussão sobre concessão de aumento também para o Legislativo e o Executivo. O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu a equiparação salarial entre os Poderes. “Não tem sentido um juiz ganhar mais do que o presidente [da República], um senador, um deputado, um ministro”, disse. “Deveríamos ter coragem de fazer com que os tetos fossem equiparados”, completou.
Ou seja, ao aumentarem os salários dos ministros de Cortes superiores, diversas excelências no Congresso miravam o seu próprio bolso.
O caso dos parlamentares brasileiros é particularmente grotesco.
Conforme estudo da Transparência Brasil, os senadores e deputados federais são os mais caros na comparação com seus colegas de sete outros países: Chile, México, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália.
Considerando-se salários e outros estipêndios (como verbas “indenizatórias”, dinheiro para viagens e outros), um senador brasileiro custa em termos reais mais de três vezes o que custa um senador chileno para o contribuinte daquele país e cerca de 8,4 vezes o que pesa um senador francês no bolso do cidadão ao qual serve.
Cada deputado brasileiro, por sua vez, custa para o cidadão duas vezes mais do que seu correspondente norte-americano, 5,5 vezes mais do que um alemão, seis vezes mais que um
francês e 6,5 vezes mais do que um britânico.
Sugere-se ao eventual leitor a leitura do estudo, em que tudo isso é detalhamente explicado.
Não contentes em serem os mais caros do mundo civilizado, nossos parlamentares querem mais, sempre mais.
