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22/09/2009 - 08:32

Babel inútil

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Regras deste blog. Apenas se aceitam comentários de pessoas que se identifiquem com nome e sobrenome, ou para as quais o sobrenome esteja explicitado no endereço de e-mail informado no formulário de submissão. Não se aceitam comentários incivilizados. Tampouco este espaço se presta a manifestações provenientes dos porões político-eleitorais. Não se aceitam comentários sobre estas regras.

A noção de que a Internet seria um ambiente propício ao debate (e à propaganda) eleitoral levou à adesão de muitos políticos ao Twitter.

Como a tuitolândia é um mundaréu, ao menos duas iniciativas surgiram para concentrar referências a tuíteres de políticos: o Politweets e o Discurso Político.

Em ambos os casos, o interessado deve cadastrar-se no domínio. Isso feito, suas emissões tuiterescas passam a ser reproduzidas ali.

Em tese, imagina-se que internautas buscarão as opiniões, postulações, anúncios etc. dos autores.

Navegando-se através dos dois sítios descobre-se que (por exemplo):

  • A governadora Wilma Faria, do Rio Grande do Norte, agradece a Xanxan, presidente da Câmara de algum lugar, a proposição de um título qualquer a ela, governadora.
  • O governador José Serra, de São Paulo, faz saber que achou horrível a refilmagem (?) de Stepford Wives (???) com Nicole Kidman e Glenn Close.
  • O deputado estadual paulista Simão Pedro faz saber que a Folha de SP publicou o que, afirma ele, já denuncia há tempos: “A Política Habitacional Tucana é um Fracasso”! Pouco antes, havia dado conta do seguinte: “Chegando em Heliópolis para visitar lideranças comunitárias e conhecer projetos sociais, ao lado de Raimundo Bonfim. A comunidade é de luta”.
  • A vereadora recifense Aline Mariano informa que “Amanhã estarei na comitiva do senador Sérgio Guerra, seguiremos para Petrolina”; também “Muito prestigiada a cerimonia de 60 anos de casamento dos queridos Armando Monteiro Filho e Maria do Carmo”.
  • O vereador Bira do Banco, de São José dos Pinhais (PR), noticia: “Participando da VII Conferencia Municipal de Assistencia social”.

E por aí vai, num nunca acabar de trivialidades, auto-elogios, roteiros de visitas, elogios aos companheiros de partido e espetadelas previsíveis nos adversários.

Será que alguém de fato teria tempo e paciência de “acompanhar” tamanho amontoado de inutilidades?

É óbvio que o eleitor, em nome do qual essa coisarada toda está sendo feita, não se informará sobre coisa nenhuma, pois o que aparece é: a) autopropaganda; ou b) antipropaganda.

Tampouco se debaterá algo, pois não é cabível discutir-se qualquer assunto nessas emissões microscópicas.

O que decerto esses tuíteres conseguirão será (e já é):

  • Empregar uma porção de “assessores” para escrever aquilo tudo; embora alguns políticos talvez escrevam eles próprios as trivialidades que saem em seus nomes, não é crível que alguém que tenha algo a fazer na vida possa dedicar horas e horas de seu tempo a inventar bobagens para exprimir em dez palavras a cada hora ou coisa assim; quem paga o salário desses “assessores” somos, evidentemente, nós outros;
  • Estimular empreendimentos comerciais em torno dos tuíteres;
  • Gerar oportunidades para que empresas, associações etc. contratem conferencistas profissionais para filosofar sobre “participação cidadã”, “a liberdade da Internet” etc. e tal;
  • Gerar matérias sobre a mesma coisa.

A saber, isso de tuíteres na política não passa de operação comercial em benefício de “comunicadores”.

Para além dos tuíteres, políticos também produzem blogs em seu próprio nome, ou os patrocinam indiretamente.

Nesses existe a possibilidade de se exporem idéias e propostas sem limitações de espaço. Em tese, ao menos, o visitante poderá interagir com os candidatos e entre si por meio de comentários.

Em tese, friso. Pois a chance é que esses espaços de comentários sejam invadidos pelos vândalos que compõem uma grande parcela do público internauta “engajado”.

Não há dúvida de que cada candidato arregimentará ou contratará os seus próprios vândalos para poluir os blogs dos adversários.

Na observação que li outro dia de um sociólogo italiano, a Internet não é uma comunidade, é só um amontoado de gente desconexa.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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14 comentários para “Babel inútil”

  1. Claudio, muito bom este artigo. É preciso acrescentar que dificilmente alguém vai ampliar a leitura dos post por mais de 3 vezes. Ou seja, quem está seguinto 200 pessoas dificilmente lerá o que todos eles escreverão, pois alguns, especialmente os desocupados, costumam postar a cada minutos baboseiras ridiculas. Por exemplo, eu seguia o twitter do jornal nacional e a cada meia hora aparecia a linda carinha da Fatima Bernardes gritando URGENTE para informar algo sem importância, desqualificando o serviço.

  2. Não sou tão pessimista quanto ao twitter. Em alguns casos, o twitter é uma boa ferramenta de divulgação e também para acompanhar o que eles estão fazendo. No meu caso, sigo um ou outro político a quem talvez dê meu voto. Quem não levo a sério, não me dou o trabalho de seguir.

  3. O problema, meu caro, é que se os políticos começarem a falar o que realmente pensam e a “serem eles mesmos”, pode acontecer com eles o que tem acontecido com muitos “ídolos” do mundo artístico, que perdem fãs por mostrarem seus mundos e mentes vazias, mas reais.

  4. Lombardi . disse:

    Abramo.

    Ontem eu estava bisbilhotando os canais de televisão aqui e ali porque é tudo uma porcaria só e muito pouca coisa se aproveita e acabei caindo na TV senado justamente no momento em que um dos senadores acabara de falar. Nisso a câmera focalizou o presidente da mesa que era o senador Mão Santa e qual não foi a minha surpresa ele estava dormindo e quase babando em cadeira tão confortável.
    Foi hilário e cômico o momento e o susto que o senador teve quando percebeu tamanha gafe.
    Não digo isso para menosprezar este ou aquele, mas nesses momentos é que percebemos como eles levam a coisa a serio.
    Se fosse um trabalhador comum que o patrão descobrisse dormindo durante o trabalho pegaria no mínimo uma advertência um gancho e mais provavelmente seria dispensado, e como ele é nosso empregado você não acha que merece pelo menos uma boa advertência?
    Aí podem dizer que ele já é idoso ou estava cansado e etc e tal, mas um patrão geralmente deve escolher bem seus funcionários e deve ser exigente no cumprimento de suas tarefas por isso espero que os que o escolheram prestem atenção na próxima contratação (eleição).
    Eu penso que não escolherei ninguém porque até agora só me apresentaram políticos incapazes e profissionais de nível ruim alem de não me passarem confiança, ou seja: desonestos.
    O que me deixa mais irritado ainda é a troca de confetes e elogios baratos de parte a parte, é ordinário o tratamento e o desrespeito pela inteligência da sociedade, é uma banalidade e por qualquer assunto dos mais corriqueiros é tanto galanteio tanta amabilidade tanta meiguice que chega ao cômico e truanesco.
    Desculpe-me estar saindo um pouco do tema mais não estou tendo mais paciência ao ver tanta imoralidade, improbidade, cinismo, cilada e autopromoção de políticos e grupos de políticos sem pelo menos desabafar um pouco.

  5. Bethoven Soares Darcie disse:

    Concordo! Prefiro continuar lendo os blogs que contenham análises e com os quais podemos interagir de alguma forma. Caso existisse um sítio onde pudéssemos ler sobre o passado, realizações e projetos políticos, além de criticar pontos com os quais não concordemos seria ótimo. Mas acredito que isso é uma utopia da atualidade,,, Infelizmente.

  6. Olá caro Claudio! Você foi muito rápido em deixar claro nosso objetivo em expor o que os políticos falam no Twitter!

    Um de nossos objetivos é mostrar o mau uso do Twitter por esta classe que o adotou Obamaníacamente!

    Ah! Obrigado pelo link.

  7. marcos nunes disse:

    Acho que toda essa tuitagem tem o alcance tão curto quanto os 140 máximos caracteres. Mania que cairá em desuso depois que as pessoas cansarem da sopra de letrinhas contínua e tão insossa quanto se fosse feita só com água e batatas.

  8. Reginaldo Gadelha disse:

    Prefiro ler alguns blogs que perder tempo com tuitagem.
    A maioria dos candidatos só escreve “abóboras”, relatos de fatos que não acrescentam nada a nossas vidas.
    Acho que isso de tuitar vai ficar meio devagar por falta de leitores, claro que exatamente pq o que lá está escrito não diz nada, nem faz falta.

  9. Rinaldo disse:

    Meu caro Cláudio

    Cada dia mais eu me convenço que há pouquíssima vida inteligente na internet.
    Já não bastavam os blogs, redes de relacionamentos, orkut ? Cria-se mais essa ferramenta (?) para disseminar ideias ou baboseiras e tem um monte de gente acompanhando diuturnamente essas coisas… realmente é muita falta do que fazer…

    Abração

  10. MONICA RODRIGUES disse:

    Cláudio, essas coisas completamente sem importância atraem muita gente, mas creio que apenas quando se trata do mundo de fofocas e do entretenimento. O twitter em termos de política vai ser o que você mesmo disse: um bom mercado para quem trabalha com comunicação. Não há nada de ilegítimo nisso, claro que não. Mas os políticos não vão mudar ou melhorar, ou ainda ficar mais transparentes com essa ferramenta.
    Todo mundo agora , na área politica, está se achando Obama, chega a ser ridículo. E alguns caem no ridículo de fato, por suas ações concretas veiculadas no twitter ou não, como o Mercadante.
    Duvido que quem queira ser iludido vá votar ou deixar de votar com base nisso. Claro que não! Vamos ver o resultado após as eleições deste ano. A Tv e o rádio e a repercussão dos fatos politicos, estejam onde estiverem, é que vão dar a tônica.
    Vargas mesmo foi uma vítima dessa reprodução da notícia de forma implacável, e não precisou de internet não, bastou a televisão e a mídia contra ele.
    Pelo que pesquiso, só vi até hoje um político sobreviver a essa fúria implacável da imprensa : o presidente Lula. Mas como disse Obama, ele é “o cara”.

  11. Ronaldo José T. Carvalho disse:

    Já estava me sentindo um ET por não achar a mínima graça nessa mania da tuitagem, de ser seguidor desse ou daquele artista, político, o que seja. Vejo pelos comentários aí que não estou sozinho. Se quer ser informado, debater algo com conteudo, procure um blog onde pelo menos possa expressar seu pensamento sem precisar de ofensas grosseiras contra niguém, mas criticando ou defendendo pontos de vista com argumentos, com inteligência, com ironia, com humor.

  12. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Claudio Weber Abramo,
    Eu diria que se trata do paradoxo da informação: muita informação é informação de menos.
    Eu cheguei a essa constatação muito antes da internet e muito antes de se preocupar com o que era chamado sistema de informação gerencial. Chequei a essa constatação por outras vias. No início da década de 70 li uma frase de Mary McCarthy: “An open mind about Vietnam has no mind at all”. Estendi a frase para qualquer assunto e dei à frase estendida dois siguinificados. Um, em relação a imparcialidade, ao considerar que era impossível ser imparcial. Resumidamente: “a mente imparcial é a mente vazia”.
    O outro sentido referia ao acúmulo de conhecimento. Era como conhecer os infindáveis lados da questão. O ser humano toma decisões baseando-se em informações sobre o assunto sujeito à decisão. Se ele for sopesar todas as informações ele vai até as calendas gregas, pois sempre haverá uma informação que precisa ser considerada. Isso significa que ele toma a decisão muito antes de considerar todas as informações. Se o homem fosse um computador talvez não fosse impossível sopesar todas as informações. Para o ser humano se ele for considerar todas as informações, quanto mais ele obtiver de informações, mais ele se afastará do momento da decisão. Ver os infindáveis lados da questão é também não ter mente nenhuma.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 25/09/2009

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