iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
11/08/2009 - 11:28

Na educação, como na guerra

Georges Clemenceau, que foi primeiro-ministro francês por duas vezes, antes e no final da Primeira Guerra Mundial, dizia que “a guerra é um assunto importante demais para ser deixado aos militares”.

Igualmente, educação é assunto por demais relevante para ser deixado a professores.

Militares são a mão de obra da guerra. Professores são a mão de obra da educação.

Faz-se a guerra para atingir objetivos que não precisam ser compreendidos pelos soldados. Se estes entendem os objetivos, melhor. Mas isso não é necessário.

Igualmente, educa-se para atingir finalidades que professores não têm necessidade de entender. Se compreenderem, melhor, mas isso tampouco é de fato necessário.

Uma característica comum a qualquer sociedade é a escassez de recursos. Há sempre mais demandas do que recursos disponíveis. Decisões precisam ser tomadas.

Essas decisões são tomadas com base numa multiplicidade de fatores — nem todos meritórios, é claro.

O processo segundo o qual se tomam decisões dessa natureza inclui (não exclusivamente) a formação do Orçamento. O Executivo monta uma proposta orçamentária que o Legislativo emenda e aprova.

Outro processo é a formulação de políticas, que geralmente justificam as propostas orçamentárias, mas nem sempre. Com o mesmo recurso destinado, digamos, ao saneamento básico, podem-se fazer diferentes coisas. Quais coisas se farão são fruto de decisões estratégicas.

(Antecipando observações de cultores da “democracia direta”, se todos ou uma grande parte dos interessados em áreas diversas pudessem eles mesmos decidir sobre quanto do Orçamento será destinado à “sua” área, o resultado seria a esquizofrenia, com todo mundo puxando cordas em direções incompatíveis entre si, sem resolução possível.)

Uma das tragédias do problema educacional brasileiro é a baixa compreensão que se tem a respeito dos objetivos da educação.

Nenhuma sociedade investe em formação de pessoas para o nada. Alfabetizar, ensinar álgebra, guiar aprendizes na leitura de obras literárias, ministrar cursos de cálculo ou de mineralogia ou de biologia molecular demanda recursos.

No terreno educacional, só existe uma possível motivação para dimensionar esses recursos: a necessidade de dispor de pessoas capacitadas a exercer as diferentes funções que o mercado de trabalho futuro demandará.

Qual é o mercado futuro de recursos humanos que se antevê para o Brasil? (Aliás, não entendo por que a expressão “recursos humanos” seria preferível a “mão de obra”. “Recursos humanos” trata humanos como “recursos”, ou seja, coisifica as pessoas; enfim, essas vogas de correção política não valem o desgaste do teclado que provocam.)

Não se antevê nenhum. Desde a redemocratização, particularmente após Collor e FHC e Lula, desconhece-se no Brasil o que seja planejamento. Disseminou-se no país a idéia de que os rumos da economia devem ser deixados ao “mercado”, com o resultado de que o Brasil se desindustrializou.

O Brasil aproveita suas grandes extensões de terras para produzir commodities agrícolas com baixíssimo valor agregado e exporta minérios semi-beneficiados. Ah, também exporta aviões. O pensamento “patriótico” apresenta esses aviões como produto da “indústria nacional”. Coisa nenhuma. A Embraer não passa de uma montadora que importa tudo o que é importante para um avião voar.

Aquilo que passa por “indústria” no Brasil é, no mais das vezes, uma montadora ou grudadora de etiquetas em produtos fabricados alhures. É comércio, não indústria.

Um dos resultados da desindustrialização e da virtual unanimidade na predileção por soluções compradas feitas é o desaparecimento da capacidade de inventar.

Quem tem talento e capacidade para inventar não trabalhará em empresas brasileiras. Será exportado para países centrais, pois no Brasil inventividade balança o barco e é mal vista.

O mercado de trabalho não tem necessidade de pessoas qualificadas em grande número, e a capacidade de inovação não é uma característica que se valorize nas pessoas, muito ao contrário. O mercado de trabalho demanda indivíduos capazes de cumprir ordens, reproduzir tarefas rotineiras, repetir o que o seu dono mandar.

Como é isso o que o mercado de trabalho demanda, é para isso que o sistema de ensino é planejado e é isso que o sistema entrega.

Esse estado de coisas não se alterará por exortações baseadas na cidadania etc. Somente se alterará por modificação das perspectivas de futuro da economia.

O que professores pensem a respeito é irrelevante.

Se houver projeção de que daqui a vinte anos o mercado de trabalho demandará 100 mil engenheiros metalúrgicos por ano, então o sistema educacional será alterado para isso, e os professores, em seu papel de mão de obra do sistema, terão de fazê-lo. Aqueles que não conseguirem fazê-lo serão substituídos.

Assim é que funciona.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

113 comentários para “Na educação, como na guerra”

  1. Cristina disse:

    A educação poderia ser dirigida para potencializar o talento do indivíduo, mas aqui no Brasil há uma alienação professor /aluno, o professor não sabe o porquê de estar ensinando e o aluno não sabe porque está aprendendo, a escola parece sem sentido. A vida é sem sentido! A educação brasileira não capacita ninguém, a maioria é analfabeta funcional, não tem capacidade para compreender textos mais complexos.
    É difícil tocar uma empresa no Brasil. Tenho uma vizinha que teve muitas facilidades em Portugal e aqui no Brasil está encontrando muitas dificuldades para abrir uma empresa, ficou até doente. Abrir empresa é difícil, patentear uma invenção também é uma burocracia inacreditável, o empreendedor se dá melhor no exterior, tanto que nossas fábricas de calçados estão se mudando para a China.

  2. keilon disse:

    Parabéns cláudio pelo texto,todos sabemos que no brasil educação é investimento de segunda classe,e que o sistema educacional está falido até ai todos entendem mesmo os professores,quando voçê toca na feridas deles eles te criticam e pedem pra se calar por que não querem fazer parte de um sistema onde eles são uma peça fundamental e que está falido. O brasil tem formado milhões de analfabetos diplomados nos últimos anos,comparando com o nosso pais estão todos muitos bem, mas o mundo está globalizado ai meu amigo esses diplomados lá no exterior são lavadores de pratos.

  3. Cristos Kokkinos disse:

    A dupla FHC-LULa retiram do orçamento 100 bilhoes que eram da educaçao:a culpa e dos professores! Superfaruram a merenda em Sao Paulo:a culpa é dos docentes!Escolas caindo em pedaços no Brasil todo:a culpa é do magisterio!ABRAMOSOLHOS!!!!

  4. Guilherme disse:

    Lembram da tirada:

    “e’ a politica estupido!”

    depois veio

    “e’ a economia estupido!”

    E a educacao? a educacao e tudo. Tudo. Podemos fazer todas as reformas que transformacoes em qualquer pais do globo com educacao, pesquisa.

    A Irlanda e um bom exemplo.

  5. José Anisio Vieira Guimarães. disse:

    Em seu livro, “Igreja carisma e poder, o Frei Leonardo Boff também igualmente o Senhor colocou na parte final de seu texto a sua opinião, que, infelizmente todo cargo de Professor é um cargo politico e que somente serve para amortecer quem está lá em baixo: a grande massa pobre da população com que está lá em cima , no poder, essa grande corja de políticos corruptos deste país. Pro outro lado eu acho que é um banditismo muito grande qualquer cidadão, qualquer que seja, querer menosprezar a classe de professores já tão humilhada pela sociedade que aí está. Com um simples Projeto mandado ao congresso dos USA pelo Buch, foi aprovado o salário mínimo do professor que não pode ganhar menos de 3000 dólares. Eu quero ver se o Presidente Lula, que também é analfabeto, porque não tem curso superior é capaz de mandar um projeto desta envegadura e ter a aprovação daqueles anafa de Brasília que só sabe enfiar a mão do bolso dos cidadãos…

  6. Gil BH disse:

    QUANTA SUJEIRA DEBAIXO DO TAPETE DA GLOBO ! PRIMEIRO FORAM ALIADOS DOS MILITARES EM 1964 E AGORA CRITICAM OS MESMOS, DEPOIS PEGARAM MILHÕES EMPRESTADO DO GOVERNO FEDERAL PARA AMPLIAR A EMPRESA E NUNCA PAGARAM, POR FIM INVADIRAM O TERRENO AO LADO DE SUA SEDE, NÃO PAGARAM, E SE APROPRIARAM DO MESMO E CRITICAM OS SEM-TERRA. VÃO FALAR DISSO NO JORNAL NACIONAL TAMBÉM ?

  7. Rodolfo Vianna disse:

    Impressionante…

  8. Paulo Maciel disse:

    Acredito que o que os políticos vêem nos brasileiros, são pessoas com seis braços e nenhum cérebro. Primeiro, tapa-se os olhos, depois os ouvidos e por última a boca. Cérebro pra quê?
    O povo aceita tudo, e depois criticam os argentinos (os mesmos que se tapam) quando saíram ou saem ou sairão às ruas num panelaço.
    Temos evidências que a política brasileira é cheia de caudas, e todas presas.

  9. Ruy rocha disse:

    Vou reler este nebuloso artigo. Quem sabe eu consiga perceber os argumentos sutis que sutentam o seguinte axioma: “os professores não devem dar opinião a respeito das políticas públicas destinadas a educação”.
    Tal afirmação é simplesmente ridícula… Toda a sociedade deve participar da gestão da educação, em especial os professores.

  10. Gilberto Rodrigues disse:

    Parece que fui exonerado do blog…

    De qualquer maneira vou tentar me manter vivo e democraticamente aceitando os critérios do proprietário do espaço.

    O PSDB atravéz do seu presidente Sergio Guerra diz que a partir de agora os tucanos vão mudar de estratégia e deixar as críticas de lado. Sei que sou apenas um “quase” velho chato e ultrapassado, mas venho dizendo isso a anos, ou seja o PSDB tem que apresentar projetos, programa de governo, um “candidato” e soluções cabíveis e viáveis, caso contrário vão eleger Dilma ou um poste…

    Estranho essa mudança de posição de forma radical, já que não se muda de opinião de um dia para outro, deixando as idéias antigas ao léo. Claro que isso tem uma rzão, mas um preço.

    Fazer sangrar foi a pior idéia que os tucanos tiveram (FHC) e já deverião ter mudado a estratégia a muito tempo, inclusive de interlocutor já que Guerra, Tasso e principalmente Virgílio estão mais do que “queimados” na mídia.

    Sr. Abramo , penso que a nossa obrigação enquanto democratas e “apartidários” é esclarecer e cobrar ações desse nível. Os fins não justificam os meios e por isso defendo a candidatura de Aécio que desde o princípio tem mantido uma crítica responsável a Lula.

    É o meu candidato.

  11. olga medeiros recife/ pe disse:

    estive pensando, estes diversos desvios do nosso dinheiro aonde estão??????? a toda hora na imprenssa estoura um desvio e depois fica naquele lenga lenga e nada é tratado sobre o retorno da importancia roubada. não tenho duvida que os processos sobre estes casos (varios) por conviniencia dos politicos, estão corrente naquele ritmo (quase parando) para ganhar tempo, mais assim mesmo gostaria que a imprensa se possivel corresse atraz.

  12. Paulo César Lopes de Sousa disse:

    Numa primeira leitura da postagem tive sentimentos conflitantes. Transitei entre o espanto, a concordância e a indignação. Num primeiro momento fiquei chocado com a crueza do raciocínio e com o reconhecimento como fato concreto de muitas assertivas, mas também indignado porque como professor não aceito me enquadrar naquela linha de raciocínio.
    Estes sentimentos me levaram a outra leitura, menos superficial, para embasar um posicionamento crítico equilibrado.
    A citação a Clemenceau com o adendo do próprio Abramo, em principio, parece um posicionamento preconceituoso. O que há de comum na comparação: a vida e o futuro! Então, genericamente diz respeito a todos por afetar a coletividade, mas sempre que diz respeito a todos não diz respeito a ninguém – o todo é caótico e cada qual por pensar egoistamente produziria tensões irreconciliáveis. Havendo por correspondência a inércia ou o caos. Pelo bem ou pelo mal há a necessidade de especialistas ou daqueles que chamam a responsabilidade para si ou que são remunerados para este fim sob a égide de um poder aceito ou coercitivo. O próprio Abramo comete inadvertidamente a contradição ao reconhecer o problema da democracia direta.
    A comparação entre soldados e professores, em particular, sobre a capacidade de compreensão de seus objetivos e finalidade é errônea. A finalidade é plural. O soldado sabe o objetivo principal: vencer o inimigo e cumprir missões. As razões são de conhecimento dos planejadores (generais). Os professores idem aos soldados. Sabem o objetivo principal. Se outras finalidades existem são de competência dos gerentes (diretores e executivos). O questionamento sobre finalidades não deve ser imputada ao corpo executivo, mas ao corpo gestor e a eficiência da comunicação entre ambos.
    Sem dúvida é da natureza da sociedade capitalista existir mais necessidades do que recursos disponíveis. Este é o motor do progresso capitalista: necessidades insaciáveis de consumo. Deste modo, a sociedade se organiza tendo o orçamento como símbolo do pacto social e as políticas públicas como materialização deste pacto. Não há mistérios – em democracias ou não – há um pacto de poder, um jogo de poder onde os mais fortes estabelecem os rumos.
    Quando Abramo diz que uma das tragédias da educação nacional é a baixa compreensão quanto aos objetivos da educação. É necessário impor algumas questões: por parte de quem? Dos professores ou da sociedade? A questão não é a compreensão mas o comprometimento, que, numa sociedade capitalista e corrupta (como a nossa) é medida pelos ganhos econômicos, políticos ou sociais em jogo. Os professores têm compreensão de seu papel quanto aos objetivos da educação, mas podem não ter o comprometimento necessário. O mesmo vale para todas as outras funções públicas ou privadas em nossa sociedade.
    Abramo afirma que a educação opera na capacitação de pessoas para atender as demandas do mercado. É uma premissa ambígua: verdadeira e falsa. Verdadeira porque o produto final é a capacitação e falsa porque inexiste uma política pública de formação profissional na base. No caso brasileiro, a afirmação de Abramo, teria maior validade se o sistema de ensino houvesse se mantido e aperfeiçoado no foco à educação profissional. O que foi abandonado há uma década. E que pode vir a ser resgatado por interesses de mercado (da área educacional).
    Discordo quando afirma que não se antevê nenhum futuro para o mercado de recursos humanos. Não é de todo verdade. Vislumbra-se a discussão ou o embate entre os setores públicos e privados da educação quanto á formação de tecnólogos. Filão de interesse das escolas particulares! Ademais setores tradicionais do mercado de educação estão se saturando restando a fronteira da educação profissional.
    Quando afirma que desde a redemocratização se desconhece o que seja planejamento no Brasil. Parece sugerir a idéia de economia planejada! Conceito e prática que se demonstraram ineficientes face à concorrência do sistema capitalista. Existe planejamento no país. Pode se discutir os rumos e interesses desse planejamento e não a sua existência. O que não existe no país é pesquisa – inventividade – criatividade. Como o próprio Abramo posteriormente reconhece no texto, inclusive o autor é otimista neste ponto por afirmar o desaparecimento da capacidade de inventar. Creio que existe uma questão fundamental: quando nossa sociedade foi de fato inventiva ou criativa? Houve casos de alguns brasileiros. Mas, enquanto prática social?
    O autor praticamente conclui mostrando como o Brasil é:
    O mercado de trabalho não tem necessidade de pessoas qualificadas em grande número, e a capacidade de inovação não é uma característica que se valorize nas pessoas, muito ao contrário. O mercado de trabalho demanda indivíduos capazes de cumprir ordens, reproduzir tarefas rotineiras, repetir o que o seu dono mandar.
    Certamente concordo que tal estado de coisas não se alterará por exortações à cidadania, mas não concordo que irá se alterar exclusivamente por modificação das perspectivas econômicas. Penso que existe uma contrapartida que o autor não considera na analise. O aluno! A grande maioria é a própria responsável pelo fracasso do ensino e não porque não aprendam, mas porque não desejam. E isto não é uma questão econômica – é de modelo social e que extrapola a capacidade de qualquer professor.

    Prezado Paulo César: Obrigado pela leitura atenta e pelos comentários, orientados na direção que este blog pretende estimular, a saber, o contraditório (racional, é sempre bom frisar, embora contraditório irracional não seja contraditório). Enfim, há uma aparência de contraposição entre nossos pontos de vista, mas na verdade a contraposição não está de fato completamente exibida.

    Em primeiro lugar, eu afirmo que a modificação das perspectivas econômicas é condição necessária para a alteração das perspectivas educacionais. Você afirma que mudar as perspectivas econômicas não é condição suficiente para isso. Como afirmar a necessidade de uma condição não implica afirmar a sua suficiência, não há discordância. Haverá discordância se você sustentar que a economia não é condição necessária para a educação. Não parece ser seu ponto de vista.

    O que você afirma que a disposição dos alunos é (também?) condição necessária, e que esse disposição seria independente das premissas econômicas (é, ao menos, o que parece). De minha parte, não creio nisso e não vejo indícios, seja conceituais, seja empíricos, de que tal aconteça. A disposição dos alunos (e dos demais agentes) é consequência das pressões econômicas.

    Quanto ao planejamento da economia, é isso mesmo: sem planejamento, não há possibilidade de desenvolvimento econômico. Ou você acha que as economias desenvolvidas funcionam sem planejamento, ou que, para centralizar no assunto em questão, que as políticas educacionais desses países não sejam desenhadas a partir do planejamento econômico? Não é assim de jeito nenhum. O que mais se faz no mundo desenvolvido é planejar, o que implica moldar a educação para atingir finalidades econômicas. Isso não significa necessariamente democratizar a educação.

    Numa sociedade desigual como a dos EUA, o planejamento educacional é feito para produzir uma minúscula elite intelectual (não necessariamente proveniente da elite econômica, embora isso seja mais provável), deixando-se às massas um sistema que produz analfabetos funcionais.

    O padrão se repete, com diferenças operacionais, na Grã-Bretanha e na França, para ficar só nesses.

    Já dando a volta ao mundo, veja como é que os chineses planejam a educação. Ou, para usar um exemplo sempre mal compreendido, a Coréia do Sul, cuja famosa “revolução educacional” se fundou explicitamente no planejamento econômico. No Brasil, porém, prefere-se citar enganosamente o exemplo coreano como paradigma da autonomia da educação em relação à economia, ou seja, o contrário do que aconteceu.

    Quanto à suficiência, esse é o problema de qualquer política. Quais são as condições de suficiência para se atingir objetivos quais ou tais?

  13. Paulo César Lopes de Sousa disse:

    Caro autor, percebi sua avaliação à postagem enviada. O que me fez refletir por algum tempo em suas instigações.

    Sinto a necessidade de observar alguns tópicos para um maior esclarecimento. Sua assertiva em relação aos alunos talvez fosse outra em face a experiência in loco. E ressalvo que esta disposição dos alunos – esta conduta/comportamento – é uma construção social resultado de pressões inclusive econômicas e nunca exclusivamente econômicas. Existem outros elementos hoje culturais assentados em um sistema de crenças ou ideologias (que se quer tangenciam o aspecto econômico) que afetam a conduta e o comportamento destes alunos e que, no microcosmos em que estão inseridos, assumem maior importância.

    Creio que possa ter ocorrido algum erro de interpretação com a expressão “economia planejada”. Quando a empreguei me referia ao modelo socialista de economia conhecida como economia planificada ou economia planejada!

    Que existe planejamento econômico nas nações desenvolvidas é inegável. Mas, a quem compete tal planejamento? Ao Estado (Governo) – como nos modelos socialistas ou como no modelo brasileiro pré-FHC? Ou, aos agentes econômicos como as corporações industriais como se presume num sistema capitalista? Reconheço que não são excludentes, mas não creio numa participação maior do governo comparada a outros agentes no planejamento nas nações desenvolvidas.

    Será que o planejamento educacional brasileiro é tão diferente em resultados quanto a dos EUA? Parece-me que não. Temos um crescente iletramento funcional e digital e uma mais reduzida elite intelectual e hoje para ser considerado elite intelectual a simples graduação já não é condição sine qua non. Hoje, no mínimo, o Mestrado!

    O sistema educacional brasileiro opera condicionado ao desenvolvimento econômico. É uma ilusão pensar em autonomia (de qualquer tipo) em relação a educação. É o sistema menos autônomo no cenário nacional. O que não significa que parte de seus componentes – como os alunos – reajam mecanicamente às pressões econômicas a exemplo dos professores.

    Considerando a nossa formação social e cultural ou a ausência desta como preferem crer alguns. Retorno a sua indagação: Quais são as condições de suficiência para se atingir objetivos quais ou tais?

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo