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29/07/2009 - 07:46

Caixa preta nos Ministérios Públicos

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Em 20 de julho o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) divulgou um relatório sobre o desempenho dos Ministérios Públicos estaduais em 2008.

Os dados foram reunidos pelo CNMP a partir de informações prestadas pelos MPs.

O Ministério Público Federal também deveria prestar informações, mas o relatório é restrito aos estaduais. Informa-se que haverá emissão de outro relatório cobrindo o MPF.

Entre os dados a serem informados estavam inúmeros destinados a permitir uma avaliação da eficácia da atuação dos Ministérios Públicos. Por exemplo:

Ações penais julgadas improcedentes;

Ações penais julgadas procedentes;

Ações civis julgadas parcialmente procedentes;

Ações civis julgadas procedentes;

Representações julgadas improcedentes;

Representações julgadas parcialmente procedentes;

Representações julgadas procedentes;

e muitas outras.

Acontece que, dos 27 MPs (dos 26 estados e mais o do DF), oito simplesmente não enviaram dados referentes a esse tipo de item. São eles os de Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

Ora, a forma mais objetiva de avaliar a eficácia do Ministério Público é determinar qual é a taxa de sucesso das ações, representações etc. que são oferecidas.

Quanto maior a porcentagem de processos que o MP vence, melhor o seu desempenho. É claro que esse tipo de indicador não é o único que se deve levar em conta, mas é decerto o mais relevante. O que interessa no funcionamento de um organismo qualquer é a sua taxa de sucesso.

Nem sempre a mensuração da taxa de sucesso é possível, seja em princípio, seja por motivos práticos.

Por exemplo, a taxa de sucesso do sistema de ensino brasileiro, medida pela colocação dos egressos do sistema no mercado de trabalho, não é aquilatada. Medem-se indicadores indiretos, como o número de alunos que entram e saem do sistema, o que nada informa. Já o ENEM (por exemplo) é muito mais objetivo nese sentido, pois procura medir o conhecimento acumulado pelos alunos do ensino médio.

Quando se pode medir a taxa de sucesso, o indicador é extremamente importante para entender se o órgão funciona bem ou mal. Os oito Ministérios Públicos que não enviaram dados ao Conselho Nacional demonstraram não ter intenção de permitir que a avaliação seja feita.

O que se pode dizer dos Ministérios Públicos que responderam às perguntas, ainda que parcialmente?

A julgar pelo relatório emitido pelo CNMP, nada — porque os dados referentes aos itens mais cruciais não são apresentados.

Das 23 páginas do relatório, onze são dedicadas a descrever o que os MPs não responderam (e faz isso de uma forma ininteligível) e dez a tabelas dedicadas ao seu aparelhamento tecnológico. Apenas duas páginas trazem tabelas sobre novos processos que entraram, os processos que saíram e os que remanesceram para 2009.

No entanto, mesmo essas tabelas são inúteis (e por isso não são mostradas aqui), porque, de acordo com o próprio relatório, os dados informados pelos MPs não incluíram os processos que haviam restado de 2007.

Com isso, o relatório do CNMP resulta útil apenas no que diz respeito à exibição de opacidade generalizada nos Ministérios Públicos estaduais. Nada no relatório dá alguma idéia sobre o seu desempenho.

Um mapa interativo um tanto amadorístico exibe os indicadores mais simples, como número de procuradores, promotores e servidores por 100.000 habitantes, o número de municípios por comarca etc.

Contudo, diversas das informações exibidas no mapa estão obviamente erradas. Por exemplo, no Rio Grande do Norte, em 2008 teria havido 2,4 processos por membro por mês e 72,13 processos por membro por ano. Como 2,4 vezes 12 resulta em 28,8 e não em 72,13, há algo de errado. Dados referentes a custos também estão errados.

Ou seja, os Ministérios Públicos estaduais não levam a sério o levantamento de informações, o Conselho Nacional omite informações de que dispõe, os dados que exibe apresentam erros, o relatório é rudimentar e o mapa, tosco.

É impossível deixar de concluir que esse é o retrato do Ministério Público brasileiro no capítulo da prestação de contas à comunidade a respeito daquilo que faz e deixa de fazer.

Curiosidades brasilianas adicionais

Os dados para a confecção dos relatórios foram fornecidos pelos Ministérios Públicos estaduais em obediência a duas Resoluções do CNMP, a 12/2006 e a 25/2007. Conforme essas resoluções, os dados deveriam ser informados mensalmente ao CNMP para permitir medir o seu desempenho funcional. Isso não aconteceu em 2007. No final de 2008, os termos dessas resoluções foram alterados por outras resoluções. Entre outras mudanças, revogou-se a necessidade de prestação de contas mensal.

O relatorio é assinado por Rondon de Andrade Porto, graduado em ciência política pela UnB e ex-pesquisador do Departamento de Pesquisa Judiciária do Conselho Nacional de Justiça. Segundo o Sistema de Currículos Lattes, sua atividade principal tem sido o desenvolvimento de sistemas, em particular baseados na linguagem PERL.

O mapa interativo tem copyright da IOOP Informação Online, cujo sítio de Internet (que não tem conteúdo), conforme o registro.br, tem como responsável Rondon de Andrade Porto e é registrado em nome da Rondon Consultoria e Empreedimentos Ltda., de Cuiabá. Segundo o Cadastro Nacional da Pessoa Júridica, o CNPJ da Rondon Consultoria informado no registro.br corresponde à empresa Rondon Empreendimentos Imobiliários Ltda., cuja atividade diz respeito a “Condomínios prediais”.

Para fazer o mapa funcionar

O mapa funciona com o Internet Explorer mas não com o Google Chrome. Depois de furungar daqui e dali na rede, determinei que para funcionar com o Firefox é necessário seguir as instruções publicadas aqui. Mesmo assim, o Firefox dá pau quando se fecha a aba que contém o mapa (ao menos no Windows Vista; não testei no XP; tampouco testei no MAC).

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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65 comentários para “Caixa preta nos Ministérios Públicos”

  1. José Carlos disse:

    Prezado Articulista,

    1) Nunca me imaginei coberto pelo anonimato nos meus comentários. Ao contrário de alguns comentaristas, desde o primeiro momento eu disponibiizei ao preclaro blogueiro o meu nome real e o meu verdadeiro e-mail e o senhor sabe disto.

    Quisesse o anonimato, não teria procedido desta forma.

    O fato de não ter propalado a minha função não significa estar anônimo.

    2) Minhas sinceras desculpas se o senhor se sentiu ofendido com o primeiro post.

    3) Quanto ao mais, certamente que os subsídios que o senhor colheu na pequena troca de mensagens deste “blog” não o autorizariam a deduzir minhas vontades e a julgar que eu não quero a transparência nas ações do MP ou, ainda, que tenha medo das estatísticas e de me submeter ao escrutínio da sociedade. Esta carapuça, felizmente, não me serviu.

    Mas esta discussão não vale a pena. Está contaminada por uma animosidade indesejável e contraproducente.

    Sigamos o nosso curso e torçamos para que o CNMP consiga se estruturar e aponte as deficiências e virtudes da instituição, contribuindo para a sua evolução, que é o que interessa a todos que querem um MP mais efetivo e transparente.

    No fundo, embora o senhor duvide, mesmo sem me conhecer de verdade e apesar de já ter me jogado na vala comum daqueles que querem se apossar e se beneficiar pessoalmente do serviço público, ambos desejamos a mesma coisa.

    Prezado: A animosidade foi determinada por V. Excia.

  2. levino gomes da silva disse:

    Sr. Claudio Abramo, diante desta constação e do Peso que representa para a Sociedade manter esta estrutura, inerte, ineficiente, numerosa e quem sabe cara, é possível saber o quanto estes custam para a Sociedade, para que esta possa auferir custo benefício desta Estrutura, que teimam em não ser transparente ???

  3. levino gomes da silva disse:

    Os Sres. Promoteres e Membros do MP. deveriam se manifestarem e intentarem quanto a irregularidades, encontradas em área sob sua tutela, com o escopo de informarem a sociedade, justificando seu altos custo ao cofres públicos. Vejam, aqui na Zona Noroestes de S. Paulo, se eu comprar um terreninho de 250 ms², na área da Serra, onde Imobiliárias ligadas políticos especulam, e, o desmatá-lo, serei processado criminalmente pelo dano ao meio ambiente, mas, as pedrereiras Panorama e Embu, que invadem a Serra, aniquilam montanhas, dizimam fauna e flora da “Mata Atlantica”, secam nascentes em area de preservação ambiental permanente entre outros danos, não são investigadas ou incomodadas por ningúém, e, vejam: o MP Paulista, possue uma estrurura (imagino cara) chamada Curadoria do Meio Ambiente, que me parece, fazer vistas grossas a estes acontecimentos, ou se o faz o faz de modo ineficiente, pois a Curadoria existe a pelo menos 20 anos e as referidas Pedreiras, durante estes anos todos, ampliaram e vem apliando sua área de atuação a largos passos e, a sociedade em que pese, contribuir e ver o seu suado dinheirinho sendo absorvido pelos M.P´s, como um todo, não vê nada no sentido de aplicando-se a Lei, aplacarem a sanha avarenta destes empresários que atuam em detrimento social, legal e de um mundo melhor; Ao arrepio da Lei Sres. Membros do M.P., AO ARREPIO DA LEI. Esta é apenas uma das mazelas que ponho em discussão, vejam outras para não se esquecer: E o Promotor Paulista, que ASSASSINOU um jovem desarmado no Litoral Paulista e apresentou como tese de defesa “a legítima defesa”, e não foi expulso do M.P. e muito menos condenado pelos Judiciário Paulista…. Como é que é isso?!, se eu tivesse matando alguém desarmado, porque mexeu com minha senhora, eu estaria solto ??? , a tese de legitima defesa me serviria???. Ora, a bem da verdade se esta me servisse, poder-se-ia rasgar todos compendios e postulados de dirteitos penal, porque, isto é o abono do ASSASSINATO a sangue frio, é a aprovação da Barbarie …. Este é um, entre outros, fatos a serem dissecados… ; Ha um outro Promotor Paulista, que matou um Motoboy, no trânsito e alegou legítima defesa também, só que com o morto (segundo o que se noticiou) não foi encontrado arma alguma, e ainda, comprovou-se por documento que o mesmo estava trabalhando; E o caso do Promotor Paulista que Assassinou a Esposa gravida em Mairiporã (Dr. Igor Ferreira), não esta preso, mas, será que suspenderam seus vencimentos ??? A tantas, discussões e indagações a respeito da conduta destes personagens, que se apresentam como fiscais da Lei, que, basta compulsar os arquivos dos Jornais, ou mesmo fazer uma busca na Internet, que descobrir-se-a varios fatos que ainda precisam ser explicados …. É claro, lógico e óbvio que entre os mau carácter, em qualquer função ou cargo, público ou privado, ou entre outros seguimentos sociais existem os bons, que realmente não podem serem “julgados e condenados” pela opinião pública, contudo, convém, que as pessoas do bém expressem sua indignação DE PÚBLICO, e se reunam para em ato legítimo intentarem ações no sentido de promoverem expurgo de indignos pares, por que, alguns lameiam a Instituição toda.

  4. KARLA ALEXIS disse:

    SR. DR. JOSÉ CARLOS, PRECLARO PROMOTOR DE JUSTIÇA

    PELAMORDEDEUS, SAIA DA INTERNET E VÁ TRABALHAR, QUE O POVO MINEIRO AGRADECE!!

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