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13/07/2009 - 10:25

Brasil, ex-República

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Amanhã, 14 de julho, comemora-se na França e mundialmente a Tomada (ou Queda) da Bastilha, evento que simboliza a vitória da Revolução Francesa, em 1789, que derrubou a monarquia e levou à instituição da Primeira República francesa.

Alguns anos antes, em 1776, no mesmo mês de julho mas no dia 4, ocorrera a Declaração da Independência americana e a instituição do regime republicano no novo país que se criava.

É notória a influência de pensadores franceses, em particular Montesquieu e suas idéias a respeito da separação dos poderes, sobre os “Founding Fathers” da revolução e da república americanas. Outra inspiração dos americanos foi Rousseau (que era franco-suíço).

Também na França ambos, Rousseau e Montesquieu (bem como Voltaire, Diderot e outros iluministas), forneceram o embasamento do novo regime republicano.

Tudo isso para lembrar que a constituição do Estado republicano moderno inclui, intrinsecamente, a existência de três poderes independentes entre si: o Executivo, que gerencia o dia-a-dia, o Legislativo, que vigia o Executivo e estabelece as normas para o funcionamento do Estado, e o Judiciário, voltado para a resolução de conflitos e a distribuição de punições em caso de descumprimento do arcabouço legal definido pelo Legislativo.

O Brasil define-se como “República Federativa”. Se examinada sob o ponto de vista formal, nossa Constituição estabelece a independência entre os três poderes e as funções de cada um deles.

Contudo, será que isso se verifica na prática?

É notório que não. Contrariamente ao que a Constituição define, o Legislativo brasileiro se transformou em coadjuvante do poder Executivo.

Por meio do mecanismo de nomeações de pessoas para ocupar os chamados “cargos de confiança” em órgãos da administração, o Executivo coopta uma quantidade suficiente de parlamentares para assegurar uma maioria (a chamada “base de apoio”) e, a partir disso, nada de braçada.

O fundamento da negociação que se estabelece entre o Executivo e o Legislativo para “garantir a governabilidade” se divide em dois pontos fundamentais: 1) O Legislativo não deve fiscalizar o Executivo; 2) e o Legislativo deve abrir caminho para a promulgação de matérias do interesse do Executivo.

Em outras palavras, em troca de cargos na administração, os partidos políticos da “base” impedem que as Casas legislativas fiscalizem o Executivo e aprovam os projetos de lei oriundos do governante. Conforme demonstrado em relatórios da Transparência Brasil realizados no âmbito do projeto Excelências, nas principais Casas Legislativas brasileiras é altíssima a porcentagem de Projetos de Lei (incluindo-se Medidas Provisórias) de iniciativa do Executivo que são aprovados, em contraste com iniciativas dos próprios parlamentares.

Esse é um padrão que se verifica não só na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, mas também nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores.

Ao se tornar cada vez menos relevante, a atividade legislativa deixa de atrair interessados de melhor qualidade, abrindo espaço para caçadores de renda. Isso explica a sucessão de escândalos que atinge o Legislativo.

Embora a imprensa brasileira tenda a cobrir preferencialmente Brasília, descuidando do que acontece no plano local das Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, o panorama nestas Casas é idêntico: desmandos, ilegalidades, favorecimentos, nepotismo e tantas outras mazelas são tão comuns (ou mesmo mais comuns) quanto no Senado e na Câmara dos Deputados.

Isso se reflete naquilo que a Transparência Brasil apontou recentemente como a presença de uma crise institucional, em que a população deixou de depositar confiança no poder Legislativo e nos políticos, e passou a considerar o ato de votar em parlamentares como algo irrelevante.

No Brasil, usa-se com demasiada facilidade essa expressão “crise institucional”.

No caso, não há exagero ou descuido: estamos, sim, em meio a uma grave crise institucional.

O regime brasileiro deixou de ser uma República, tendo se transformado num absolutismo disfarçado.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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183 comentários para “Brasil, ex-República”

  1. ZORRO disse:

    Para hospitais não existe verba e por isso que á população está morrendo nos corredores dos hospitais.
    Para professores não existem verbas, afinal manter um povo, longe do SABER é a única forma de os MESMOS sempre se manterem.
    Para Segurança TAMBÉM não existem verbas, afinal é para isto que todos os dias, são ASSASSINADOS um ZÉ da padaria, um ZÈ da mercearia, mesmo que seja este ZÈ, quem gera e paga os IMPOSTOS.
    Como podemos verificar para sua saúde, para sua educação e para sua segurança não existem verbas, mesmos que assim mande à constituição.
    Já para os amigos do ALÍ, os que se encarregaram de JULGAR E ACOBERTAR todas as PATRANHAS cometidas, verbas não faltam, mesmo que para isto tenham que deixar hospital sem médicos e sem remédios, escolas sem professores e segurança NA MÃO da bandidagem.
    Veja o que fazem com o seu dinheiro os candidatos que você REELEGEU;
    http://www.CBN.com.br
    Nos gabinetes, oito de cada dez funcionários não fizeram concurso.
    A culpa é sua, que está sempre REELEGENDO os mesmos deputados, que fazem projetos para seus futuros ALIADOS;

    Projeto que cria 230 varas federais vai à sanção do presidente da República

    Foi à sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o PLC 126/09, de iniciativa do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que cria 230 varas no âmbito da Justiça Federal. A aprovação do projeto é importante para o Judiciário porque permite o acesso dos cidadãos às unidades jurisdicionais. Serão 46 novas varas implantadas a cada ano de 2010 até 2014, medida que irá, inclusive, ajudar a reduzir o número de processos acumulados nas diversas instâncias. O projeto foi aprovado em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal.
    E como podemos verificar é só SACANAGEM, ao menos DEVEMOS exigir que a SACANAGEM,não seja ESTATAL.
    JUSTIÇA ARBITRAL, PRIVADA, JÁ!

  2. Lígia disse:

    Bom Dia Claudio,
    como sempre me uno a você no que escreve , mas o quê fazer?Todas as instituições estão se beneficiando de alguma forma e nós povo continuamos assistindo sem nada fazer.O quê a meu ver nos tornamos conivente com tudo .Você não acha?

  3. Nilton Braga disse:

    Nas próximas eleições temos que refletir bem antes de escolher
    os nossos representantes junto as câmras legislativas. Sanear
    o Senado Federal e as Câmaras legislativas dos Estados é dever de
    cada um antes escolher os novo governantes, também

  4. Jose Gomes da Silva disse:

    Quando esse papo começa, tem coisa no ar, “grave crise institucional”, Abramo, vc veio de onde, isso, de negociatas e troca de favores entre os poderes, acontece no Brasil desde que foi ploclamada a Republica, é endemico, os politicos se perpetuam, em seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos, igual fenomeno acontece no judiciario e nas intituições policiais, o espanto é risivel, parece que vc tava dormindo e percebeu isto após acordar, quando essa cantinela começa é mal sinal, parece um chamado pros milicos empijamados despertarem,esse é outro fenomeno recorrente.

    Quequiéisso? Pois é. De modo que na sua opinião o sistema tem de continuar como está. Contrariamente ao que você afirma, o que se pretende ao apontar a existência de crise institucional é exatamente evitar esse tipo de consequência que você aponta.

  5. Yuri disse:

    Não seria melhor chamar de mafioso esse sistema?

  6. Paulo Henrique disse:

    E o Judiciário? Que é o pior dos 3 poderes, liderado por aquele que ntão têm condições de estar lá?

    Fora Gilmar Mendes. Sua presença é a prova de que nosso Judiciário está morto!

  7. gatais disse:

    Uno-me à avaliação crítica da situação

    gatsis

  8. Odilon Moura disse:

    Parabens Cláudio.
    A crise política Brasileira é muito mais profunda do que se aparenta realmente. É uma política de vícios enraizados dificeis de sanearem.
    Parabens pela matéria.

  9. carlos roberto padua disse:

    Na realidade nós estamos vivendo uma ditadura civil no Brasil,em nome da Governalidade existe um vale tudo,com serios prejuizos para a etica,moralidade e legalidade,visando a manutenção do poder por parte do Governo atual.Tenho receio que nos tornemos uma republica de Cuba.

    Prezado Carlos Roberto: Como se explicita na nota, não é só na esfera federal. Nos estados e municípios acontece igualzinho.

  10. JOAO VENCESLAU disse:

    Sr. Abrano, será que é só no Brasil que isso acontece, ou política no mundo inteiro é a mesma coisa, ou o sr. acredita que na Europa e nos Estados Unidos os candidatos gastão aqueles milhões que na realidade são bilhões de euros ou dolares só porque são patriotas e querem fazer algo pelos seus povos e porque são bonzinhos e bonitinhos e… por favor não me diga que o sr. acredita nisso pois é sabido por todos que quando se tenta cassar um desses vagabundos eles se reunem discutem a melhor maneira de se pronunciarem, defenderem o colega dizer que não é bem isso que não é bem aquilo qwue vai ser investigado, e, que precisam de “x” tempo para isso de “y” tempo para aquilo e quando menos se esperam dizem que o tal não tem nada a ver com o que foi acusado, bem é melhor falar do PALMEIRAS.

  11. marcos nunes disse:

    E olha que você nem mencionou o Judiciário… O Estado brasileiro se ressente de alguns males de origem, sendo a República declarada por força de interesses de caráter oligárquico e não-nacionalista, e desde então serve como nicho de exploração e salvaguarda de nossas classes dominantes.

  12. Maurílio Melo disse:

    Esta troca de benefícios entre os membros dos três poderes, principalmente com a corrupção quase total no legislativo, está nos levando a um “sistema” que para sair dele, só com muita “competência”.

    A compra de pessoas e apoios para manutenção do poder está gerando, realmente, esta onda de escândalos que tende a piorar com este novo “sistema” de governo.

  13. Suely Vilela disse:

    Cláudio, sabe o que falta acontecer por aqui? Botar alguns desses caras na Guilhotina e algumas cabeças rolarem. Sei que soa reacionária a minha fala, mas com certeza falta um pouco de sangue da elite branca na História do Brasil. Desde que isso aqui foi fundado, só morreu preto, índio e pobre. Todas essas sociedades mais desenvolvidas, em algum momento da História, pegou suas elites arcaicas e botou pra comer capim pela raiz. Eu acho que já passou da hora de pegar as famílias Sarney, Magalhães, Calheiros, Quércia, Garotinho, Marinho e etc, e botar todo mundo pra dormir…

  14. Vitor disse:

    O voto deveria deixar de ser obrigatorio. Assim somente quem quer realmente votar votaria. Hoje em dia a maioria desses governantes estão porque o povo é obrigado a votar e não conhece ninguém. Então votam em qualquer um mesmo. Os oportunistas fasem uso desse sistema.

  15. saulo disse:

    eu pensava que estava tudo bem, ja que nao está tudo bem, vamos buscar a UDN, precisamos que o Lula renuncie ou. obrigado por me acordar.

  16. JOSE XIRI DE SOUZA disse:

    Bom dia Claudio. Lendo o texto e alguns comentários me deparo com algumas questões. Estamos a vinte anos dizendo que isto decorre pelo fato de elegermos maus políticos. Pergunto será que a intenção do eleitor é realmente eleger um mau político? aí vem a resposta, a culpa é do povo. Todo mundo fala isto. Outra, é falta de uma educação razoável. Ainda que faça sentido, mas também não é isto, pois nosso grau de analfabetismo não é tão alto assim. Outra, é falta de lei. Acho que aqui se inverte, Quem aprova a lei são aqueles que querem criar benefícios para si mesmo. Agora ninguém atenta para a moral e bons costumes. Acho que nosso problema está aqui. Existe muita coisa nojenta sendo feita que depois ficamos sabendo que está dentro da legalidade ainda que moralmente seja uma aberração. A verdade é que nosso país não valoriza a moral é os bons costumens. O Problema é que os costumes estão invertidos. Vamos dos setores público para o privado, a regra continua, pergunto, Quem são os novos atores e atrizes da Globo e outros meios de televisão? filhos de atores e atrizes mesmo quando não tem o menor talento, Nossa moral e nossos costumes são invertidos. E nas empresas, será que isto não se repete? O Que você acha?

    Prezado José Xiri: Conforme sempre opino, os padrões morais são determinados pelo ambiente, e não o contrário. O ambiente brasileiro favorece a imoralidade. Isso significa que, para alterar os padrões morais é necessário mudar o ambiente, a saber, promover alterações no arcabouço legal e administrativo do Estado.

  17. João Pedro disse:

    Será que o Brasil alguma vez foi uma República? Uma Federação?

    Os Estados alguma vez foram Republicanos?

    Creio que não.

    Está nas Constituições, mas … ora veja … as Constituições ….

  18. Alberto disse:

    todos que estão investidos de mandatos na câmara e no senado foram eleitos pelo povo. O peemedebezão tá em todas, com sua infatigável banca de negócios, e todos seus representantes foram eleitos pelo povo, logo, a culpa é de quem votou neles.

  19. Altino Borba disse:

    Tomada (ou Queda) de Brasília? E as medidas seguintes…?
    De que jeito? Ops!… falou da Bastilha…

  20. Mas não esqueçamos que o grande responsável por isto tu´do somos nós mesmos que não sabemos votar. E colocamos no congresso o que há de pior em matéria de político

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