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02/07/2009 - 09:40

Ministério Público, onde estás tu?

São fortes os indícios de que o espetáculo burlesco que os políticos brasileiros continuamente proporcionam está levando, se é que já não levou, o eleitor do país a desconsiderar o Legislativo como um poder respeitável.

As farras com dinheiro público a que se entregam alacremente os senadores e deputados, que têm sido noticiadas ultimamente, são apenas os lances mais recentes de uma sucessão que não parece ter fim.

O foco predominante que no Brasil se dá ao plano federal obscurece o fato de que coisas idênticas acontecem o tempo todo nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores. É um nunca acabar de aproveitamentos indevidos, apropriação de dinheiro público sob disfarces de diversas naturezas, contratações estranhas, favorecimentos a granel.

Ao testemunhar cotidianamente que uma grande quantidade de políticos não se elege para servir ao público, mas para servir-se do público, o eleitor está desistindo deles.

Um indício é o que o rola na Internet. Embora as manifestações que acontecem na Internet não possam ser tomadas como representativas do eleitor em geral, elas decerto indicam uma tendência. Menos ainda seriam representativas aquelas que aparecem neste blog, lido por alguns poucos denodados (aliás, por algum motivo ontem chegou-se ao recorde da história desta encarnação do blog, com pouco mais de 8 mil visitas).

Seja como for, vale a pena tomar o exemplo do que os visitantes deste blog dizem dos políticos nos cerca de 150 comentários oferecidos à nota de ontem [em tempo: mais de 180, somando-se aos de hoje], que tinha o título de Fica, Sarney. A imensa maioria desses comentários se dedicou a xingar os políticos.

A lista de epítetos usada pelos comentaristas é instrutiva quanto ao descrédito que se confere a eles:

Abismo abissal de lama e podridão, ânsia de vômito, antro, apodrecido, bandidagem, bandidos, cadinho de corrupção, calhorda da vez, cambada, canalhas, canalhice, câncer maligno, cara de pau, carnificina com o dinheiro publico, chiqueiro, coleção de estrupícios, corja, corruptos, cracas de privada, decomposição, desavergonhados, desgraça, desonestos, dilúvio fecal, Dom Corleone, elite corrupta, entidade demoníaca, estelionatários, farinha do mesmo saco, farra, fedor, fossa séptica, gentalha, gente medíocre, ilegal, imoral, imundo, insulto à nossa inteligência, interesses paroquiais, ladrões, ladrões de colarinho branco, latão de lixo, lixo humano, malandro, mamata, maracutaias, marginal domesticado, mau-hálito, meliantes, mesquinharias, miasmas, múmias politicas, P podres S sujos D derrotados B barraqueiros, pacotes de merda, péssimo exemplo, picaretas, podre poder, podridão, porcos com mandato, quadrilha, que nojo, raposas, sacanas, safados, safardanas, salafrários, sanguessugas, sem vergonha na cara, sistema corrompido, sujeira grossa, vagabundagem, vampiros f.d.p., velhacaria, vergonha, vírus da aids.

No caso particular dos embates lulisto-petistas contra antilulisto-petistas, felizmente escassos aqui, a forma como uns se referem aos outros se baseia nesse mesmo tipo de vocabulário. Não importa o lado em que o sujeito esteja, o outro lado é visto como esgoto.

Boa parte dos comentaristas exprime sensação de impotência. Como mudar? Alguns poucos querem chamar os militares. Um ou dois querem o anarquismo.

Aparecem ainda sugestões de campanhas negativistas, como “não vote em ninguém”.

Apesar dos cuidados interpretativos assinalados acima, a amostra indica claramente que os políticos brasileiros estão despolitizando o eleitor.

Esse caminho não leva a boa coisa. Cria-se indiferença a respeito de tentativas de agressão às instituições, dissemina-se a crença de que pais-da-pátria munidos de autoridade ilimitada “consertarão” o que está errado.

Tudo isso é sinal de que, com seu comportamento criminal, os políticos lançaram o país numa crise institucional de proporções perigosas.

Contrariamente ao que poderia parecer, há saída institucional para isso, mas ela não pode depender dos políticos, e sim do Judiciário.

Dados os abundantes indícios de que se cometeram crimes diversos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, vale a pena repetir o que se perguntou aqui dias atrás:

Ministério Público, onde estás tu?

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

190 comentários para “Ministério Público, onde estás tu?”

  1. MAXIMO BICALHO disse:

    Bom Dia , Claudio

    Fico triste com este Brasil, esta corja de politicos estão acabando com o Brasil. E o nosso Guia, ainda os defendem. Claro que o Sr Metalurgico / Presidente, visa manter após sua saída da presidencia aliados importantes para que seus podres e maracutaías sejam engavetadas futuramente. Este é o nosso Brasil a terra da impunidade.

  2. Ney Henrique disse:

    PRezado Abramo

    Em hipótese alguma eu sugeriria os militares e muito menos os padres … os ciclistas talvés, mas não para esse problema.

    Boa pergunta … não sei qual é a solução.
    O pressão da opinião pública ( do qual você é um notório representante ) é importante para fortalecer o MP, sim … cobrar da Justiça, sim … o problema é que o Judiciário Brasileiro também não tem invergadura moral nenhuma.

    Não sei qual a solução mesmo … é triste, mas eu não consigo acreditar que ela repousa no Judiciário … pelo menos não no nosso. O que aconteceu no caso do Daniel Dantas? Esse é o judiciário Brasileiro … e vai demorar vários anos pra essa aristocracia jurídica ser purgada. Como? Democratização da educação e renovação dos quadros baseados em concurso público aberto … fora isso, não tenho sugestão.

    Você fez o seu papel de cobrar ação do MP … eu fiz o meu papel de duvidar da seriedade do Judiciário Brasileiro.

    A impressão que eu tenho é de que você ainda confia no judiciário brasileiro. Eu não …

    Prezado Ney: Não é isso, exatamente. A questão é que essas instituições só poderão melhorar se forem cobradas. É claro que o Judiciário é tão ou mais esculhambado quanto o Legislativo. Mas só poderá melhorar no jogo dos contraditórios.

  3. Manoel Paulo disse:

    Prezado Cláudio Abramo, bom dia:

    Estendo a pergunta, “onde está o Ministério Público?”, indagando: o MP, como fiscal da lei, está fiscalizando o cumprimento da Lei Complementar nº 101/00 -LRF-? Ele próprio (MP), a cumpre? Principalmente, os artigos 4º, I, e, 5º (caput), e 50, §º? Indague-o, também, por favor, por que as LDO´s (Leis de Diretrizes Orçamentárias) e as LOA´s (Leis Orçamentárias Anuais), sistematica ou intencionalmente, por ignorância ou má fé, não prevêm o cumprimento dos dispositivos legais acima. Se minhas contas estão corretas, desde a vigência da LRF até 2010, já vamos para 167.760 (1+5.564+27X3X10) leis sobre o assunto ORÇAMENTO. Indago, ainda, V. Sa. tem conhecimento de que algum ente federativo cumpre os mencionados dispositivos?

    Fico por aqui.

  4. Mauricio Faria disse:

    O Ministério Público tem agido,a Policia Federal tem agido,mas o Judiciário via de regra e pasme já do Supremo,solta corruptos históricos,já condenados até em outros países(Vide o caso do Orelhudo). Não podemos nos esquecer que os Cidadãos responsáveis pelas apurações é que são penalizados funcionalmente.O Pior é que ,lamentavelmente,existe uma simetria verticalizada na politica brasileira e as instancias politicas reproduzem a pratica Federal e Estadual.A reprodução no municipio é a mais dolorida de todas,porque convivemos com os agentes políticos que vêm nas práticas regionais e centrais atenuante para repetí-las. É preciso que a população deixe um pouco de lado o “politicamente correto” cínico e cobre publicamente nas ruas àqueles que estão próximos.Creio que assim estaremos invertendo a onda de impunidade que tanto mal faz ao país.Presido um Conselho Comunitário em minha Cidade e confesso que não sei por quanto tempo será,pois falar e pensar incomoda a quem não quer mudanças.Como disse Pascal “Pensar é muito dificil”. Finalmente,sem pretender ter esgotado o tema,registro a minha satisfação quanto ao trabalho que realizas que por sorte não estás só. O que a população precisa é saber que um mundo melhor é possivel e cabe a nós construí-lo atravez de uma Rede de Responsabilidade Social.

  5. Murilo Borges disse:

    Interessante e muito bom alguém que dirige uma organização como a Transparência Brasil, estar à disposição com tal Blog.Meu comentário não diz respeito a esta matéria, mas sim, em relação à vossa participação no programa PAINEL da globonews.Em particular, `a passagem em que classificas o nosso presidente “descuidado, não prestar atenção no que está dizendo, não ter a dimensão”do problema da corrupção, ponto cego,etc”.Bem que o prof. Marco Villa, em seu aparte, discursou “desconfiar um pouco disso”, para soar elegante.O nosso presidente é o corruptor-mor, não tem nenhum princípio ético, e, instituiu o maior programa de compra de votos(legalizado) do mundo, com o Bolsa-família.São tantos os escandalos envolvendo sua pessoa que nem vou inumerar.Mas, como o Sr. bem disse, nada pega.POF, cai no chão e fica por isso mesmo.

    Prezado Murilo: Sobre esse Painel, veja a nota publicada aqui uns dias atrás.

  6. Jonas Albuquerque disse:

    É mesmo uma excelente pergunta: ONDE ESTÁS TU, MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL??

    Sempre tão atuante. E agora? Estão como medo de seus privilégios e mamatas?

  7. marcelo disse:

    Parabéns Fernando pelo comentário feito. Uma análise significativa daquilo que ocorre diariamente na política brasileira. O MPF, no caso (com atribuição), está de mãos amordaçadas pela classe política, e a intervenção dos Procuradores poderá ser usado por muitos políticos como uma núvem de fumaça….

  8. apos.2009 disse:

    Toda vez que há um questionamento sobre qual a medida para a crise, vem sempre uma resposta em tom ironico “o que fazer, colocar militares no governo?”. Eu, sinceramente, não consigo entender muito bem esse posicionamento de algumas pessoas. Ou será que um militar não tem os mesmos direitos constitucionais e democráticos de votar e ser votado? Acredito, inclusive, que um militar tem o sentido civico muito melhor apurado do que qualquer um desses políticos que se encontram nos poderes constituidos. Haja vista os escandâlos em que estão envolvidos, sem exceção. Não estou fazendo qualquer apologia de golpe militar, mas tão somente do direito constitucional e democrático de um cidadão comum, seja ele militar ou civil.

    Prezado: Não há nenhum problema em um militar candidatar-se. O que não é normal é sugerir o fechamento do Congresso e “chamar os militares”.

  9. Mauri Pereira disse:

    Meu caro Abramo,par quem está fora desse ninho a solução está longe dos conselhos de ética que são tão podres ou até mais por que deveriam vigiar os excessos dos seus pares e fazem o que fazem para inocentar criminosos de variados crimes.Acredito que infelizmente não precisamos de congresso.Não sei se não seria a hora de um outro tipo de poder diferente deste que está aí.Quando pintei a cara nos anos Collor,achava que mudaríamos o País e vemos que os que gritavam nas tribunas de então são os atores principais desse enredo que cada dia afunda mais na lama.Ouvir um professor meu falar que nenhum general ficou rico no poder enquanto um mandato de vereador de qualquer cidade
    por menor que seja termina com o titular rico e todos seu parentes em cargos com bons rendimentos.Precisamos de congresso,câmaras e tal?

    Prezado Mauri: Claro que sim. Ou você preferiria que a alocação de recursos, a formulação de políticas etc. se fizesse por decisão de uma comissão ou coisa do tipo que agisse como lhe desse na telha. Isso não significa que o Legislativo brasileiro funciona como deveria, mas ainda assim é para essa direção que deveria dirigir-se (sob pressão, sempre), e não no sentido oposto.

  10. Para mim, o problema todo teve início em 1988. Transcrevo matéria publicada em jornal de Porto Alegre:

    PARLAMENTARISMO
    Apesar de uma cólica renal acima das nuvens, a viagem para Brasília, naquela tarde de 1988, levava a esperança de que, ao final da tarde, teríamos aprovado o Sistema Parlamentarista no Brasil.
    Um banho, a troca de roupa e lá fomos para o Congresso acompanhar as votações.
    Quando saímos do hotel já sabíamos da aprovação do Presidencialismo. Acompanhamos a votação do tempo de mandato e a fatídica aprovação de seis anos para o Governo Sarney. Vimos o Senador Fogaça (ou seria deputado naquela época) discutindo sozinho com o Frentão.
    Se, naquela data, tivesse sido aprovado o Parlamentarismo, por certo, os Gabinetes e os Congressos eleitos, já teríamos sido desacreditados, dissolvidos e renovados. Por certo, estaríamos em situação bem melhor agora, sem os escândalos que estamos acompanhando de longa data e sempre aguardando as denúncias do dia.

    Getúlio Dorneles Fernandes da Silva
    Administrador

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