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15/06/2009 - 08:47

Ladeira abaixo

O episódio em que a Polícia Militar foi mobilizada para cumprir ordem judicial de reintegração de posse de próprios da Universidade de São Paulo oferece oportunidade para se compreender alguns dos motivos pelos quais essa instituição entrou em coma. Alguns desses sinais se encontram nas manifestações de professores da USP que vieram a público para recriminar a ação policial.

♦ Preliminarmente, observe-se que a Reitoria da Universidade não tinha outra alternativa senão recorrer à Justiça para garantir a liberdade de ir e vir dentro de seu campus, comprometida pela ação de piquetes de funcionários e estudantes.

♦ Isso levou à ação da Polícia Militar, a qual, como de hábito, não sabe como agir. Da mesma forma como se comporta toda vez que é chamada a intervir (como, por exemplo, em estádios de futebol), a PM demonstrou não dispor de treinamento para lidar com multidões. Seu método é usar o cassetete. Demonstra isso dia sim, dia não nos estádios de futebol e demonstrou de novo na USP. Disciplinar a PM é um problema não resolvido pelos governadores que se sucedem.

♦ Alguns daqueles que se manifestaram publicamente sobre o ocorrido para reclamar — com razão — da violência policial foram além, reclamando da própria presença da polícia. Para eles, a Universidade deveria permanecer out of bounds para a polícia. Qualquer assunto relativo à USP deve, em sua visão, ser resolvido intra-muros.

♦ Esses oráculos do esquerdismo infanto-juvenil da USP demonstram, com isso, o tamanho de seu elitismo. A Universidade, para eles, é deles. Para quem lhes paga o salário, ou seja, nós, uma banana.

♦ Alguns exigiram a demissão da reitora. Que essa reitoria da USP é uma incompetente, poucos discordariam. Mas essa reitora não é incompetente por ter entrado no Justiça para defender a instituição da ação predatória dos grevistas. Ela é lamentável a começar da forma como foi conduzida ao posto — numa eleição em que votaram professores, funcionários e alunos.

♦ Quem inventou esse monstrengo pseudodemocrático da eleição de reitores e diretores foram exatamente esses que hoje reclamam da incompetência da reitora. Mas o que queriam? Se o reitor é eleito por gente que não tem a menor idéia do que é exigido de alguém que deva dirigir uma organização qualquer, que dizer de uma universidade que tenha auto-respeito, só se pode esperar desse indivíduo que seja um demagogo incompetente.

♦ Se o reitor de uma universidade é eleito pela “comunidade universitária”, é inevitável que o eleito chegará ao cargo por meio de acochambramentos com entidades de funcionários, facções estudantis e corporações acadêmicas preocupadas fundamentalmente com a “carreira”.

♦ Nada disso é respeitável e não merece respeito.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

52 comentários para “Ladeira abaixo”

  1. Duke disse:

    E o pior é que o final todos já conhecemos: vão prometer cumprir metade das exigências feitas, os grevistas vão aceitar com certo rancor, vão cumprir apenas uma fração do (pouco) que foi prometido e daqui a dois anos tem outra greve.
    Eu estudo no campus leste da USP, e a melhor (única) justificativa que eu ouvi (porque tendem a nos isolar e quase não chega informação) foi a que um amigo meu deu: a greve tá rolando porque é ano ímpar e tem que ter uma. De fato, desde nos meus quatro anos e meio aqui, esta já é a terceira.
    A USP tem tanto carreirista e “estudante profissional” que dá até vergonha às vezes.

  2. Lúcifer disse:

    A crise da USP,passa distante do nome de Serra,que tem sido insistentemente preservado pela mídia.Nada que possa macular o virtual candidato a sucessão de Lula é remotamente citado.E ,o elenco de mazelas é bem alentado.Metro ,queda e administração,segurança e salários das polícias,docentes e discentes,chulos livros didáticos.AH! Também, a proverbial inapetência administrativa do governador.

  3. Almir Sabino disse:

    Gostaria que o senhor verificasse como é feita a eleição na universidade, onde os funcionários e alunos tem pouca participação no Conselho Universitário. A eleição é feita de modo indireto; ela não permite o voto de toda a comunidade universitária, mas sim representantes de cada categoria e mesmo assim é muito desigual a participação. Espero que o senhor olhe, observe e analise com critério toda a situação da Universidade. Por favor procure todas as instituições representantes dos professores, funcionários e alunos, assim obterá todas as informações necessárias para um melhor entendimento do quadro geral. Gostaria que essa Universidade tivesse mais vagas para alunos, gozasse de uma democracia verdadeira, servisse de espelho para a sociedade; que os interesses pessoais não estivessem a frente dos coletivos. Agradeço a atenção e obrigado pelo espaço.

  4. MILTON disse:

    olha isso é bom porque na usp a maioria é riquinho filhinho de papi, enquanto o brasil não colocar regras nas univercidade federais, primeiro o estado e o munipio ensina o aluno a ser burro, onde si quer coloca regras dentro das unidades professores são lixos, aluno bete em professor e a direção si quer consegue punir esse é o estado, sem leis sem educação de qualidade, entra as univercidades federais onde a qualidade é imcoparavel, a midia deveria colocar programas educativos, porem so incentiva com pornografia, jornais que se mostra tragedia, e por ai adiante, somos brasileiros cuja alguns governos é de patricios riquinhos mimados, por isso estamos na merda quem me dera se tivesse grupos terroristas no brasil quem sabe assim o governo que temos ja teriam explodido, dentro de brasilia se fizer uma varredura sobra apenas os pombos nem os cachorros que por ali pisam escapam porque ja aprenderam com os donos em sp o rio tiete é mais limpo que toda podridão formada entre o governo estadual e municipal…

  5. Lea disse:

    E os estudantes das universidades particulares caríssimas e muitas vezes de baixa qualidade? Fazem o quê? Greve? O governo dá subsidio para estudantes de universidades particulares?? E a Constituição, o que diz?

  6. MILTON disse:

    tudo no brasil é apenas uma comedia, o governo não consegue si quer seguir as leis trabalhista, porem os empresarios são obrigados e pagar tantos impostos que muitas empresas vão embora de sp, a greve na usp é algo extraordinario porque ali lideres e toda a admistração vem de gente grande, até mesmo os alunos não vem da rale, e o governo paulista não tem palavras, aumento de salario para policiais professores não pode existir porque são rale, e ainda é a classe mais fraca de todas as categorias, porque encara de frente a sociedade, e o governo consegue colocar essas classes uma contra a outra, igual fez com a greve do policiais onde colocou policia atirando na policia, de outro lado entra os cartolas onde nas cadeias cada preso come em media 4 pães no café da manha, fora as regalias, do outro lado os escravos carcereiros tem um oitão enferrujado que não pode usar a familia sendo ameaçada e siquer tem o direito de uma boa moradia segurança para seus familiares, e muitos nesses presidio tem direito a essas alimentações tv por assinatura e tudo mais gente é brasil é a cara de um governo a 20 anos no poder apenas com as caras mudadas mas o mesmo em fim pobre tem que se lascar

  7. HELVIO BRUZI ROSA disse:

    Permita fazer o seguinte comentário. Como simples cidadão, fico perplexo quando deparo com situações como ocorrido na USP. Em parte concordo com as ponderações do Sr. Claudio W. Abrano. Mas o que gostaria de destacar é a decadência da Instituição e da Sociedade como um todo, é o que se reflete na consciência plena da construção da democracia no dia a dia. Pois hoje é comum banalizarmos todos os atos, sem levar em conta as conseqüências. São políticos desdenhando o voto do povo através de atos desrespeitosos com os princípios das leis, é tudo no fundo pela manutenção dos interesses pessoais privilegiados, em nome do que no fundo o que importa e o eu, ou melhor, ainda dizer o meu.

  8. augusto disse:

    Graças à Deus que funcionários e alunos tem pouca participação na eleição, como disseram, imagine se esse bando de esquerdinhas “burguerses” que estudaram em colégios particulares e hoje tentam expiar a culpa e servem a interesses de sindicatos , ao PT e outros, tivessem mais poder de decisão, estariamos perdidos. Vão estudar cambada de vagabundos, somos nós que pagamos esta universidade e nós que fizemos escola pública raramente poder entrar aí. Por que não lutar pela escola pública de nível para todos. Vão fazer a sua fogueirinha e queimar seu baseado ouvido forró universitário e dicutir ideologias ultrapassadas e não encham o saco. Um emprego também é bom.
    Cambada…

  9. gilberto jesus ferraz disse:

    Pobre educação brasileira onde livros com pornografia são distribuidos para alunos, polícia cumpre ordem judicial legal, usando bombas, contra professores e agitadores de plantão, e a economia vai bem, a eleição e reeleição vão bem, a democracia caminha e o Brasil empresta dinheiro ao FMI.

  10. jose xiri de souza disse:

    Bom. É preciso fazer uma grande reflexão sobre o que significa unuversidade de SP. Primeiro ao pegarmos o conceito de universidade, chegamos a conclusão que trata-se de um vocábulo esgotado. Universidade vem de universo, universal, ou seja, para todos. Então para USP(kkkkkkkkkkkkk) uma piada. Quantas oportunidades perdemos nas empresas simplesmente porque não erámos formados na USP. Mas quem estudaria na usp? os filhos daquela gente que dizia que SP recebeu os Nordestinos de braços abertos. Desta forma, e com estes esqueletos dá para concluir que SP tem braços gelados, e quando esquenta queima o caboclo. A USP foi instituida para diminuir o custo da burguesia paulistana, pois estava muito caro enviar seus principezinhos para Paris. Muita coisa mudou desde então e a USP não Mudou. Não se pode desconhecer a importancia desta faculdade, mas é tão elitizada, que não serve mais à sociedade. Para mim a USP é símblo de preconceito latente e mascarado.

  11. aida disse:

    Incrivel, mas querem que a universidade seja um curso tecnico apenas, é triste como a sociedade está cabisbaixa e abrindo mão do senso critico , um talento para manter a cidadania e deterinar avanços democraticos. Colquemos então o que a sociedade garante pelos meios juridicos, abaixo vai a orientação do professor de direito do trabalho Jorge Luiz Souto Maior da USP , universidade esta, que jamais se furta a contribuir e com firmeza para que vença o dialogo e os acordos . Suspeito que os alunos( se são mesmo alunos da USP) , com o ranço de familias formadas sob o estatuto da opressão politica, estão pensando que tem apenas por tarefa serem robos executores e que jamais devem apresentar propostas porque podem sofrer e hoje a regra é ganhar dinheiro e para tal é preciso se curvar e rastejar…para evitar o golpe do cacetete

    Apelo à Razão Democrática.
    Jorge Luiz Souto Maior
    Os recentes eventos ocorridos na Universidade de São Paulo e a repercussão que a eles vem sendo dada na mídia revelam o que há muito já se sabia: que possuímos um grave “déficit” democrático nas relações de trabalho no Brasil e um sério obstáculo mental, de natureza cultural, em aceitar os trabalhadores como classe política com direito de manifestação.
    Não se pretende aqui defender o lado dos servidores, professores e estudantes, expondo as razões de suas reivindicações, que, oportuno dizer, vão muito além da mera questão salarial e se referem, sobretudo, ao próprio problema que acabou gerando o deprimente confronto, qual seja, a democratização das relações de trabalho, que é essencial principalmente diante da necessidade de obediência aos preceitos da ordem jurídica para gerenciamento da coisa pública, no caso, o ensino público.
    Trata-se, isto sim, de destacar que é totalmente injustificado o tratamento que se deu ao movimento reivindicatório como “caso de polícia”, proporcionando os violentos confrontos que se assistiu.
    O ordenamento jurídico brasileiro, a exemplo do que se dá na ordem internacional, repudia todas as atitudes que visam aniquilar o diálogo social, até porque as repressões contrariam a própria sustentabilidade do modelo de sociedade, conforme regulado juridicamente, impulsionando a prática de atos revolucionários.
    A reivindicação de direitos trabalhistas e a defesa de interesses considerados importantes pelos trabalhadores por meio da greve são, por conseguinte, essências democráticas do Estado Social.
    Não há o menor sentido, portanto, em se utilizarem as instituições democráticas contra a democracia, coibindo os movimentos sociais, já que isso, como dito, remonta à época em que a questão social, no Brasil, era tratada como “caso de polícia”, em conformidade com a previsão do art. 206, do Código Penal de 1890, que arrolava dentre os crimes contra a liberdade de trabalho a associação operária e a paralisação do trabalho visando aumento de salário , o que se repetiu no art. 139 da Constituição Federal de 1937: “a greve e o lock-out são declarados recursos anti-sociais nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os superiores interesses da produção nacional”.
    Presentemente, o art. 9º Constituição Federal estabelece o direito de greve e garante “aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”, assegurando igual direito aos servidores públicos (incisos VI e VII, do art. 37), enquanto que a legislação infraconstitucional considera anti-sindicais e, portanto, ilícitos, quaisquer atos que visem a impedir ou limitar o exercício da greve.
    Lembre-se que a intolerância ao diálogo gerou duas guerras mundiais e após o quase colapso da humanidade, chegou-se, enfim, à consagração dos Direitos Humanos, estabelecendo-se o preceito fundamental de que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.
    Uma democracia verdadeira deve abarcar a possibilidade concreta de que os membros da sociedade, nos seus diversos segmentos, possam se organizar para serem ouvidos. A greve, sendo meio de expressão, é um mecanismo necessário para que a democracia atinja as relações de trabalho subordinado.
    Dentro desse prisma, o que se assistiu, recentemente, nos confrontos policiais com estudantes, servidores e professores da Universidade de São Paulo, constitui um autêntico atentado ao Estado Social Democrático de Direito.
    Não se está dizendo que eventuais abusos dos movimentos reivindicatórios estejam justificados e que não produzem, por conseguinte, qualquer efeito jurídico. Todo abuso no exercício de qualquer direito atinge a órbita da conduta ilícita. Entretanto, querer evitar o abuso, pressupondo-o, apresentando armas diante de movimentos pacíficos de reivindicação, é, por si, um exercício abusivo das próprias razões e, porque não dizer, uma forma velada de violência, além de uma agressão à razão democrática.
    Às pessoas dotadas de razão cumpre restabelecer o diálogo, sem aparato policial, com respeito recíproco e espírito de fraternidade, já!
    São Paulo, 12 de junho de 2009.
    . “Art. 206. Causar, ou provocar, cessação ou suspensão de trabalho, para impor aos operarios ou patrões augmento ou diminuição de serviço ou salario:
    Pena – de prisão cellular por um a três mezes.
    § 1º Si para esse fim se colligarem os interessados:
    Pena – aos chefes ou cabeças da colligação, de prisão cellular por dous a seis mezes.
    § 2º Si usarem de violencia:
    Pena – de prisão cellular por seis mezes a um anno, além das mais em que incorrerem pela violencia.”

  12. gepeto disse:

    Procura-se um líder e nao somente um reitor, gestor etc . Alguém que todos possam seguir, sem colocar em dúvida seus propósitos para melhorar a USP, apenas discordar e negociar.
    Essa deveria ser a busca da comunidade acadêmica uma vez que o governador provisorio (ex-prefeito provisorio, ex-ministro provisório) está com a cabeça em 2010 em brasilia, em um cargo que é o objetivo único de sua vida e sua desenfreada ambição: presidente da república. Aliás é o que a Unicamp e Unesp deveriam fazer também. O estado de são paulo está acéfalo desde a morte de covas, pois os que o sucederam sempre usaram o cargo de governador como trampolim, assim como reitores da usp e unicamp e também do ministério publico. Quer outro exemplo pior que a educação? Segurança Pública e a policia que é mais bandida que os bandidos.
    Pobre estado rico.
    Acho que precisamos de um interventor como fez Vargas.

  13. gepeto disse:

    Complemento: ao Gilberto Ferraz.
    O unico estado que distribui material violento e porno à crianças é o de Sao Paulo. Entao, nesse caso, pobre educação paulista.
    Os outros não tem governadores que licita milhões em livros inuteis, definidos pela secretária particular de serra e sua irmã à revelia da secretaria da educãção, abandonando o verdadeiro curriculum escolar, prá ficar de bem com editoras, jornais e revistas visando 2010. Cada culpado no seu lugar.

  14. Wilson Nagem disse:

    Claudio,
    Parabens, irretocável! E a esquerda infantil continua!

  15. Juliana Olívia disse:

    Entre informações inconsistentes e a discussão rasa (pra não falar inexistente) q Claudio Abramo faz acerca da presença da polícia no campus, sugiro q ao menos o presente autor procure se informar mais a respeito de como os reitores são escolhidos…

    Prezada Juliana: Não há realmente discussão a fazer sobre a presença da polícia no campus. Quanto à escolha de reitores, o ponto é que não cabe processos pseudodemocráticos. Universidade não é democracia.

  16. Valcir Cruz disse:

    Posso citar exemplo que vivenciei pessoalmente, o processo de eleição direta do reitor da UNESP. A UNESP uma das três universidade públicas paulistas possuía a seguinte forma de eleição do reitor: uma llista tríplice elaborada pelo Conselho Universitário era encaminhada ao governador do Estado que então escolhia o dirigentes. O Conselho Universitário, este sim, o resultado dos conchavos acadêmicos de toda ordem, restrito, corporativo e carreirista, quase sempre está muito distante dos anseios da comunidade universitária e na própria produção de conhecimento.
    Após longa luta da comunidade, hoje a UNESP elege diretamente o seu reitor. No processo de conquista da eleição direta e universidade elegeu uma estatuinte, onde todos os segmentos da counidade foram representados. Hoje a UNESP é uma das instituições mais produtivas e democráticas do país.
    Como funcionário da USP pude ver de perto o que representa a casta acadêmica, estão virados de costa para a sociedade. Ocupam suas salas como se em suas casas estivessem, possuem até geladeira dentro da sala. Quem paga a conta ?.
    Essa gente é que é leita para o conselho universitário, o reitor que deste espaço sair, será comprometido com toda esta cultura anti-universitária.
    Abramo possui um viés de pensamento conservador e autoritário, muito divulgado pela casta acadêmica da USP, para quem a universidade é um assunto exclusivamente dos professores, estes sim detentores do “saber institucional”. Mas, em um ponto o autor tem razão quando aponta os grupelhos sindicais. Mas se formos aproximar mais nossa lente de análise,
    veremos que os grupelho, no sentido de grupos corporativos e pouco representativos, estão presentes em todos os setores da USP. Existem os grupelhos de professores incrustados no departamento, grupelho de funcionários e estudantes.
    Na verdade, a USP é vítima de seu próprio elitismo, não há um projeto de universidade que unifique a comunidade, diferente do que há na pujante UNICAMP e no florescente dinamismo da UNESP.

    Prezado Valcir: Para talvez reforçar a sua observação de que a opinião expressa é “conservadora e autoritária”, adianto que professores também não devem votar em reitor, diretor etc., precisamente porque estimula o corporativismo e o fortalecimento do que há de mais medíocre na academia.

  17. paulo disse:

    prezado cláudio,

    realmente existem muitas incompetências envolvidas no caso, especialmente no campo da capacidade de dialogar, negociar, convencer e acordar. MAS MAIS INCOMPETENTES SÃO OS PERSONAGENS ENVOLVIDOS QUE FIZERAM DA POLÍTICA SUA PROFISSÃO. POIS UM POLÍTICO QUE NÃO SABE NEGOCIAR NÃO SERVE PARA NADA.

    NA VERDADE NÃO É POLÍTICO É APENAS UM GESTOR DA TRUCULÊNCIA PARA A QUAL BASTAM BOMBAS, CÃES E PRISÕES

    por fim se a reitoria não deve ser eleita pela comunidade universitária, como poderia ser eleita a reitoria?

    tenho certeza que não deveria ser nomada pelo governador, ainda que se considere nosso senhor eleito pelo voto sagrado?

    nomeada apenas pelos professores, pelos mais sábios,talvez? mas não é assim que eu penso – sábios em que? em muitas coisa…. mas será que naquilo que interessa? e naquilo que interessa a quem?

    há muita fumaça nessa fogueira, mas nassas horas, ainda que as vítimas não estajam cobertas de razão. elas são as vítimas!!!, é fundamental que sejam as vítimas, pelo menos numa sociedade de direito e domocrática

    apanharam, poderiam ter morrido. e a gente sabe que as coisas se resolvem de muitas formas , como serão efetivamente resolvidas. não precisa de polícia, em nenhuma das hipóteses possíveis, imagináveis a polícia se faz, se fez ou se fará necessária na solução desse conflito.

    isso de colocar polícia reprimindo a sociedade em são paulo faz parte da griffe, tem quem goste.

    pois nada, absolutamente nada, justifica a ação da polícia – muito menos uma “reintegração de posse” que diz respeito ao mero patrimônio material – e que por lei não autoriza prisões nem agressões.

    quem deu ordem de prisão com base numa reintegração de posse? quem deu uma ordem dessas tem que ir preso!!!!

    Prezado Paulo: Conforme escrevi, não subscrevo a ação da polícia. Mas também, conforme escrevi, se grupos impedem o ir e vir dentro de qualquer lugar, isso é assunto de polícia. E reitor (diretor etc.) não pode ser eleito. E é óbvio que, numa universidade, os mais sábios são, sim, os professores — quem seriam, além desses? Embora, na USP e na universidade brasileira generalizadamente, é preciso lente de aumento para encontrar gente de fato sábia.

  18. Alexia disse:

    Irretocável, o texto. Concordo que alunos, professores, funcionários, não devam eleger reitores. Gestão de universidade não é cargo político (ou pelo menos não deveria ser), é tarefa para um executivo. E, para falar a verdade, a experiência que tenho, como moradora de uma cidade gerida por uma “executiva” oriunda “das lutas” de uma universidade (a federal do ceará) não é das melhores: retórica sempre afiada, lixo e buraco nas ruas e uma total incapacidade de estabelecer prioridades.

  19. jose xiri de souza disse:

    É engraçado!! a solução é muito simples, aliás já tem precendentes, as melhores universidades americanas são pagas. Não esqueçam que esta é uma especialidade do governador. Porque não privatizar uma faculdade de burgueses. Porque que meu dinheiro tem que financiar algo que não me traz retorno. Imagine um médico formado pela usp, universidade puubblliicca. Este cara cobra os mais altos honorários. Portanto sou extorquido duas vezes. É ou não é a realidade. Se querem discutir ensino publico para a população, discutir a USP é de uma irracionalidade extravagante.

  20. Amanda Rossi disse:

    O artigo tem erros graves sobre as eleições para reitor na USP, que poderiam ser facilmente evitados se o autor tivesse pesquisado minimamente sobre o assunto. Sugiro que ele acesse o Estatuto da USP, Título IV – Da Administração da Universidade, Capítulo V (http://leginf.uspnet.usp.br/) e descubra como é eleito o reitor da USP. Adianto de forma breve, apenas para ajudar na reparação do erro do autor: na eleição para reitor da USP não vota a comunidade universitária. O processo é completamente anti-democrático. Uma lista de três nomes é escolhida por um restrito número de professores que fazem parte de conselhos centrais. Desta lista tríplice, o Governador do Estado de São Paulo escolhe o Reitor. Uma das bandeiras do movimento de estudantes, funcionários e professores da USP, que este autor tenta deslegitimar, é justamente a mudança neste processo eleitoral, para que ele se torne mais transparente e democrático.
    Além da reparação do erro de informação, muito grave, gostaria que o autor explicasse a frase: “Se o reitor é eleito por gente que não tem a menor idéia do que é exigido de alguém que deva dirigir uma organização qualquer, que dizer de uma universidade que tenha auto-respeito, só se pode esperar desse indivíduo que seja um demagogo incompetente”. O que faz o autor pensar que o cidadão tem condições de eleger representantes para a administração pública municipal, estadual e federal, mas não tem condições de eleger representantes para a
    administração universitária? Da mesma forma, podemos esperar de todos os eleitos para a administração pública que sejam “demagogos incompetentes”?
    Grata,

    Prezada Amanda: 1) A lista tríplice submetida ao governador é formada a partir de eleição. 2) Universidade não é democracia. Universidade precisa formar pessoas para ocupar funções no mercado de trabalho e precisa produzir conhecimento. Aliás, universidade não é primordialmente “o local da palavra”, como tantos andam dizendo (em particular gente que nunca produziu nada que possa receber a denominação de conhecimento); universidade é também local da palavra (ou seja, local de crítica), mas é antes, e muito antes, o lugar em que se devem cumprir as funções acima descritas. 3) O processo de escolha de um reitor precisaria ser subordinado a um projeto de futuro tendo essas funções como objetivo central. 4) Mas no caso da USP tudo isso é teoria, pois essa universidade não tem futuro, dominada como é por noções descabeladas a respeito de seu papel e que a fazem charfurdar cada vez mais na mediocridade.

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