Ladeira abaixo
O episódio em que a Polícia Militar foi mobilizada para cumprir ordem judicial de reintegração de posse de próprios da Universidade de São Paulo oferece oportunidade para se compreender alguns dos motivos pelos quais essa instituição entrou em coma. Alguns desses sinais se encontram nas manifestações de professores da USP que vieram a público para recriminar a ação policial.
♦ Preliminarmente, observe-se que a Reitoria da Universidade não tinha outra alternativa senão recorrer à Justiça para garantir a liberdade de ir e vir dentro de seu campus, comprometida pela ação de piquetes de funcionários e estudantes.
♦ Isso levou à ação da Polícia Militar, a qual, como de hábito, não sabe como agir. Da mesma forma como se comporta toda vez que é chamada a intervir (como, por exemplo, em estádios de futebol), a PM demonstrou não dispor de treinamento para lidar com multidões. Seu método é usar o cassetete. Demonstra isso dia sim, dia não nos estádios de futebol e demonstrou de novo na USP. Disciplinar a PM é um problema não resolvido pelos governadores que se sucedem.
♦ Alguns daqueles que se manifestaram publicamente sobre o ocorrido para reclamar — com razão — da violência policial foram além, reclamando da própria presença da polícia. Para eles, a Universidade deveria permanecer out of bounds para a polícia. Qualquer assunto relativo à USP deve, em sua visão, ser resolvido intra-muros.
♦ Esses oráculos do esquerdismo infanto-juvenil da USP demonstram, com isso, o tamanho de seu elitismo. A Universidade, para eles, é deles. Para quem lhes paga o salário, ou seja, nós, uma banana.
♦ Alguns exigiram a demissão da reitora. Que essa reitoria da USP é uma incompetente, poucos discordariam. Mas essa reitora não é incompetente por ter entrado no Justiça para defender a instituição da ação predatória dos grevistas. Ela é lamentável a começar da forma como foi conduzida ao posto — numa eleição em que votaram professores, funcionários e alunos.
♦ Quem inventou esse monstrengo pseudodemocrático da eleição de reitores e diretores foram exatamente esses que hoje reclamam da incompetência da reitora. Mas o que queriam? Se o reitor é eleito por gente que não tem a menor idéia do que é exigido de alguém que deva dirigir uma organização qualquer, que dizer de uma universidade que tenha auto-respeito, só se pode esperar desse indivíduo que seja um demagogo incompetente.
♦ Se o reitor de uma universidade é eleito pela “comunidade universitária”, é inevitável que o eleito chegará ao cargo por meio de acochambramentos com entidades de funcionários, facções estudantis e corporações acadêmicas preocupadas fundamentalmente com a “carreira”.
♦ Nada disso é respeitável e não merece respeito.
Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Vamos corrigir: os alunos e professores não-titulares não tem poder de voto na USP. Apenas professores titulares e representantes discentes votam. Após a votação, os três mais votados são colocados para a apreciação do governador que escolhe geralmente o mais votado.
Estudar na USP para mim é uma decepção, é só nome, status, o ensino é muito precário.
Amigo Cláudio. Se o que vai levar ladeira abaixo à USP é a intromissão democrática dentro dos seus mecanismos acadêmicos, você vai ter que incluir, por uma questão de justiça, todas as universidades públicas brasileiras (e algumas das centenárias europeias). Repito que na melhor das hipóteses, o que temos e teremos é um sistema onde o peso dos docentes na hora de escolher diretores e reitores vale 70%. Isso vem da LDB. O que está na mesa de debate de todas as universidades públicas vai desde uma “democratização” deste índice (tipo 50, 25, 25) ao sistema de paridade entre os 3 segmentos. Acho que isto já ocorre na UnB (e se não me engano, no pacote democrático entrou o orçamento participativo; se errei que alguem corrija). Assim, é bem provável que outras universidades desapareçam no abismo bem antes que a USP.
Prezado Roelf: A pseudodemocracia é apenas um dos fatores que levam a academia brasileira para o buraco. Quanto a eleições para reitores etc., já existe nas federais (não estou certo se em todas).
Parabenizo o prof. Claudio Abramo pela excelente colocação. Acho que poucas pessoas tem essa visão comedida. Lamentavelmente um pequeno grupo de pessoas acha que pode ditar todas as regras exercendo uma ditadura explícita. Pior… votar para reitor quem acabou de entrar na USP…
Estas várias facções de esquerda existentes querem implantar o comunismo pela força. O Brasil não quer este tipo de coisa. Fora LER-QI, AJR, PCO, PSTU e outras facções de esquerda que tais!
Assim como vários colegas aqui ja comentaram, é irritante ouvir o que a mídia (Boris Casóy, SPTV [globo], Datena e agora o referente autor [Cláudio] têm escritos sobre a USP sem ao menos ter pisado dentro da universidade e conhecer assim suas especificidades. Ao Cláudio quando ele afirma que a reitora foi eleita pelo voto democrático da comunidade uspiana, se enganou totalmenteee! Não existe voto direto para reitor. Pergunto-lhe, você sabe o peso dos votos do colegiado??? Sabe se a representação dos votos de funcinários, estudantes, professores, etc é igual???
Esse é o problema de jornalistas, acham que estudando 1/2 horinha um assunto podem sair escrevendo e disseminando bobagens..
Prezado: Você faz declarações sem ter noção do que diz.
MUITO BOA SUA ABORDAGEM…
MUTATIS MUTANTIS… TEMOS O MESMO PARA NOSSOS ATUAIS
GOVERNANTES (MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL)…
É UMA VERGONHA
Cláudio, sugiro que faça uma redação contendo essas palavras: NEOLIBERALISMO, JOSÉ SERRA, ENSINO TÉCNICO, UNIVESP e ACRÍTICO.
fuii
Realmente, a PM de SP atua de forma muito ruim, usando capacetes e escudos para não tomar pedradas, além de bombas e cassetetes. Ainda faz o confronto corpo-a-corpo… isso é covardia. Deveriam utilizar carros com jatos-d’água (ou tinta) e não bombas. Em países civilizados é assim. Por que aqui, num país tupiniquim, a PM ainda insiste em se aproximar de manifestantes, de igual por igual? e ainda dá entrevistas par justificar seus erros…
Nessa PM só tem pessoas burras, mal treinadas, péssimos profissionais, que investem contra ordeiros torcedores que comparecem aos estádios acompanhados de suas avós e filhos. Essa é a mesma PM que, sem qualquer motivo aparente, descarregou bombas contra ordeiros estudantes e professores. Dizem que foi porque dezenas de estudantes apenas cercaram 5 policiais e os ofenderam com palavrões e escarradas. Até falaram que ofender PM em serviço é crime de desacato. Que mentira… Essa meia dúzia de filmes que giram pela Internet são falsos. Puro teatro…
Creio que o senhor seria um excelente instrutor de bons modos para a PM.
Como na PM faltam instrutores capacitados e a PM não tem critérios e nem técnicas, são profissionais despreparados, utiliza equipamentos produzidos sem quaisquer estudos ou pesquisas, xingam manifestantes, prendem sem motivos, são desordeiros, o senhor poderia participar da preparação dos policiais militares.
Colabore, por favor, com a sua plena capacidade não só de crítico, mas como de observador e técnico em atividades policiais.
Obrigado.
Como protagonista dos anos de chumbo, e companheiro do Cap. Lamarca, e preso no DOI-CODI-RJ, digo: À coisa pública é para os que não tem poder aquesitivo e, o sistema tem que servir o povo, e não o povo servir à coisa pública como por exemplo: Nós matamos á sede com água torneiral e à coisa pública degusta água mineral, sem comentários…
Todos os sitemas é uma berração dos gerenciamentos desses burgueses de elite como deuses infiltrados e impondo seus dogmas de imperalistas nas custas da base da pirâmide.
Ao gepeto:
Bela cortada, foi bem no fundo da quadra, obrigado.
Eu não tenho mais paciência para esses povo das universidades públicas brasileiras. Na sua maioria, todos têm a mesma forma de pensamento, um pensamento chato, enlatado e atrasado. O País, não merece tanto sacrifício para manter dinheiro público para gastar com esse povo, que fica anos estudando, depois passa a trabalhar lá(USP ou qq outra pública) e dentro da mesma linha de idéia, não podem colocar ninguém que pensem diferente. Vejo, esse mesmo povo, que cobra melhorias na educação, mais investimentos no ensino superior, laboratórios, enfim…. Falando que se os pobres entrarem nas universidades, vão acabar com o ensino superior do país. Acho eu, que devem acabar com o ensino do país deles, mais com dinheiro meu, seu e de todos os brasileiros…
Severian Rocha,
O duro é que a USP e as universidades públicas ainda são o que de melhor há no ensino e pesquisa no país.
Se fosse verdade a existência da eficiência privada, teríamos várias universidades não-estatais de excelência. Não é o que acontece. No máximo tem uma ou duas fundações ou alguma outra ligada a igrejas.
Cadê a nossa Stanford?