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10/06/2009 - 08:18

O blog da Petrobras e a praga das assessorias de imprensa

A respeito do tal blog da Petrobras, ontem escreveu-se neste espaço que:

1. Ao publicar perguntas de jornalistas e as respostas oferecidas antes que os veículos publiquem as suas matérias, a Petrobras não descumpre nenhum princípio de relacionamento com a imprensa.

2. Contudo, como a Petrobras precisa da imprensa por causa de suas relações com o mercado, não creio que a atitude durará. É provável que a empresa volte atrás.

3. A Petrobras deveria continuar a publicar perguntas e respostas após a publicação das matérias correspondentes pelos veículos, pois isso pode ajudar a melhorar a qualidade da produção de jornalistas e de jornais.

Observo que a prática poderia ser adotada por outras empresas e organismos do Estado.

Muito bem, abordada a questão sob o ponto da cobertura jornalística, vejamos agora o “outro lado”, a saber, o que o blog da Petrobras mostra a respeito da… Petrobras. Decerto não era essa a intenção dos dirigentes da Petrobras ao desencadear a iniciativa, mas uma consequência direta é também mostrar como a empresa não responde a perguntas.

O blog tem uma categoria de notas intitulada “Respostas da Petrobras”, em que se exibem as tais perguntas e respostas. É instrutivo examinar esse material.

Tomo dois ou três exemplos. Em vermelho, perguntas que não são de fato respondidas, mas embromadas. (Não são todas assim, mas uma quantidade demasiada é. Convida-se o eventual visitante a verificar por si mesmo.)

Folha de S. Paulo, 4/6/2009:

Pergunta: A Aepet reclama ainda da grande quantidade de dirigentes da FUP ocupando cargos de gerência ou assessoramento na Petrobras e também na Petros.
Resposta: Na Petros, todos os profissionais são capacitados tecnicamente para a função que exercem, inclusive na Direção, onde a lei exige experiência profissional e curso superior.

Pergunta: Qual a explicação da Petrobras para a nomeação de sindicalistas para cargos de gerência ou direção na companhia?
Resposta: Todos os gerentes e diretores da Petrobras são empregados concursados, atuaram em diversas áreas e têm no mínimo 10 anos de empresa.

O Globo, 1-2/6/2009:

Perguntas: Como é a estrutura de comunicação da Petrobras? Detalhar essa estrutura. Está ligada direto à presidência? Quantos profissionais ao todo trabalham na assessoria de imprensa? Desses, quantos são funcionários concursados, e quantos são contratados? Especificar quantas trabalham na assessoria, seja em atividades internas como site, etc., seja para atender imprensa, etc. Qual é a estrutura nas diretorias e subsidiárias (tem diretoria que publica boletins internos, e tem assessores específicos como na diretoria de Gás, Engenharia, E&P, além dos assessores diretos da presidência, etc.). Por que a Petrobras contratou a CDN? O pessoal próprio já não seria suficiente para atender a demanda da CPI?

Resposta: A Petrobras possui várias gerências de comunicação tanto na holding quanto nas subsidiárias. Na sede, além da Comunicação Institucional ligada ao presidente, existem gerências de comunicação ligadas às diretorias de Exploração e Produção (E&P), Abastecimento (ABAST), Gás e Energia (G&E), Serviços (SERV), Financeiro (FIN) e Internacional (IN) que atuam de forma independente para atender suas necessidades.

Além destas gerências corporativas na sede ainda existem as regionais que cuidam das comunidades vizinhas às instalações da Companhia. São nove unidades de negócio do E&P (áreas de produção de petróleo e gás) espalhadas pelo país, 16 refinarias e 3 fábricas de fertilizantes do ABAST, e os empreendimentos da engenharia (SERV). A área internacional (IN) possui estruturas de comunicação na Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Estados Unidos e outros países, além das subsidiárias Transpetro, com terminais em todo o país e Petrobras Distribuidora, com escritórios nas grandes capitais. No total são cerca de 1.150 pessoas, sendo 400 na Comunicação Institucional e 750 nestas outras áreas da empresa entre empregados concursados e profissionais contratados.

A Petrobras, assim como toda grande empresa, possui um Sistema de Comunicação de Crise com o objetivo de comunicar-se de forma ágil, objetiva e transparente, buscando atender às demandas de informação de seus públicos de relacionamento principalmente em situações de crise. O Sistema foi criado por norma, aprovada pela diretoria em 2002 e desde então atua em todos os momentos mais importantes como acidentes, greves ou outros assuntos de maior relevância que em, muitos casos, exigem a contratação de agências externas de forma a garantir o pleno atendimento a todas as demandas de comunicação.

Como se percebe nesses exemplos, a publicação das respostas da Petrobras ajuda também a perceber que a empresa procura esquivar-se de questionamentos que lhes são dirigidos e para os quais não tem ou não quer dar as respostas. Saber isso é também útil para a informação do público.

Assessorias de imprensa

Outra peculiaridade interessante diz respeito ao título desta nota: a praga jornalística de aceitar que assessorias de imprensa funcionem como fontes legítimas de informação.

Ao apresentar as perguntas dos jornalistas e as respostas que produz, o blog da Petrobras abre informando que “Em x/x/2009, o jornal Y entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras para produção de uma matéria sobre o assunto Z. As perguntas do(a) jornalista e as respostas da Petrobras estão disponíveis a seguir”.

No que se constata que jornalistas entram em contacto com a assessoria de imprensa da Petrobras para formular perguntas, mas as respostas não vêm dos funcionários da empresa que de fato são responsáveis por algo objetivo e sim da própria assessoria de imprensa.

As afirmações constantes das respostas não são atribuíveis a ninguém, mas “à Petrobras”. (Quando se lê esse tipo de coisa, aprenda o eventual visitante que quem forneceu as informações não foi alguém que faça algo de relevante nas empresas e ministérios e secretarias etc. etc., mas um assessor sem responsabilidade sobre coisa nenhuma.)

No material que a Petrobras publica em seu blog não há uma única menção a respostas fornecidas por pessoas que efetivamente exerçam responsabilidades concretas na empresa — nem mesmo no caso de um gerente (Wilson Santarosa, que ao que parece é o czar da “Comunicação Institucional” da Petrobras) nominalmente mencionado em perguntas como “escalado” para a tropa de choque anti-CPI. Quem responde a perguntas sobre o sr. Santarosa não é o sr. Santarosa, mas algum assessor de imprensa que permanece anônimo.

Essa prática, de assessores de imprensa assumirem papéis que não lhes cabem, desvirtua a função da assessoria de imprensa. A principal responsabiliade por esse desvirtuamento é da imprensa, ao aceitar que esses intermediários assumam papéis que não são deles.

A justificativa de existência de assessorias de imprensa em organizações grandes deriva da necessidade de direcionar internamente as demandas que vêm da imprensa. Um repórter não sabe necessariamente quem na empresa responde por isto ou aquilo. A assessoria de imprensa serve, em princípio para isso.

Outras atividades que assessorias de imprensa oferecem a seus clientes incluem “cavar” matérias, arranjar almoços de executivos com jornalistas, pressionar editores em nome da empresa ou órgão público e outras intermediações desse tipo.

Alguns assessores de imprensa limitam a sua atividade à função primordial, que justifica a sua existência. Muitos, porém, são na prática lobistas, atravessadores, traficantes de influência.

Embora apresentadas como “facilitadoras”, grande parte das assessorias de imprensa contratadas por empresários e por burocratas do Estado na verdade tem a função de erigir uma barreira entre o fulano e a imprensa. Não trabalham em favor do fluxo de informações, mas no sentido oposto.

Tome-se um só dos exemplos replicados acima. Se a resposta embromatória à pergunta “Qual a explicação da Petrobras para a nomeação de sindicalistas para cargos de gerência ou direção na companhia?” proviesse de Fulano de Tal, diretor da área Sicrana da Petrobras, o jornal lascaria lá, com toda razão: “Perguntado, o diretor Fulano de Tal não quis responder”. (Na verdade, o que passa por objetividade jornalística hoje em dia proibiria usar o verbo “querer”, pois “querer” é subjetivo. Escreveriam, em vez, “não respondeu”.)

Frente a tal possibilidade, é de se duvidar que a Petrobras (ou qualquer outra empresa, estatal ou privada, ou burocrata governamental) tratasse certas demandas da imprensa como trata. Alguém seria responsável pela embromação, e esse alguém teria de responder a seus pares, chefes, acionistas etc. pelo que tivesse deixado de declarar ou informar.

Observe-se que o estado de coisas vigorante poderia ser facilimamente neutralizado pelas empresas jornalísticas. Bastaria a elas recusar-se a aceitar que suas perguntas, questionamentos, solicitações de dados e assim por diante fossem atendidas por assessores de imprensa.

Empresas e burocratas poderiam continuar a contar com essas assessorias, mas agora colocadas no seu lugar devido, a saber, o de identificar quem na estrutura da empresa ou do órgão público melhor poderá responder às demandas da imprensa e, a partir daí, tirar o time de campo.

Observo que assessores de imprensa não falam em noticiosos de televisão ou rádio: quem fala é alguém responsabilizável. Por quê jornais impressos e noticiosos de Internet aceitam o que as TVs não aceitam?

O diabo seria lidar com as relações de dependência mútua que se criaram nas redações entre muitos repórteres e os assessores de imprensa das áreas que cobrem. Um jornal que adotasse a prática de eliminar assessores de imprensa como fontes de reportagens enfrentaria uma penca de problemas internos.

Ainda assim, valeria a pena. Os leitores agradeceriam.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

56 comentários para “O blog da Petrobras e a praga das assessorias de imprensa”

  1. Ricardo disse:

    Interessante isso! Tenho acompanhado todas essas questões e fico impressionado como a imprensa vive se escondendo atrás da liberdade de expressão e do sigilo da fonte e agora, quer inibir que as empresas publiquem suas notícias, entrevistas que concede, suas respostas. Quer dizer que agora só os jornalistas podem publicar notícias? quer dizer que assessoria de imprensa (que emprega a maioria dos jornalistas) não servem pra nada? Quer dizer que a imprensa quer ditar (de ditadura mesmo!) o que o povo tem que ler? Quer dizer que eu, cidadão comum, que pago meus impostos, sou obrigado a ler as entrevistas editadas, desvirtuadas, interpretadas de acordo com a conveniência dos veículos e das ideologias (pra não dizer partidos) políticas a que servem? Quer dizer que não pode haver contraditório? Quer dizer que vocês podem falar o que quiserem e ninguém pode responder na mesma intensidade? Quer dizer que vocês têm o poder? Quer dizer que vocês dizem a verdade? Pra quem?
    O que quero dizer com isso tudo é que a população em geral está entendendo tudo o que vocês estão fazendo e estão escolhendo melhor o que vão ler ou assistir. Lembro-me quando fiz o curso de comunicação que no jornalismo era ensinado o compromisso com a verdade, com a ética, com a transparência. Infelizmente, isso parece ultrapassado. O compromisso é com a edição ou com a interpretação de quem edita a notícia. Infelizmente, hoje, sinto vergonha de ler determinados jornais e revistas, assistir certos canais e, agora, acessar este site, esta coluna e outras que, no afã do corporativismo patronal, abrem as portas para um bom exemplo do que vem a ser o futuro para o próprio jornalismo, dando um fim a essa época pobre de um jornalismo marrom que assola, infelizmente (digo mais uma vez), o nosso país. O pior é que a cegueira impede esses meios de enxergar que quem compra a notícia somos nós. E se eles nos enganam, nós podemos e devemos procurar os nossos direitos. A constituição nos garante.

    Prezado Ricardo: Vocês quem, cara pálida? De toda forma, você realmente acha que material proveniente de assessoria de imprensa vale alguma coisa? Isso sim é ingenuidade.

  2. Ivan Lima disse:

    Não entendi um ponto. Se os tais sindicalistas nomeados são concursados, têm pelo menos 10 anos de empresa e atuaram em diversas da empresa, a pergunta não foi respondida?

    O fato de serem sindicalistas desqualifica a nomeação?

    O fato de serem sindicalistas levanta suspeita de favorecimento?

    Que perguntasse isso, então.

    Caro Ivan: 1) Não fiz a pergunta, apenas a reproduzi e argumentei que a Petrobras não respondeu. 2) Quanto à minha opinião sobre sindicalistas etc. (se é que há interesse nisso, não estou certo), repito o que comentei antes: não há problema em sindicalistas ocuparem funções em qualquer lugar. Há problemas se sindicalistas são em quantidade exagerada, que é o que a pergunta procurava esclarecer a partir de constestações formuladas por terceiros. (Ver o blog da Petrobras para entender o contexto.)

  3. Marcos Aleixo disse:

    Pelo tipo das perguntas enderçadas fica claro que nesses exemplos é puro jornalismo “inquisidor”,tendencioso e de amparo em algum organismo político e a Petrobras ao publica-los em blog desnudou esse tipo de jornalismo,que nada tem haver com informação…..Pra bom entendedor…já basta !!!!………

  4. Neto disse:

    O governo de São Paulo tem inúmeros blogs: A Folha, O Estadão, Veja, Isto È, O Globo,… e por aí vai. Tem também assessores de imprensa: Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Gerald Thomas, Josias da Folha… e por aí vai. Os jornalescos que criticam o blog da Petrossauro são os mesmos que, em outros tempos, davam colo para Renan Calheiros, José Sarney, Geddel Vieira Lima, Jáder Barbalho… e por aí vai. É uma “suruba” só.
    E por falar em ” escândalos fictícios”… A FICHA SUJA DE DILMA OS DÓLARES DE CUBA PARA O PT EM MALAS E GARRAFAS DE UÍSQUES, O GRAMPO NOS TELEFONES DO STF, A ESCOLA BASE, AS CONTAS DE LULA NOS PARAISOS FISCAIS…

  5. Edson disse:

    Os cães latem e a Petrobras não para de crescer ultrapassando entre outras a Microsoft. Porque um sindicalista não pode ser diretor da Petrobras se tem competência suficiente? O presidente também tem que ter diplomas e títulos honoris causa? Ou tudo não passa de preconceito e tentativa de manter o status quo! Perderam a boquinha vitalícia, corporativa e agora estão esperneando não é? Inclusive conheço alguns indicados pelos Demos/P$DB que continuam por lá se fingindo de mortos e nenhum deles concursados! Continuem latindo porque esta dando bastante ibope! Fora já os jornalões partidarizados! Rs…

  6. Paola disse:

    Este foi uma das argumentações mais coerentes que já li a respeito do assunto. Sou jornalista e, de fato, não vejo problemas em a Petrobrás publicar o conteúdo e a íntegra das entrevistas. Mas é impossível deixar de notar a grande estrátégia de comunicação para manipular a opinião pública que se instalou a partir deste blog. Se a imprensa edita, manipula, o que faz a Petrobrás? Também manipula e edita. Não permite que outros assuntos, outros questionamentos que não sejam a CPI sejam dicutidos no espaço. A iniciativa é de fato válida, mas não sejamos tão ingênuos a ponto de só aplaudila. Interesses e pontos de vista serão sempre defendidos, seja no jornal ou na internet.

  7. Henrique Ostronoff disse:

    Essa praga de assessoria de imprensa, pelo jeito, está generalizada. Pensava que esses truques eram aplicados apenas a repórteres, como é o meu caso, de veículos de editoras pequenas e médias. Mas vejo agora pelo seu blog que a chamada grande imprensa também é vítima. Quantas vezes não consegui uma entrevista com alguma “autoridade” em ministérios e secretarias ? São incontáveis. A embromação e os adiamentos constantes (até a desistência, pois chega uma hora que não há mais como esperar) são a regra. Há exceções, lógico. Mas o quadro geral é lamentável.

  8. Marcelino Ribeiro disse:

    Caro Cláudio,

    Me espanta, uma pessoa como o o sr. inserida em questões sociais relevantes, postar algo tão chinfrin, em especial com relação ao questionamento de sindicalistas em cargos de gerência. Voce coloca a resposta da empresa como uma não resposta às perguntas.

    Que é isso??? Como pode uma interpretação dessa vindo de alguém com o senhor que tanto luta por transparências? Que relevância tem isso? Um pouco de história, a leitura de alguns meios no início do governo Lula o papo era esse de aparelhamento pelo estado, ACM vociferava no senado contra a república sindical que esáva se instalando no país e clamava pela atenção das forças armadas….

    A resposta da Petrobrás no blog explicita que o critério é comptência. A questõa portanto é se a empresa está sendo gerida com competência ou não.

    Esperava do senhor um comentário sobre o enorme preconceito que se quer jogar contra quem se empenha nas lutas coletivas que são os sindicatos e associações e ongs, e forjam um sentindo de público nas suas ações institucionais.

    Sinceramente, Cláudio lendo isso de vc é profundamente decepcionante

    Prezado Marcelino: Corporações jamais “forjam sentido público”. Corporações forjam privilégios para seus integrantes.

  9. geraldo l melo disse:

    Parabéns Cláudio pelo blog que eu já deveria ter visitado antes. Honra seu pai. Quanto ao blog da Petrobras, tá faltando um lembretizinho aí: a pergunta é do jornalista, não da empresa. As respostas são dela, claro, mas não a indagação ( pelo contrário, eles preferem não ser perguntados- e aqui está falando um assessor de imprensa que, de fato, não somos jornalistas, nem temos que responder por nada; ajudar sim, se puder, às vezes não podemos, vc sabe, hay q sobrevivir). O sujeito se desdobra para levantar um dado, quer checar e, aí, é furado pela própria fonte? EStá quebrada uma relação de confiança que deveria haver entre pessoas sensatas, conscientes, interessadas no bem público. Publicar depois sim; é uma contribuição cidadã, inclusive para vermos o que não responderam, como vc disse. DE qualquer forma, está levantado um assunto atualíssimo: internet versus impressos. Gostei da sua observação sobre estruturação da informação. Quem há de fazê-lo, se a imprensa acabar? Geraldo Melo.

    Caro Geraldo: A pergunta é do jornalista até que ele a formule a alguém. No momento da formulação, a pergunta foi compartilhada. É o mesmo que uma carta que A envia a B. O destinatário pode fazer o que quiser com a carta. É claro que pode haver um acordo, tácito ou explícito, de confidencialidade entre A e B. No caso de perguntas de jornalistas, nunca houve esse entendimento na forma de usos e costumes geralmente conhecidos.

  10. Marcelino Ribeiro disse:

    Caro Claúdio,

    As corporações em si não forjam sentido público. Elas privatizadas forjam essa coisa horrível que assistimos na crise econômica atual.
    Uma corporação pública, porém, forja desenvolvimento social e econômico. É o que a Petrobrás faz, e tanto tem feito que os artífices das privatizações não conseguiram levá-la ao ponto de forjar privilégios para seus integrantes.
    Abraço.
    Marcelino

  11. Livio disse:

    É lendo sua análise que se desmontam linhas de raciocínio tão apaixonadas como a de torcedores de futebol, mas tão isentas quanto se esperar da Gaviões da Fiel sobre um cidadão da Mancha Verde.

    Infelizmente, tanta parcialidade da pobre imprensa brasileira parece ter despertado muita simpatia por um blog corporativo, que surge como um “bastião de coragem” ao contrapor a pauta dos impressos, a sua versão da verdade – tão enviesada quanto pode se esperar de um dos lados “envolvidos” numa discussão.

    Parece incrível que mesmo pessoas inteligentes, se apressam a se alinhar a determinado lado ou facção, “justificado” pelos pecados do lado oposto.

    Assino embaixo quando argumenta que a melhor solução para isso passa por se interferir e atingir em todos os fatores que possam favorecer a ocorrência de ilícitos, como a transparência, a auditoria e, é claro, a punição – ágil e justa, aos responsáveis.

    Pena que em cada passo dessa seqüencia parece claudicar atualmente. Fico muito feliz com os progressos atingidos com a Transparencia Brasil, passei a inspecionar os políticos em quem votei (graças ao Excelencias), mas me envergonho de ter alcançado isto somente por quase mero acaso (além de alguma curiosidade). Isto que já tenho doutorado! Imagino o que acontece com o pobre cidadão de hoje, recém chegado na Inclusão Digital.

    Gostaria de ver a resposta do blog “Fatos e Dados” aos seus questionamentos, levantados em antigos tópicos, como os “Petrobras: dinheiro demais sem licitação” e ”
    Petrobras: dinheiro demais sem concorrência – Parte 2″ – fica a sugestão de uma futura pauta surgida de um questionamento de um blog cidadão.

    Parabéns pela competência

    Lívio

    Caro Livio: Obrigado. O melhor modo de disseminar a atitude de monitorar o que ocorre no setor público (como no Excelências) é informar outras pessoas.

  12. Paulo Marinho disse:

    A questão não é a quantidade de sindicalistas (sic) em posição de gerencia na empresa. A questão é o conflito capital x trabalho. O gerente recebe adicionais e vantagens pessoais para ampliar a extração da mais valia e o sindicato é entidade civil de defesa dos enteresses do trabalho buscando melhorar as condições de trabalho para o associado. É possivel estar dos dois lados? Vejo uma relação promiscua, como na época de Getulio Vargas, diretores do Intituto de Previdencia ocuparem cargos de confiança no governo. Estamos tendo prejuizos irrecuperaveis decorrentes dos acordos para dupla representação.

  13. Discordo que as perguntas em vermelho não foram respondidas, ou pelos menos não do jeito que você gostaria, não é mesmo ? Voce queria, o que ?Se os sindicalistas fossem da “força” sindical a imprensa não se incomodaria, talvez você também não!Essa CPI foi feita feita só para o psdb( sem projeto de país, vamos ter coragem de dizer) aumentar um pouquinho a sua bancada( dem e pps de brinde ) no congresso.Eu acredito que nem petrobras nem governo tem medo de nada, podem investigar tudo.O problema de você deixar pra lá, é que vai aparecer uma cpi por semana e se o governo tiver medo de combater esta ” prática patriota” este país literalmente pára. Aja “ética e compromisso” da oposição !

  14. coiote disse:

    Se abrirem a caixa preta da petrobras vai aparecer tanta sujeira que nao sobrará pedra sobre pedra,só que nao vao abrir porque tem gente demais com o rabo preso,e alem disso nao tem mais oposiçao,este governo conseguio comprar tudo e todos,até os institutos de pesquisa.

  15. Marcos Vinicius disse:

    Viva o Blog da Petrobras !!!

  16. paulo disse:

    Prezado Cláudio,

    As empresas em geral, sejam públicas ou privadas, devem sempre preferir não responder a questionamentos com todos os detalhes de seus processos internos, principalmente quando é uma empresa grande e complexa. Isso é natural. Em certos casos de respostas consideradas “embromadas”, pode até ser que a pergunta não tenha sido feita baseado em um fato. Um bom exemplo é quando pediram uma explicação para a nomeação de sindicalistas para cargos de gerência ou direção na companhia. Isso pode parecer tão absurdo para a empresa (pois não é verdade), que ela talvez até ache menos desatroso se colocar acima da própria pergunta, respondendo apenas formalmente sobre o processo natural de promoção dentro do plano de carreira da empresa. O fato de ela não ter respondido com todas as palavras (desnecessariamente) que “fulano não foi indicado por que talvez um dia tenha pertecido a um sindicato, mas sim por que ascendeu dentro da companhia por um processo assim ou assado…”, não autoriza ninguém a escrever “muitos cargos de gerência são ocupados por líderes sindicais” pela simples interpretação de que (1) a pergunta continha um fato verdadeiro, e (2) a empresa “embromou” nessa resposta.

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