Gramática do ornamento
Um dos terrenos em que a pasteurização globalizante se manifesta é na ornamentação arquitetônica. Qualquer prédio na Avenida Faria Lima, na Unter den Linden, na Quinta Avenida, em Kuala Lumpur ou em Shangai poderia ser transplantado para qualquer outro lugar sem que destoasse.

No passado não era assim. Toda civilização minimamente desenvolvida produziu um estilo próprio de ornamentação.
Embora, obviamente, o contacto entre culturas (pelo comércio ou pela absorção mais ou menos violenta dos impérios uns pelos outros) resultasse na transmissão de influências e na apropriação de técnicas, materiais e estilos, o caráter de cada civilização era visível nos ornamentos dos edifícios, monumentos e mausoléus.

Num desses esforços de compilação de que só ingleses e alemães eram capazes, em meados do século 19 o arquiteto londrino Owen Jones (1809-1874) coletou ao redor do mundo exemplos de ornamentação. Escreveu vastamente. Sua obra seminal é The grammar of ornament, que pode ser consultada em edição virtual facsimilar no sítio da Digital Library for the Decorative Arts and Material Culture da Universidade de Wisconsin (EUA).
[A Universidade de Wisconsin não pertence ao circuito das escolas de grande prestígio. Não obstante, mantém esse tipo de iniciativa. Algo que americanos (mais) e europeus (menos) criam aos montes, às vezes iniciado com trabalho voluntário. É algo impensável em nossa medíocre academia.]



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Na Gramática do Ornamento, Jones procurou formalizar os princípios básicos da criação de padrões repetitivos conforme se manifestavam na ornamentação. Formulou 37 desses princípios. Basicamente, se trata do que hoje se denomina “tesselação”. Um artista moderno que se notabilizou por explorar a tesselação foi o holandês M. C. Escher.

A obra de Jones contém inúmeras pranchas com exemplos de ornamentação das principais culturas da antiguidade remota e do passado mais recente. Algumas são reproduzidas nesta página. De cima para baixo e da esquerda para a direita, os exemplos são: árabe, egípcio, celta, assírio, grego, bizantino, indiano e persa.


Prezado Claudio Abramo
Tenho a opinião de que um dos maiores desastres ao desenvolvimento humanístico (aquele iniciado no Renascimento em que coloca o ser humano como centro de nossas inquirições sobre o Mundo Físico que nos cerca ), foi o aparecimento de ideologias totalitárias (tanto de Direita como de Esquerda) que sempre pregam o ódio à diversidade das manifestações das artes e da cultura. Esta nefasta “homogeneização” do pensar humano , como sentida intensamente nos tempos de hoje Pós-queda do Muro de Berlim e de víes “Wall-Streetiano” ( O dinheiro é o nosso Deus!) , o qual quando aceito retira todo o comportamento ético e filosófico subjacente as manifestações artísticas e culturais ,além de pregar a máxima de que todas as polêmicas e disputas devem ser consideradas como uma “guerrilha de sobrevivência” em que tudo vale !.Note que esta “farsificação” consentida e apreciada do ato cultural (trabalhos artísticos, trabalhos científicos, ideários político-partidários,etc..) tem sido uma triste constante nestes tempos Pós-queda Muro de Berlim! e está tendo reflexos de profundo impacto negativo nos sonhos de um mundo melhor da juventude humanaA regra deste novo mundo “monetarizado” ( Solely in Money we trust!) pode ser bem vista no seguinte protocolo do mundo de negócios de produtos e serviços eminentemente comerciais :
” A tendência mundial nas políticas tecnológicas e organização da inovação é o aumento da participação ativa dos Estados na promoção do aumento da competividade , visando a exportação de melhores produtos no Mercado,através de mecanismos de apoio à inovação tecnológica,alocando maiores orçamentos governamentais em P&D e em medidas de estímulos (subvenção/fomento e incentivos fiscais) “. Sob esta égide puramente comercial em total detrimento do paradigma humanista , o desastre esta se instaurando. Tenho a opinião de que mesmo conceitos humanistas de algum modo anacrônicos como o ideário patriótico pode ser melhor que uma total “monetarização” do Pensar Moderno Humanìstico .Veja a Coréia do Norte: apesar do seu PIB ser igual ao das Despesas Brasileiras Públicas nas Universidades e Institutos de Pesquisa , certamente o seu sucesso tecnológico sob tão terríveis condições geopolíticas compara-se a solidez dos sonhos de Ho-Chi-Min em sua vitória militar na Guerra do Vietnam!. Para você ter uma avaliação do patriotismo de lutas (mesmo equivocado!) na política ,deixe-me dizer que o valor agregado de um produto em relação ao seu nível tecnológico pode ser medido através do conceito da valorização unitária .Por exemplo : A Mineração tem valor 0.008;As atividades Agrícolas 0;50, Aço,Celulose,etc .1.0 Automotivo15. ;Vestuário e acessórios 20.,Eletrônico100. Aeronáutico (aviões comerciais) 1.5000 , Mísseis 3.000 ; Aviões Militares 2.000-8.000 ; Satélites e Artefatos Nucleares de baixa potencia 50.000 [ Ref : Tecnologia &Defesa ano 25,n115]. Pergunta-se : Quem está supostamente mais avançado , São-Paulo & Rio de Janeiro & Minas-Gerais ,etc ou a Coréia do norte no Campo Científico e Tecnológico ?. Meu caro Abramo, a Sociedade Brasileira infelizmente ainda prefere “tudo comprar” (até co-autorias de artigos científicos e Maestros!) ) e não persevera suficientemente para ser autônoma. Triste sina ainda a ser combatida nestes “Tristes Trópicos”.
Ainda bem, que Bauhaus nos livrou dessa ornamentação extemporânea.
Anacronismo assimilado pela arquitetura de subúrbio, e , replicada pela art-nouveau e déco.
Pena que não exista e-mail para o qual ei possa mandar exemplo de ações no Brasil.
Prezado João: 1) Existem alguns, pouquíssimos. Quase todos muito medíocres. Um ou dois são tratados em notas antigas deste blog. Veja a categoria dos “Passeios vituais”. 2) Não é necessário e-mail. Escreva os links num comentário.
“A Universidade de Wisconsin não pertence ao circuito das escolas de grande prestígio” ? Tá por fora: é de extremo prestigio e qualidade!