Menos mal, mas ainda assim… | Claudio Weber Abramo
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23/01/2007 - 18:26

Menos mal, mas ainda assim…

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As alterações propostas pelo governo à lei de licitações, anunciadas ontem
(aqui),
são quase todas muito boas. Quase.

Basicamente, se amplia o emprego do pregão, preferivelmente eletrônico,
procura-se impedir que pessoas implicadas em irregularidades cometidas por uma
empresa participem de licitações em outra empresa, estabelecem-se condições de
maior racionalidade para a comparação de preços unitários.

Tudo isso é muito bom.

O que não é nada bom é a redução dos prazos para a interposição de recursos
administrativos a decisões da autoridade responsável pela licitação. Conforme o
projeto de lei anunciado ontem, os prazos, que são hoje de cinco dias úteis (dez
numa certa circunstância) passariam a dois dias úteis (respectivamente,
cinco).

Isso não é nada bom. Dois dias é muito pouco, e
completamente impossível no caso de certames conduzidos em outros
estados ou mesmo outros municípios.

Reduzir o direito de contestação de decisões administrativas é antieconômico,
favorecendo a formação de cartéis locais.

De quebra, favorece a corrupção, porque, se contestações administrativas não
são apresentadas, a chance de acolhimento, na Justiça, de um mandado de
segurança contra as decisões resulta bastante dimuída. Disso se aproveitarão
agentes públicos desonestos, para direcionar as decisões para empresas
favorecidas — que pagarão o favor na forma de propinas.

Eis aí uma medida que não ajuda o país a crescer, ao contrário.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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1 comentário para “Menos mal, mas ainda assim…”

  1. Irineu Curtulo disse:

    Nunca haverá uma maneira segura de se fazer licitação nesse país de políticos corruptos e empresários corruptores.

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