Um mundão de gente
Coluna de hoje no blog do Noblat:
Pergunta: Onde é que se podem encontrar, reunidos, profissionais das seguintes áreas? Museólogo, astrólogo, bacteriologista, bombeiro, chaveiro, comunicólogo, bailarino, cortador, polidor de pedras, coveiro, engraxate, estivador, carregador, fiandeiro, tecelão, tingidor, físico, garimpeiro, joalheiro, lavandeiro, tintureiro, leiturista, foguista de embarcações, massagista, mestre de embarcação, modelo, montador de máquinas, operador de computador, operador de implemento de agricultura, relojoeiro, filólogo.
Resposta: Juntamente com 169 outras ocupações, aparecem nas listas de candidatos a algum cargo nas eleições deste ano.
Na noitinha do dia 11 de setembro, havia no Brasil 19.094 candidatos a alguma coisa, de presidente da República a deputado distrital (o número varia todos os dias, com a impugnação ou desistência de candidatos).
A categoria definida mais freqüente na lista de candidatos é a dos advogados (1548), seguidos de comerciantes (1494) e empresários (1480).
Há 909 candidatos que definem sua ocupação como “vereadores”, 1006 como “deputados”, 16 como “governadores” e 34 como “senadores” (uma vez que só há 27 postos no Senado em jogo, dado que Heloísa Helena se define como “senadora” e que Cristovam Buarque dá como ocupação “professor de ensino superior”, há ao menos seis fulanos surfando nessa onda).
Há também um “presidente da República”. Fui ver. É de fato o Lula, e não algum outro.
É interessante observar que Geraldo Alckmin define sua ocupação como “médico”. Dado que esse candidato é médico anestesista e que, desde que foi eleito vereador em Pinda, nunca mais viu o interior de uma sala cirúrgica, imagina-se que não lhe vai ser fácil encontrar emprego depois de 1º de outubro.
De todas as ocupações declaradas pelos candidatos, a mais freqüente é “outra” Há nada menos de 2732 indivíduos que definiram sua ocupação desse jeito.
Funciona assim: dois sujeitos conversam no botequim. Falam do futebol, das moçoilas que passam na rua, disto e daquilo e a certa altura um pergunta para o outro:
- E você, trabalha no quê?
- Em outras.
- Interessante. Conheci um camarada que também trabalhava em outras.
- Ah, é? E o que aconteceu com ele?
- Virou político lá em Barbacena.
(Barbacena porque, nos contos de Machado de Assis, é de lá que vinham quase todos os aspirantes a alguma função pública que aportavam no Rio de Janeiro do tempo do Imperador.)
As eleições brasileiras se caracterizam por uma enorme taxa de rotatividade. Nas últimas, 52% da Câmara foi renovada. Há quem vaticine que o pleito de 2006 trará uma renovação de mais de 60%.
Não se tenha dúvidas de que um montão deles serão “outros”, a maioria dos quais destinados a compor a legião de integrantes do baixo clero parlamentar.
Se o eventual leitor acredita que o Congresso que ora se renova foi o pior da história, prepare-se porque vem mais por aí.

