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Arquivo de julho, 2006

19/07/2006 - 09:13

Socorro, quero um tecnocrata

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A campanha eleitoral que se inicia afunda-nos cada vez na mediocridade politicamente correta.

Os candidatos disputam entre si para determinar quem emite a maior quantidade de elocuções tão grandiloqüentes quão vazias de conteúdo.

O presidente da República distribui esmolas? O candidato da oposição diz que também as distribuirá, mas melhor. E emenda, sem nenhuma preocupação com a pertinência,  que “inclusão cultural é fundamental”.

O candidato ex-reitor da UnB fala de educação como prioridade sem informar para quê imagina servir a educação. A candidata do PSOL repica com políticas de “inclusão social”. Na Amazônia, no Nordeste, na periferia das capitais, tudo será “incluído”.

Esse chafurdar generalizado na irrelevância não é incidental. Acontece que esses políticos e seus partidos não têm noção do que é importante.

Importante é inventar, criar riqueza, transformar o mundo material. É estimular a ciência e a tecnologia, incentivar a criação de empresas que ofereçam soluções mais baratas, mais eficientes, mais rápidas, para questões concretas em áreas concretas de atividade.

Quero candidatos que, quando perguntados sobre qual será seu programa “para a mulher”, ou “para a diversidade”, ou para qualquer coisa dessas, respondam:

- Olhe, minha filha, isso não tem importância nenhuma. Faça alguma pergunta que valha a pena ou não me chateie.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/07/2006 - 14:21

Campanha Globo/Transparência Brasil

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Emissoras que desejem aderir à campanha (após 15 de agosto) devem procurar a Transparência Brasil para obter cópia da fita Betacam com os filmes, sem o logotipo da Globo.

Estréia na próxima segunda-feira (17 de julho) uma campanha sobre voto consciente resultante de parceria entre a Rede Globo e a Transparência Brasil. Os filmes, produzidos pela emissora, mostram situações em que, em situações críticas – uma cirurgia, o planejamento de um vôo de avião – tomam-se decisões por sorteio.

O mote da campanha é que seria tão absurdo escolher candidatos ao acaso quanto decidir situações da vida de modo arbitrário.

As peças devem ser exibidas pela emissora durante todo o período da campanha eleitoral.

A Transparência Brasil enfatiza a necessidade de o eleitor informar-se sobre os candidatos, suas plataformas e seus históricos para tomar a decisão sobre o voto.

Para isso, está preparando um cadastro que será publicado na Internet no final do mês de julho com os perfis de todos os deputados que concorrerão à reeleição à Câmara Federal, e mais ex-ministros, ex-prefeitos de capitais, ex-governadores etc. que participarão da disputa por uma cadeira naquela Casa legislativa.

O cadastro incluirá informações sobre a atuação parlamentar dos deputados seus perfis de financiamento em eleições anteriores, processos a que respondem e outros dados relevantes.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/07/2006 - 09:12

Estamos perdidos

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A promulgação da tal de “míni-reforma eleitoral”, há algumas semanas, tem levado muitos (em especial na imprensa) a expectativa exageradas quanto ao efeito que terá sobre práticas ilícitas nas eleições deste ano.

Jornalistas que realizam entrevistas sobre o assunto costumam perguntar (com variações na formulação): “As novas regras acabarão com o Caixa Dois?”

Imaginava que esse gênero de ilusão afetasse principalmente repórteres. Engano.

Ontem tive a oportunidade de falar aos presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais, reunidos em Cuiabá (MT).

Verifiquei que mesmo alguns deles, a saber, desembargadores que têm como função administrar judicialmente as eleições que se aproximam, acreditam que, ao apertar as regras para consignação de doações eleitorais em Caixa Um, isso teria algum efeito sobre o Caixa Dois.

Uma coisa nada tem a ver com a outra.

Movimentações em Caixa Um dão-se consignadamente em instrumentos fiscais. O Caixa Dois, por definição, dá-se no paralelo.

As contas bancárias, os mecanismos, os responsáveis, pelo Caixa Um são conhecidos e registrados.

O Caixa Dois não usa as mesmas contas (tal seria!!!) e, usualmente, é operado por outros indivíduos, que empregam “laranjas” e o resto do aparato comum nas operações financeiras ilegais.

São, portanto, coisas diferentes.

Verifiquei, também, que diversos magistrados eleitorais ignoram que Caixa Dois eleitoral tem origem em Caixa Dois empresarial.

Ora, de onde imaginam que sai o dinheiro de Caixa Dois eleitoral? Da contabilidade oficial das empresas? Ou dos recursos ilícitos que empresas acumulam por sonegação e falsificação de documentação fiscal?

Se isso não é entendido, estamos perdidos.

Como parece que estamos mesmo, dado o grau de desconhecimento verificado em setores da própria Justiça Eleitoral.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/07/2006 - 11:58

Advertência

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Ao visitante que introduziu comentário sobre alegadas compras suntuosas feitas por pessoa com projeção pública: O comentário só será aprovado caso haja confirmação independente do que se alega.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/07/2006 - 19:48

Chifrada na lei

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A expulsão de campo do futebolista francês Zidane por conta de cabeçada que desferiu no zagueiro italiano Materazzi durante a disputa do título mundial, no último domingo, dá origem a especulações interessantes sobre o primado da lei.

Antes que os eventuais visitantes reclamem que, ao abordar o tema, este que escreve estaria descumprindo com a promessa (ver a nota anterior) de eliminar o futebol deste espaço até 2010, esclareço que o tema extrapola as chamadas quatro linhas.

Conforme sucintamente exposto por Juca Kfouri e José Trajano, a questão é a seguinte: As regras do futebol especificam que só o árbitro pode interferir com o andamento do jogo, podendo, para decidir algo, consultar os bandeirinhas.

Acontece que a marrada de Zidane não foi vista pelo juiz nem por nenhum dos dois bandeirinhas (conforme demonstrou a TV alemã, de acordo com relatos). Especula-se que o quarto árbitro (reserva), ou o quinto (segundo reserva), ou alguém outro, teria avisado o juiz. De forma a dar um ar de legalidade à coisa, este teria fingido fazer consulta ao bandeirinha antes de expulsar Zidane.

Ora, se a cabeçada não foi vista pelo árbitro e nem pelo bandeirinha, mas por alguém externo ao campo de jogo que então avisou o juiz, segue-se que houve uma interferência na decisão do valoroso árbitro, interferência essa praticada ao arrepio das regras do jogo.

Tal interferência só pode ter partido de algum prócer da FIFA, o qual, ipso facto, induziu o árbitro a descumprir com as leis do esporte.

A comentarista Soninha argumentou que, como o jogador francês havia de fato chifrado o peito do italiano, e além disso em rede mundial (na verdade, em rede mundial depois de passado bastante tempo, o que reforça a idéia de que autoridades mais altas se alevantaram), como deixá-lo em campo? A expulsão teria sido merecida, independentemente da forma como a decisão foi gerada.

Já José Trajano perguntou: mas como ficam as inúmeras jogadas que os telespectadores vêem (usualmente beneficiados pela constatação reiterada proporcionada pelo replay por vários ângulos) mas o juiz ou algum bandeirinha não viram, como por exemplo a mão na bola, o pênalti que houve ou não houve, os esgares teatrais do Cristiano Ronaldo que podem tanto configurar uma contusão gravíssima quanto só mais uma bacalhoada, a “paulistinha” sorrateira no adversário, a bola que entrou ou não entrou?

Embora não professe de todo a posição, Soninha abre espaço para a tese de que o que interessa no processo legal é a aplicação do que é justo, em vista dos indícios que se apresentam. Trajano problematiza essa perspectiva ao perguntar, essencialmente: “onde vamos parar?”, e “por quê vale nuns casos e não noutros?” Juca Kfouri vai na mesma linha de Trajano.

Pois bem, digamos que esse episódio seja tomado como paradigma para o funcionamento das instituições de modo geral.

O que deve valer? Aquilo que os indícios apontam gritantemente, ou o chamado “devido processo legal”?

Fica a pergunta.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/07/2006 - 17:49

Italia, senza forza

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Final de Copa do Mundo que termina em empate resulta em campeão meio sobre o inexpressivo. Como o Brasil de 1994.

E chega de futebol, até 2010 (se este blogue resistir até lá…).

PS: Ah, a Alemanha mereceu o terceiro lugar sobre os bacalhaus fiteiros.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/07/2006 - 09:39

Ainda (e sempre) os cargos de confiança

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Para espantar os eflúvios mefíticos da pandemia futebolística que assolou este blogue durante as últimas semanas, desviando-nos do assunto que nos reúne.

Quando eclodiu, em maio do ano passado, o caso do mensalão foi recebido com certa perplexidade por parte de políticos e observadores.

Os políticos limitaram-se, uns (os da oposição), a dizer que os outros (os da situação) formariam uma quadrilha. Os da situação, por seu lado, diziam que tudo era mentira. Os observadores, a saber, a imprensa, faziam o que sempre fazem, oferecer suas páginas para a reprodução de declarações de uns e de outros, sem se ocupar de ir atrás das causas reais do escândalo. No Brasil, reportagem, no geral, significa ligar o gravador.

Passado o primeiro choque, a situação articulou aquilo que ficará para a história como uma das contrafações mais vitoriosas da crônica política nacional — a conversa fiada de que tudo não teria passado de esquema de financiamento eleitoral, que a um tempo explicaria e justificaria o fato de um bando de meliantes ter se locupletado no esquema do valerioduto.

Lançada tal “tese” — por ninguém menos do que o presidente da República, em entrevista exibida no programa Fantástico, da rede Globo –, imediatamente o tema do caixa dois passou a ser dominante na interpretação (e na cobertura) da crise do mensalão.

Para a disseminação do embuste, a situação usou de suas áreas próximas, que incluem não irrelevantemente diversos indivíduos que se apresentam como “independentes”, os quais se dedicaram, durante meses, à promoção extemporânea e equivocada do financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais como remédio para todos os males.

Apresentando-se como paladinos da igualdade e da justiça, esses militantes partidários não raro comprometeram na tarefa organizações que controlam ou sobre as quais têm influência (que vão de ONGs a “grupos de debates” e assemelhados, passando por associações religiosas, federações nacionais disto e daquilo e outros mais, ou menos, votados). O que se falou de “ética” nesse período foi um espanto.

Contaram, para isso, com os próceres da situação, que tinham pouquíssimo interesse em desencavar as causas da crise, porque são cúmplices dos mesmos vícios. Naturalmente, contaram com a sempre servil colaboração de jornalistas e veículos de comunicação desacostumados a pensar e sempre prontos a comprar qualquer peixe podre que as “fontes” lhes oferecem de mão beijada.

Uma única voz se contrapôs a essa barragem. Assim que a “operação abafa” do caixa dois eleitoral foi desencadeada, a Transparência Brasil emitiu comunicado em que se afirmava:

Transparência Brasil denuncia manobras diversionistas e indica reformas necessárias para prevenir a corrupção

No momento em que o país vive sua pior crise na história recente, os protagonistas adotam uma estratégia comum, voltada para o abrandamento das culpas e para o escamoteamento das razões fundamentais da corrupção. Em manobra diversionista, atribui-se ao modelo de financiamento político a causa de todos os males.

Os atos de corruptos e corruptores precisam ser punidos, exibindo-se os reais mecanismos de corrupção e implantando-se reformas. As mais urgentes são:

  • Reduzir severamente a quantidade de cargos de livre provimento nos três poderes e nas três esferas.
  • Disciplinar melhor os mecanismos de elaboração orçamentária e tornar obrigatório o cumprimento dos Orçamentos.
  • Solucionar o problema das deficiências na capacidade administrativa da grande maioria dos estados e municípios brasileiros.
  • Reduzir a descoordenação dos mecanismos de prevenção e controle e o mau trânsito das informações entre eles no que tange a dados bancários e fiscais.
  • Atacar o descuprimento da letra e do espírito da lei de licitações e contratos e eliminar modalidades de licitação calcadas na subjetividade.
  • Regulamentar o direito de acesso a informação garantido na Constituição.

Durante meses e meses, representantes da Transparência Brasil foram os únicos (sim, os únicos, conforme poderão talvez atestar os visitantes habituais deste blogue) a apontar para a necessidade de usar o aprendizado da crise e abordar esses temas. Ao longo desse período, em duas ou três ocasiões jornais “nacionais” exprimiram, em editorial, tal necessidade — uma delas hoje, na Folha de S. Paulo, a propósito da ocupação dos Correios pelo PMDB, como parte da estratégia re-eleitoral do presidente da República. A prerrogativa de nomear pessoas para ocupar cargos de confiança é usada para satisfazer conveniências políticas, e dane-se a eficiência do Estado. 

Caso a política, no Brasil, se conduzisse com um mínimo de seriedade, a campanha eleitoral que se inicia incluiria necessariamente a discussão de temas como aqueles listados acima.

Seria obrigatório que o sr. Lula fosse perguntado, e oferecesse respostas, a respeito de qual seria sua plataforma no que tange a esses temas.

Como também seria obrigatório que, em vez de discursos sobre “varrer a corrupção de Brasília” (o que, incidentalmente, revela quão pouco compreende do problema, ou quão pouco quer fazer crer que compreende), se exigisse do sr. Alckmin que dissesse coisa com coisa sobre o assunto.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/07/2006 - 09:08

Mensaleiros estaduais

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O visitante Edison da Silva faz indagações sobre a campanha “Não vote em mensaleiro”:

Aguardo ansioso a tal lista. Mas ao mesmo tempo preocupado. Embora você tenha afirmado que o objetivo é impedir, ou dificultar, que corruptos continuem se incrustando na barca política, continuo achando que você quer que identifiquemos as cracas sob uma lupa especial: aquela que filtra mensaleiros do PT.

Não. Trata-se de não votar em mensaleiro, sanguessuga, fênix e toda a trempa de indivíduos que respondem, como réus, a processos criminais na Justiça. Eles não estão apenas no PT, mas também (e principalmente) no PMDB, no PP, no PTB, no PSDB, no PFL etc.

Daí que gostaria de saber duas coisas. A primeira: fiscalizaremos só o legislativo federal? Ou o estadual também? E os executivos? Ou seriam todos os níveis?

Para operacionalizar a iniciativa, a Transparência Brasil está preparando um cadastro, que será publicado no final de julho na Internet, com os históricos de todos os candidatos à reeleição à Câmara dos Deputados, e mais ex-ministros, ex-prefeitos de capital etc., de todos os estados e todos os partidos. Não temos condições de cobrir todos os candidatos, e não conseguiríamos cobrir as Assembléias Legislativas. Mas estamos pensando (ainda sem conclusões) como estimular iniciativas semelhantes nos estados. Não prometo nada por enquanto, mas conviria que a mensagem de não votar em ladrão fosse, também nos estados, instrumentalizada por cadastros parecidos.

E a segunda: supondo que o universo dos condenados vá alem dos que constam na lista dos 40 do PGR, quais os critérios para inclusão dos demais réus? Indiciados pelo MP entram? Condenados em primeira instância também? Os absolvidos em vários processos estão limpos? E os do último listão do TCU? A definição dos critérios de entrada na lista é parte importante para a credibilidade do movimento.

Insisto: não são apenas os beneficiários do mensalão. O cadastro em questão incluirá, além de informações sobre o desempenho parlamentar, a identificação dos processos em que o indivíduo é réu.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/07/2006 - 08:59

Parreirada eleitoral

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Arruda (Hibiscus pernambucencis), para começar a dissipar a
intoxicação futebolística que acometeu este blogue durante as últimas
semanas.

Coluna semanal no Diário do Comércio de São Paulo:

No Brasil, durante o período da Copa do Mundo, mesmo quem não entende nada do
assunto e normalmente não se interessa por futebol acaba por se envolver com o
tema. É o caso deste que escreve.

Não tenho idéia da diferença entre um quarto-zagueiro e um volante, não sei
distinguir entre um “atacante” e um meio-de-campo avançado, ignoro quais sejam
os méritos e deméritos relativos de Ronaldinho Gaúcho, Miroslav Klose, Gennaro
Gattuso ou Thierry Henry.

Mas uma coisa sei – que aquele discursinho “pragmático” do técnico Carlos
Alberto Parreira de pragmático nada tinha, disfarçando apenas um vazio de idéias
e um compromisso com a conversa fiada como método de levar a vida.

Diferentemente do que querem nos impingir, pragmatismo não significa vencer
jogos contra times irrelevantes. Pragmatismo é manter-se sempre aceso ao que a
realidade ensina, processar essas informações e agir de acordo, para mudar essa
realidade.

Pragmatismo foi a última coisa que se viu na gestão Parreira.

A importância do futebol na vida brasileira dá sentido a uma infinidade de
metáforas que giram em torno desse esporte, e a política é palco freqüente de
sua aplicação.

Digamos que o eventual (e)leitor não seja o Parreira, mas alguém dotado de um
mínimo de apego à materialidade da vida, e digamos que precise escalar um time
legislativo.

O plantel que tem à sua disposição inclui diversos parlamentares com ficha
limpa, mas também é povoado por quase duas centenas de comes-e-dormes que
respondem a processos na Justiça por crimes diversos. Do mensalão ao contrabando
e ao tráfico de drogas, inúmeros deputados federais processados na Justiça
buscam reeleição este ano.

Pois bem, será que, na eleição, de fato vale a pena insistir na escalação
dessa gente? Será que faz sentido votar, ou apoiar eleitoralmente, um sujeito
indiciado no caso do mensalão, ou dos sanguessugas?

Parreira insistiu na escalação de gente que se mostrava despreparada para, no
campo, cumprir o papel que lhes caberia. Ao fazê-lo, agiu de forma
antipragmática.

É o que fará o eleitor se permitir que mensaleiros, vampiros e outros [Trecho suprimido por determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, acatando parcialmente reclamação formulada pela coligação PT-PC do B. Decisão final dependente de julgamento de recurso.] retornem à Câmara dos Deputados.

A metáfora futebolística cessa por aqui, pois ser derrotado antes da hora
numa Copa do Mundo não traz nenhuma diferença para a vida das pessoas.

Já permitir que pessoas indiciadas em processos criminais sejam eleitas para
o Congresso Nacional é dar tiro no próprio pé. Literalmente, é entregar o ouro
pro bandido.

Não se deve permitir que mensaleiros e companhia bela sejam reeleitos. Para
ajudar a evitá-lo, a Transparência Brasil lançou a campanha “Não vote em
mensaleiro”.

A campanha se instrumentalizará com diferentes iniciativas, a principal sendo
a publicação, no final de julho, de um banco de dados na Internet com os
históricos de todos os candidatos à reeleição à Câmara dos Deputados, e mais as
fichas de indivíduos notórios que se candidatarem, como ex-ministros,
ex-governadores, ex-presidentes de partidos políticos etc.

Isso permitirá que o eleitor compare o currículo de vida de gente com passado
limpo com as folhas-corridas de pessoas sobre as quais pesam suspeitas
cabeludas.

Uma campanha como essa só pode ter chance de atingir contingentes maiores do
eleitorado se adotada por veículos de comunicação. De fato, muito pouca gente
tem acesso à Internet, e ainda assim só uma pequena parcela se inteirará dos
históricos dos candidatos.

Aderir à campanha é simples – basta adotar o slogan “Não vote em mensaleiro”,
divulgá-lo e informar o endereço de Internet da Transparência Brasil
(www.transparencia.org.br).

Os veículos que fizerem isso contribuirão para a melhoria do processo
político brasileiro. Ajudando a barrar a eleição de pessoas indiciadas como réus
em processos criminais, evitarão cometer a “parreirada” de reincidir
teimosamente nos mesmos erros.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/07/2006 - 08:57

A Arte de sempre ter razão

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Ontem, no blog do Noblat:

Em 1830, o filósofo alemão Schopenhauer escreveu um livrinho intitulado
“Dialética erística”, também conhecido pelo título muito mais expressivo de “A
Arte de sempre ter razão”.

Nele, Schopenhauer expõe 38 estratagemas que se usam em discussões para
evitar a busca da verdade e suplantar o adversário ilicitamente. O autor informa
que a inspiração para expô-los nasceu do caráter essencialmente desonesto do ser
humano.

Entre os macetes descritos por Schopenhauer para tomar a dianteira num debate
de outro modo perdido reconhecem-se diversos daqueles que têm sido empregados
por mensaleiros, sanguessugas, gabirus e outros animais políticos de extração
similar. Notadamente agora, quando se aproximam as eleições e a turma busca
proteger-se da Justiça por meio de um mandato parlamentar.

Leia a íntegra aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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