Marcha Contra a Corrupção e Pela Vida

Foto: José de Arimatéia Dantas.
Há alguns anos o advogado piauiense José de Arimatéia Dantas promove uma marcha pelo interior do estado. Ao chegarem a um município, os participantes cobram da prefeitura que lhes sejam mostradas as contas da gestão, os contratos etc. Ao encontrar irregularidades, Arimatéia representa contra os prefeitos junto ao Ministério Público.
Como é de se imaginar, os alcaides tremem na base quanto a Marcha aponta na curva da estrada.

Uma iniciativa como essa deveria ser copiada e levada por todo o país.
Márcio do Maranhão: Se console (se for possível) com a gente da Bahia, que tem ACM. Esses dois senhores têm uma incrível capacidade de se manterem no poder. Desde os tempos da ditadura eles estão participando das grandes decisões nacionais graças às grandes bancadas que conseguem eleger em seus currais do interior. Enquanto não morrerem vai ser difícil derrubá-los. Eu chego a dizer que no dia que ACM morrer (que seja quando Deus quiser, mas o mais rápido possível)eu vou fazer uma semana de Carnaval: vai ser a segunda independência da Bahia. O jeito é ir trabalhando para diminuir a força do coronelismo e do clientelismo político em nossos estados; tem muita gente fazendo isso aqui pela Bahia, mas ainda são poucos diante do poderio dos prefeitos que só dizem amém ao grande cacique. Fico até com medo de falar essas coisas, mas acho que carlistas não devem ter o costume de andar por aqui no “A coisa aqui tá preta”. Viva o povo brasileiro, viva o povo do MA e da BA e morram os tiranos!
“Em 1913, o juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos Louis Brandeis cunhou uma frase que sintetiza o ocorrido agora no Brasil: “A luz do Sol é o melhor desinfetante”.
É difícil esconder malfeitos quando existe acesso livre e facilitado a informações de caráter público. É pena essa abertura de dados ocorrer mais por obra do acaso e das pressões do que por convicção dos políticos. ” O trecho foi extraído de interessante artigo de Fernando Rodrigues na Folha deste sábado 29/04/2006.
Precisávamos de algo parecido aqui no Maranhão. Mas é arriscado a Marcha chegar e não voltar. Aqui o atraso, a falta de educação, a miséria, a exploração têm nome e sobrenome: José Sarney, o saqueador do Maranhão!!
Para Luiz Edmundo. Tem razão, do modo como redigi, parece contraditório. Quis dizer que os frankfurtianos acreditavam na possibilidade e amargaram a contradição final. A parte final, como vc sabe é gramsciana, depois desenvolvida por Poulantzas e cia. É contra-hegemonia. Espero que concordemos na viabilidade de emancipação a partir da práxis. Não só na sua querida Bahia. Aqui em SP tb., no Rio, no Ceará,Paraná — enfim em todo o país.
Para o CWA: não conhecia o Arimatéia. Vou dormir mais feliz já que ele, de fato, coloca as mãos na massa. Como PJ tentei muito (processei, escrevi livro sobre, dei aula), mas acho que tb não tenho conseguido muito, além de apreender. A lex mercatoria produz um imaginário social que reproduz um discurso resistente e idealista (no sentido epistemológico, não moral), que obscurece (aliena?).
Vamos continuar informando, não é mesmo?
A participação popular é vital para o nosso país. O desenho constitucional, que prevê a eleição de representantes do povo e dos Estados, falhou, haja vista que os nobres parlamentares cuidam somente dos seus próprios interesses. Igualmente equivocada é a idéia de que o voto traria solução. Aponto a baixa escolaridade do povo, a manipulação de informações por parte da imprensa e a falta de opções(bons candidatos: são sempre os mesmos) como provas de que não virá das urnas a solução. Enfatizo meu pensamento: é por intermédio da sociedade civil organizada que vamos mudar este país. Pressão popular em cima dos governantes: grande lição de cidadania. Obrigado Cláudio pelo ótima notícia.
Muito legal essa marcha. Se tivesse alguém com essa iniciativa aqui na Bahia…Para Waldo: vc não está se contradizendo ao afirmar que contra-ideologia não existe (o que discordo) e que ao mesmo tempo é preciso: “colocar em dúvida o discurso hegemônico é o primeiro passo para uma práxis de transformação”?
Marcha contra a corrupção? Se não for mais uma cruzada para lançar candidatos a deputado, senador etc., que bom. Bom demais para ser verdade. Se não se transformar em instrumento para grupos pseudo-revolucionários (revolucionan pero no reproducen, que bom. Esclarecer não faz contra-ideologia porque desde o fracasso do sonho frankfurtiano, contra-ideologia não existe. Contudo, colocar em dúvida o discurso hegemônico é o primeiro passo para uma práxis de transformação. Ver, ouvir, ler, debater: não há como não saber. A corrupção não acaba, mas pode ser reduzida e voltar a ser exceção.
O unico comentario possivel neste caso, é que se nós quisermos mudar alguma coisa nesta bagunça de país, deveríamos fazer uma marcha deste tipo direto para a nossa malfadada capital. Onde corre solta o “quem pode mais chora menos”. Que vergonha.
Camisa Molhada – Carlinhos Vergueiro
Fique de olho no apito,
Que o jogo é na raça
E uma luta se ganha no grito.
E se o juiz apelar,
Não deixe barato,
Ele é igual a você e não pode roubar.
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