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Arquivo de abril, 2006

30/04/2006 - 09:29

Longe dos olhos

Camarão-faxineiro transparente (espécie não especificada) entre os tentáculos de uma anêmona urticante (Caribe). O camarão, que é imune ao veneno da anêmona, limpa os detritos que se acumulam entre seus tentáculos. O bichinho tem cerca de um centímetro de comprimento.

As águas rasas dos mares tropicais abrigam uma variedade extraordinária de seres vivos. É um repositório inesgotável para imagens de um mundo que permanece longe dos olhos da maioria das pessoas. Há na Internet centenas, mesmo milhares de galerias de fotos e filmes que retratam esse mundo. Um deles é o Coral Reef Odissey, com fotos de Jan C. Post (clique na imagem para ser transportado até lá).

Dois exemplares da lesma marinha Chromodoris leopardus, do mar das Filipinas.

Como é tão freqüente na Internet, a manutenção dessas coleções depende da iniciativa individual de pessoas apaixonadas pelo assunto. É o caso da Dive Gallery, para a qual se é transportado clicando-se na imagem.

Outro sítio interessante para visitar é o da Coral Reef Alliance, aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Passeios virtuais Tags:
29/04/2006 - 17:11

Informação: O que há e o que falta

A quantidade de informação sobre o Estado que existe à disposição no Brasil é
muito grande. Numa comparação internacional (pela experiência, mas não
estatisticamente significativa), o Brasil está num patamar muito superior ao de
países de renda per capita semelhante. Mesmo no confronto com países do Primeiro
Mundo o Brasil não se sai mal, em especial quando se limita a atenção à esfera
federal.

Estados e municípios são outra coisa. Na maior parte dos casos, há um abismo
imenso entre o volume de informação disponível nos organismos federais (dos três
poderes) e seus equivalentes nas esferas inferiores.

Há exceções, é claro.

Convido o eventual visitante a um exercício. Clique na imagem ao lado. Serão
abertas diversas janelas, cada qual trazendo uma informação relativa às empresas
do grupo Azza, de Santa Catarina (o grupo foi escolhido ao acaso):

  • Doações feitas a candidatos às eleições municipais de 2004 (projeto Às
    Claras, da Transparência Brasil, construído sobre dados do TSE); os dados
    relativos às eleições de 2002 também podem ser consultados (aqui), embora
    neste caso o link direto às empresas do grupo não seja possível devido ao modo
    de construção do aplicativo.

  • Itens de licitações e montantes recebidos de municípios de Santa Catarina
    (Projeto Desempenho em Licitações nos Municípios de SC, também da TBrasil,
    construído em parceria com o Tribunal de Contas do estado);

  • Obras realizadas em 2005 por uma das empresas do grupo para o Departamento
    Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), conforme reportado no Portal
    da Transparência, da Controladoria-Geral da União;

  • Verificação do CNPJ de uma das empresas do grupo, no sítio da Receita
    Federal (importante para verificar se empresas existem);

  • Lista de processos na Comarca de Brusque, SC (sede do grupo) de que alguma
    das empresas seja parte;

  • Lista de processos envolvendo empresas do grupo no sítio do Ministério
    Público do estado de Santa Catarina.

Como se percebe, há uma quantidade enorme de informação disponível na
Internet. Como se observou acima, contam-se nos dedos os países do mundo em que
isso é possível.

Esse é o lado bom. O lado ruim é que há inteiras famílias de informação em
princípio pública mas que é mantida escondida.

Entre elas estão dados sobre empresas detidos pelas Juntas Comerciais dos
estados. O fato é em geral ignorado, mas Juntas Comerciais são entes públicos,
não privados. O registro de empresas nas Juntas é importantíssimo para
determinar, por exemplo, quem são seus controladores, e outros dados
importantes.

Outra lacuna gritante diz respeito aos registros de imóveis, mantidos pelos
cartórios idem. Outra vez, trata-se de informação pública, não havendo motivo
plausível para que não se possa consultá-los pela Internet.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/04/2006 - 15:29

Marcha Contra a Corrupção e Pela Vida

Foto: José de Arimatéia Dantas.

Há alguns anos o advogado piauiense José de Arimatéia Dantas promove uma marcha pelo interior do estado. Ao chegarem a um município, os participantes cobram da prefeitura que lhes sejam mostradas as contas da gestão, os contratos etc. Ao encontrar irregularidades, Arimatéia representa contra os prefeitos junto ao Ministério Público.

Como é de se imaginar, os alcaides tremem na base quanto a Marcha aponta na curva da estrada.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 21:35

Informação é poder

Já que recolho referências, também convido a ler artiguete sobre a relevância, para a eficiência do Estado, de se empreenderem esforços no sentido de ampliar a prestação de informação por ele detida. Publicada na revista sp.govaqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 21:29

Percepções pantanosas

Entender de onde vêm as opiniões das pessoas é tarefa muito difícil.
Saber se as opiniões correspondem à realidade é ainda mais complicado. Essas
perguntas ganham interesse especial quando se trata de percepções sobre
corrupção. Desde que a Transparency International passou a divulgar seu índice
de percepções de corrupção, muitos passaram a identificar essas percepções
(opiniões) com uma medida do grau de corrupção de países. Embora nada na
metodologia de levantamento de percepções autorize semelhante conclusão, é assim
que grande parte da imprensa trata o índice.

Convido o eventual visitante a ler artigo a respeito disso publicado por este
que escreve na revista Novos Estudos Cebrap nº 73 (novembro de 2005).
Aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 11:59

Cáspite

Perlustrava antigos escritos à busca de uma referência e me deparei com a seguinte pensata, que usei num debate em certa ocasião:

Pergunta: Qual é a posição do Estado em relação à ética na economia?

Resposta: O Estado em nada contribui para a ética. A legislação é feita de forma antiética. Por isso, a solução no Brasil vai partir das próprias empresas. De onde é que surgem hoje os princípios morais? A família, que é o pilar da sociedade, está muito fragilizada. A Igreja não é suficientemente ativa. As escolas não formam cidadãos. O Estado não é modelo. O que sobrou? A empresa.

Profa. Maria Cecília Coutinho de Arruda, coordenadora do centro de estudos de ética da FGV-EAESP, presidenta da International Society of Business, Economics and Ethics – ISBEE. Entrevista intitulada “A ética bem vivida dá lucro”, concedida à Revista do Instituto ETCO, nº 1, agosto de 2004, pp. 33ss.

Vejam vocês se é possível. É sempre didático entender como é que o assunto é tratado em determinados meios.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 09:10

Discussão necessária

Na data de ontem, enviou-se o seguinte ofício aos presidentes da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros, com cópias para o senador Delcidio Amaral e os deputados Osmar Serraglio e Onyx Lorenzoni:

Prezados senhores presidentes:

Como é de conhecimento de Vv. Excias., o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios contém uma seção dedicada a propostas normativas voltadas para o combate à corrupção.

Originárias do trabalho da sub-relatoria de Normas de Combate à Corrupção daquela CPMI, tais propostas englobam uma ampla variedade de temas e incorporam diversas sugestões de alterações constitucionais, legislativas e normativas.

De acordo com o que se noticia na imprensa, os responsáveis pelo relatório da CPMI teriam dado início a um processo de convencimento de parlamentares das duas Casas do Congresso para que o conjunto de proposições receba atenção prioritária.

Em nome da Transparência Brasil, gostaria de instá-los a ampliar consideravelmente esse debate. Exatamente porque englobam múltiplos aspectos do ordenamento constitucional e legal, afetando áreas diversas, seria essencial que o processamento legislativo fosse precedido de discussões públicas e amplas, às quais fossem convidados a participar organizações e indivíduos com interesse e conhecimento a respeito.

Observo, senhores presidentes, que, talvez por força da priorização que os meios de comunicação conferem aos acidentes do cotidiano político, a consciência geral a respeito das proposições em questão é minúscula.

A formulação que encontraram no relatório da CPMI não foi submetida a discussão além do âmbito da própria Comissão e elas não estão sendo presentemente objeto de uma atenção concertada.

Acredito, senhores presidentes, que o interesse público seria bem atendido neste momento caso se abrissem as discussões a respeito da forma sugerida.

Certo da atenção que as presentes ponderações receberão, despeço-me,

Atenciosamente,

Claudio Weber Abramo

Diretor executivo

Transparência Brasil

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 09:07

Proposta indecorosa

Coluna semanal deste que escreve no Diário do Comércio de SP:

Um dos males permanentes do Brasil é a atenção excessiva que se dedica aos pequenos acidentes do cotidiano. Por exemplo, anuncia-se uma nova pesquisa eleitoral. Durante algumas horas, há um frenesi de especulações e balões de ensaio a respeito dos números.

O relatório da pesquisa é anunciado. Mais algumas horas, talvez dois dias, de análises, interpretações, projeções, mais especulações.

No terceiro dia, ninguém sequer se lembra do que se tratava.

Assim aconteceu como relatório final da CPMI dos Correios. Prestou-se uma atenção desmedida aos nomes dos sujeitos mencionados. Discutiu-se a presença de A e a ausência de B.

Acontece que, enfurnada no meio do relatório, há toda uma seção dedicada a propostas de alterações constitucionais, legislativas e normativas voltadas para o combate à corrupção.

Tais propostas são originárias da sub-relatoria de Normas de Combate à Corrupção da CPMI, sob responsabilidade do deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS). (Seu conjunto pode ser examinado no sítio de Internet da Transparência Brasil, link aí do lado).

Elas abrangem uma amplo conjunto de sugestões de mudanças, que vão da criação de um “Sistema Integrado de Combate à Corrupção” a alterações na forma como as CPIs funcionam.

Tais propostas não foram submetidas ao debate amplo que seria exigível. Oriundas da sub-relatoria do deputado Lorenzoni e redigidas pelo grupo que a assessorou (principalmente egresso do Tribunal de Contas da União), é de se duvidar que sua aprovação, no plenário da CPMI, tenho sido acompanhada de alguma espécie de discussão. O pessoal estava mais preocupado em saber quem entraria e quem não entraria na lista dos mensaleiros.

Menos ainda as propostas foram discutidas amplamente na sociedade. Apesar disso, os responsáveis pela CPMI e por essa parte do relatório deram início, nesta semana, a um processo de promoção das medidas no âmbito da Câmara dos Deputados e do Senado. Ou seja, se nada mudar nesse mecanismo, correremos o risco de ver aprovadas medidas que não foram sujeitas a crítica.

Mudar o mecanismo é prerrogativa dos presidentes da Câmara e do Senado, os quais melhor fariam se convocassem audiências públicas para submeter as proposições a um debate amplo.

Caso isso venha a ser feito, se tornaria possível evitar algumas armadilhas presentes no meio das propostas.

Uma delas é especialmente indecorosa. É aquela que propõe a inclusão, na lei de Licitações e Contratos, de dispositivo que criaria uma modalidade de certame denominada “proposta mais vantajosa”.

Trata-se, nem mais nem menos, de introduzir uma forma de licitação em que o julgamento do vencedor levaria em conta aspectos subjetivos. Afirma-se lá: “O tipo de licitação ‘proposta mais vantajosa’ será utilizado quando se desejar somar ao critério de preço uma avaliação do desempenho do licitante em contratos anteriores, ponderando diversos critérios como qualidade, valor técnico, características estéticas e funcionais, características ambientais e sociais, custo de utilização, rendimento e economicidade, assistência técnica e serviço pós-venda, prazo de entrega ou de execução, pontualidade, dentre outros.”

Uma vez que qualquer um desses critérios (não é necessário que sejam todos) entre no julgamento, como a apreciação sobre seu “valor” é necessariamente subjetiva, abrem-se as comportas para a venda desse julgamento.

A medida, apresentada como saneadora, é na verdade indutora de corrupção.

Antes ainda disso (e aí reside sua motivação), é estimuladora de mecanismos de fechamento de mercados no âmbito de cartéis, em especial de megaempreiteiras. Estas últimas, vira e mexe, aparecem com uma história de que licitações deveriam ser decididas não pelo menor preço, como é hoje, mas por algo que costumavam denominar “melhor preço”. O emprego da palavra “melhor” era um subterfúgio para introduzir exatamente os critérios subjetivos agora apresentados sob o rótulo de “proposta mais vantajosa”. Vantajosa para quem, cara pálida?

O resultado de direcionamentos e favorecimento de cartéis é sempre a formação artifical de preços – pagos por nós.

Eis aí uma alteração que não pode ser aprovada, sob risco de tornar os mercados de fornecimento de bens e serviços ao poder público ainda mais problemáticos do que já são.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2006 - 20:31

É isso que dá

A cidade capixaba de Cariacica, na região metropolitana de Vitória, tem cerca de 325 mil habitantes (censo de 2000). É conhecida como “O espaço dos rejeitados”. A razão do nome pode ser apreendida pelos números de seus indicadores de desenvolvimento humano (Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, 2000):

  • 31,5 crianças de um ano mortas por 1000 habitantes (a média nacional é 27);
  • 67,2 anos de esperança de vida ao nascer;
  • R$ 215,2 de renda per capita;
  • os 20% mais ricos se apropriam de 55,8% da renda, ao passo que os 20% mais pobres ficam com apenas 3,1%.

E por aí vai, de mal a pior.

Pois bem, Cariacica foi um daqueles municípios que, depois de aumentaram seu número de vereadores (no caso para 21), foram obrigados a reduzi-los de volta por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A cidade tem hoje 16 vereadores.

Ora, ora, acontece que, quando ainda tinha 21 edis, esses valorosos representantes do povo contrataram uma pá de assessores. Quando o número de vereadores foi reduzido, reduziram-se os assessores? Claro que não. Eles foram absorvidos pelos outros vereadores.

Há uns dias, a Câmara aprovou a contratação de mais assessores. De modo que hoje a Casa do Povo Cariaciquense tem nada menos de 100 valentes assessores parlamentares, com salários entre R$ 950 e R$ 1,2 mil.

O mesmo palácio das igualdades tem um total de 12 funcionários efetivos. (Ver um balanço dessa situação em matéria publicada hoje pela Gazeta do ES, aqui.

A proposta de redução do poder de nomear que o deputado Onyx Lorenzoni incluiu entre aquelas voltadas para reduzir a corrupção e o compadrio (ver aqui) deixa o Legislativo de fora. Por que será?

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2006 - 09:27

Buraco negro

Artigo quinzenal no blogue do Noblat, hoje:

Pré-candidatos à Presidência da República voejam pelo país em busca de apoios
e visibilidade. Embora não estejam recebendo atenção da imprensa, o mesmo
acontece com postulantes aos governos estaduais.

Quem raios paga tudo isso?

No caso do presidente Lula, e de todos os demais que presumivelmente
pleitearão a reeleição, quem paga somos nós. A possibilidade de reeleição dá ao
candidato uma vantagem imensa sobre seus adversários. Desde que o sujeito não
peça votos explicitamente em suas aparições em inaugurações, batizados, festas
da uva, da cerveja, do telefone celular etc., não há o que reclamar. Essa é a
regra do jogo da reeleição.

Os demais não podem usar a máquina em suas pré-campanhas. Logo, precisam
financiá-las. Logo, é lícito perguntar quem os financia. Por exemplo, para ficar
só em dois, quem é que está pagando a conta das andanças de Anthony Garotinho e
Geraldo Alckmin?

Leia a continuação aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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