2006 março | Claudio Weber Abramo
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Arquivo de março, 2006

31/03/2006 - 15:29

Um juiz porreta

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Saiu na revista jurídica Última Instância:

O desembargador Francisco Wildo, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, concedeu liminar a pedido do Ministério Público Federal na Paraíba e determinou que o governo do Estado deverá empregar 17,6% da verba destinada à publicidade para a regularização do fornecimento de medicamentos gratuitos e indispensáveis ao tratamento de pacientes portadores de mal de Parkinson.

De acordo com a assessoria do MPF, o desembargador considerou atenuar a regra de impenhorabilidade de bem público quando se está diante da necessidade de preservação da vida. Segundo ele, a verba a ser bloqueada, destinada a gastos com publicidade, não possui finalidade pública mais relevante.

Ler a íntegra aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/03/2006 - 13:19

Ciranda ministerial

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Por volta das 15h00 anunciou-se que, de fato, Waldir Pires vai para a Defesa. A descontinuidade representada por sua saída da CGU talvez possa ser amenizada se Jorge Hage, que era secretário executivo do órgão, e que foi nomeado ministro interino, for efetivado no cargo.

A substituição de ministros, que se dá hoje por conta da necessidade de
desincompatibilização daqueles que pretendem concorrer às eleições deste ano,
poderá ter uma conseqüência péssima no que diz respeito ao combate à
corrupção.

Trata-se do possível deslocamento do ministro Waldir Pires da
Controladoria-Geral da União para o Ministério da Defesa, em substituição ao
vice-presidente José de Alencar.

Sempre que se empreendem mudanças dessa natureza, alteram-se as prioridades e
as equipes.

Conforme tem sido apontado neste espaço, no âmbito do poder Executivo
federal, é na CGU que se têm desenvolvido as iniciativas com maior potencial de
estabelecer um diferencial de qualidade na prevenção e combate à corrupção.

Tirar o ministro Waldir Pires dali será um mau passo, pois não apenas
Pires levará para a Defesa parte da atual equipe pensante da CGU como quem vier
a substituí-lo (sem pré-julgamentos de qualquer tipo) necessariamente abordará
os problemas segundo outra perspectiva.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/03/2006 - 09:05

Ainda os cargos de confiança

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Coluna de ontem deste que escreve no Diário do Comércio de São Paulo:

A CPMI dos Correios divide-se em diversas sub-relatorias, cada qual sob a responsabilidade de um parlamentar. No que tange às lições da crise, a mais importante, e de longe, é a sub-relatoria de Normas de Combate à Corrupção, comandada pelo deputado Onyx Lorenzoni, do PFL gaúcho.

Nas últimas duas semanas, o deputado Lorenzoni vazou para a imprensa o relatório que acabou por ser submetido à votação do plenário da CPMI.

Dentre as diversas sugestões de alterações legislativas propostas por Lorenzoni está a proposta de uma emenda à Constituição que altera a quantidade de cargos ditos “de confiança” à disposição dos poderes Executivos das três esferas.

Essencialmente, a emenda limita esses cargos a 1% do contigente da administração.

Embora salutar sob esse ponto de vista, a emenda Lorenzoni padece de defeitos graves. O primeiro deles é manter a prerrogativa de nomeação de pessoas para preencher cargos de “direção, chefia e assessoramento”. Ou seja, a limitação de nomeações não atingirá quem decide, afetando pessoas de nível hierárquico inferior a esses.

Ora, as malfeitorias detectadas nos Correios, e que são disseminadas por toda a administração das três esferas, decorreram do loteamento dos cargos de livre nomeação entre partidos, em troca de apoios parlamentares. Por quê os partidos querem esses cargos e o que fazem uma fez que os controlem é notório – fazem negociatas.

Nenhum partido briga para nomear o copeiro ou o estafeta. O que eles querem são diretorias, chefias. Se a emenda proposta por Lorenzoni vier a ser aprovada, esses objetos de desejo continuarão a exercer sua tentação corruptiva, e nada mudará na forma como os Executivos são geridos no Brasil.

Diferentemente do que acabou por se materializar, o que se exigiria como fruto do aprendizado na CPMI dos Correios seria reduzir esse poder inaudito de interferência política sobre os cargos de responsabilidade real no Estado, de que gozam indiscriminadamente presidentes da República, governadores e prefeitos, e não apenas diminuir a quantidade de funcionários subalternos assim nomeados.

Um segundo defeito gravíssimo da proposta de emenda constitucional que sai da CPMI dos Correios é deixar de fora tanto o Judiciário quanto o Legislativo.

No Judiciário, a liberdade de nomeações levou à ascensão, a cargos de responsabilidade, da parentalha de muitos juízes. O Conselho Nacional de Justiça despejou sobre essa verdadeira festa da uva a exigência de demissão de todos eles. Uma boa coisa? Decerto que sim. Mas suficiente? De jeito nenhum. Conforme juízes declararam no auge da crise do nepotismo no Judiciário, proibir a nomeação de parentes não fará os magistrados deixarem de nomear os amigos.

Ao não atacar o problema na generalidade que se exigiria, o sub-relatório Lorenzoni sacramenta uma situação por todos os títulos intolerável.

O mesmo se pode dizer quanto à ausência do Legislativo entre os alvos da proposta. Deputados federais nomeiam cerca de vinte pessoas para ocupar funções em seus gabinetes. Um deputado estadual em São Paulo ou Porto Alegre nomeia quinze indivíduos. E por aí vai ao longo dos estados e dos 5651 municípios.

O resultado dessa liberdade é que as funções de gabinete dos parlamentares são ocupadas por seus cabos eleitorais. De modo geral (é evidente que há exceções, mas elas desaparecem no oceano dos aspones), essa gente pensa 24 horas por dia na reeleição do Fulano que os nomeou. Nada dedicam ao cumprimento das funções legislativas e fiscalizatórias das respectivas Casas.

Esses mecanismos de compadrio no Judiciário e no Legislativo só podem ser coibidos efetivamente retirando-se de juízes e de parlamentares a prerrogativa de nomear pessoas. Se o privilégio não lhes for retirado, é certo que eles o utilizarão em benefício próprio. Um benefício adubado por salários que saem do Tesouro Nacional, a saber, de nossos bolsos.

Por essas e outras razões, e nesse particular, o relatório da sub-relatoria de Normas não atingirá o objetivo a que se propunha, ou seja, propiciar melhores condições para o combate à corrupção no Brasil.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/03/2006 - 20:51

Detesto lembrar, mas…

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Fernando Rodrigues assinala, em seu blogue (referência aí do lado) que “A
Procuradoria Geral da República já tem pronta uma lista checada e rechecada com
73 deputados e senadores que mamaram no mensalão.”

Observe-se a menção a senadores.

Em entrevista que este que escreve concedeu à agência Reuters em 4 de julho
do ano passado, afirmou-se que

“Essas informações não são provas, mas certamente indícios, de que há
bastante fundamento nas alegações do deputado Roberto Jefferson a respeito do
mensalão… Não há motivo para, em princípio, se supor que o mensalão tivesse se
restringido à Câmara”, contra-argumentou Cláudio Weber Abramo,
secretário-executivo da ONG Transparência Brasil. “Então, em princípio, acredito
que o problema afeta todo o Parlamento.”

Se há algum interesse, ver a íntegra da matéria aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/03/2006 - 18:45

Lavanderia de gente

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Colaboração de hoje ao blogue do Noblat:

No ano passado, o presidente da República foi à televisão para afirmar que
seu partido só praticou “o que todo mundo faz”. Aquilo foi o tiro de partida
para o desencadeamento de uma estratégia de enfrentamento da crise baseada na
mistificação do que realmente aconteceu.

Dado o fato de basear-se no cinismo mais despudorado, tal estratégia leva
todas as marcas de ter sido engendrada por um advogado criminalista.

Foi no âmbito dessa plano que se inventou a história para boi dormir de que
os dinheiros do mensalão destinavam-se ao pagamento de dívidas eleitorais. Fez
parte também do mesmo esquema o desencadeamento de uma discussão, por todos os
títulos inútil, a respeito do financiamento eleitoral.

Leia a continuação aqui.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/03/2006 - 16:43

Por falar nisso

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Nos últimos dias, diversas pessoas conhecidas informaram que o sr. Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal recém-defenestrado por ter promovido a violação do sigilo bancário do sr. Francenildo Costa, é uma pessoa séria que “não entende nada de banco”.

Quanto a ser sério, deixo o julgamento ao eventual eleitor.

Mattoso é economista especializado em relações do trabalho. Foi instalado na CEF, diz-se, por indicação da ex-prefeita paulistana Marta Suplicy. Outra que não entende nada de banco.

É assim que se faz o loteamento político do Estado. Um sujeito que pode muito bem ser perfeitamente competente em sua área de atuação é guindado a uma posição de responsabilidade sobre assuntos a respeito dos quais é jejuno, por conta exclusiva de seu alinhamento político-partidário com uma intermediária que tampouco tem qualquer experiência com a área que quer ver ocupada.

Observe-se que isso não é prerrogativa do presente governo, tendo sido praticado por todos os governos que o antecederam. E de forma alguma se limita à esfera federal. Estados e municípios são governados do mesmo modo irresponsável. Embora possivelmente haja gradações, é o princípio que está errado, e como testemunhamos todos os dias, não são muitos aqueles dispostos a alterar esse estado de coisas.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/03/2006 - 10:57

E o Banco Central?

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O caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa por funcionários da Caixa Econômica Federal coloca o Banco Central na berlinda. Como a fiscalização do setor financeiro cabe ao BC, teria este a obrigação de realizar sindicância e, comprovados malfeitos, tomar medidas. Estas variam da intervenção a admoestações de diferentes graus.

Sindicâncias não resultam apenas em penalidades para as pessoas jurídicas envolvidas, mas também para as pessoas físicas implicadas. Se constatadas faltas graves, elas são proibidas de operar no mercado financeiro, às vezes para o resto da vida. [Retificação: o freqüentador deste blogue Marco Polo informa que não há mais penas perpétuas.]

Assim, o que o BC tem a dizer? Está fazendo alguma coisa? Há um processo de sindicância aberto?

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/03/2006 - 10:28

Meias-medidas

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De acordo com o que foi informado aqui ontem, o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), sub-relator de Normas de Combate à Corrupção da CPMI dos Correios, enviou a este que escreve o trecho de seu relatório que aborda a redução dos cargos de confiança no poder Executivo. Ler aqui a proposta.

Após examinar a proposta, a conclusão é que a medida sugerida pelo deputado não ferirá o coração do problema, pois deixará aberta a livre nomeação para cargos de direção e chefia, coibindo apenas a nomeação de bagrinhos, que nada decidem. Quem promove os mecanismos de corrupção a partir do loteamento político via nomeações são diretores e chefes, não motoristas e copeiros.

Também, a emenda constitucional proposta por Lorenzoni se limita ao poder Executivo, deixando a coisa correr solta no Judiciário e no Legislativo.

Tudo isso foi expresso por ofício ao deputado. Ler aqui os reparos formulados.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/03/2006 - 20:37

Como é mesmo?

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O secretário de Comunicação do governo de São Paulo, Roger Ferreira, pediu demissão do cargo por conta do caso do uso de verbas publicitárias da Nossa Caixa para agradar políticos da base aliada do governador Geraldo Alckmin.

Mas o governador não havia dito que nada acontecera? Então por que a demissão?

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/03/2006 - 19:27

Gênios da economia

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É nada menos que espantosa a confissão do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, de que foi responsável pela violação do sigilo bancário do sr. Francenildo Costa, caseiro da “casa do lobby” mantida pela “República de Ribeirão”, e de que passou o extrato ao ministro Antonio Pallocci. Ambos demitiram-se hoje — como só não sabe quem está morto.

É mais do que espantoso que o pessoal acreditasse que tramóia tão facilmente desvendável pudesse passar despercebida e não seria recebida com a tempestade que se testemunhou.

Palocci era tomado como gênio da economia, e Mattoso presidia uma instituição financeira monstruosamente poderosa.

Bota incompetência nisso.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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