2006 janeiro | Claudio Weber Abramo - Part 2
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Arquivo de janeiro, 2006

27/01/2006 - 13:45

Na CPMI dos Correios

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Na próxima terça-feira, este que lhes escreve participará, como convidado, de discussão na Subrelatoria de Normas da CPMI dos Correios. A partir das 10h00. Não sei se será transmitido ao vivo pela TV Senado ou TV Câmara. Mas eles costumam veicular VT à noite.

Na ocasião, insistirei no fato de a crise ter exibido falhas institucionais e administrativas que precisarão ser corrigidas para que os mesmos fatos não se perpetuem. Ou seja, direi o que os visitantes habituais conhecem desde que este blogue foi ao ar pela primeira vez.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2006 - 13:40

Vejam por aí

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O jornalista Fernando Rodrigues preparou uma excelente exposição do retrocesso político implicado pela queda da verticalização, aprovada pelo Congresso Nacional há uns dias. Vale a pena ler (aqui).

A “frase do dia” do blogue do Noblat (link aí do lado) resume, em quinze palavras, o que se tem apontado aqui desde o início da crise.

E o blogue do Josias de Souza (link aí do lado) traz uma interessante informação sobre como convênios são firmados por aí.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2006 - 10:34

Rumo ao nada

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O desenrolar dos processos que correm no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aponta para um desenlace pífio da crise Correios/mensalão em outra arena, a da CPMI dos Correios. Funciona assim: presta-se uma atenção desmesurada nos indivíduos que apanharam dinheiro no valério-delubioduto. Discute-se se Fulano deve ter seu mandato cassado ou não. Por si só, a discussão tem muito de surrealista, pois em qualquer outra circunstância deveria bastar o fato de o sujeito ter apanhado dinheiro. Levou grana, diretamente ou por interposta pessoa, então deveria ser cassado sem maiores delongas. De toda forma, não fazem isso e ficam a cabalar acordos por baixo do pano, como se escandalosamente demonstrou ontem quando da votação dos pareceres a respeito dos deputados Roberto Brant (PFL-SP) e “Professor” Luizinho (PT-SP).

Essas escaramuças e acordos, embora se dêem no Conselho de Ética, funcionam como abafador das questões que de fato mais interessam na CPMI dos Correios. Neste âmbito, o que mais importa seria desvendar os mecanismos que foram colocados em prática para gerar os dinheiros do valério-delubioduto. A menos que se acredite que dinheiro cresce junto com o pêlo de ovelhas e é aspergido generosamente em contas bancárias de publicitários venais, essa grana é oriunda de assalto aos cofres públicos. Exibir os mecanismos que geraram tais dinheiros seria a missão mais fundamental da CPMI — não apenas para responsabilizar quem de fato responsável, mas principalmente para propiciar condições para que os mesmos malfeitos não continuem a se repetir.

Para os cidadãos, pouco importa se o deputado tal ou o senador qual venham a ser cassados ou não. O que interessa é que os recursos públicos venham a ser geridos de forma mais responsável e eficiente. Se isso não se conseguir, os meses de crise terão se passado em vão.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/01/2006 - 18:14

Sobre a mediocridade brasileira

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O visitante Ricardo Leão, que é da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (ou ao menos é o que indica o domínio de seu endereço de e-mail), corrige afirmações feitas aqui sobre aves, pássaros e aves passeriformes e protesta contra a afirmação de que a criação intelectual brasileira (e vai daí a academia) é medíocre. Tudo isso nos comentários à nota “Passeio dominical”, aí embaixo.

Vejamos o que interessa, a mediocridade. Tomemos uma dimensão dela, aquela que na verdade motivou a nota em questão, relacionada à criação de informação disponibilizada ao público na Internet. Tomemos algumas atividades do espírito humano: literatura, artes plásticas, biologia e suas subdisciplinas, física, o que queiram. O quê, precisamente, nossos acadêmicos oferecem para o público?

Tomem-se escritores paradigmáticos de algumas culturas. Por exemplo, Shakespeare, Cervantes, Camões. Para cada um deles há na Internet diversos lugares que oferecem suas obras completas, comentadas, às vezes ilustradas, como se queira. Tomem-se as bibliotecas nacionais de países diversos. Oferecem uma quantidade extraordinária de fontes históricas e literárias. Escolha-se um poeta importante de algum idioma. Sempre haverá um, muitas vezes vários, sítios competentes dedicados a ele. Quem compila essa informação? Fora bibliotecas estatais, trata-se de iniciativas levadas a cabo por pessoas ou grupos oriundos da academia, e que muitas vezes mantêm esses sítios sem apoio financeiro nenhum. Tomem-se agora escritores brasileiros. Onde estão suas obras?

Tome-se o maior deles, Machado de Assis. Quem primeiro se dedicou a compilar seus contos completos não estava na academia, e o fez de graça. Onde estão as obras completas de Lima Barreto? Do Padre Vieira (que não era brasileiro, mas mecereria atenção)?

Tomem-se os museus de São Paulo, e comparem-se com os grandes museus do mundo. O que oferecem? Não é nem necessário ir à Europa, aos EUA, à Ásia. Compare-se, por exemplo, com o museu de antropologia do México (aqui). Procure-se alguma exibição organizada sobre arte plumária indígena brasileira, cestaria, cerâmica. Só se vai encontrar sítios de galerias que vendem essas coisas.

Esse quadro se repete com qualquer coisa, no Brasil. Nossa elite intelectual é igualzinha à elite econômica: satisfeita consigo própria, não tem deveres para com a comunidade que a sustenta, lixa-se para a obrigação, que teoricamente teriam, de devolver alguma coisa para quem lhes paga o salário. Publicam, sim, livros caros patrocinados por empreiteiras, e que são distribuídos entre gente em geral semi-analfabeta e incapaz de compreender o que têm nas mãos.

As iniciativas que se encontram de disseminar conhecimento não vêm dessa academia autocentrada. Há coisas interessantes por aí (por exemplo, e de forma incidental, uma compilação de revistas antigas brasileiras, um acervo sobre Santos Dumont), mas é coisa pouca. No geral, é uma pobreza deprimente.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/01/2006 - 13:23

Continuam a brincar com o eleitor

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Quase todo dia, parlamentares nos brindam com demonstrações de que sua consideração para com os eleitores não é lá grande coisa. Como está se tornando habitual, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados está sendo palco, nos últimos dias e hoje, de tramóias destinadas a livrar a cara de um parlamentar — desta vez, o sr. Roberto Brant, do PFL de Minas Gerais, o qual se serviu dos favores valerianos para financiar sua campanha derrotada à prefeitura de Belo Horizonte, em 2004.

A prestação de contas que o sr. Brant submeteu ao Tribunal Eleitoral (ver a ficha completa no projeto Às Claras) reporta um total de doações de R$ 470.952. O dinheiro que recolheu no valerioduto, obviamente não incluído nesse total, foi de R$ 102 mil e poucos.

Conforme se noticia, há movimentos pepisto-pefelistas para absolver o deputado no Conselho de Ética, coisa que se decidiria hoje.

Ora, ora. Esses mesmos próceres que trabalham na confecção da massa da pizza brantiana são aqueles que batem no peito ao condenar os delubianos e companhia bela.

Tem razão a desempregada Rosa Cimiana dos Santos, que chamou o senador ACM às falas ao contestar a legitimidade de sua comiseração quanto aos indícios de que o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, havia sido torturado antes de ser assassinado. Filha de uma pessoa que morreu sob tortura na época do regime militar, confrontou o senador ACM com o fato inconteste de que este apoiara aquele regime. Foi, em troca, chamada de “puta” pelo senador.

Gente legal, essa.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/01/2006 - 20:10

Serventia da informação

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Do visitante habitual Antonio Pedro Ramos: Qualquer estudo sobre o impacto do dinheiro nas eleições que não fale de caixa dois precisa, no mínimo, de uma boa justificativa sobre porque o dinheiro não-declarado não atrapalha significativamente os “achados” do estudo.

Não ter informação completa não significa que não se tenha informação. A informação prestada, de que empresas X, Y e Z financiaram os candidatos A, B e C, é informação, porque, afinal, podemos ter segurança de que se alguém declarou um financiamento, este de fato existiu. O agregado dessas informações é também informação, embora, é claro, incompleta. Por isso, acredito que seja um pouco drástico afirmar-se a inutilidade desse tipo de estudo. 

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/01/2006 - 16:47

Mapa eleitoral

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Relatório da Transparência Brasil divulgado hoje traz um mapa do
financiamento para as eleições municipais de 2004. Algumas das informações desse
relatório já foram divulgadas aqui há alguns dias. Leia:

  • Por que é impossível avaliar o volume e a distribuição do caixa dois.
  • Perfil completo do financiamento de todos os prefeitos eleitos de capitais
    estaduais.
  • Os setores da economia que mais financiaram candidatos e seu grau de
    sucesso.
  • As principais empresas financiadoras, onde e em quem investiram.
  • As fichas do financiamento de todos os partidos.
  • Como as doações eleitorais se distribuíram por estados.
  • E muito mais.

O relatório está disponível em PDF (versão 6.0), em quatro partes ou na versão completa
(pesada, demora a baixar).

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/01/2006 - 08:52

Passeio dominical

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Algum dia escreverei mais longamente sobre uma das infinitas dimensões da autocomplacente empulhação brasileira, a saber, a de que o brasileiro seria “criativo”. Esta particular ficção decorre, acredito, da influência de nossa música (pós-bossa nova) sobre o jazz e o pop, com pitadas eruditas de nosso principal compositor, Heitor Villa-Lobos. A brasilidade criativa, contudo, começa e se encerra aí. Não há notícia de nenhuma outra área em que a “cultura brasileira” se faça notar. Nossos intelectuais, coitadinhos, são fraquinhos, fraquinhos. Mal formados e pior acostumados pelos hábitos bacharelescos de nossa academia, sobrevivem de reputações cuja substância se resume ao tráfico de amizades e cumplicidades no âmbito da tarefa comum da edificação da mediocridade que garante a sobrevivência de tantos deles. Produzem geração atrás de geração de estudantes nos quais se incute as noções autodestrutivas de que conhecimento é privilégio grupal e de que crítica é ameaça. E assim vamos ladeira abaixo.

Gaio europeu

O gaio europeu (Garrulus glandarius).

Mas divago. O que queria era indicar algo que jamais se encontraria no Brasil, a saber, um repositório de sons mantido na Internet pela Biblioteca Britânica. Escolho dali um percurso sobre “O idioma das aves”. [Alguém por favor poderia explicar por que, no Brasil, de repente ninguém mais diz "ave", mas apenas "pássaro"? Sendo que "pássaro" indica aves passeriformes, ou seja, que voam? Sendo que emas, avestruzes, emus e pingüins passaram a ser chamados de "pássaros"? Sendo que, ao que se saiba, nenhum ornitólogo se deu ao trabalho de escrever uma cartinha, uma só que seja, para esses veículos analfabetos que confundem a parte pelo todo? Mas, de novo, divago.]

“O idioma das aves” (clique na imagem para ser levado para lá) proporciona uma hora de passeio por diversos aspectos da comunicação entre esses animais, com gravações que podem ser baixadas.

(Infelizmente, para ouvi-las é necessário usar o Real Player, um desses produtos que vêm cheios de armadilhas mercadológicas. Não foi exatamente fácil encontrar a versão gratuita. Encontra-se aqui. Ao instalar, recuse todas as opções de receber mensagens etc. E não se registre.)

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Passeios virtuais Tags:
21/01/2006 - 17:25

Custos eleitorais “reais”

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O visitante Antonio Pedro transmite perguntas de um seu correspondente, Jong-sung You, a respeito da possibilidade de medir manifestações mensuRáveis de campanhas eleitorais para tentar avaliar dinheiros por baixo do pano.

Algumas tentativas foram realizadas para avaliar os custos “reais” de campanhas eleitorais. Essa necessidade depende da estrutura regulatória. Num país (como a Argentina) em que não há obrigatoriedade de declaração de coisa nenhuma, trata-se de avaliar custos. Na nossa situação, tratar-se-ia de comparar o declarado com o avaliado.

Na Argentina, uns anos atrás a organização Poder Ciudadano procurou fazer isso pela medição do tempo das inserções de propaganda eleitoral na televisão – as quais são pagas, diferentemente do Brasil. (Acredito que o exercício não foi publicado. Procure nos índices pelo autor mais provável, Christian Gruenberg. Havia um relato do projeto no sítio do Poder Ciudadano, mas não sei se continua lá.)

No meu entender, os resultados da tentativa argentina não são muito conclusivos. Para mencionar apenas um dos problemas com essa abordagem, diferentes candidatos obtêm diferentes descontos de veiculação dependendo da emissora, não importando o que se declare sobre tabelas etc. (as emissoras mentem, como todo mundo). Ainda assim, as diferentes ocupações de tempos dão uma medida do custo teórico comparativo das campanhas (a saber, atribuindo-se o mesmo custo por segundo para os candidatos).

Uma iniciativa parecida foi tentada na Letônia, dois anos atrás, medindo-se a presença em outdoors etc. Possível num país com 14 habitantes e extensão territorial muito pequena.

Numa situação como a brasileira, em que o acesso à TV é gratuito, o método argentino não faz sentido. Já medir manifestações de campanha como feito na Letônia me parece completamente impossível. Imagine-se fazer isso em São Paulo.

(O artigo sobre corrupção nos torneios japoneses de sumô, mencionado numa das referências de You — ver os comentários à nota “Eleições 2004 – setores financidores” –, é bem conhecido; acontece que o sistema de ranqueamento dos lutadores acaba por fazer com que um lutador que esteja em ascensão tenha mais incentivos para vender o resultado de uma semifinal ou final do que vencê-las.) 

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/01/2006 - 15:33

Tucanoduto

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A se confirmar o que o Jornal do Brasil publicou hoje sobre movimentações bancárias de mais de R$ 100 milhões de Marcos Valério em favor de tucanos entre 1997-98 (ler aqui), a CPMI dos Correios terá obrigação de investigar, chamar testemunhas etc. O diabo é que já se passaram muitos anos, e isso sempre atrapalha investigações. Ninguém se lembra de nada, pessoas morreram etc. É vigiar e esperar para ver.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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