De volta à labuta
Esclarecido o mistério das pirâmides exposto abaixo, voltemos ao que interessa.
Josias de Souza comenta, em seu blogue (aqui), a indignação do senador amazonense Artur Virgílio (líder do PSDB no Senado) ao denunciar, da tribuna da Casa, que haveria alguém espionando a sua vida, alguém esse alegadamente pago pelo PT. Josias observa que, se hoje o clima está assim, imagine-se o que acontecerá em 2006.
Vem em reforço do que se escreveu hoje aí em baixo na nota “No mundo da lua”, sobre as ilusões palacianas a respeito do esvaziamento da crise. A crise só vai aumentar. E é bom que aumente. Apesar do risco de dizimação das lideranças políticas e ascensão de dirigentes e candidatos inexpressivos e aventureiros (alertado pelo cientista político Carlos Ranulfo Melo, em entrevista a Lillian Witte Fibe hoje no UOL — aqui, para assinantes), o acirramento se dará pela revelação de novos fatos, os quais, por sua vez, poderão apontar mais claramente para as causas reais da corrupção. Por enquanto, esse banho-maria no qual as CPMIs e Conselho de Ética estão sendo cozinhados está funcionando mais como supressor de sintomas do que como penicilina. O furúnculo está ali, queimando. Não desapareceu, contrariamente ao que desejariam muitos, tanto da situação quanto da oposição.
E o furúnculo não são as regras eleitorais, mas os mecanismos propiciadores da corrupção: o primeiro deles, a excessiva liberdade de nomeação de pessoas para ocupar de confiança, com o conseqüente loteamento do Estado entre quadrilhas que passam a se dedicar ao saque do erário.

EU AINDA NÃO VÍ NENHUMA INVESTIGAÇÃO CHEGAR AOS CORRUPTORES, NÃO SERIA ESTE O X DA QUESTÃO?