Tréplicas
De Arturo Fatturi: Não argumentei falaciosamente; [meu argumento] não foi Ad Hominen (Ofensivo ou Circunstancial), pois não questionei a verdade do que o Prof. Lamounier afirma. Não entrei no mérito de seus argumentos, conheço minha incompetência (e isto não é um Ad Misericordiam). Um bom Ad Hominen é A esquerda é Burra, dito por determinado Sociólogo. Talvez nos seja exigido, mal comparando, ler o Mein Kampf para opinar sobre Hitler ou ler toda a literatura religiosa para opinar que não se gosta de Religião. Levando a coisa a loucura: só posso questionar aquilo que sei que é falso? Como alguém afirmou, todos temos agendas. Mas e se não concordo com algumas agendas? Serei Falacioso? Isto me parece aquela atitude típica: se você não concorda comigo, então está errado. Diferenças ideológicas implicam escolhas de analistas políticos. Prefiro Zygmut Bauman. O problema das ciências Humanas é a lógica. Muito Derrida, pouco Winch. Reputações, no Brasil, normalmente não são construídas sobre argumentos.
Começando pelo fim: Algumas reputações são piores do que outras, mas a generalização me parece excessiva. Há muitíssimas reputações respeitáveis, e há outras baseadas na picaretagem. Acredito que parte da dificuldade em se separar umas de outras é o pacto do silêncio a que se entregam quase todos. Pouco se discute, de forma que, em especial no universo midiático, não se distingue quem tem sustância de quem é simplesmente esperto.
Quanto a discordar de algum autor sem lê-lo (ou ao menos sem inteirar-se do que escreve, mesmo que indiretamente) é descabido. Como é que se decide que alguém tem uma “agenda”, sem inferi-lo do que a pessoa diz? (Deixemos de lado o simples ouvir dizer.) Por outro lado, quando se afirma que alguém tem “agenda”, isso geralmente significa que teria uma intenção não-intelectual com a qual não se concorda porque seria antagônica a algum outro conjunto de convicções. Mas estas não configurariam elas próprias uma “agenda”?
Isso não quer dizer que não se possa identificar “agendas”. Acontece que elas costumam ser encontradas nas reputações erigidas sobre bases falsas. Quando a base é sólida, pode-se ainda discordar, sem atribuir ao oponente alguma intenção recôndita. Sem esquecer de mencionar que a atribuição de intenções recônditas aos outros impossibilita a discussão, pois a implicação imediata é de desonestidade intelectual — do contrário, a intenção não seria recôndita, mas explícita.

