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Arquivo de setembro, 2005

28/09/2005 - 12:16

Debate na Folha com este blogueiro

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A Folha e o Instituto de Direito Político e Eleitoral realizam hoje, às 20h, o terceiro e último debate sobre o tema Reforma Política e Eleitoral. Estarão à mesa Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, o advogado Rubens Approbato Machado, ex-presidente nacional da OAB, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. O evento, gratuito, será no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, São Paulo). Reservas: tel. 0/xx/11/ 3224-3473 (das 11h às 12h30 e das 14h às 19h) ou pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/09/2005 - 12:07

A arte do impossível

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A foto publicada hoje na Folha, em que aparecem Sandro Mabel e Valdemar da
Costa Neto, entre outros, ladeando o candidato à Presidência da Câmara, Aldo
Rebelo, é qualquer coisa. Maquiavel definiu a política como “a arte do
possível”. Para esse pessoal, parece mais a arte do impossível. Acresce a “liberação” de R$ 500 milhões do orçamento referente a emendas parlamentares, o “descontingenciamento” de mais de R$ 600 milhões de dinheiro do Ministério dos Transportes e sabe-se lá o que mais. (Pôster do filme Nettoyage à Sec (lavagem a seco), dir. Anne Fontaine,
1997.)

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2005 - 19:02

Lembrete histórico 2

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Da outra vez, as indecisões a respeito da sucessão na Presidência da Câmara dos Deputados deram em Severino Cavalcanti. Ou seja, não vale a pena subestimar o oportunismo de muitos deputados. O baixo clero tem dois candidatos, Ciro Nogueira, o das amazonas democráticas (ver abaixo), e João Caldas. Se as forças sensatas não tomarem tento, não é de modo nenhum impossível que um deles emplaque.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2005 - 18:58

Lembrete histórico 1

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Anuncia-se que alguns integrantes do PT deixam o partido. Que não se conclua demais a partir disso. Se a história ensina alguma coisa, é que a maioria dos descontentes permanecerá dentro do partido, por falta de alternativas viáveis, e será devidamente enquadrada pelo Campo Majoritário, o qual continua virtualmente hegemônico. Não se desmonta (ou se “refunda”) um partido orgânico como o PT como quem vai às jabuticabas.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2005 - 15:49

Tentáculos

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Rola na França um escândalo envolvendo o Groupe Thales, que atua na área de defesa. Um executivo que foi despedido da empresa acusou-a de pagar subornos a seus clientes estrangeiros. Michel Josserand, ex-CEO da THEC, afirmou em entrevista publicada hoje no Le Monde que entre 1% e 2% do faturamento total (em 2004, foi de Euro 10,3 bilhões) do grupo seriam investidos em propinagens. Conforme Josserrand, o Thales teria fraudado o programa “Petróleo por Comida” da ONU e teria fornecido armas químicas ao Iraque. O grupo nega. Conforme a agência espanhola EFE, o Thales estaria tentando vender ao Brasil submarinos convencionais da classe Scorpène, que fabrica. Cada um custa US$ 300 milhões. O Chile comprou dois.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2005 - 15:00

Amazonas da democracia

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Informa-se que o deputado Ciro Nogueira (PP-PI), corregedor da Câmara dos
Deputados, arregimentou 50 moças para promover sua campanha para a
Presidência da Casa (na foto, exclusiva deste blogue, as cironetes
quando se preparavam para tomar de assalto o Salão Verde)
.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2005 - 12:46

Banestado, esperando revisita

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O caso Banestado ficou atravessado na garganta. Retomá-lo do ponto em que parou seria fundamental para esclarecer muitas das dúvidas que estão aparecendo no escândalo Correios/mensalão.

No final de 2004, a CPI do Banestado dava sinais de que terminaria no nada,
como acabou por acontecer. Na época, a Transparência Brasil divulgou
manifestação que dizia:

Como é notório, ao longo do desenvolvimento de seus trabalhos a CPI do
Banestado perdeu gradualmente a sua credibilidade. Foram diversas as
circunstâncias que levaram a esse estado de coisas:

  • A possível interferência de motivações políticas nas atitudes expressas por
    representantes das diferentes linhas partidárias, acompanhadas de acusações de
    parte a parte;

  • A desconfiança de que convocações para depoimentos e as inclusões e
    exclusões em listas de investigados e indiciados possam ter sido sujeitas a
    influências que não deveriam estar presentes, políticas ou de outro tipo;

  • A ausência, nas listas de possíveis indiciados divulgadas, de indivíduos
    notórios pela desonestidade;

  • A proposição de que indivíduos que tenham realizado lavagem de dinheiro e
    que venham a ser indiciados pela CPI possam vir a ser anistiados.

Nessas circunstâncias, qualquer relatório que venha a emergir da CPI e
do plenário das Casas legislativas deixará de cumprir o requisito mais
fundamental para sua própria razão de ser, ou seja, assegurar à opinião pública
que a justiça será bem servida. O escárnio praticamente universal com que a CPI
do Banestado já é referida produz desgaste do próprio instituto das CPIs.

A principal conseqüência desse estado de coisas é que não se pode mais
considerar que haverá um grupo de suspeitos, cujos nomes serão dados a conhecer,
e um grupo de pessoas que, por não estarem incluídas em tal lista, serão
inocentadas.

Na verdade, todas as pessoas físicas e jurídicas que realizaram
operações irregulares de remessa de divisas para o exterior por meio do
Banestado devem demonstrar a idoneidade de suas ações.

A Constituição e as leis brasileiras atribuem a responsabilidade da
fiscalização, da investigação e do controle a determinados organismos. São eles:
a Secretaria da Receita Federal; a Controladoria-Geral da União; os Tribunais de
Contas da União, dos estados e dos municípios que os possuam; o COAF; os
Ministérios Públicos Federal e Estaduais; a Polícia Federal; os órgãos de
controle interno dos estados.

Por outro lado, a CPI não poderia deixar de determinar a identificação
de todos os beneficiários finais das transferências de recursos. Envidar
esforços para levantar os titulares das contas destinatárias dessas
transferências é uma necessidade que não pode deixar de ser atendida.

Outra medida que a CPI não pode deixar de adotar é a divulgação de
todos os nomes que realizaram as operações suspeitas. A inclusão de apenas
alguns nomes em lista de indiciados tornará estes culpados e inocentará
automaticamente os restantes – e isso não porque a CPI tenha realizado
investigações convincentes e ponderado as evidências com a necessária isenção,
mas por motivos dos quais a opinião pública tem todos os motivos para
desconfiar.

Caso não se adote essa providência, aqueles de fato inocentes
vir-se-ão na mesma categoria de administradores públicos corruptos, sonegadores
de impostos, traficantes de drogas, de armas e de seres humanos,
contrabandistas, falsificadores, doleiros e outros transgressores que, por
razões fortuitas, serão deixados de fora.

Reciprocamente, a opinião pública não tem nenhum motivo para confiar
em que todos aqueles indiciados pela CPI são de fato suspeitos de terem cometido
irregularidades.

Caso não seja dada oportunidade para que os inocentes demonstrem a boa
fé de seus atos, todos permanecerão nas sombras, submetidos ao risco de sofrerem
chantagens e constrangimentos.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2005 - 12:32

Ah, bom!

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Em 8/9/05 escreveu-se aqui que escândalos de corrupção no futebol deviam
ser coisa de europeu. A matéria da Veja desta semana, mostrando como apostadores
entraram em conluio com pelo menos dois árbitros (ver aqui), coloca as coisas no lugar — de novo, a Europa
se curva diante do Brasil.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2005 - 07:58

Chegando lá

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Da entrevista concedida à IstoÉ desta semana por Sálvio Vilar, caminhoneiro, o qual deu a pista para o estouro de um esquema de tráfico de drogas disfarçado de transporte de carne:

ISTOÉ – O high society carioca se chocou ao descobrir que seus restaurantes favoritos serviam para lavar dinheiro do narcotráfico. Isso é surpresa para você?
Sálvio - É a elite que sustenta o tráfico. E não são só restaurantes. Existem outras coisas que vão vir à tona, supermercados, motéis, hotéis. O que quebraram agora é só a pontinha do iceberg. Se a Polícia Federal continuar, vai estourar o resto do iceberg. Você ainda vai ver cair muita gente grande, gente que você nem sonha.
ISTOÉ – É possível um esquema desses funcionar sem o envolvimento do poder público?
Sálvio - Claro que não. O suporte da quadrilha é formado por deputados federais, estaduais, juízes, delegados e vários policiais. Sem isso, nenhuma quadrilha funciona.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/09/2005 - 20:22

Poder corruptivo

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A liberação pelo Palácio do Planalto de cerca de R$ 500 milhões do Orçamento correspondentes a emendas de parlamentares na bica da eleição para o novo presidente da Câmara dos Deputados mostra quão corruptivo é o poder conferido ao Executivo pela não-obrigatoriedade do cumprimento do Orçamento. Como pode determinar a seu bel-prazer se executará ou não o Orçamento votado pelo parlamento, o governante tem a sua disposição uma grande mala de dinheiro, um imenso mensalão oficial, que usa para comprar (republicanamente, claro) os apoios de que necessita. Se fosse obrigado a cumprir o Orçamento, esse poder desapareceria, desaparecendo junto o desvirtuamento que traz às relações com o Legislativo.

Aliás, a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2006, aprovada pelo Congresso, continha um dispositivo que proibia o Executivo de “contingenciar” (ou seja, não cumprir) verbas oriundas de emendas parlamentares. O dispositivo foi um dos vetados pelo presidente da República na quinta-feira. Estima-se que em 2006 o Orçamento incluirá cerca de R$ 3 bilhões resultantes de emendas. Um dinheirão para negociar em ano eleitoral.

Em tempo: O uso corruptivo da liberação de emendas de forma alguma foi inventado pelo presente governo, e não se limita à esfera federal. É uma praga histórica que afeta todas as esferas, desvirtuando as relações entre Executivos e Legislativos.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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