2005 setembro | Claudio Weber Abramo
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Arquivo de setembro, 2005

30/09/2005 - 22:21

Impunidade

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Da capa do livro Tudo em Família… — A corrupção dos poderes político e judiciário de Portugal e da Comissão Européia dos Direitos do Homem, de Vasco de Castro Pereira da Silva

O juiz que fuzilou um vigia no Ceará foi condenado pelos desembargadores do Tribunal de Justiça daquele estado a 15 anos de prisão e à perda do cargo. Mas não do salário. O assassino receberá para mais de R$ 14 mil por mês. Um dos argumentos usados pelos desembargadores para justificar a manutenção do privilégio foi que o agora ex-juiz terá de pagar indenização à família da vítima. Montante: R$ 1 537 por mês. Ora, se foi essa a justificativa, mais justo seria destinar os mil e poucos para o juiz e obrigá-lo a pagar R$ 12,5 mil mensais à família do vigia assassinado. O juiz está preso no batalhão do Corpo de Bombeiros. É que no Brasil portador de diploma de curso superior tem direito a prisão especial. Sendo juiz, então…

A pior impunidade brasileira é a que acompanha o massacre cotidiano que a elite comete contra as classes populares. Isso de prisão especial e salário nababesco como recompensa de crime é um pedaço.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/09/2005 - 16:56

Rolo compressor

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Gestalt. O pessoal quer porque quer que enxerguemos
apenas o vaso da reforma política, e deixemos de lado os rostos dos valerianos.

As entrevistas e declarações de ontem do deputado Aldo Rebelo só fazem
aumentar a convicção de que sua presença na Presidência da Câmara dos
Deputados representa um valioso estímulo à operação lava-gente.
Vejamos por quê.

Conforme previsto, Rebelo passou imediatamente a dedicar-se com exclusividade
à promoção da reforma política como solução para todos os males. A certa altura
de entrevista concedida a um âncora televisivo, Rebelo afirmou mais ou menos o
seguinte (quase literal): “É opinião unânime que a crise política que
atravessamos tem origem no financiamento eleitoral. Isso mostra que precisamos
adotar o financiamento público exclusivo de campanhas, e para isso devemos
aprovar a emenda constitucional que amplia o prazo de alteração das regras
eleitorais até 31 de dezembro.”

Ora, ora, ora. Primeiro que não é opinião unânime coisa nenhuma. Esse é só o
mantra que a turma inventou para justificar os crimes expostos pelo valerioduto.
Segundo, e gravíssimo, Rebelo mostrou nessa frase que
incorporou como sua a defesa dos valerianos — ninguém pegou dinheiro para
embolsar, comprar lanchas, apostar nos cavalinhos, remunerar moçoilas ou
moçoilos da noite ou o que seja, mas para ressarcir dívidas eleitorais. Rebelo
dá isso como favas contadas. Terceiro, reafirma que o pessoal não vai hesitar
nem mesmo ante o impeditivo constitucional. Vão tentar o golpe da emenda Ney
Lopes.

Estamos bem arranjados.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2005 - 17:57

Dito e feito

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Conforme previsto hoje de manhã (ver a subnota Podem escrever, abaixo), o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, já se pôs a campo para tocar a reforma política. De acordo com o informado nas Últimas Notícias do UOL, “o Planalto quer prioridade para a votação dessa reforma”. É a operação lava-gente a pleno vapor. Colocam a culpa do mensalão na legislação eleitoral, empreendem uma mudança de afogadilho que só interessa aos políticos e posam de bacanas como promotores da “reforma”. Quando deveria ser óbvio que reforma política não tem absolutamente nada a ver com propinagens oriundas de direcionamento de licitações, leniência na fiscalização de contratos etc. A respeito de tudo isso, das reformas políticas propostas e assim por diante, ver a nota Calma lá, do dia 23, bem como outras, anteriores.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2005 - 15:05

Sobre rankings

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Isto tem a ver com a notinha “Temporada de besteirol”, postada hoje de
manhã.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2005 - 10:48

Corrupção da política

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O artigo seguinte sairá amanhã em coluna que este que vos escreve mantém no
Diário do Comércio de São Paulo:

A operação que levou à eleição do deputado Aldo Rebelo à Presidência da
Câmara dos Deputados foi emblemática ao exibir as vulnerabilidades que afetam
nossas instituições e que propiciam a corrupção. No caso, a corrupção nas
relações entre o Executivo e o Legislativo.

Antes de prosseguir, convém esclarecer que tais falhas não foram inventadas
pelo atual governo, nem se limitam à esfera federal. Todos os presidentes da
República, governadores de estados e prefeitos municipais e todos os
parlamentos, do federal à menor das municipalidades, envolvem-se numa dança
negocial que responde por muito da dissolução dos costumes políticos. A menção
ao presidente Lula, ao deputado Aldo Rebelo e a determinados partidos é feita
porque aconteceu ontem (fora alguns detalhes escabrosos peculiares ao momento
presente). Trocando-se os partidos e os personagens, vê-se o mesmo todos os
dias, por todo o país.

De modo a assegurar a eleição de um parlamentar alinhado para presidir a
Câmara (intenção que em si não tem nada de imprópria), o Palácio do Planalto
tomou as seguintes providências, entre as conhecidas (é claro que pode ou mesmo
talvez deve ter havido outras manobras, não divulgadas): “liberou” cerca de R$
500 milhões em verbas orçamentárias oriundas de emendas de parlamentares que
estavam contingenciadas. Fez o mesmo com para mais de R$ 600 milhões de verbas
do Ministério dos Transportes.

O poder que o Executivo tem de contingenciar (a saber, bloquear a aplicação)
e descontingenciar verbas orçamentárias é empregado como moeda de troca em
negociações políticas. Isso desvirtua o Orçamento e a política. Observe-se que o
presidente Lula vetou dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2006 que
proibia o contingenciamento de emendas parlamentares.

A não-obrigatoriedade do cumprimento do Orçamento é uma causa histórica de
corrupção e ao mesmo tempo uma causa da debilidade do planejamento estatal, que
justifica o diagnóstico unânime de que, entre nós, o Orçamento é uma peça de
ficção. Há prefeituras por aí em que ao prefeito se permite contingenciar 100%
do Orçamento.

Evidentemente, não se pode gerir adequadamente estruturas complexas como são
as do Estado sem rigor orçamentário. Programas geridos pelo Estado são de longa
maturação e exigem continuidade. Contingenciar a torto e a direito compromete
gravemente a eficiência do Estado, prejudica a prestação de serviços, afeta a
capacidade de investimento etc. etc. etc.

Os governantes costumam afirmar que seriam “obrigados” a contingenciar porque
a economia é volátil (o que não tem sido verdade há anos), que as necessidades
sociais são cambiantes (o que é embromação e não quer dizer nada), que precisam
“ter liberdade” (o que é o anti-governo). Na verdade, contingenciam para fazer
negociatas políticas.

Tornar obrigatório o cumprimento do Orçamento em todas as esferas, o que só
se pode fazer por emenda constitucional, é necessidade estratégica para o país.
O principal motivo é econômico, mas a medida traria salutar alteração na forma
como o Executivo se relaciona com o Legislativo.

Não faz nenhum sentido que uma emenda introduzida no Orçamento por um
parlamentar, votada e aprovada pelos seus pares, seja meramente desconsiderada
pelo chefe do Executivo. Impedir que isso aconteça faria com que manobras como
as que foram empregadas no decorrer desta semana para eleger Aldo Rebelo não
fossem mais possíveis. Os parlamentares não teriam mais que mendigar
“liberações” pelos ministérios, vendendo a alma ao diabo para emplacar suas
emendas e, assim, cumprir o que prometeram a suas bases eleitorais. A qualidade
da relação política melhoraria.

Eis aí uma emenda constitucional que o Parlamento poderia muito bem votar sem
receio de sofrer vetos, uma vez que o presidente da República não pode vetar
esse tipo de iniciativa. Por que isso não acontece?

A resposta talvez possa ser encontrada no fato de que os parlamentares são
sempre candidatos potenciais, em especial a prefeito, e portanto omitem-se
preventivamente.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2005 - 09:30

Temporada de besteirol

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Diversas instituições internacionais publicam uma grande variedade de indicadores da vida econômica e social. Competitividade, percepção de corrupção e por aí vai. Com demasiada freqüência, quem consome esses indicadores é levado por raciocínios que concluem muito mais do que a metodologia permite. Um exemplo apareceu hoje no Estado de S. Paulo e no Globo. O primeiro, para noticiar a queda da posição do Brasil no índice de competitividade do World Economic Forum, deu em chamada de primeira página e manchete de seu caderno de Economia que “Corrupção derruba competitividade no país”. Dentro, o presidente do Ciesp, Claudio Vaz, é citado no sentido de que “Todo mundo está bastante deprimido com a corrupção e, por isso, tende a ser mais rigoroso na avaliação das instituições”. No Globo, Miriam Leitão afirma que a crise política teria levado o WEF a “jogar o Brasil oito degraus abaixo na classificação de competitividade”. Outra matéria do Globo, também manchete do caderno de Economia, diz o mesmo. (A Folha barrigou o assunto.)

Tudo bobagem. O índice do WEF foi compilado a partir de entrevistas feitas aí por volta de fevereiro ou março de 2005. O valerioduto não pode ter nada a ver com a posição do Brasil nesse ranking.

Quando a Transparência Internacional divulgar seu indicador, o que acontecerá no decorrer de outubro, não faltará quem venha a fazer deduções a partir do mensalão. Também será bobagem, uma vez que este indicador é uma média móvel de três anos e, além disso, o número de 2005 incluirá uma boa parte de opiniões colhidas entre o final de 2004 e o início de 2005.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2005 - 08:17

Debate na Folha

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Podem escrever: Entre hoje e amanhã, o novo presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, moverá céus e terras para emplacar sua promessa de campanha de votar a pseudoreforma política oriunda do Senado (o projeto Bornhausen/José Jorge, sobre o qual ver o corpo desta postagem). Provavelmente, ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros, também tentarão enfiar goela abaixo a emenda constitucional Ney Lopes, que estende até 31 de dezembro o prazo de modificação das regras eleitorais para as eleições subseqüentes, que é hoje de um ano. Isso terá como finalidade aprovar o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais. Essas manobras serão operadas não por alguma razão “republicana” (para usar a inestimável expressão do ex-deputado Roberto Jefferson), mas porque faz parte da operação lava-gente que pretende liberar geral a turma do mensalão por conta de pretensas causas eleitorais.

A lógica é a seguinte: Os crimes cometidos pelos mensaleiros e seus alimentadores não foram crimes, mas deslizes inspirados pelo modelo de financiamento eleitoral. Vasmos então mudar as regras de financiamento, de modo que não é mais necessário ir atrás dos malfeitos do mensalão.

Conforme anunciado, realizou-se ontem debate na Folha de S. Paulo a respeito de reforma política, com a participação do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, o advogado Rubens Approbato Machado, o também advogado Adilson de Abreu Dallari (substituindo o presidente da Fiesp. Paulo Skaff) e este que vos escreve. O resumo sairá na Folha de amanhã. Basicamente, houve bastante concordância entre as posições de Wanderley Guilherme dos Santos e este que vos escreve no que tange a maior parte dos assuntos de fundo: a preeminência da política e o risco de cair em armadilhas retóricas fáceis que escamoteiam a realidade histórica e prática. Em síntese, o que este que vos escreve disse foi o seguinte:

  1. Reforma política que não trate do problema da representação não é reforma política. No Brasil, o poder econômico é sobre-representado e as classes populares sub-representadas. No Brasil, o grande eleitor é o dinheiro.
  2. Disso não se deve depreender que a solução seria abolir o financiamento privado, como alguns querem. Isso simplesmente teria o efeito de levar o que hoje é doado em Caixa Um para o Caixa Dois. É a “solução Roberto Jefferson” às avessas. Jefferson queria eliminar a obrigatoriedade de declaração de doações, transformando assim o Caixa Dois em Caixa Um.
  3. Em particular, a atual agitação em torno de reforma política tem motivação errada, a da corrupção. Faz parte, assim, do que tenho chamado de processo de lavagem de gente. Em vez de perseguir as causas da corrupção, atribui-se tudo ao sistema político-partidário, em particular o modelo de financiamento eleitoral. Ora, o que tem a ver com financiamento eleitoral o direcionamento de licitações públicas, a leniência na fiscalização de contratos, a promulgação de legislações que favorecem inteiros setores econômicos, a inadimplência de agências reguladoras e todos os demais mecanismos da grande corrupção? Nada, obviamente. A relação é nenhuma.
  4. Centrar a atenção em reforma política é aceitar tacitamente como razoável a desculpa dos beneficiários do valerioduto. O sujeito leva uma grana na boca do caixa, afirma que aquilo foi usado para pagar dívidas eleitorais e fica tudo numa boa. Essa é a real operação por trás da urgência, que agora se pretende urgentíssima, da reforma política.
  5. Pretende-se até emendar a Constituição para permitir ampliação do prazo de mudança de regras eleitorais, que vence em 30 de setembro. Trata-se de golpe à Constituição, simplesmente.
  6. Quanto ao projeto Bornhausen/José Jorge, que a Câmara dos Deputados poderá votar até sexta-feira (como aliás prometeu o deputado Aldo Rebelo), é o caso de perguntar: A quem interessa? A nós, eleitores, ou aos interesses de políticos? Vejamos alguns pontos:
    • Redução do tempo de campanha. Isso quer dizer que os candidatos novos terão menos tempo de se apresentar ao público. Ganha quem já está lá. Por que isso seria bom para nós?
    • A proibição de usar trucagens, imagens externas etc. em programas de TV. Ou seja, empobrecer a informação exposta. Outra vez, isso é bom para nós por quê?
    • A proibição de veicular resultados de pesquisas eleitorais a partir de 15 dias antes da votação. Isso só beneficiará os picaretas, que de todo modo veicularão pesquisas fajutas pela Internet e, daí, de forma disfarçada, para o resto dos veículos. De novo, é bom para nós?
Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2005 - 08:00

Lista do TCU

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Veja aqui as 104 matérias que apareceram nos jornais a respeito do assunto entre 2004 e 2005, até ontem.

Como acontece todo ano mais ou menos por esta época, o Tribunal de Contas da União envia ao Congresso uma lista de obras financiadas com verbas federais e cuja condução apresenta irregularidades. A idéia é que a informação seja usada pelos parlamentares na confecção do Orçamento do ano que vem, a saber, evitando despejar dinheiro ralo abaixo antes que as irregularidades sejam sanadas. No ano passado, foram 70 obras, correspondendo a um valor total de R$ 3 bilhões. Este ano, são 81 obras, importando em R$ 2 bilhões.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/09/2005 - 17:47

Perguntinhas à CBF

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Na foto, exclusiva deste blogue, protótipos de bolas que o Departamento de Árbitros da CBF está testando para introdução no Campeonato Brasileiro.

Duas perguntinhas à valorosa Confederação Brasileira de Futebol:

1. Se casas de apostas são capazes de analisar resultados de jogos de acordo com as arbitragens e determinar que há probabilidade de interferência de tramóias, por que a CBF é incapaz de fazer o mesmo?
2. Se alguém processar a CBF por incúria na administração do futebol, facilitando por inépcia a ação de quadrilheiros do apito, de onde a entidade vai tirar o dinheiro? Não vale responder que é da bilheteria dos jogos.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/09/2005 - 17:00

Nem dá pra imaginar

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O interregno de uma hora e meia entre o anúncio do resultado do primeiro turno da eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados e o início da votação do segundo turno, às 18h00, será preenchido por frenéticas negociações para cabalar votos. José Thomaz Nonô e Aldo Rebelo empataram com 182 votos, Luiz Antônio Fleury Filho (PTB) teve 41, Ciro Nogueira, do PP, teve 76 e Alceu Collares, do PDT, teve 18 votos. Os 18 votos de Collares provavelmente irão para Nonô. Desconfia-se que a candidatura de Fleury era na verdade “laranja” de Aldo, sensação reforçada pelo fato de Fleury ter-se reunido ontem com o presidente da República. Nogueira, auto-proclamado herdeiro de Severino Cavalcanti, representa o baixo clero. Nem dá para imaginar o que será negociado com eles. Mas se pode intuir quem tem mais chances: Nonô não tem nada a oferecer, e Aldo tem as burras oficiais, na forma de liberação de emendas (R$ 500 milhões), projetos no âmbito do Ministério dos Transportes (algo aí para mais de R$ 600 milhões) e até mesmo um ministério inteiro.

Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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