31/08/2005 - 16:44
Ainda explorando a vertente direito x política, a linha de defesa jurídica expõe
o flanco de quem depõe, pois o que está em jogo em CPIs não é a prova material
de fatos alegados, mas a maior ou menor plausibilidade do que se afirma, do que
se responde, do que não responde etc. É aí que a estratégia dos advogados
sai pela culatra. Numa corte de Justiça não há problemas em o depoente
manifestar cinismo, e os advogados acreditam que manifestar cinismo é
normal e esperado. De modo que, ao obedecer aos conselhos de seus advogados, os
depoentes entram pelo cano direto, pois o cinismo agride quem ouve e revela o
que eles não queriam revelar. Politicamente, é suicídio. Pensando bem, ainda
bem.
Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria
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31/08/2005 - 15:50
Os depoentes em CPIs costumam seguir um roteiro que é obviamente instruído
por advogados. Sempre exprimem “muito respeito” pelos parlamentares que os
interrogam, sempre fazem menção a peculiaridades pessoais irrelevantes (“tenho
um problema renal grave”) e, principalmente, insistem nos formalismos e se
desviam das questões de fato. Assim, por exemplo, perguntado sobre se o assunto
GTech foi discutido pelo ministro Palocci, Juscelino Dourado, seu chefe de
gabinete, respondeu que o tema nunca apareceu na agenda oficial do Ministério da
Fazenda. O pior é que, aparentemente, o senador que perguntava não se deu
conta do subterfúgio. Assim é duro.
Autor: Claudio Abramo - Categoria(s): Sem categoria
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