É de mais de um século a história da Giorgetti, empresa italiana de marcenaria fina fundada em 1898 por Luigi Giorgetti. A marca ficou conhecida nos anos 1980 quando, vendo o mundo das artes em intensa agitação, Carlo Giorgetti – presidente e responsável pelo estilo e criação da marca – passou a firmar parcerias com artistas, arquitetos e urbanistas que ainda não tinham a experiência de desenhar móveis. Ao combinar talento artístico com técnica extraordinária, a Giorgetti passou a lançar peças únicas que traziam na assinatura a personalidade dos criadores, dando à marca um estilo inédito. Trabalhando a madeira de maneiras diversas e com conhecimento de causa, superaram tendências e criaram peças atemporais. Em entrevista exclusiva, Carlo Giorgetti conta um pouco da história da empresa e dos planos para a chegada da marca no Brasil, pela Collectania. Veja mais: na edição de setembro da revista Bamboo, e nos sites giorgetti-spa.it e collectania.com.br
A Giorgetti é uma empresa tradicionalmente italiana, inclusive no sistema familiar de administração. Qual o seu lugar dentro da genealogia da empresa e qual a marca da sua administração?
CG A Giorgetti foi fundada em 1898, no coração da Brianza, pelo meu avô. Hoje a administração está na Terceira geração de nossa família; sou o presidente da empresa. Comecei a trabalhar aqui quando ainda era um menino de 14 anos e aos 19, com a perda do meu pai, eu fiquei com o desafio de dirigí-la completamente.
Quais são seus principais designers hoje?
CG Nossa marcenaria sofisticada e o cuidado que temos com os estofamentos vem sendo interpretado de diversas formas de acordo com o arquiteto que concebe os móveis. Chi Wing Lo, por exemplo, se caracteriza por um cuidado meticuloso com os detalhes e suas criações exprimem uma elegância linear, sóbria e leve; enquanto Léon Krier comunica bom gusto por meio da robustez e imponência dos desenhos. Massimo Scolari busca a perfeição e, com isso, dá vida a um móvel altamente sofisticado, não apenas esteticamente, mas também no que diz respeito à estrutura. Já Antonello Mosca tem o olhar voltado para as tendências do momento e Laura Silvestrini busca prioritariamente valorizar a técnica construtiva do produto.Nesse ano introduzimos dois designers novos, Andrei Munteanu, que se caracteriza por um toque de modernidade e uma tendência à modularidade; e Umberto Asnago, que é muito atento aos detalhes particulres e profundo conhecedor dos materiais usados no setor de móveis.
Quais são as peças mais significativas na história da empresa?
CG A Giorgetti tem uma série de ícones. O mais marcante é a Progetti (design do Centro de Pesquisas da Giorgetti, em 1987), cuja ideia nasceu de um detalhe: a alça de uma bengala, objeto que eu coleciono desde sempre. Um dia eu vi uma bengala de formato particular e aquilo chamou minha atenção. A partir daquela forma, nosso escritório de pesquisa e desenvolvimento criou uma das coleções mais importantes da marca, que tem como característica uma alça de pau-ferro.Especialmente inovador é o móvel Oli (design de Chi Wing Lo, 1995), que chama atenção por sua versatilidade e adaptabilidade a quase qualquer tipo de espaço. É um sistema modular multifuncional, extremamente racional e com infinitas possibilidades construtivas, como vitrine, estante, aparador, armário e criado.
Desde quando existia algum plano para vir ao Brasil?
CG Sempre tive verdadeira paixão pelo Brasil. Nos anos 1970 a Giorgetti produzia no país, principalmente pela facilidade de se encontrar as madeiras que usamos e para exportar para toda a América. Hoje em dia o Brasil é seguramente um país interessante por diversas razões: antes de tudo, é parte do BRIC e possui alto potencial de crescimento; depois disso, o brasileiro é um povo que tem um olhar curioso para a arquitetura e a estética, logo que saberá apreciar nosso produto.
Que coleções devem chegar ao Brasil?
CG Alguns de nossos produtos estarão disponíveis agora na Collectania, como poltrona icônica Progetti e as novas Arabella e Movius, apresentadas em todo o mundo. Além disso, estará disponível o sofá Maharaja e o móvel componível Oli, além da inovadora escrivaninha Erasmo.
Há planos de fazer parcerias com designers e arquitetos brasileiros?
CG O design brasileiro tem uma importante tradição com características bem particulares e eu acredito que é importante manter as tradições vivas. A Giorgetti, por exemplo, é uma empresa com mais de 100 anos de história, nascida em Meda, no coração da Brianza – terra famosa pela marcenaria sofisticada. Como a inovação e a experimentação são parte importante da nossa história, unir o design brasileiro às nossas criações pode ser uma boa ideia para o futuro. Veja mais: giorgetti-spa.ii; collectania.com.br e na edição de setembro da Bamboo.





