O jornalista Paul Goldberger – o mais importante crítico de arquitetura americano e ganhador do Pulitzer – fez palestra espetacular sobre a relevância da arquitetura na Universidade do Mackenzie. Apesar de os alunos terem sido avisados, apenas uns poucos gatos pingados apareceram.
Tive a sorte de estar presente nesta segunda na primeira palestra do Arq.Futuro, na Universdade Mackenzie, em São Paulo, encontro que reúne um grupo extraordinário de arquitetos e pensadores da arquitetura mundial para discutir suas importantes transformações sociais. Na primeira noite, a palestra foi com Paul Goldberger, o crítico de arquitetura da Revista The New Yorker e professor de design e arquitetura na The New School, em Manhattan, onde vive. Em 1984, Goldberger recebeu o Prêmio Pulitzer, na categoria Crítica. Com esse currículo, era para o auditório estar cheio, não é mesmo? Mas não estava! Cheguei cedo, com minha equipe e não acreditei quando pude sentar logo nas primeiras filas. Atrás de mim a arquiteta Patricia Anastassiadis estava indignada: “Como que os alunos da Arquitetura do Mackenzie não estão aqui?”, perguntava ela. Imagine você que ela se deu ao trabalho de sair do auditório e ir direto às salas de aula falar com os professores e pedir que eles avisassem os alunos, pois ainda dava tempo de eles entrarem na sala de eventos. Sabe qual foi a resposta que ela recebeu dos professores? :“Eles foram avisados por email”. Ninguém se deu ao trabalho de dizer a eles do que se tratava a palestra e porque era tão importante que estivessem lá. Ninguém foi lá sacudir a turma e levá-los para o auditório. Nem mesmo estes ditos professores de arquitetura levantaram da cadeira para ouvir Goldberger. Na verdade, não devem nem saber de quem se trata. Patricia ficou muito frustrada – assim como todos nós -, pois tinha sido aluna daquela Universidade. A palestra teve por base o livro A Relevância da Arquitetura, lançado pela Bei Editora. Segundo Goldberger, “a arquitetura é constitucionalmente importante e isso não pode ser ignorado”. Afinal, “você não tem uma bela cidade se as ruas forem feias, não importando o quão belos são os prédios individualmente ”. Ele ainda comparou a arquitetura com a obra de Beethoven dizendo que “o mundo não precisava da Nona Sinfonia, mas ela fez do mundo um lugar melhor”. Antes de finalizar, o jornalista falou que, “em um mundo em que tudo é virtual, inclusive muitas cidades, é a arquitetura que nos lembra, muitas vezes, a importância e a urgência do real”. A pouca platéia presente ouviu em silêncio cada ponto comentado, entre eles Karen Stein, editora e consultora de arquitetura; Jacques Herzog e seu sócio Pierre de Meuron( autores, entre outros, do projeto da Tate Modern e do Laban Centre, em Londres e do Ninho de Pássaros, em Pequim); o crítico e membro do departamento de Arquitetura do MoMA, André Corrêa do Lago; e os arquitetos Isay Weinfeld e Ruy Ohtake. Deixo aqui o link para você assistir ao vídeo e se deliciar: http://www.arqfuturo.com.br/
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