A reportagem é da revista Time (leia no original aqui). De acordo com a matéria, uma pesquisa do Yale’s Rudd Center for Food Policy and Obesity mostra que as campanhas de marketing mais agressivas, voltadas para o público infantil, são as de marcas de cereais menos saudáveis. De acordo com os pesquisadores, anualmente, crianças de 2 a 5 anos assistem 507 anúncios de cerais dirigidos a elas. A pesquisa será detalhada hoje no encontro anual da Obesity Society’s (uma associação científicaque discute a obesidade). Cerca de um terço das crianças americanas são obesas. Um estudo publicado na edição de julho da revista Psicologia da Saúde revelou que crianças entre 7 e 11 anos que assistiram a um desenho animado onde eram veiculados anúncios de alimentos comeram 45% a mais do que crianças que assistiram ao mesmo programa sem anúncios.
Um acordo firmado entre 24 grandes empresas do setor de alimentos, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), em parceria com a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), resultou em um código de conduta que vai disciplinar a publicidade dirigida ao público infanto-juvenil. Entre as empresas que aderiram voluntariamente estão a Coca-Cola, Unilever, Nestlé e Sadia. Elas deixarão de fazer publicidade diretamente para crianças e pré-adolescentes. Com isso, o público-alvo de suas campanhas passarão a ser os pais. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a Abia usou diversos estudos científicos para convencer os associados à entidade e à ABA da importância de criar restrições à publicidade de alimentos e bebidas para as crianças. Países como Estados Unidos, Canadá e parte da União Europeia (UE) já criaram regras para tirar o público infantil do foco das empresas e agências de publicidade. O blog Crianças e Mídia traz a íntegra do código de conduta.
De olho nas críticas de que oferece alimentação que estimulam a obesidade infantil, o McDonald’s vai trazer ao Brasil, em setembro, o novo conceito Ronald Gym de restaurante que oferece uma área de lazer que favorece a atividade física junto à área de alimentação. O espaço é destinado a crianças e adolescentes de 3 a 14 anos e terá quadra de minibasquete, parede de escalada, pebolim eletrônico e bicicletas ergométricas. A novidade chega primeiro em Sorocaba. O projeto inclui cuidados com acessibilidade e para isso a unidade terá piso tátil, rampas, mesas no térreo e balcão adaptado para portadores de necessidades especiais. A estrutura do Ronald Gym será de vidro para captar a luz natural e iluminar a loja durante o dia. É mais uma tentativa da rede de fast-food em amenizar a imagem de vilã da obesidade infantil, um problema mundial que vem despertando críticas de especialistas, associações de defesa do direito do consumidor e autoridades sanitárias. Recentemente, o Ministério Público Federal de São Paulo ingressou, até agora sem sucesso (a liminar foi negada), com uma ação para proibir a venda ou distribuição de brindes como os do McLanche Feliz.
O Ministério Público Federal de São Paulo ingressou ontem (15/06) com uma ação civil pública que pede a suspensão da distribuição de brindes nos lanches voltados para o público infantil das redes McDonald’s, Bob’s e Burger King. De acordo com o MPF, as lanchonetes usam os brinquedos para atrair as crianças para a compra dessas promoções, estimulando a obesidade infantil. O procurador da República Márcio Schusterschitz da Silva Araújo alega que os lanches, compostos por hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes, fazem do brinquedo “um prêmio” para o consumo de alimentos de alto teor calórico e baixo valor nutricional. Caso a ordem seja acatada, tradicionais promocionais como McLanche Feliz, Lanche Bkids e Trikids poderiam deixar existir – ou, no mínimo, deixar de distribuir os brinquedos-surpresa que acompanham os respectivos “trios”. O pedido foi feito em meio à preocupação global sobre a ligação entre fast-food e doenças como a obesidade, diabetes e hipertensão. Desde 2006, o governo estuda medidas para conter a publicidade de guloseimas voltada para o público infantil com a publicação da proposta de Consulta Pública nº 71 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Países como Inglaterra, França, Austrália e os EUA já estão discutindo regras rígidas para o marketing desse tipo de produto.
Um hamburger fumante, o ShamBurger, é o personagem principal deste viral lançado por uma coalizão de instituições sem fins lucrativos da Austrália, a Coalition on Food Advertising to Children. No filme, o desagradável protagonista tenta invadir uma casa mas é expulso. Ele não se dá por vencido e oferece um brinquedo. É a deixa para a pergunta da campanha: você não deixaria ele (o hamburger) passar da porta da sua casa, por que deixá-lo entrar na sua TV?. O objetivo é alertar os pais das crianças sobre esse tipo de propaganda que invade a televisão em horários em que as crianças estão assistindo aos seus programas favoritos, o que estimula os maus hábitos alimentares e a obesidade infantil. A campanha, criada pela agência I.D.E.A.S, tem ainda um hotsite onde o internauta pode mandar uma mensagem para o ministro da Saúde da Austrália, Nicola Roxon, pedindo o banimento das propagandas de guloseimas para crianças. Com informações do Ypsilon2 e AdFreak.
A Barbie aparece muito acima do peso, com latas de refrigerante na cama e uma embalagem de comida chinesa numa cadeira ao lado. Os piratas gordinhos comem coxas de galinha enquanto o Superman tem um sorve de casquinha numa mão e uma embalagem de pizza aos seus pés, no chão. A campanha criada pela agência Latinworks de Austin (EUA) usa o universo infantil para um alerta aos pais. Manter obesidade longe das crianças, diz as peças que começaram a ser veiculadas em janeiro. A iniciativa é da Active Life Movement, uma organização que quer mudar os hábitos dos americanos de consumir comida fast food pela prática de esportes e alimentação saudável.
De acordo com um estudo norte-americano se os anúncios de fast-food fossem banidos da TV, o número de crianças de 3 a 11 anos acima do peso seria reduzido em 18%. O de adolescentes de 12 a 18 com o mesmo problema também sofreria queda, de 14%. Os autores são pesquisadores do National Bureau of Economic Research. Ao cruzar dados sobre o perfil socio-econômico e hábitos das famílias americanas, notaram que àquelas com mais crianças obesas eram as que mais assistiam TV no horário onde eram veiculadas campanhas de fast foods. Cálculos estatísticos levaram em conta outras influências, como renda, o número de restaurantes de fast-food na vizinhança e a possibilidade de algumas crianças já estarem obesas independentemente de seus hábitos relativos a ver TV. A íntegra da pesquisa pode ser baixada aqui. No Brasil, um estudo divulgado no ano passado com 816 famílias que têm filhos de 7 a 14 anos relacionou a obesidade das crianças à quantidade de propaganda de alimentos ricos em gordura, açúcar, sal e óleo exibidas na televisão. Feita na USP de Ribeirão Preto, a pesquisa mostrou que cerca de 27% da propaganda exibida era de alimentos. Desse total, 57% vendia produtos como refrigerantes, achocolatados, bolachas recheadas e salgadinhos. Das crianças avaliadas, 24% tinham sobrepeso ou obesidade, e a maioria comia muitos alimentos gordurosos ou cheios de açúcar. Com informações da Folha de S. Paulo e do Chicago Journals. A imagem que ilustra esta nota é da campanha contra a obesidade infantil da novaS/B, veiculada em março do ano passado.
Usando desenhos de crianças e o universo infantil, a campanha Obesidade infantil é um peso que se leva para vida toda alerta a família e os educadores para as consequências de maus hábitos alimentares. Criada pela agência 11/21 para o Instituto Movere, as peças de mídia impressa, TV e rádio trazem mensagens como obesidade é um problema que começa pequeno e vai crescendo. O Instituto Movere de Ações Comunitárias é uma organização sem fins lucrativos que tem por finalidade divulgar e promover ações de reeducação alimentar, atividades físicas, e mudança de comportamento para crianças e adolescentes de baixa renda com sobrepeso e obesidade.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) defende o fim da propaganda e promoções que oferecem brindes para crianças em redes de lanchonetes fast food. De acordo com a entidade, esse tipo de publicidade pressiona os pais a comprar alimentos pobres do ponto de vista nutricional e com componentes que podem prejudicar a saúde como sódio, açúcares e gorduras saturadas. O Idec investigou as características de cinco redes – McDonalds, Bobs, Burger King, Habibs e Giraffas – que vendem kits de lanches infantis, acompanhados de brindes. O estudo apontou uma grande concentração de sódio e gorduras saturadas. O resultado do consumo freqüente destes alimentos pode acarretar o desenvolvimento precoce de doenças como obesidade, hipertensão e arterosclerose. A notícia foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo do dia 08 de agosto mas o tema está em discussão desde o ano passado com a tramitação do Projeto de Lei 1637/07, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), que institui regras para a publicidade de alimentos com elevados teores de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sódio, além de bebidas com baixos valores nutricionais. A publicidade dessses alimentos, se o PL for aprovado, ficará totalmente proibida a transmissão durante programação infantil.
Pode estar com os dias contados a estratégia de usar temas infantis e de desenhos animados ou distribuir brinde dentro das embalagens de salgadinhos, chocolates, refrigerantes, balas e lanches em geral. A organização Consumers International, que reúne instituições ligadas ao direito do consumidor, lançou uma campanha mundial contra a publicidade de guloseimas voltado para o público infantil. A Junk Food Generation, que começou a ser veiculada no dia 15 de março, Dia Mundial do Consumidor, denuncia que o marketing da indústria alimentícia tem se voltado para as crianças e seria um dos principais responsáveis pela obesidade infantil. Uma em cada dez crianças estão acima do peso, num total estimado de 155 milhões de crianças de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde(OMS). Também de acordo com pesquisas da OMS, a publicidade dos produtos não saudáveis influenciam diretamente o comportamento das crianças que preferem esse tipo de alimento quando associados a personagens e temas infantis ou com distribuição de brindes (leia mais aqui. Em 2006, os gastos com a publicidade de guloseimas foi estimado em US$ 12,9 bilhões.
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