A nova série do Fantástico, Brasil Sem Cigarro, estimula os brasileiros a largarem o vício. Além dos programas e do blog com dicas sobre como parar de fumar, a TV Globo está instalando grandes lixeiras nas principais capitais brasileiras com o tema do programa para que os fumantes depositem os maços de cigarro. Os eventos contam com os apresentadores do programa e do médico Dráuzio Varella e uma série de ações como exames gratuitos, orientação nutricional e palestras. A inciativa, que tem a pareceria do Sesc( Serviço Social do Comércio) e do Inca (Instituto Nacional do Câncer),
já foi realizada em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza e Belo Horizonte.
Um dos destaques dessa campanha é a interatividade graças ao blog Brasil Sem Cigarro. Pela internet, os fumantes podem contar como são as dificuldades que encontra para parar de fumar, receber orientações e dicas de como vencer o vício. Todos os episódios do programa também estão sendo postados por lá.
É só ir em padarias, lojas de conveniência e outros estabelecimentos similares para se constatar que as embalagens de cigarro são estratégicamente colocadas próximas a balas e outras guloseimas. As embalagens de cigarro também estão cada vez mais parecidas com as de chiclete, chocolate, balas. É a estratégia do marketing das indústrias do tabaco para arregimentar consumidores cada vez mais jovens. As imagens acima são da campanha #LimiteTabaco, criada pela EURO/RSCG Contemporânea para Aliança de Cotnrole do Tabagismo (ACT) e Fundação do Câncer.
A campanha da ACT/Fundação do Câncer traz peças como anúncios para jornais, revistas, outdoor e busdoor, spot para rádio e vai priorizar, ainda, as redes sociais, através do Twitter e Facebook. Confira as peças no site. De acordo com a assessoria da ACT, a campanha se baseiy en pesquisas encomendadas pela organização ao Instituto Datafolha. Em abril de 2011, foi feita uma amostragem nacional, com homens e mulheres acima de 16 anos, em 145 municípios das cinco regiões. Dos entrevistados, 86% são favoráveis à proposta de proibição da propaganda e promoção dos produtos de tabaco junto aos jovens, através de festas ou eventos específicos para este público-alvo. O percentual atinge 88% entre os que têm filhos e 90% entre os que trabalham na área de educação. A proposta tem adesão em todos os segmentos da amostra, incluindo os fumantes, com 75%. Quanto à proibição da exposição das embalagens de cigarros nos pontos de venda, tais como padarias, bares, lanchonetes e bancas de jornais, para que deixem de ser vistas principalmente por crianças e adolescentes, 78% apoiam a medida. Até entre os fumantes a proposta tem adesão, com 65% de concordância. Em relação à adição de sabores e aromas aos cigarros, tais como baunilha, morango, chocolate, para torná-los mais palatáveis e atraentes e favorecer a iniciação por jovens , 75% dos entrevistados são favoráveis a que se proíba aditivos aos produtos de tabaco, incluindo 66% dos fumantes.
*Dica do leitor Igor Xaxá, que viu as peças da campanha no Metrô do Rio de Janeiro.
Para chamar a atenção para os perigos do tabaco e convencer a população a parar de fumar, a nova campanha do Departamento de Prevenção e Controle do Tabaco do American Cancer Society apelou para o slogan da campanha presidencial de Barack Obama, Yes You Can. Além disso, a campanha criada pela agência EnviroMedia de Austin criou um outdoor que mostrava pulmões enegrecidos pelo tabaco. A cada semana, a peça era pintada para mostrar o efeito que ocorre quando se para de fumar até que, em duas semanas, ganhou uma coloração mais saudável. E a palavra de ordem: deixe de fumar, tenha mais saúde.
No hotsite Yes You Can estão dicas para parar, telefone de apoio e outras peças que estimulam a largar o vício. O outdoor foi veiculado em março deste ano.
A cada ano a indústria do tabaco aprimora as táticas de convencimento para conseguir novos fumantes, uma vez que a propaganda é proibida em diversos países, como o Brasil, e muitas cidades como São Paulo, Londres, Nova Iorque e Paris aumentaram a restrição ao fumo. Mas a realidade atual é um paradoxo se comparada às estratégias utilizadas pela indústria do tabaco em suas peças publicitárias veiculadas entre as décadas de 20 e 50. Eram usadas celebridades, médicos, crianças e até Papai Noel em suas campanhas. Para mostrar as táticas dessa indústria, a agência de publicidade novaS/B mostra novamente em São Paulo a exposição Propagandas de Cigarro – Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas, aberta ao público a partir do dia 29, Dia Nacional do Combate ao Fumo.
A exposição, exibida no Instituto do Câncer do Governo do Estado de São Paulo, Otávio Frias de Oliveira, traz 90 peças de campanhas publicitárias veiculadas nos Estados Unidos entre as décadas de 20 e 50, que chegam a ser mais que politicamente incorretas. “Garganta Sensível? Fume Kool”, “Médicos fumam Camel mais do que qualquer outro cigarro” e “20.679 médicos dizem que Lucky Strike não irrita a garganta” são alguns dos exemplos estampados nas peças publicitárias da época reunidas pelos médicos Robert K. Jackler e Robert N. Proctor, professores da Universidade de Stanford, nos EUA. Para provar a suposta veracidade desse discurso, as companhias de tabaco confeccionavam relatórios médicos pseudocientíficos e pesquisas sobre os efeitos “benéficos” do cigarro e utilizavam-se de dados manipulados nos anúncios como se fossem verdades. A mostra, que integra o imenso acervo do Instituto Smithsonian – complexo de museus americanos –, percorreu 6 estados americanos e já atraiu mais de 100 mil pessoas que visitaram a mostra no ano passado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Há também peças que trazem artistas fazendo propaganda para marcas de cigarro, como Frank Sinatra, John Wayne, Lucille Ball e Marlene Dietrich. Entre as mais excêntricas, Papai Noel fuma enquanto entrega presentes e um bebê dá um conselho para a mãe mudar a marca de cigarros. “O público fica surpreso e chega a rir com o uso absurdo de imagens de bebês, Papai Noel e médicos. Entretanto, as pessoas acabam indignadas com as mentiras desses anúncios, que afirmavam que cigarro é bom para a garganta e para asma, por exemplo”, comenta o sócio-diretor da novaS/B, Bob Vieira da Costa.
A novaS/B tem importante histórico nas ações de combate ao fumo. Em 2008 e em 2010 a agência venceu a disputa que envolveu cerca de 5 agências de quatro continentes, e foi responsável pelo desenvolvimento da campanha global do Dia Mundial Sem Tabaco. Em 2008, com tema direcionado aos jovens, a campanha atingiu 1,4 bilhão de pessoas. Já em 2010, o mote escolhido pela OMS foi a “Indústria do Tabaco e o Marketing dirigido às Mulheres”. As duas campanhas foram veiculadas para cerca de 200 países, em idiomas como árabe, mandarim, russo, hindu, além do inglês, francês, espanhol, português e muitos outros.
A Exposição
Um dos anúncios apresentados mostra uma jovem enfermeira de guerra acendendo o tabaco no cachimbo de um soldado ferido. No rodapé, o texto pede uma doação para a compra de fumo aos militares. Atrizes foram escaladas para distribuir cigarros nas trincheiras. Em outra peça, uma mulher esguia e denotando segurança, vestida de terno laranja acetinado, diz em propaganda da Virgínia Slims: “Você chegou longe, baby”. Atrás da jovem, um frasco cheio de moedas e notas de dólares e uma frase afirmando que, na década de 50, aquela era a “conta bancária” das mulheres.
“Sabor luxuoso” (Vogue); “Dê férias para a sua garganta, fume um cigarro refrescante” (Camel); “A Proteção para a sua garganta contra irritação e tosse (Lucky Strike); “19.293 dentistas recomendam: Fume Viceroy! Nunca mancharão seus dentes!” Essas são algumas das mensagens que estarão nas peças mostradas na exposição.
“Eles foram ‘geniais’ para atingir seu objetivo maléfico”, comenta o dr.Jackler, referindo-se à indústria do tabaco. O médico iniciou a compilação das peças quando a mãe morreu devido a um câncer de pulmão, após fumar por toda a vida.
As estratégias da indústria tabagista para conquistar novos fumantes e manter a fidelidade dos usuários começaram a ficar evidentes, no início do século passado, quando questões relacionadas aos efeitos do fumo se tornaram amplamente discutidas e expressões como “tosse de fumante” e “pregos de caixão” passaram a permear o imaginário popular. Na ocasião, veículos de comunicação de prestígio, como o “The New York Times”, começaram a restringir a veiculação de propagandas de cigarro.
Serviço
Exposição: “Propagandas de Cigarro – Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas”
Realização: novaS/B
Período: 29 de agosto a 14 de outubro
Local: no hall do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 251 – Cerqueira César – São Paulo – SP –
Tel.: 11 3893-2000
Horário: o ICESP fica aberto 24 horas
Não há estacionamento
As empresas R.J. Reynolds Tobacco Company e sua subsidiária Santa Fe Natural Tobacco Company, Inc.; Lorillard Tobacco Company, Commonwealth Brands Inc. e Liggett Group LLC. ingressaram contra o governo dos Estados Unidos para não serem obrigadas a exibir nos maços de cigarro imagens explícitas sobre as consequências do tabagismo na saúde dos fumantes. De acordo com as empresas, as imagens não são só advertências, mas influenciam as pessoas na hora de decidirem entre fumar ou não (e é justamente por isso que os governos do mundo todo estão adotando a medida).
A partir de outubro de 2012 os maços de cigarro terão que trazer impressas imagens como pulmões doentes com legendas que advirtam sobre os males causados à saúde pelo tabagismo. A nova medida, similar à promovida em vários países europeus e inclusive no Brasil, faz parte de uma lei promulgada em junho de 2009 pelo presidente americano Barack Obama, que repassa ao governo o controle da produção, venda e publicidade do tabaco, apesar das objeções da indústria, obrigada a revelar todos seus ingredientes. O objetivo da lei, além de conseguir uma redução significativa das mortes relacionadas ao tabagismo, é realizar uma economia anual de cerca de US$ 100 bilhões em despesas por atendimento médico. Em junho, a Philip Morris ingressou com uma ação similar contra o governo da Austrália (leia mais aqui). Com informações dos jornais Washigton Post e Folha de S. Paulo.
O Blog Comunicação de Interesse Público é uma iniciativa da nova/sb Comunicação uma agência que trabalha com conhecimento e quer compartilhá-lo com todos. O blog traz informações, experiências, campanhas e ações de governos, empresas privadas, terceiro setor, veiculadas em inúmeros países, neste recorte específico que o torna único. É um imenso banco de dados sobre como a comunicação pode ajudar as pessoas a tratar melhor o meio ambiente, cuidar da saúde, educação, segurança, melhorar de vida, incentivar a auto-estima. Pretendemos também contribuir para inspirar novas práticas que beneficiem as pessoas e o nosso planeta.
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