Missão Crítica: “360” não é apenas um caleidoscópio humano, visual e dramático, mas é também a reprodução de como as vidas andam sempre em círculos
Depois da adaptação “O Ensaio Sobre a Cegueira”, o diretor Fernando Meirelles mais uma vez usa a receita repetida: atores de diferentes nacionalidades, a mistura de línguas e o descontentamento dos caminhos da vida.
A trama é uma teia do destino tecida ao longo do filme, onde cada ator passa a história para o outro, mesmo que não diretamente, todos se conectam pela infelicidade da vida atual. Aqui temos um 360, um circulo, aonde o início e o fim vão se encontrar de qualquer jeito em um mesmo ponto.
Não temos como revelar muito do enredo, já que a história é bem fechada e se dissermos muito, as surpresas serão desfeitas, e nós não queremos tomar responsabilidade nisso. Então, diremos quais são as questões que os personagens lindam e lidarão no decorrer do longa.
Mirka (Lucia Siposová) não gosta da pobreza de sua vida e quer enriquecer a qualquer custo; Anna (Gabriela Marcinkova) – irmã de Mirka – não é decidida e sente falta de um rumo; Michael Daly (Jude Law) está descontente no casamento e pensa na infidelidade; Rose (Rachel Weisz) – mulher de Michael – é infiel e quer tentar arrumar o seu casamento; Rui (Juliano Cazarré) é um brasileiro lutando em um país estrangeiro e que busca a fama; Laura (Maria Flor) – namorada de Rui – é uma brasileira em um país estranho e que está decepcionada com o amor; Tyler (Ben Foster) é um homem atormentado com medo da liberdade e à procura da íntegra redenção; John (Anthony Hopkins) é um pai amargurando atrás de uma filha magoada; Valentina (Dinara Drukarova) é uma esposa infeliz e apaixonada por outro homem; O dentista interpretado por Jamel Debbouze está em dúvida entre a religião e o amor pecaminoso de uma mulher casada; e Sergei (Vladimir Vdovichenkov) se sente aprisionado e procura a liberdade.
Por trazer muitos personagens, pouco destaque se consegue dentro do filme, é claro que todos se tornam “protagonistas” por breves momentos, mesmo assim, é aquela velha história de quando se tem muito, também pode não se ter nada. Os atores menos conhecidos do grande público conseguem se sair melhor do que os hollywoodianos – não que Jude Law, Rachel Weisz e Anthony Hopkins estejam ruins, mas a verdade é que aparecem apagados se comparamos com o resto do elenco.
O roteiro é profundo, mas de certa forma fica superficial se olharmos para a peça “La Ronde” de Arthur Schnitzler, do qual o filme foi inspirado, as questões melancólicas são vistas por cima e com rapidez – um ritmo que é realmente apropriado para o cinema, porém perigoso para a estrutura narrativa.
Além do longa ser uma ciranda de atores com histórias que se cruzam a todo o momento, a parte visual é um verdadeiro caleidoscópio, onde temos o abuso de sequências split-screen e cenários compostos de vidros e espelhos, que refletem os outros “eus” dos personagens. Temos também aparição (em excesso) de aviões em várias cenas – as chegadas e as partidas –, não há melhor transporte que transmita a ideia da despedida, do reencontro e o atravessar ao redor do planeta, o que nos leva novamente a concepção do “360”.






























































