Missão Crítica: “O Espetacular Homem-Aranha” é voltado para os fãs dos quadrinhos, que mesmo assim vão reclamar!

Podemos dizer que “O Espetacular Homem-Aranha” estreia em um ambiente complicado e inóspito.
Vamos assumir que quando foi anunciado o reinício da série Homem-Aranha, não houve uma ansiedade muito grande por nossa parte. Devemos lembrar que faz apenas 5 anos que o “Homem-Aranha 3” chegou aos cinemas brasileiros. Por isso, pareceu muito estranho essa correria para dar um reboot. Passa até uma sensação desrespeitosa com toda a equipe que realizou a primeira trilogia, mesmo que o estúdio não tivesse tido essa intenção, muitos sentiram isso.
Contudo, os fãs dos quadrinhos foram os primeiros que levantaram a bandeira em favor ao filme, já que grande parte nunca gostou dos longas criados por Sam Raimi. Então, pareceu uma boa ideia para eles.
Um dos problemas desse “reinício” é que serão feitas comparações minuciosas da produção atual com o longa de 2002, e não tem jeito, as críticas também vão apontar as semelhanças e diferenças.
Pode ser dito que a trama é praticamente igual nos dois filmes, mas as mocinhas, vilões e abordagens são totalmente diferentes.
É aquele costumeiro enredo, Peter Parker é deixado pelos seus pais aos cuidados do Tio Ben e Tia May. Agora na adolescência, ele não tem amigos, é desajeitado e ainda sente-se apaixonado por uma bela jovem, chamada Gwen Stacy.
Nessa descoberta pelo primeiro amor, ele também desenterra o misterioso passado dos seus pais, que o leva até ao laboratório do Dr. Curt Connors, antigo amigo e colega de profissão do seu pai.

Nesse mesmo lugar, Peter é mordido pela famosa aranha que lhe dará os poderes que transformarão sua vida. Esse novo caminho o levará a se questionar sobre o que é certo e errado. O Dr. Curt também irá guerrear com sua consciência sobre o que é ético e imoral, no entanto, perde sua razão na batalha e se transforma no maldoso Lagarto. Ele fará de tudo para que todos entendam a sua nova doutrina, mesmo que use a força.
Dessa forma, entra em ação o herói Homem-Aranha que é o único que pode detê-lo. Mas clichê, impossível, não é?!
Quando dissemos anteriormente que os filmes têm abordagens diferentes, não estamos exagerando! O “Homem-Aranha” é um filme que tem puro entretenimento e ação sequencial do início ao fim. Já “O Espetacular Homem-Aranha” só tem a ação esperada do meio para o término da trama, antes a história se decorre com mais pitadas de realismo. Por um momento até temos a sensação de estarmos assistindo um seriado de TV, mas isso passa.
Outro fator que incomoda é a pressa de se contar vários momentos da vida de Peter Parker. Fica claro que o roteiro tenta em não se parecer em nada com a produção de 2002, entendemos o motivo, sendo que essa atitude custa caro ao desenvolvimento posterior da dinâmica.
Os efeitos visuais conseguem ser muito bons, não surpreendem, já que vimos muitos deles nos longas anteriores do aracnídeo. Porém, estão bem mais sofisticados. Uma aparição entre os indicados a Melhor Efeitos Visuais do Oscar 2013, não será surpresa, e ainda pode abocanhar as vagas de mixagem e edição de som.
Quanto aos personagens, à escolha de colocar o Lagarto como único vilão não parece acertada, já que os valores do Dr. Curt são ambíguos, ele não dá o devido suporte que faz o herói se destacar merecidamente dentro da trama. O interprete Rhys Ifans não faz feio ao representar os seus ideais e sonhos a serem realizados do seu personagem.
A bela Emma Stone achou o tom da mocinha sem deixá-la chata e em alguns momentos ainda colocou o seu cômico jeito de ser.
Os veteranos Martin Sheen e Sally Field, através das falas, atitudes e olhares, dão o apoio necessário dentro dos conflitos, os dois conseguem dar mais credibilidade na dramaticidade.
Por fim, chegamos à questão mais dramática: E Andrew Garfield? Como foi?
Ele surpreendeu. Apesar de Tobey Maguire ter conseguido defender o seu herói como pôde, Garfield trouxe algo que Maguire tinha dificuldade, o jeito adolescente de ser de Parker, a maneira engraçada e desleixada que o personagem deveria transparecer com facilidade. Ele ainda nos puxou para o drama, algo que está acostumado em fazer em seus filmes.
Sim, Andrew Garfield foi um bom Peter Parker/Homem-Aranha. Garfield tem tudo para transformar esse “bom” em “ótimo” no próximo filme (foi anunciado que será uma trilogia), quando deverá estar mais relaxado de toda essa pressão.
Lembrando que ele não substitui a atuação de Maguire, nenhuma intepretação pode ser substituída. As pessoas têm de entender que os dois atores deram duas opções do personagem. Você só precisa escolher qual gosta mais e pronto. Sem dramas, deixem isso para os filmes.
Adaptações nunca satisfazem por completo os fãs de quadrinhos, como também não satisfazem os fãs de livros, os fãs de peças de teatro, os fãs de série de TV…
“O Espetacular Homem-Aranha” é voltado para os fãs dos quadrinhos, que mesmo assim vão reclamar.
Obs.: A rápida aparição de Stan Lee é uma de sua melhores, senão o melhor “cameo” que já fez. E ainda há uma cena pós-créditos.
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