Esquina sem semáforo. Uma solução aplicável em São Paulo?
As crescentes e complexas dificuldades do trânsito nas grandes metrópoles brasileiras, mas, em particular, na cidade de São Paulo, têm estimulado o debate sobre soluções alternativas capazes de minimizar os grandes e intrincados nós de circulação de pessoas, automóveis, bicicletas, motos, ônibus e caminhões por ruas e avenidas, nem sempre adequadas para receber a carga e a intensidade de veículos que hoje suportam.
Livre de carros
São Paulo inovou mais uma vez e está fazendo uma experiência nas ruas perto do Largo 13 de Maio, no bairro de Santo Amaro, ao proibir, por um período de algumas horas de manhã e à tarde o tráfego de automóveis particulares.
Trata-se de um dos pontos de transbordo de passageiros de transporte coletivo mais movimentados da cidade, pois faz a confluência das linhas que servem ao centro da cidade com as da região Sul, onde moram quase 5 milhões de pessoas.
E, de acordo com a Prefeitura, os primeiros resultados são positivos, com aumento significativo da velocidade dos coletivos no trecho e redução de até 20 minutos na viagem até o destino final de alguns passageiros de ônibus.
A experiência pode servir de estímulo ao debate que se intensificou no ano passado de se criar o pedágio urbano para restringir o tráfego em algumas regiões, solução implantada em várias cidades do mundo, geralmente em sua região central, como em Londres, que já vive esse tipo de restrição no centro financeiro desde 2003.
Tudo junto, compartilhando a rua
Outra experiência urbana, exatamente no sentido oposto da que está sendo realizada em São Paulo, foi recentemente implantada em outra cidade inglesa, em Poynton, na periferia da industrial cidade de Manchester.
Ali há um entroncamento muito complexo, na confluência de pistas de passagem de carretas enormes, automóveis, bicicletas, pessoas à pé, várias casas de comércio e até uma igreja, exatamente na esquina por onde passam diariamente 26 mil veículos.
Durante a maior parte do tempo, em função dos semáforos que controlavam os fluxos, o tráfego era extremamente moroso e as imagens do vídeo colocado no final deste texto dão uma ideia de como aquele cruzamento era até mesmo assustador.
Pois foi ali que se colocou em prática um ambicioso plano de re-design urbano, há muitos anos defendido por alguns poucos engenheiros de tráfego no mundo, de eliminar os semáforos, placas de orientação e até a sinalização horizontal pintada na rua e as faixas de pedestres.
A idéia é confiar que os motoristas e transeuntes saberiam – sem qualquer treinamento – como agir na nova situação e descobririam como respeitar um ao outro em um espaço compartilhado, sem todo esse aparato de controle de fluxos, comum à vida de qualquer cidade. No caso, todos os controles foram substituídos por um arranjo de pisos com texturas diferenciadas, pequenas sobrelevações das calçadas e a esquina agora no formato de dois círculos sucessivos.
E os resultados são realmente impressionantes, com redução dos acidentes, dos tempos de espera e aumento da segurança das pessoas nas travessias e até mesmo com maior velocidade de transposição do nó de trânsito pelos veículos.
Vale a pena assistir ao vídeo a seguir, de aproximadamente 15 minutos, ainda que a locução seja em inglês sem legendas ou tradução e as mãos de direção sejam ao contrário, pois ele é auto-explicativo. No final, dá para entender que podem existir soluções criativas e inovadoras para resolver a questão do tráfego urbano, sem que seja necessário segregar nenhum tipo de usuário.
Será que saberíamos compartilhar uma solução como essa?












