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quarta-feira, 16 de maio de 2012 Trânsito, Urbanismo | 11:53

Rio de Janeiro mostra o futuro da administração pública

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O Centro de Operações da cidade do Rio de Janeiro, instalado no bairro Cidade Nova, próximo à região central, foi apresentado recentemente aos leitores do iG.

Essa instalação de monitoramento urbano é inédita em termos nacionais  e coloca o Rio de Janeiro na vanguarda instrumental da administração pública em nível internacional.  Deveria servir de inspiração para que outras grandes metrópoles brasileiras tivessem vergonha de suas práticas antiquadas e adotassem sistemas semelhantes, já que a tecnologia é barata e absolutamente disponível, desde que os governos locais desenvolvam um mínimo de organização dos dados administrativos, econômicos e demográficos.

A administração de várias das mais importantes cidades do mundo – acredite se quiser – hoje têm o Rio como exemplo a ser seguido, uma vez que é o centro de operações urbanas que reúne o maior número de especialidades e órgãos públicos em um mesmo local, em comparação a outras experiências importantes como a de Nova Iorque ou Londres. Em operação desde o final de 2010, o Centro de Operações conta com 30 diferentes órgãos da administração municipal, 24 horas por dia, 7 dias por semana. O prédio e o ambiente interno não se parecem em nada com a tradicional lentidão e marasmo das repartições públicas. Ao contrário, o ritmo é frenético, embora silencioso, e todos os agentes municipais que ali estão mantém-se atentos aos 80 monitores de 46 polegadas que compõem o imenso telão que domina a sala, além de acompanhar os indicadores de cada uma das especialidades em sua própria estação de trabalho.

Conheça alguns detalhes e exemplos operacionais do Centro de Operações do Rio de Janeiro:

Todos uniformizados para que tenham responsabilidade sobre a cidade, sem hierarquia.

1. Uniforme é obrigatório – todos os funcionários públicos que estão no Centro de Operações usam um macacão branco, com marcações em azul. Parecem prontos para entrar em cena em casos de calamidade. O chefe-executivo de operações, Sávio Franco, explica que o uniforme é para que todos sintam-se parte de uma só equipe, ainda que tenham formações e respondam a órgãos públicos diferentes. “Além disso – destaca Sávio – aqui dentro todos têm o mesmo nível hierárquico e ninguém ou nem mesmo um órgão pode ser superior ao outro, seja porque é mais importante, tem salário maior ou seja mais rico”. Aqui dentro, todos têm a mesma responsabilidade perante a cidade.

2. Uso mínimo de papel - os famosos memorandos internos e os imensos processos administrativos para solicitar alguma coisa de um órgão para outro da administração aqui não têm vez. A ordem é “papel zero” entre os vários agentes. Ou seja, se a Companhia de Engenharia de Tráfego precisa que a Light desligue um ramal de energia ou a Polícia Militar mobilize a segurança para determinado local, basta solicitar verbalmente para a outra bancada. “não chegamos a eliminar o papel, mas aqui não há espaço para burocracia. Trabalhamos em tempo real, explica o chefe de operações.

3. Câmeras de fiscalização – O município do Rio de Janeiro já instalou mais de 500 câmeras de vigilância e quer chegar às 850 em breve. Se houver um alarme em qualquer região da cidade, imediatamente ele é localizado no mapa que fica permanentemente no telão e as câmeras mais próximas são apresentadas em monitores ao lado. Caso uma imagem tenha significado importante para a compreensão da ocorrência, ele é colocado em tamanho maior pela combinação das imagens de monitores. Segundo a chefia de operações, uma das possibilidades do futuro é integrar a essa rede de imagens as câmeras privadas de condomínios ou empresas via internet, a exemplo do que já começa a ocorrer em outros países.

4. Veículos públicos monitorados em tempo real – caminhões de lixo, viaturas de polícia, máquinas e equipamentos de escavação, movimentação de carga e terraplanagem, ônibus e microônibus, veículos de controle de trânsito e, em breve, todos os demais veículos dos agentes públicos ou concessionárias são monitorados por GPS e aparecem nos mapas com sua localização exata. No caso de situações críticas como a que ocorreu com o recente desabamento dos prédios no centro histórico, imediatamente são acionados para que se dirijam ao local e iniciem os trabalhos de gestão da calamidade.

Alexandre Cardeman, chefe executivo de tecnologia do Centro de Operações, mostra como faz a simulação das ações, desenhando diretamente no telão

5. O mapa da cidade no centro das decisões – a plataforma geográfica com dados de trânsito e visualização de fotos de satélite, hoje acessíveis a qualquer pessoa com acesso à internet, além de permitir a visualização imediata da ocorrência, torna-se a base para ensaios imediatos de como agir, que tráfego interromper, que áreas isolar. Monitores do tipo touch screen, instalados em uma sala de crise, permitem que os técnicos e os governantes discutam a melhor maneira de intervir, onde localizar cordões de isolamento, melhores acessos e recursos mais próximos, com compartilhamento imediato para todos os envolvidos.

6. Acionamento de sirenes nos bairros – as características geomorfológicas e a topografia da cidade exigem que as áreas de risco nas encostas – onde localizam-se as grandes favelas – sejam monitoradas diuturnamente. Em casos de iminência de grandes chuvas, as populações locais são avisadas por sirenes disparadas diretamente do Centro de Operações. Equipes de moradores treinados já sabem o que fazer, para agilizar a retirada das pessoas das áreas de maior risco.

7. Telefone das instituições e nomes dos responsáveis – para tornar mais rápida a reação das populações quando há problemas em determinadas áreas, como eventuais conflitos armados, iminência de cheias de córregos, desastres naturais e até mesmo violência gratuita contra moradores do bairro, o Centro de Controle mantém uma agenda de telefones, celulares e nomes dos responsáveis por instituições e edifícios de uso comum  como escolas, templos, hospitais etc., de modo a mobilizá-los rapidamente se estiverem dentro da área de influência daquela ocorrência.

8. Radar metereológico e simulações de enchentes – o Centro de Operações acompanha a movimentação e volume de água acumulado nas nuvens, bem como alterações de vento, temperatura e pressão, gerando leituras antecipadas da ocorrência de chuvas intensas e localizadas sobre córregos e cursos dágua. Todos esses dados são incorporados a algorítmos capazes de simular as possíveis consequências, inclusive com os tempos para qua haja alagamentos ou enchentes que venham a prejudicar os cidadãos. Nesse caso, equipes da Defesa Civil são acionadas para isolar áreas com cavaletes, impedindo o acesso e prejuizos maiores.

9. Dados populacionais integrados à operação – os mapas apresentados nos telões podem receber layers de dados demográficos, de modo a permitir que o poder público verifique o número estimado de populações afetadas por determinada ação ou calamidade e em alguns anos permitirá a gestão de dados dinâmicos como endemias, vetores de doenças, oferta de serviços públicos adequados ao perfil etário e muitos outros.

10. integração com o Portal Rio 1746 - o Centro de Operações recebe em tempo real todas as colaborações, indicações, informações e denúncias encaminhadas pelos cidadãos sobre semáforos defeituosos, falta de iluminação pública, buracos nas vias, focos de dengue, poda de árvores e todas as pequenas ocorrências que dominam o dia a dia das equipes das prefeituras. O 1746 é um canal aberto por telefone, website ou por aplicativo mobile, com possibilidade de acompanhamento da solução dada pelo poder público.

11. O acesso da imprensa é permanente – ao contrário da maioria das administrações públicas que tentam manter a imprensa afastada das mazelas do município, o Centro de Operações do Rio de Janeiro tem uma sala de imprensa aberta para o ambiente de monitoramento. Ou seja, no instante em que ocorre uma catástrofe ou um problema de segurança ou trânsito,  a imprensa torna-se também agente do processo de comunicação com a sociedade, de forma livre e transparente, e pode até mesmo contribuir com informações complementares para realimentar as ações públicas.

Enfim, o Centro de Operações do Rio de Janeiro é de dar inveja a qualquer prefeitura e a prefeitos que tenham um mínimo de interesse pelas cidades que administram, em qualquer lugar do planeta. O vídeo a seguir é uma apresentação feita por ocasião da sua inauguração e mostra um pouco dessa nova forma de administrar uma cidade.

Autor: Rubens de Almeida Tags: , ,