A inevitável comparação dos tempos nos aeroportos em São Paulo e Nova Iorque
Uma boa medida para avaliar a mobilidade urbana, agora que existe uma nova lei para orientar todos os municípios brasileiros, é verificar os tempos necessários para cumprir algumas rotinas básicas em uma grande cidade. Começaremos com uma comparação rápida entre os tempos necessários para um viajante internacional que chega a São Paulo ou em Nova Iorque, para que possa se desvenciliar da cansativa sequência de atividades que começa no desembarque e continua pela alfândega/polícia federal/bagagem/fila do taxi até a chegada ao centro da cidade.
Os tempos aqui mencionados foram medidos nas últimas duas semanas, com a diferença de uma semana entre as duas medições.
Nova Iorque:
- Desembarque até o saguão da fila da imigração: 5 minutos
- Fila da imigração (estrangeiro chegando nos EUA): 25 minutos
- Espera da mala: 5 minutos
- Alfândega: imediato
- Fila do taxi (a uma temperatura externa de 7o Celsius): 12 minutos
- Viagem até o centro da cidade: 45 minutos
TOTAL: 92 MINUTOS (1 hora e 32 minutos)
São Paulo:
- Desembarque do avião até o saguão da fila da imigração: 17 minutos (desembarque remoto feito por ônibus pois não havia finger disponível em Guarulhos)
- Fila da imigração (brasileiro chegando no Brasil): 15 minutos
- Espera da mala: 45 minutos
- Alfândega: imediato
- Fila do taxi (a uma temperatura externa de 28o Celsius): 45 minutos
- Viagem até o centro da cidade: 45 minutos
TOTAL: 167 MINUTOS (2 horas e 47 minutos)
Quase o dobro do tempo. Sem falar das péssimas instalações do aeroporto de Guarulhos e da evidente falta de estrutura para receber mais de um vôo internacional ao mesmo tempo. O detalhe que vale a pena ser mencionado é que o tempo de espera pelo taxi em São Paulo se devia ao fato de não haver carros disponíveis para os que chegavam à cidade, enquanto em Nova Iorque o tempo de espera se devia a um desajeitado sistema de aproximação, estacionamento e carregamento dos porta-malas pelos taxistas.
Mas há outra diferença: em Nova Iorque os taxis são livres para encostar nos terminais do aeroporto JFK. No terminal Franco Montoro, em Cumbica, há uma cooperativa de motoristas que tem a concessão exclusiva para fazer o serviço pela prefeitura de Guarulhos e que não permite que taxis comuns peguem os passageiros.
Em contato telefônico, a Guarucoop afirmou que o problema não era dela, mas do trânsito da cidade que impedia que os taxistas voltassem ao aeroporto. Na prefeitura, a assessoria de imprensa não sabia que o problema existia.
Mas o pior de tudo é ouvir calado – e não ter como se contrapor - alguns grupos de argentinos falando alto para quem quisesse ouvir: “e eles ainda querem sediar a copa do mundo…”
